quinta-feira, abril 30, 2009

A antiga Escola Primária e o Castelo de Colares

A escola,a casa da água (Castelo)-imagem Google Earth

A antiga escola primária de Colares foi edificada na alvorada novecentista, segundo projecto de Adães Bermudes e a sua configuração parece, de algum modo, conservar o fóssil planimétrico do paço do bispo Mello e Castro. O seu prospecto é modesto e o arquitecto optou pela aplicação de materiais cerâmicos nos vãos das janelas e portas, sobressaindo, no lado oposto ao torreão, elegante campanário.


A antiga Escola Primária de Colares

Ainda em relação a esta escola, o jornal semanário Correio de Cintra publicou, na sua edição de 25 de Outubro de 1903, a seguinte notícia:
«Como se sabe o fallecido visconde de Monserrate offerecera em tempo o antigo palacio arruinado Albernaz para edificação de uma escola, o que nunca se realizou. O actual visconde continuando a obra generosa de seu fallecido pae não só confirmou a offerta, mas autorisou a demolição das paredes e offereceu a pedra d'ellas extraida, o que representa um valioso donativo, impondo porem a condição de que a edificação seja simultanea com a demolição. O architecto sr. Bermudes deve vir brevemente a Cintra para tratar d'esta importante obra».

*Texto do site da Junta de Freguesia de Colares

Lápide evocativa da oferta do terreno para a escola feito peloVisconde de Monserrate em 1903

Parte da estrutura do Paço do Bispo Melo e Castro, ainda com vários vestígios da antiga parede, encostada ao edifício da escola primária, construída no espaço anteriormente ocupado pelo Palácio de Dinis Melo e Castro.



Post relacionado:
Castelo de Colares II-aqui

quarta-feira, abril 29, 2009

Sintra livre de Touradas e condiciona Circos com animais


A autarquia de Sintra aprovou em Assembleia Municipal o novo Regulamento de Animais do Município de Sintra,que recusa espectáculos como touradas ou circos que ponham em causa o bem-estar de animais.

A proposta do BE foi aprovada por maioria, apesar dos votos contra da CDU e de alguns eleitos do PS e da coligação PSD/CDS-PP.

Esta posição de Sintra acontece depois de Viana do Castelo, Braga e Cascais anunciarem que não autorizavam espectáculos tauromáquicos ou circo com animais em estruturas desmontáveis.

Assunto que mereceu devido destaque no jornal “Público”

terça-feira, abril 28, 2009

Peninha



Posts relacionados:
-Olhares sobre a Peninha-aqui
-Capela da Peninha -aqui
-Capela da Peninha II -aqui

*Texto publicado na revista "Feira da Ladra" Nº1 de 1940

segunda-feira, abril 27, 2009

Castelo de Colares II

Continuação do post "Castelo de Colares"

“D.Dinis de Melo e Castro obteve a posse do antigo “castelo” onde funcionava a Câmara e a cadeia de Colares:«ainda que conservado o castello, delle se serviaõ os officiais da Camera para os ministerios do governo commum; com tudo há mais de cem annos, e fazendo gosto de viver naquella villa D.Diniz de Melo e Castro (sogeito de grande, e particular distincaõ; porque havia sido Bispo de Leiria, de Viseo e da Guarda, e Regedor das justiças deste Reyno) conseguio da mesma Camera o dominio e a posse de tal Castello. Neste, mudada a figura, fabricou um curioso Palacio para sua habitação. Que ainda existe dentro da villa (...) As casas da Camera, e Cadêa se fizeraõ em outro lugar»
Santa ANNA, 1751 II 89 Cfr, Maria Teresa Caetano "Colares"

A construção do Palácio do bispo D.Dinis ter-se-á, iniciado em 1620
Diniz de Melo e Castro, Nasceu em Colares, onde viveu largos anos. Morreu em Lisboa, em 24 de Novembro de 1640.Bispo de Viseu (1638) ,Guarda e Leiria, de que tomou posse em 11 de Dezembro de 1627.fundou a casa da Câmara e a Misericórdia de Colares .Obteve o domínio do arruinado castelo, fazendo construir sobre ele a sua casa.

«Colares teve castelo quase por completo desaparecido, cuja origem e fundação se desconhecem.» A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Volume VII, pag 109

O acesso ao "Castelo" com o fontanário cuja água que jorra , é ainda hoje canalizada através da Casa da àgua do "Castelo"

A CASA DA ÁGUA


"Por conseguinte, da singular villa de sabor italianizante subsiste, apenas, uma arcaria de amplos vãos cegos e a casa da água, sustida por abóbada de canhão. A cobertura destes edifícios, de planta regular e contíguos, é única e forma um grande terraço lajeado, delimitado por murete com conversadeiras. A data de 1690 inscrita numa cartouche relevada sobre o arco abatido de acesso à casa da água, indicará, talvez, a época em que se revestiram as paredes exteriores, junto ao grande tanque, com frescos de cariz mitológico e influência italianizante, infelizmente quase desaparecidos."
C.M.S. - Divisão de Património Histórico-Cultural
Antigas canalizações e tijolos em barro

domingo, abril 26, 2009

Dizer Cantar Zeca Afonso - no Mucifal

A celebração dos 35 anos do 25 de Abril de 1974 , aconteceu na União Mucifalense com poesia e canções de Zeca Afonso.

Na poesia Maria Almira Medina e um conjunto vasto de poetas populares, nas canções Paulo Lawson e Luis Santos e a presença de um músico da banda da União Mucifalense.



A música e poesia de José Afonso sempre presente na festa do 25 de Abril

sábado, abril 25, 2009

Os Índios da Meia Praia








35 ANOS DEPOIS...

No jornal "Público" Online

Zona vai ser palco de construção de 8 hotéis de luxo

Lagos: Índios da Meia Praia pedem requalificação dos bairros onde vivem há 40 anos
24.04.2009 - 11h02 Cecília Malheiro, Lusa

Com a chegada de oito hotéis de luxo à Meia Praia, em Lagos, os pescadores conhecidos pelos Índios da Meia Praia reivindicam uma requalificação sustentável para os bairros onde vivem há cerca de 40 anos.

O primeiro hotel de luxo a abrir na Meia Praia já este sábado, às 20:00, é o Vila Galé Lagos, um quatro estrelas superior dedicado ao mundo da moda e com cerca de 30 milhões de euros investidos pela segunda cadeia hoteleira mais importante do país.

Em declarações à Lusa, o autarca de Lagos, Júlio Barroso, adiantou que estão na calha mais sete hotéis no âmbito do Plano de Urbanização da Meia Praia (PUMP), sendo dois deles projectos Potencial Interesse Nacional (PIN).

Os hotéis de luxo são vistos com agrado pelos habitantes do típico Bairro 25 de Abril, mas o presidente da Associação de Moradores apela ao autarca de Lagos para que em vez da desactivação progressiva do bairro se aposte numa requalificação do bairro dos pescadores em pólo turístico.

"Vemos com bons olhos o aparecimento de empreendimentos hoteleiros, porque traz mais investimento para a nossa zona e emprego, mas como isto é uma aldeia típica e antiga, a Câmara devia preservar o local e transformá-lo num ponto turístico a visitar", defendeu José Bartolomeu, presidente da Associação de Moradores da Meia Praia.

Segundo José Bartolomeu, o presidente da Câmara de Lagos devia "pôr olhos na aldeia, que tem quase 40 anos e onde há pessoas muito antigas a viver, e devia transformar o local num sítio a visitar".

Júlio Barroso disse à Agência Lusa que foi decidida a desactivação progressiva dos bairros da Meia Praia, contudo alega que "está tudo em aberto" e que a hipótese de uma requalificação dos bairros dos pescadores pode ser viável.

"O que está lá não honra Lagos, nem o país, mas a vida é uma dinâmica e não descarto a hipótese de requalificar os bairros", disse.

Além do Vila Galé Lagos, cujas obras exteriores estão a ser ultimadas esta semana para a inauguração no dia 25 de Abril, e com a provável visita do primeiro-ministro José Sócrates, está também em construção na Meia Praia o Iberohotel de cinco estrelas e que deverá terminar obra em Abril de 2010.

Os projectos PIN Palmares - com um aldeamento turístico, um hotel e o campo de golfe - e o Meia Praia Baia Resort - constituído por um hotel, um suite hotel e um apartotel - estão ambos previstos abrir em 2012.

Com o Hotel Meia Praia (antigo Hotel Azul), também do grupo Palmares, e o Hotel "New Paradigme" estão previstos um total de oito unidades hoteleiras no PUMP.

A Câmara de Lagos aprovou recentemente o plano de pormenor na zona da estação de caminho de ferro e está previsto ainda para a zona da Meia Praia outros dois empreendimentos de investidores espanhóis.

No Bairro 25 de Abril há cerca de 50 casas com anexos e cerca de 220 pessoas a viver nelas, mas uma parte dos habitantes - a segunda geração dos índios da Meia Praia - já partiram para bairros nos arredores da cidade de Lagos.

"Os novos vão embora e ficam os velhos. Esta comunidade vai deixar de existir se não deixarem fazer obras nas casas ou se não existir uma requalificação amiga do ambiente", alerta o índio da Meia Praia, José Bartolomeu.

Manuela Rosa, 60 anos e há 41 anos a viver ao lado do mar da Meia Praia não concorda em ter que largar a sua casa e diz que dali não sai para nenhum apartamento.

"Tenho problemas de pernas, não posso subir escadas", riposta sentada numa das cadeiras do Café Larita, o único do bairro, onde há bolos frescos e sumos Caprisone e onde se pode jogar às cartas e bilhar.

Também Pedro Romão, um "índio de segunda geração", demonstra desagrado em estarem a separar a comunidade piscatória.

"Não tem jeito nenhum, separarem-nos e porem-nos em apartamentos", lança atrás do balcão do Café Larita.

Os índios da Meia Praia foram cantados pelo músico José Afonso, que lhes dedicou uma canção.

Inicialmente a população vivia em barracas de colmo e depois passou para casas de tijolo erguidas após o 25 de Abril com dinheiros do Estado português a fundo perdido através do SAAL (Serviço de Apoio Ambulatório Local).

O Plano da Urbanização da Meia Praia foi aprovado em Julho de 2007 pelo Governo, uma medida que veio permitir a construção de hotéis de quatro e cinco estrelas naquele areal.

sexta-feira, abril 24, 2009

O terramoto de Benavente de 1909

Foi ontem evocado em Benavente o fatídico dia 23 de Abril de 1909, em que ocorreu o maior sismo verificado no século passado em Portugal.
A Câmara Municipal de Benavente desenvolveu um programa de comemorações que se vai estender por várias datas. Ontem decorreu uma sessão solene, com o lançamento do livro «Do Terramoto de 23 de Abril de 1909 à reconstrução da vila de Benavente – um processo de reformulação e expansão urbana», de Rui Vieira. e a inauguração no Museu Municipal de Benavente de uma exposição sobre o terramoto de 1909.

Uma foto inédita do terramoto da autoria de Eugénio Germano Baptista, publicada no "Rio das Maçãs" em 28 de Novembro de 2008, foi o motivo da ligação deste blogue às comemorações de Benavente.


A foto inédita aqui reproduzida da Capela de NªSra. da Paz de Benavente, presente na exposição, também uma homenagem a Eugénio Germano Baptista.
Publicamos mais uma foto inédita da autoria de Eugénio Germano Baptista do terrível terramoto de 1909, que teve o epicentro entre as localidades de Benavente e Samora Correia, atingindo a magnitude de 6,7 na escala de Richter, e que originou a destruição quase completa das Vilas de Benavente e Samora Correia, provocando 60 mortos e muitos feridos.

Comemorações do 25 de Abril


SINTRA


MUCIFAL -União Mucifalense

quinta-feira, abril 23, 2009

Memórias do antigo regime IV

As últimas "eleições" do regime Marcelista

Em 28 de Outubro de 1973, a Acção Nacional Popular (ANP), assegura uma vez mais a «eleição» de todos os seus candidatos a deputados na Assembleia Nacional. De novo unida, a oposição ao regime ditatorial desiste do acto eleitoral e denuncia a natureza não democrática e fraudulenta de todo o processo.

Iconografia eleitoral do partido oficial (único) , do regime

A gralha tipográfica que não podia acontecer
Jornal "Época" de 25 de Setembro de 1973

O jornal “Época” orgão oficial da ANP, publicou em 25 de Setembro de 1973 a lista dos candidatos da ANP, pelos círculos da India, Porto e Setúbal e então “surgiu” a gralha tipográfica que não podia ter acontecido - e que terá custado no mínimo, o emprego ao revisor de provas do jornal.

A gralha

Posts relacionados:
Memórias do antigo regime III
Memórias do antigo regime II
Memórias do antigo regime
Eleições em Portugal antes de Abril de 1974- aqui e aqui

quarta-feira, abril 22, 2009

O Castelo de Colares


Palácio de D. Diniz Melo e Castro "Castelo de Colares"

A construção do Palácio dos Melo e Castro, em Colares, ter-se-á, por ventura, iniciado em cerca de 1620. O facto de se terem detectado alguns elementos pétreos manuelinos avulsos permitem supor que o edifício seiscentista se terá desenvolvido a partir de uma estrutura preexistente, nomeadamente segundo uma tradição historiográfica da Casa da Câmara, a qual, por sua vez, teria aproveitado a antiga alcazaba do hoje desaparecido castelo muçulmano.


Os restos deste palácio que terá ardido em meados do século XIX, foram demolidos nos inícios do século passado para ali se erguer a escola primária. Por conseguinte, da singular villa de sabor italianizante subsiste, apenas, uma arcaria de amplos vãos cegos e a casa da água, sustida por abóbada de canhão. A cobertura destes edifícios, de planta regular e contíguos, é única e forma um grande terraço lajeado, delimitado por murete com conversadeiras. A data de 1690 inscrita numa cartouche relevada sobre o arco abatido de acesso à casa da água, indicará, talvez, a época em que se revestiram as paredes exteriores, junto ao grande tanque, com frescos de cariz mitológico e influência italianizante, infelizmente quase desaparecidos.

Texto da C.M.S. - Divisão de Património Histórico-Cultural



O "Castelo" dos Melo e Castro foi há cerca de 15 anos adquirido pela Câmara Municipal de Sintra, não havendo após a aquisição nenhum trabalho de investigação ou recuperação daquele histórico espaço, de forma que possibilitasse o acesso público.

Continua

terça-feira, abril 21, 2009

Memórias do antigo regime III

Av.Lourenço Peixinho em Aveiro, cenário da violência policial *


III Congresso da Oposição Democrática de 1973


O Teatro Avenida em Aveiro era antes de Abril de 1974, o palco onde o antigo regime concedia em vésperas eleitorais alguma possibilidade dos opositores que se encontravam no País de discutir as propostas políticas alternativas ao regime de então.

Fora do Teatro Avenida a repressão das forças policiais fazia-se sempre sentir com grande violência.


A uma semana das comemorações dos 35 anos do 25 de Abril de 1974, algumas notas sobre o III Congresso da Oposição Democrática de 1973, realizado em Aveiro.

III CONGRESSO DA OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA

De 4 a 8 de Abril de 1973 decorreu em Aveiro o III Congresso da Oposição Democrática que teve a sessão inaugural no dia 4, com um discurso de abertura feito pelo advogado Seiça neves, lendo um extenso telegrama do Dr. Rui Luis Gomes, indigitado Presidente do Congresso, mas que por impedimento de entrada no País, deixou vaga a cadeira de presidência.
Presentes, jornalistas da Suécia, Dinamarca, Noruega, Alemanha, Suiça, Itália, Cuba,Argentina, Estados Unidos da América, Inglaterra, França, etc., além da imprensa portuguesa.
Presentes ainda a TV francesa e alemã, a tempo de filmar com dificuldade, os distúrbios havidos no domingo, no fim de uma marcha silenciosa desde o teatro onde funcionou o Congresso até à Ponte-Praça.
Já neste último local, os manifestantes foram violentamente carregados pelas «forças da ordem» que os dispersaram, forçando-os à busca apressada dos habituais refúgios de ocasião.

Em “Origens e Evolução do Movimento de Capitães” de Dinis de Almeida , Ed. Sociais

Imagem constante da repressão policial **

Da declaração final do III Congresso da Oposição

"(...) os democratas presentes no III Congresso da Oposição Democrática concluem que os objectivos imediatos, possíveis de atingir através da acção unida das forças democráticas, são:

-Fim da guerra colonial;
-Luta contra o poder absoluto do capital monopolista;
-Conquista das liberdades democráticas;


A luta por objectivos parciais imediatos, sendo nas actuais condições amplamente mobilizadora, não deve no entanto fazer-nos esquecer o objectivo final da conquista do socialismo, o qual é indispensável para a construção de uma sociedade justa e digna.
(...)"


Post relacionados:

Memórias do Antigo regime-aqui e aqui

Notas:
*Foto encontrada-aqui
**Foto encontrada -aqui

segunda-feira, abril 20, 2009

Olhares sobre a Peninha

Foto de António Passaporte (1901-1983)-Arq.foto.da CML

A Peninha que “assenta n’um dos píncaros da serra” , tem sido ao longo do tempo um local muito procurado pelos visitantes de Sintra, tanto pela sua história como pela paisagem que daquele ponto da serra se desfruta.

Hoje publicamos mais imagens da Peninha, desta vez na visão de um fotógrafo e de dois artistas plásticos.


Stephen Brody
Já com várias aguarelas publicadas aqui e aqui - é um artista cuja obra é um verdadeiro roteiro das maravilhas de Sintra.



Página de Stephen Brody -aqui

Elsa Nobre
As suas pinturas a óleo, demonstram um olhar atento sobre o que se passa à sua volta - com relevo para o Concelho de Sintra e conta com a participação em 47 exposições individuais e colectivas.

Página de Elsa Nobre-aqui

domingo, abril 19, 2009

5º Rally As Camélias de Sintra em Automóveis Antigos

Decorreu Sexta-feira e Sábado, a 5ª edição do Rally As Camélias de Sintra em automóveis antigos, este ano com tempo chuvoso.

No momento da publicação deste post, está a acontecer uma cerimónia de entrega dos prémios aos primeiros classificados - motivo pelo qual essa informação não é aqui referida.

Aqui ficam as fotos de alguns dos antigos bólides que participaram e terminaram a prova.


1ºdia da Prova - Sexta -feira 17

2º dia da prova - Sábado 18