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quarta-feira, julho 02, 2014

Sobre a Tília abatida pela PSML no Palácio Nacional da Vila de Sintra

Foto  da Tília em 30 de Maio de 2014

Opinião da associação Árvores de Portugal sobre o abate da Tília
"Depois da árvore abatida é difícil, para não dizer impossível, determinar se a árvore era, ou não, estável. Por outro lado, mesmo que a árvore apresentasse essa debilidade, tendo em conta a sua importância paisagística, teria sido preferível optar por um estrutura metálica que garantisse essa sustentação. Deixo a sugestão de as associações locais de Sintra se unirem e organizarem atividades (visitas guiadas, seminários técnicos...que ajudem a despertar a população local para estes problemas, pressionando, indiretamente, as autoridades municipais a mudar a sua postura. Por outro lado, e agora que a nova lei foi finalmente regulamentada, podem tentar classificar as maiores árvores da vila antes que se lembrem de lhes dar o mesmo destino."
http://www.arvoresdeportugal.net/

Post relacionado:
 http://riodasmacas.blogspot.pt/2014/06/abatida-tilia-do-palacio-da-vila-de.html


terça-feira, abril 23, 2013

Sobre as Árvores

Colares2013VarzeaColaresBlogue  
 Foto Várzea de Colares- Primavera 2013

Em torno dos mitos sobre a poda da Árvore em Meio Urbano…
Francisco Coimbra
Consultor em Arboricultura Ornamental
Ex – Vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Arboricultura

As árvores que dignificam as nossas praças e avenidas e embelezam os nossos jardins e parques são um elemento essencial de qualidade de vida, autênticos oásis no «deserto» que são tantos dos nossos espaços urbanos actuais. E, no entanto, é por demais evidente a ainda quase absoluta ausência de sensibilidade para o papel da Árvore em Meio Urbano. Provam-no os autênticos «massacres de motosserra» que destituem de dignidade e valor estético as árvores – ditas ornamentais – que marginam os nossos arruamentos e estradas.
Estas podas radicais são comummente justificadas com base em preconceitos que continuam arreigados na população, que muitas vezes as exige quando os responsáveis pela sua gestão e manutenção optam por outros modelos de condução. Assim, temos ouvido dizer, como justificação, que estas «rolagens» rejuvenescem e fortalecem as árvores, ou que são a única forma económica de controlar a sua altura e perigosidade… Será isto verdade?
1. A poda drástica rejuvenesce a árvore?NÃO! São as folhas a «fábrica» que produz o seu alimento. Uma poda que remova mais do que um terço dos ramos da árvore – e as «podas» radicais removem a copa na totalidade – interfere muito com a sua capacidade de se auto-alimentar, desregulando o equilíbrio copa/tronco/raízes. O facto de as árvores apresentarem uma rebentação intensa após uma operação traumática – resultante do abrolhamento de gemas até então inibidas pelo controlo hormonal dos ápices agora removidos – não significa rejuvenescimento, mas sim uma «tentativa desesperada» de repor a copa inicial, à custa da delapidação das suas reservas energéticas. Nalguns casos este «esforço» pode mesmo ser fatal, se à supressão de copa se somarem outros factores de stress, como um Verão seco ou ataques de parasitas…
2. Fortalece-a? – NÃO, pelo contrário, a poda radical é um acto traumatizante e debilitante, uma porta aberta às patologias. As pernadas duma árvore massacrada têm, pelo seu grande diâmetro, dificuldade em formar calo de «cicatrização», e os cortes nestas condições são muito vulneráveis a ataques de fungos lenhívoros. Para além disso, a copa das árvores funciona como um todo, sendo as folhas periféricas um escudo para a parte mais interna, protegendo-a das queimaduras solares. O nosso país está cheio de tristes exemplos, árvores cujo estado sanitário decadente é o revoltante resultado destas práticas no passado, as quais deviam envergonhar os seus mandantes!
3. Torna-a menos perigosa? – NÃO, estas «podas» induzem a formação, nas zonas de corte, de rebentos epicórmicos de grande fragilidade mecânica, pois têm uma inserção anormal e superficial no tronco. Como, ao longo do tempo, se desenvolvem podridões nesses locais, esta ligação fica ainda mais fraca, tornando estes ramos instáveis e potencialmente perigosos a longo prazo. Acresce ainda que nem todas as novas ramificações são viáveis, pelo que, após alguns anos de concorrência, surgem relações de dominância entre elas e as dominadas acabam por secar, aumentando o volume de madeira morta na copa.
4. É a única forma de a controlar em altura? – NÃO, a quebra da hierarquia – que estava estabelecida entre as ramificações naturalmente formadas – permite o desenvolvimento de novos ramos de forte crescimento vertical, mas agora de uma forma anárquica e muito mais densa! Não se resolve, assim, o motivo por que geralmente se recorre a esta supressão da copa, pois em alguns anos a árvore retoma a altura que tinha, sem nunca mais voltar a ter a mesma estabilidade nem a beleza característica da espécie…
5. É mais barata? – NÃO, se a gestão do património arbóreo for pensada a médio e longo prazo! Aparentemente parece ser mais económico recorrer-se a uma «rolagem» única do que fazer pequenas intervenções anuais e utilizar os princípios correctos de poda e corte, investindo na formação do pessoal ou recorrendo a profissionais especializados nas situações mais complexas. No entanto, esta economia é de curto prazo, pois, se por um lado as árvores se desvalorizam a todos os níveis, por outro lado está-se a onerar o futuro, que terá que «remediar» uma decrepitude precoce ou resolver a instabilidade mecânica dos rebentos formados após os cortes. E a redução da esperança de vida das árvores implementa custos acrescidos para sua remoção e substituição…
Acerca destas «ideias feitas», responsáveis por tantos atentados à beleza, saúde e dignidade dos exemplares arbóreos das nossas urbes, já dizia o saudoso Eng. Vieira da Natividade: «o podador domina porque enfraquece, vence porque suprime… em boa verdade a vitória não é brilhante»! E de facto, devia dizer-se de uma poda o mesmo que de um árbitro: tanto melhor quanto menos se der por ela!

Bibliografia sobre este tema:
Drénou, C. 1999. La taille des arbres d’ornement. I.D.F., Paris, 268 p.
Shigo, A. 1994. Arboricultura moderna. Edição portuguesa publicada pela Sociedade Portuguesa de Arboricultura, 165 p

   Texto retirado do blogue "Campo aberto" aqui

domingo, abril 14, 2013

Razões para não fazer podas radicais nas árvores (actualizado)




Colóquio em defesa das Árvores de Sintra - Abril de 2012


RAZÕES PARA NÃO ROLAR AS ÁRVORES

Texto da  Sociedade Portuguesa de Arboricultura publicado no blogue da Árvores de Portugal


CHOQUE INICIAL – A copa das árvores funciona como um todo. Embora, no estado adulto, os seus ramos se autonomizem, eles contribuem para que a árvores rentabilize ao máximo todas as suas capacidades. Assim, os ramos exteriores funcionam como um escudo aos mais internos, evitando queimaduras solares. Por outro lado, os mais internos mantêm a árvore a funcionar quando os externos estão afetados. Se, subitamente, se alterar este equilíbrio, e todos os ramos ficarem expostos às condições climatéricas de forma igual, a árvore fica sem defesas.

ASPECTO DEFORMADO – Uma árvore rolada é uma árvore desfigurada. Mesmo que volte a repor o volume de copa inicial, ela nunca mais voltará a ter a mesma beleza e naturalidade características da espécie. As árvores ficarão desvalorizadas, perdendo o seu valor patrimonial
.
FALTA DE ALIMENTO – Uma poda bem-feita, não remove mais do que um terço a metade da copa da árvore, o que não interfere muito com a capacidade da árvores continuar a alimentar-se a si própria. A rolagem remove a copa na totalidade, reduzindo o equilíbrio copa/sistema radicular, levando a que a árvore, temporariamente, perca a capacidade de se autoalimentar.

NOVO CRESCIMENTO MUITO RÁPIDO – Após uma operação como é a rolagem, as árvores têm tendência a repor a copa inicial, pelo que a sua rebentação será intensa e aos poucos anos retomará o volume que tinha e de uma forma desorganizada e muito densa, não resolvendo, assim, o motivo por que geralmente se recorre a esta supressão da copa.

PRAGAS E DOENÇAS – As pernadas de uma árvore rolada têm dificuldade em formar calo de cicatrização, não só pelo seu grande diâmetro, como também por não se localizarem na zona onde a árvore desenvolve os seus postos de defesa naturais. Os cortes nestas condições são vulneráveis a ataques de insetos e fungos que podem causar podridões.

  CUSTOS – Aparentemente parece ser mais económico recorrer-se a uma rolagem do que utilizar os princípios corretos de poda e corte. No entanto, esta economia é de curto prazo, pois, por um lado, a árvore perde quase por completo o seu valor, por outro lado está-se a onerar as futuras manutenções para prevenir uma decrepitude precoce ou a instabilidade mecânica dos rebentos formados após os cortes.

RAMOS NOVOS DE GRANDE FRAGILIDADE – Os rebentos formados nos bordos das zonas de corte, não têm uma inserção normal no ramo. Se se desenvolverem podridões junto às zonas de corte, esta ligação fica ainda mais fraca, tornando estes rebentos mecanicamente fracos e criando situações de perigo.

  MORTE DA ÁRVORE – Nem todas as espécies são resistentes a este tipo de supressão de copa. Em algumas, esta solução leva a uma morte rápida com custos acrescidos para sua remoção e substituição.

 photo PlatanosAbril2013ccopy_zps858424b8.jpg
O estado dos Plátanos da Várzea de Colares, após a última intervenção da Estradas de Portugal S.A. em Abril último.

domingo, março 31, 2013

Postal triste de Colares VII

 Memória de Colares
Registo fotográfico  anterior ao abate de dois centenários Plátanos  em frente à Adega Regional de Colares, pela Estradas de Portugal S.A. na última intervenção em 2010. photo adegacolares2010_zpse7759447.jpg 
Reinicia-se amanhã a intervenção da Estradas de Portugal S.A., na Alameda  Coronel Linhares de Lima,em Colares, com cortes agressivos nos plátanos, pondo em causa o seu futuro estado fitossanitário, e a imagem emblemática da Várzea de Colares.
A foto que publicamos com o início dos cortes já efectuados no último dia de trabalhos, permite já ver as consequências do que irá acontecer a partir de amanhã. Desconhece-se qualquer intervenção da CMS, da Junta de Freguesia e dos partidos politicos sobre a necessidade de  acautelar  e corrigir  esta acção da E.P., para que não provoque num futuro próximo o desaparecimento dos plátanos de Colares.

 photo APlatanosdeColaresColares29032013copy_zps0ad96c2c.jpg Foto em 29 de Março de 2013

quinta-feira, janeiro 17, 2013

Podas Sintrenses

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 Dezembro é sempre o mês  em Sintra, que os amigos das árvores temem pelos resultados dos abates e podas camarárias, com as suas " tradicionais"  rolagens,  que  danificam e provocam  debilidades e doenças  nas árvores, que mais tarde “obrigam” aos abates - que infelizmente acontecem por Sintra todos os anos.

Uma parte dos abates acontecidos no  último ano, as  árvores “debilitadas”, foram rápidamente substituídas por pedra de calçada.

Um aviso da CMS  alerta-nos para o que vem aí:

A Câmara Municipal de Sintra vai dar início aos trabalhos conducentes à substituição de árvores que se encontram em deficientes condições fisiológicas e estruturais para permanecerem em locais públicos.
Estas árvores, foram objecto de aturados estudos efectuados pelo Instituto Superior de Agronomia, dos quais resultou relatórios com a recomendação de que são árvores que constituem elevado perigo para a segurança de pessoas e bens.
As árvores a substituir estão implantadas nos seguintes locais:
Estrada de Chão de Meninos
Rua Vasco Vidal
Largo Afonso de Albuquerque
Rua D. João de Castro
Rua José Estevão Morais Sarmento
Os relatórios do Instituto Superior de Agronomia que recomendam a substituição das árvores, encontram-se disponíveis para consulta nas instalações da Divisão de Espaços Verdes com sede na Rua das Eiras, 34 em Mem Martins.



*Na foto um criminoso abate de um centenário em Colares, em Dezembro de 2010,  com  a supervisão técnica do ISA – o mesmo   Instituto Superior de Agronomia, que fez o  relatório  este ano, que  encontrou   "árvores em deficientes condições fisiológicas e estruturais para permanecerem em locais públicos” que agora vai ser posto em prática em Sintra.

Post relacionado no Blogue Reino de Klingsor -"A poda de árvores de volta a Sintra" -aqui

Posts publicados no Rio das Maçãs sobre as Árvores de Sintra -aqui

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Sobreiro, Árvore Nacional de Portugal

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Sobreiros do Parque de Monserrate, em que nunca foi retirada a cortiça

A partir da última quinta-feira, 22 de Dezembro, o sobreiro é a Árvore Nacional de Portugal, depois de um projecto de resolução aprovado, por unanimidade, na Assembleia da República e de uma petição pública com 2291 assinaturas.
A petição para consagrar o sobreiro (Quercus suber) como um dos símbolos do país foi lançada em Outubro de 2010 pelas associações Árvores de Portugal e Transumância e Natureza. Hoje, passado pouco mais de um ano, o sobreiro conquistou o hemiciclo.

“A partir de agora, abater um sobreiro não será apenas abater uma árvore protegida, mas sim, um símbolo nacional”,

Jornal Público -ler notícia -aqui

"As Associações Árvores de Portugal e Transumância e Natureza relembram que o dia de hoje é um ponto de partida e não um ponto de chegada. Muito há ainda a fazer na defesa desta espécie. Como sempre, estamos inteiramente disponíveis para continuar a lutar, com aqueles que a nós se quiserem juntar, na defesa das causas relacionadas com o sobreiro e os seus povoamentos."
Árvores de Portugal -ler post -aqui