quarta-feira, novembro 30, 2016

A propósito de Falcoaria

A UNESCO vai decidir hoje se a falcoaria em Portugal é Património da Humanidade
Foto na BA1 Granja do Marquês/Sintra

A classificação da arte da falcoaria em Portugal como Património Cultural Imaterial da Humanidade candidatou-se em 2015 pela Câmara de Salvaterra de Magos, vai ser decidida, esta quarta -feira numa reunião da UNESCO na Etiópia
Foto na BA1 Granja do Marquês/Sintra
Foto na BA1 Granja do Marquês


Foto na BA1 Granja do Marquês
FalcaoUnescoblog.jpg
Foto na BA1 Granja do Marquês
*Nota
Nas bases aéreas a utilização de falcões é de grande utilidade de forma a fastar das pistas outras aves, para que a aterragem dos aviões se faça sem qualquer risco de acidente (evitar que os reactores "chupem" as aves  provocando acidentes graves)

terça-feira, novembro 29, 2016

Resgate na Praia da Ursa

Resgate por meio aéreo no dia 27 de Novembro na Praia da Ursa, Sintra. 
O meio aéreo envolvido no resgate foi o helicóptero EH-101 MERLIN, operado pela Esquadra 751 – “Pumas”.

Na Praia a presença de António Miguel Carvalho, possibilitou a tomada de fotos durante o resgate a partir de terra.

https://www.facebook.com/antonio.miguelcarvalho.1?fref=nf



Foto de António Miguel Carvalho em 27/11/2016
Foto de António Miguel Carvalho em 27/11/2016
Foto de António Miguel Carvalho em 27/11/2016

Imagens do resgate de dentro do Heli-101 Merlin
Fotogramas  da Força Aérea Portuguesa a partir de Vídeo 
Ver aqui:
http://www.emfa.pt/www/noticia-1234-forca-aerea-realiza-salvamento-na-praia-da-ursa-sintra
"A Força Aérea resgatou, no dia 27 de novembro, uma mulher de nacionalidade portuguesa, que precisava de assistência médica, na sequência de uma queda numa ravina na Praia da Ursa, Sintra. O meio aéreo envolvido no resgate foi o helicóptero EH-101 MERLIN, operado pela Esquadra 751 – “Pumas”.

ResgateFAP4.jpg
Fotograma FAP
ResgateFAP.jpg
Fotograma FAP
ResgateFAP5.jpg
Fotograma FAP

Fotograma FAP
ResgateFAP2.jpg
Créditos:
 António Miguel Carvalho - Fotos a partir da Praia da Ursa
Força Aérea Portuguesa - Fotogramas a partir de vídeo FAP

segunda-feira, novembro 28, 2016

Barão Von Bruemmer o Senhor d'Adraga

Faz exactamente 1 ano, em 28 de Novembro de 2015, publicámos um post sobre o Barão, hoje via blog :"Sintra Notícias" tivemos conhecimento do seu falecimento no dia de ontem. Por esse motivo publicamos  de novo, hoje em forma de homenagem, o post  de 28 de Novembro de 2015.

 As vinhas do Barão
Barão Von Bruemmer
"O barão Bodo von Bruemmer viveu quatro vidas. Nasceu num lugar chamado Curlândia, sobreviveu a duas guerras mundiais, mudou quinze vezes de escola, teve um cancro. Nunca se sentiu de nenhum país, até encontrar casa em Portugal, aos 60 anos. Aos 96 tornou-se viticultor. Da sua vinha, em Sintra, saem lotes premiados.Mas esta não é uma história sobre vinhos nem a descoberta do segredo da longevidade. Esta é a história de um homem que, prestes a fazer 104 anos, ainda quer continuar a desafiar o tempo."

http://www.noticiasmagazine.pt/2015/barao-bodo-von-bruemmer/

in Magazine Notícias (D.N.) de 8 de Novembro de 2015

Em 1960 conseguiu comprar o Casal de Santa Maria, em Casas Novas na freguesia deColares, no momento seguinte juntou-se aos Bombeiros Voluntários de Colares, "porque estava preocupado com os incêndios que ameaçavam a região".

Aos 96 anos encontrou novamente força e ânimo para destruir e construir, para começar de novo, "plantar uma vinha no Casal de Santa Maria". Em 2010 produziu o primeiro vinho, actualmente tem 13.

" A nova vida de Von Bruemmer como produtor de vinhos também se traduziu numa nova vida para o Casal Santa Maria, onde trabalham nove pessoas, entre empregados, a secretária do barão e dois enólogos. O enólogo chefe é Jorge Rosa Santos".

A vinha
Numa localização previligiada entre o Oceano Atlântico e a serra de Sintra, fica o Casal de Santa Maria, a vinha mais ocidental do continente europeu, ocupando nove hectares de terreno na aldeia de Casas Novas, em Colares.A produção vinícola nesta quinta foi retomada em 2007, mais cem anos depois de ser interrompida em 1903.

Créditos:
Magazine Notícias (D.N.) de 8 de Novembro de 2015 (transcrições parciais do texto)
texto Catarina Fernandes Martins/fotografias Gerardo Santos/Global Imagens

Lisboa, Colares
Jorge Rosa Santos/António Figueiredo
Chardonnay, Arinto, Alvarinho
13,00%

domingo, novembro 27, 2016

Apresentação da monografia "Colares" de Maria Teresa Caetano


No último sábado integrado na programação das celebrações dos 500 anos do Foral de Colares, foi lançada uma reedição da Monografia Municipal -Colares, da autoria de Maria Teresa Caetano por Isabel Carvalho Homem, o evento decorreu na  (EPAV),Escola Profissional  Alda Brandão de Vasconcelos em Colares.
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Lançamento da edição limitada Colares DOC 2007 e Branco 2013, que assinala também as comemorações dos 500 anos do Foral de Colares

Posts relacionados:
http://riodasmacas.blogspot.pt/2016/11/comemoracoes-dos-500-anos-da-autorga-do.html

http://riodasmacas.blogspot.pt/2016/11/celebracao-dos-500-anos-da-outorga-do_53.html

http://riodasmacas.blogspot.pt/2016/11/celebracao-dos-500-anos-da-outorga-do.html

sexta-feira, novembro 25, 2016

Histórias dramáticas na Praia das Maçãs (reedição)

Legenda: Mae de uma das victimas gritando contra o banheiro.

Em quinta-feira 28 de Setembro duas meninas do logar do Mucifal, uma de 14 annos chamada Marcellina Rosa e outra de 15 annos chamada Umbellina d’Assumpção, primas carnaes, foram como de costume pelas 7 horas da manhã tomar o seu banho despindo-se na barraca do João Claudio, um dos quatro banheiros que teem installações na praia que, quando as reconduzia, lhes recommendou não tornassem a metter-se no mar.
Dentro em pouco quando o banheiro estava com outra cliente n’agua alguem lhe disse atrapalhadamente: “Olhe as pequenas do Mucifal andam além embrulhadas”. Com effeito as pequenas tinham saído da barraca e entrado de novo no mar, sendo logo levadas pela ressaca. João Claudio atirou-se em seu socorro, começou a nadar com rapidez, chegando a agarrar uma d’elas pelo fato, mas tendo que a largar em virtude da violência das ondas; o pobre banheiro ainda mergulhou e ainda veio ao lume d’agua estava exhausto, conseguindo chegar a terra em virtude de lhe ter sido lançado uma toalha por uma mulher de nome Josephina que assim, ao vê-lo perto, mas sem poder nadar.

Legenda: Mulheres do Mucifal e a mae de uma victima orando

Quando a noticia chegou ao Mucifal os paes das victimas dirigiram-se logo para a praia havendo então cenas bem dolorosas e, tendo chegado muita gente do Mucifal, começou uma perseguição aos banheiros que na sua grande excitação culpavam do desastre tendo-se refugiado os perseguidos, uns no Chalet Cunha, outros no posto fiscal das Azenhas do Mar até onde aquella gente os foi apedrejando.
Legenda:Os banheiros da Praia das Maçãs João Claudio,Afonso Lopes e José Daniel
Texto e fotos (António Cunha) publicado na "Illustração Portugueza" de 9 de Outubro de 1905


Outro caso ocorrido também na Praia das Maçãs, é relatado por Visconde de Juromenha em “Cintra Pinturesca” de 1838:

”Um funesto exemplo se experimentou recentemente no anno de 1838. Tres senhoras que se banhavam foram arrebatadas pelas ondas juntamente com os banheiros; destas apenas huma foi arrojada morta á praia, as outras não foram mais vistas, enchendo de consternação tão lastimoso successo as familias, que naquele tempo por aquelles sitios residiam”

Nota:Ortografia e acentuação conforme os textos originais

quinta-feira, novembro 24, 2016

Tapada do Mouco


"O Chalet da Tapada do Mouco, construído em 1870 para instalação ocasional do Infante D.Augusto, filho mais novo do Rei D.Fernando II, serviu também para alojar, no tempo da Condessa, algumas das suas visitas. Mais tarde foi morada do jardineiro Domingos Morgado. Neste momento encontra-se assim, belo ainda, como as fotos documentam, invadido por trepadeiras, sem telhado e esventrado do seu interior."
Texto de Emilia Reis
Fotos em 6 de Julho de 2014
Fotos em 6 de Julho de 2014
Restaurado o Viveiro Florestal da Tapada do Mouco
Foi restaurado o Viveiro Florestal da Tapada do Mouco, situado junto à zona ocidental do Parque da Pena, que permitirá a reprodução de plantas tendo em vista a reflorestação do Parque da Pena e de outras propriedades florestais e jardins sob gestão da Parques de Sintra, que têm vindo a ser afetados por temporais.
O projeto de recuperação incluiu a reparação dos muros em alvenaria de pedra e junta seca, de modo a restabelecer o sistema de terraços que caracteriza a organização do viveiro, num total de 14 talhões. A circulação e articulação entre estes terraços estabelece-se através de caminhos em saibro estabilizado, também reparados. O projeto incluiu ainda a reabilitação dos caminhos de acesso ao viveiro.
Pretendeu-se recuperar o espaço, cuja estrutura foi desenhada no final do século XIX, tendo em conta a sua função original: a produção de plantas florestais. A recuperação da função original de reprodução de plantas servirá essencialmente para replantação, como resposta aos efeitos dos fenómenos climáticos extremos que têm vindo a ocorrer e que provocaram a queda de milhares de árvores nos últimos 3 anos.
O viveiro em causa desenvolve-se paralelamente a uma linha de água natural, tirando partido de uma situação de proteção em relação aos ventos dominantes do quadrante orte, mas também de exposição solar adequada à produção de plantas. A disponibilidade de água para rega é garantida através de um grande reservatório existente a montante do sistema de terraços.
A Carta do Parque da Pena de 1918 (cartografia histórica) serviu de base para este projeto.
Texto da PSML


 Voltámos lá recentemente e o Chalet da Tapada do Mouco,continua  ainda por recuperar.
Foto em 29/10/2016

quarta-feira, novembro 23, 2016

Céu de Colares

 Colares em22 de Novembro de 2016
 Colares 22 de Novembro de 2016
Praia Grande 23 de Novembro de 2016

terça-feira, novembro 22, 2016

Sintra antiga (reedição)

SintraEstefaniaprodutorEmidio Biel & Cª.jpg
Foto  sem data do Arquivo Municipal de Sintra - Produção, Rocchini,F


Crónica da semana (1927) por Norberto Lopes
Queijadas de Sintra
Há a água de Sintra, o Paço de Sintra, o Palácio de Sintra, a Serra de Sintra – e as Queijadas de Sintra.
Nem todas as pessoas que vão á vila nobre bebem água da Sabuga ou da Passarinhos, nem todos sobem à Pena, entram no Paço de D.JoãoI e dão a volta ao Parque.
Mas ninguém deixa de comer as queijadas. As queijadas são o símbolo de Sintra mais transparente de verdade. A única cousa mesmo, a única, que se traz para Lisboa, a única que irradia nas cidades e é copiada, plagiada, limitada, especulada.

Acresce que as queijadas são também apesar da doçura contemplativa da linda vila real – a única cousa autenticamente doce. E quasi dizemos a única realmente humana, porque também elas, como nós, veem numa condessinha.

Em verdade, nós gostamos tanto das queijadas, somos filhos da Matilde. A Matilde é que noz faz gulosos; a Matilde é que nos dá a recordação transitória de Sintra. A Matilde é que, por pouco dinheiro nos defende muitas vezes quando a gente diz que foi a Sintra passar a tarde, que perdeu o último combóio, que teve de lá ficar.

-Toma filho! Aqui estão as queijadas.


É o documento que não admite dúvida. Queijada de Sintra há em toda a parte. Da Matilde, a valer só em Sintra.

A Matilde devia ter um monumento. O casino devia chamar-se “Casino da Matilde”. Sintra mesmo assim devia dividir-se assim: de um lado a Estefânia, do outro lado a Matilde.
A Estefânia é a vila nova, a Matilde a vila velha, a tradição, a guloseima, a nobreza, a talassaria, a graça de Sintra.

Está provado que Byron gostava de queijadas. Sem elas o seu estômago saxónico não teria disposição para fazer versos.

E depois, há que não esquecer : a Matilde foi uma Mulher. A melhor queijada do seu tempo. A uma rapariga que veraneie em Sintra não será ofensa chamar-lhe em vez de flor, de amor, simplesmente uma “Matilde”. Também há a “Sapa”. Mas é da Matilde que tratamos. Os nome tem influência.
Enfim: Sintra para nós é uma queijada, embrulhada no papel de cor ou branco, com a gravura da Pena ou do Paço.

Pode cair tudo: a Vereação Municipal e o Casino, o projecto do elevador, o Castelo dos Mouros, as árvores da estação e o Sr.Adriano Coelho.

Enquanto houver queijadas de Sintra, daquelas que eu te trouxe ontem, minha “Matilde” do meu coração – Sintra não acaba. São pequeninas como tu, cabem dentro da nossa boca – e fazem da nossa vida a mais doce queijada da existência.

Norberto Lopes

Publicado no "O Domingo Ilustrado" nº141 de 25 de Setembro de 1927

*Norberto Lopes -Vimioso 1900 - Linda-a-Velha 1989

Exposição de Edmundo Cruz

Via  página de Facebook de Nuno Moreira:
E é já esta semana! Galinhas do Márinho. Estas também vêm comigo. Conto com vocês! =)http://www.edmundocruz.pt/2016/11/10/nova-exposicao-ja-este-mes/

Foto retirada daqui

domingo, novembro 20, 2016

Olhares para Sintra

Imagens gémeas

O Parque de Monserrate e o Convento dos Capuchos, foram  propriedade de Francis Cook, durante o Séc. XIX, curiosamente nos nossos dia, nos dois locais distintos encontrámos duas imagens "gémeas",  em que a natureza fez o seu trabalho e que terão sido testemunhas durante mais de dois séculos da passagem da História de Sintra.

Foto em 9 de Novembro de 2016, Convento dos Capuchos

"As paredes e no chão, as sondagens arqueológicas encavam por entre a história que se sobrepôs à história mais antiga. Com a extinção das ordens religiosas em 1834 e a expropriação dos frades que o habitavam, o convento passou para as mãos de Francis Cook, visconde de Monserrate. Em pleno século XIX, os terrenos à volta do convento foram usados como jardins de lazer e passeio – ao estilo romântico - contíguos ao Parque e Palácio de Monserrate. Às intervenções românticas, seguiu-se o abandono: sob tutela do Estado desde 1949, o monumento esteve entregue à degradação e fechou ao público entre 1998 e 2001. "
Texto da PSML

Monserrate07092011f
Foto no Parque de Monserrate em Set.2011-publicada no @Rio das Maçãs aqui

Construído no terceiro quartel do século XIX, por iniciativa de Francis Cook, visconde de Monserrate, sobre a ruína de um edifício anterior do século XVIII, o Palácio de Monserrate possuía um complexo sistema de redes de águas, esgotos, electricidade e aquecimento central, hoje obsoleto. A distribuição original destas redes pelo edifício foi feita através das galerias de ventilação existentes sob os pavimentos do piso térreo, cujo eixo principal é a actualmente designada galeria técnica (localizada sob o corredor longitudinal).
Fonte: PSML





O Parque de Monserrate em destaque no "The Sydney Morning Herald" 
Monserrate gardens in Portugal has buzz of botanical familiarity for Australians


"Uma batalha no jardim entre a ordem e  o caos foi jogada ao longo dos séculos nos jardins de Monserrate na Vila da Serra de Sintra, a meia hora de Lisboa, em Portugal. Quando Lord Byron visitou em 1809 o palácio neo-gótico já era uma ruína, permitindo que o poeta usasse seu estado abandonado como uma metáfora moral no seu poema Peregrinação de Childe Harold. Isso fez de Monserrate um destino preferencial para todos os  turistas românticos.(...)"

In The Sydney Morning Herald/Trad. do blog

Ler aqui: http://www.smh.com.au/entertainment/monserrate-gardens-in-portugal-has-buzz-of-botanical-familiarity-for-australians-20151231-glxcc4.html#ixzz3xJnfjJCN


sexta-feira, novembro 18, 2016

Externato Santa Maria -Memórias

"Já agora e a talho de foice: aquele edifício ao lado da casa do Lino, que tinha o court de ténis (ou seria badmington?) sabem quem terá sido o autor? e quem é que o comprou e está a espatifar todo por dentro??"
Paulo Ferrero em comentário no Facebook em 18/11/2016


Post publicado no Rio das Maçãs em 6 Julho  de 2014


Foto de 27/06/2014

O  Externato de Santa Maria, imóvel integrante do espaço  da casa projectada por Raul Lino em 1922 - a Casa dos Penedos, encontra-se com um nível de degradação inaceitável, porque aqueles imóveis são elementos importantes do património edificado da Vila de Sintra. A necessidade de se encontrar uma solução de recuperação  para o edificío da escola, deverá ser uma prioridade para a autarquia sintrense.

Fotos de 27 /06/2014

"O edifício em que a escola funcionava é um casarão contíguo à Casa dos Penedos também pertencente ao pai das Senhoras D. Maria Eugénia e Maria Emília, parte do qual, a ala esquerda, era reservado à casa da professora – a minha mãe – e outra parte, a ala direita, era reservada aos caseiros da Casa dos Penedos que se mudavam para lá no Verão, quando os senhoras vinham veranear para a Casa dos Penedos. A parte central era reservada para a escola: uma enorme sala de aulas, um refeitório de igual tamanho, a enorme cozinha com chão de lajes e fogão a lenha, lá em cima, na ala direita, a Casa de Trabalho e a Capela, onde diariamente se rezava o terço... O enorme campo de ténis da Casa dos Penedos era o recreio das alunas da escola."
In texto de Graça Sampaio


Voltamos a publicar um excelente texto de Graça Sampaio, autora do blogue “picosderoseirabrava”, que faz um retrato de uma época.


A obra da Sr.ª D. Maria Eugénia Reis Ferreira
O meu contacto com a obra desta senhora fez-se já, a título póstumo, em inícios de Outubro de 1958, tinha eu apenas dez anos, quando a minha mãe, depois de ter respondido a um anúncio, ganhou o lugar de professora primária no Externato de Santa Maria, sito na Rua Marechal Saldanha, n.º 18, em Sintra.

A dona e directora desta instituição, a Senhora D. Maria Emília Reis Ferreira, era irmã da Senhora D. Maria Eugénia (ambas filhas do Senhor Carlos Ferreira, dono da Casa dos Penedos), recentemente falecida, sem descendência, e terá pedido, à hora da morte, à irmã que tomasse conta da sua obra, promessa que a senhora D. Emília cumpriu sempre com todo o carinho e denodo, a suas inteiras expensas.

A população alvo eram crianças do sexo feminino, nomeadamente de famílias pobres, residentes na Freguesia de São Martinho, em Sintra, que não possuía senão uma escola primária destinada a rapazes. De notar que, à época, as escolas primárias obedeciam à lógica da separação dos sexos.

Para além do ensino primário absolutamente gratuito, as meninas almoçavam na escola que lhes oferecia sopa, pão e fruta que vinha das quintas da directora da escola. Depois de fazerem a 4ª classe (de referir que naquele tempo o ensino não era obrigatório e a escolaridade básica para as raparigas era o exame da 3ª classe, ficando o exame da 4ª classe como escolaridade básica dos rapazes) as meninas podiam continuar a frequentar a escola onde funcionava uma Casa de Trabalho na qual elas aprendiam costura e lavores. Durante muitos anos essa Casa de Trabalho foi dirigida pela Senhora D. Madalena.

Para além destas benesses, a escola oferecia a Sopa dos Pobres – todos os dias da semana um máximo de vinte pobres certificados com Atestado de Pobreza passado pela Junta de Freguesia (ou Regedor, já não me lembro bem) recebiam uma panela de boa sopa e um ou dois pães de segunda, conforme o agregado familiar, e fruta, quando havia. Este serviço acabou por se extinguir ainda antes do 25 de Abril.
Tudo, absolutamente tudo, incluindo os ordenados das professoras e das cozinheiras, era pago pela irmã da Sr.ª D. Maria Eugénia. A minha mãe, a D. Lina como era conhecida, passou a ser aquilo a que actualmente se chama a directora pedagógica. Esteve em funções até aos anos 80, altura em que a escola fechou mercê das alterações socio-políticas do país e teve sempre a máxima confiança da dona da instituição. Foi a primeira (e última) professora que se manteve segura no cargo e foi com ela, posso dizê-lo sem qualquer laivo de imodéstia, que a escola evoluiu e se tornou visível. Numa época em que nem sequer se ouvia falar em visitas de estudo, em inícios de 60, a minha mãe, sempre com o suporte humano e material da Sr.ª D. Maria Emília, levou uma camioneta (do Barraqueiro, ainda me lembro) de passeio a Fátima e à Nazaré. Muitas delas nunca tinham saído de Sintra, nunca tinha visto o mar. Foi tudo pago, incluindo lanches e gelado (!) pela Directora da escola. Passou a realizar-se uma festa anual organizada pela minha mãe, com teatrinhos, bailados e récita de poemas pelas meninas, na qual estava presente e era homenageada a Directora e para a qual eram convidados os pais das alunas. Tudo era feito na escola: a escolha e o ensaio das peças de teatro bem como a confecção dos fatos e dos cenários – isto nos anos 60 era muito inovador. Claro que contava-se sempre com o enorme apoio humano, cultural e financeiro da Directora.

Nos anos 70, com a menor procura dos serviços da Casa de Trabalho, a escola passou a receber crianças com 5 e 4 anos, numa espécie de pré-escolar. Entraram novas vigilantes e, naturalmente, às custas da Directora. De referir que a minha mãe e as restantes senhoras que trabalhavam na escola, ao contrário do que acontecia no ensino oficial, recebiam 13 meses por ano, enquanto no oficial recebiam 10.

Depois do 25 de Abril, as condições alteraram-se. As obras de caridade passaram a ser mal vistas, os pais tornaram-se por de mais reivindicativos – não vejam nisto qualquer tipo de crítica da minha parte em relação à Revolução – a Directora estava um pouco cansada e desiludida e a escola acabou por fechar em meados dos anos 80.

O edifício em que a escola funcionava é um casarão contíguo à Casa dos Penedos também pertencente ao pai das Senhoras D. Maria Eugénia e Maria Emília, parte do qual, a ala esquerda, era reservado à casa da professora – a minha mãe – e outra parte, a ala direita, era reservada aos caseiros da Casa dos Penedos que se mudavam para lá no Verão, quando os senhoras vinham veranear para a Casa dos Penedos. A parte central era reservada para a escola: uma enorme sala de aulas, um refeitório de igual tamanho, a enorme cozinha com chão de lajes e fogão a lenha, lá em cima, na ala direita, a Casa de Trabalho e a Capela, onde diariamente se rezava o terço... O enorme campo de ténis da Casa dos Penedos era o recreio das alunas da escola.

Desde que a escola fechou e que a minha mãe não acedeu a ficar lá em jeito de caseira, o edifício foi abandonado e, como sabem melhor do que eu, completamente arruinado. A Senhora D. Maria Emília faleceu há anos também sem descendência e tudo aquilo pertence agora aos sobrinhos, oito, se bem me lembro, filhos de outra irmã sua.

Graça Sampaio

Foto de Emília Reis

X Encontro de Bandas Filarmónicas do Concelho de Sintra

TERMINA ESTE FIM DE SEMANA, NA S.R.M. ALMOÇAGEME, O X ENCONTRO DE BANDAS FILARMÓNICAS DO CONCELHO DE SINTRA

Sábado dia 19
21h00 – Banda da Sociedade Filarmónica e Recreio de Pêro Pinheiro
22h00 – Banda da União Mucifalense
23h00 – Banda da Sociedade Filarmónica Instrução e Recreio Familiar de Lameiras 

Domingo dia 20
16h00 – Banda da Sociedade Filarmónica de Nª Sª da Fé do Monte Abraão 
17h00 – Banda da Sociedade Filarmónica União Assaforense
18h00 – Banda dos Bombeiros Voluntários de Colares 

Via  Blog Noticias de Colares

quinta-feira, novembro 17, 2016

Efeméride do dia

"Partimos para a semana, declarou Baltazar, e afinal ainda se passaram dois meses porque entretanto começou a constar em Mafra, e foi confirmado pelo vigário no sermão que vinha  el-rei a inaugurar a obra da raiz dos caboucos para cima, colocando com as suas reais mãos a primeiro pedra"
In Memorial do Convento/ José Saramago


ConventoMafra120420112blogb.jpg

Sobre os 300 anos do Convento de Mafra

Mandado construir por D. João V (1689-1750), em cumprimento de um voto para obter sucessão do seu casamento com D.Maria Ana de Áustria, ou a cura para uma grave enfermidade de que padecia, o Real Convento de Mafra é o mais importante monumento barroco português.
(...)
Construído em pedra lioz da região de Pêro Pinheiro e Sintra, o edifício ocupa uma área de 37.790m2, compreendendo 1200 divisões, mais de 4700 portas e janelas, 156 escadarias e 29 pátios e saguões.Sendo a maior "fábrica" do tempo, aqui trabalharam operários vindos de todo o reino, chegando a atingir cerca de 50.000 
Sala do trono
Basílica

"Estava Baltasar há pouco tempo nesta sua nova vida, quando houve a notícia de que era preciso ir a Pêro Pinheiro buscar uma pedra muito grande que lá estava, destinada à varanda que ficará sobre o pórtico da igreja, tão excessiva a tal pedra que foram calculadas em duzentas as juntas de bois necessárias para trazê-la e muitos homens que tinham que ir também para as ajudas. Em Pêro Pinheiro se construira o carro que haveria de carregar o calhau, espécie de nau da India com rodas, isto dizia quem já o tinha visto em acabamentos e igualmente pusera os olhos, alguma vez na nau da comparação."
in Memorial do Convento/ José Saramago
Foto em 2 de Julho de 2016

A biblioteca do Palácio Nacional de Mafra é uma das mais importantes bibliotecas europeias do século XVIII, com cerca de 30.000 volumes. Cruciforme, possui um pavimento em mármore policromo e estantes rocaille. Verdadeiro repositório de obras-primas, abrange todas as áreas do saber iluminista cientifico e religioso.Destacam-se os Livros de Horas iluminados do séc XV, a colecção de incunábulos e um núcleo de partituras musicais destinadas aos seis órgãos da Basilica.
in Palácio Nacional de Mafra/D.G.do Património Cultural
MafraBiblioteca402072016blog.jpg
Fotos  no Palácio Nacional de Mafra em 2 de Julho de 2016

Saber mais:
http://www.revistaport.com/mafra-tem-a-biblioteca-mais-deslumbrante-do-mundo/