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sexta-feira, dezembro 05, 2014

A acessibilidade aos Parques de Sintra

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Foto PSML


A Parques de Sintra (PSML), tem em curso o projecto "Parques de Sintra Acolhem Melhor", que pretende melhorar as condições de acessibilidade aos Parques e Palácios sob gestão da empresa e constituí-los como exemplo de boas práticas do turismo acessível e da igualdade de acesso ao Património natural e construído.


Este projecto, com um investimento global de cerca de 2 milhões de Euros ao longo de 2 anos, e cofinanciado pelo Turismo de Portugal em 25%, teve como ponto de partida uma aprofundada investigação sobre as melhores práticas e conta com a consultoria de várias associações nacionais do sector, nomeadamente a Associação Salvador, a ACAPO (Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal) e a APS (Associação Portuguesa de Surdos).


http://www.associacaosalvador.com/noticias-e-eventos/outras-noticias/Parques-de-Sintra-Acolhem-Melhor-Turismo-acessivel-nos-Parques-de-Sintra/969/


*Fonte: Associação Salvador/PSML

domingo, julho 20, 2014

Olhares sobre a Casa dos Penedos

Pedro Cabral/Blog Bonecos de Bolso


"Concluída em 1922, por encomenda do financeiro Carlos Machado Ribeiro, que tinha já recorrido aos serviços do arquitecto (Raul Lino), tanto em Cascais como em Lisboa, esta grande residência encontra-se na encosta onde se implanta um patamar que a própria obra cria, sensivelmente a meio do morro - uma relação directa com a paisagem montanhosa de Sintra, que lhe dá, quando observada a partir da vila e dos pontos mais baixos, uma predominância decisiva na paisagem que domina e define, fazendo com que simultaneamente se converta num ponto de referência.(...)"
Em Raul Lino 1879-1974

Pedro Cabral/Blog Bonecos de Bolso

Pedro Cabral/Blog Bonecos de Bolso

Créditos

Desenhos de Pedro Cabral, publicados no blog "Bonecos de Bolso"

http://bonecosdebolso1.blogspot.pt/2010/09/r-marechal-saldanha.html
http://bonecosdebolso1.blogspot.pt/2010/07/bonecos-de-bolso-em-sintra-4.html
http://bonecosdebolso1.blogspot.pt/2010/07/bonecos-de-bolso-em-sintra-3.html
http://bonecosdebolso1.blogspot.pt/2010/07/casa-dos-penedos-3.html
http://bonecosdebolso1.blogspot.pt/2010/07/casa-dos-penedos-2.html


Casa dos Penedos Sintra photo CasadosPenedos1outubro1926ilustraca.jpg

Casa dos Penedos de Raul Lino, publicado na "Ilustração" de 1 de Outubro de 1926


 photo CasadosPenedosRL.jpg Publicado na "Ilustração" Nº20 de 16 de Outubro de 1926

Post relacionado:
http://riodasmacas.blogspot.pt/2014/07/externato-de-santa-maria.html

quinta-feira, julho 17, 2014

Visita à Casa Branca nas Azenhas do Mar


A Casa Branca ou Casa do Marco, nas Azenhas do Mar, é talvez a obra mais supreendente do arquitecto Raul Lino, (1879-1974), construída em 1920 enquanto residência de férias para seu próprio uso, e por esse motivo sem grandes exigências de projecto - a casa tem uma estrutura simples e denota alguma austeridade tanto no espaço interior como na sua imagem exterior.A ausência de luz eléctrica e água canalizada é uma particularidade, que permite  nos nossos dias, conservar integralmente  a atmosfera original da época em que foi construída.


“A Casa Branca é provavelmente uma das suas melhores realizações, porque Lino , não foi obrigado a manipular programas domésticos demasiados exaustivos, que constituiam normalmente a encomenda típica da burguesia para quem trabalhava.
O imaginário da Casa Branca é o da Arquitectura popular portuguesa – ou melhor o modo como Raul Lino viu a tradição popular – e que se transformou numa das marcas que o seu percurso imprimiu ao longo da primeira metade do século arquitectónico português.”

In artigo do jornal "Público" de 15 de Julho de 2003, de Ana Vaz Milheiros
 

"Em 1920, Raul Lino projecta e constrói a Casa Branca, em Azenhas do Mar . Esta casa afirma os princípios do modelo formal da Casa Portuguesa, ao mesmo tempo que se despoja de todo o elementos ornamentais supérfluos. Mínima em área, mínima em adornos decorativos, apresenta a relação inicial da casa balnear com a falésia. Talvez se anuncie num minimalista formal tudo em que acreditava. Simples, de raiz popular, bem exposta ao sol e alpendurada numa falésia sobre o mar."


" A pequena e despojada, Casa Branca das Azenhas do Mar foi construída em 1920. De acordo com o projecto do próprio arquitecto, a casa de férias implanta-se extraordinariamente no alto de uma escarpa. Volumetricamente equilibrada, com descoincidentes janelas de forte cromatismo e grandes pedras nos alpendres e contrafortes que jogam harmonicamente entre a alva cobertura e as paredes. O agreste vegel enquadra e indicia a edificação de grande pureza plástica e o fortíssimo carácter do arquitecto Raul Lino. "
C.M.S. - Divisão de Património Histórico-Cultura



"Casa para o Verão, para «Week-End», deliciosamente rústica, em baixo, uma só divisão maior, onde se está durante as horas de calor, onde se faz serão e onde – num recanto – se cozinha. Em cima apenas dois quartos, e o resto dos cómodos indispensáveis alojam-se nos anexos. Nossa Senhora da Saúde, pintada em estilo de pescadores, é a padroeira desta casa que,com seus taipais alaranjados e rodeada de zimbro, desperta, pelo isolamento em que está, a curiosidade de quem passa."
Revista "Ilustração" Nº46 de 16 de Novembro de 1927

segunda-feira, junho 25, 2012

Visita à Quinta da Amizade e Vila Sassetti

ASassettiCottage2012 A convite da PSML, tivemos a oportunidade na última sexta-feira de visitar a Quinta da Amizade e a Vila Sassetti em Sintra. A Vila Sassetti, construída entre 1890 e 1894, sobranceira à Vila Velha, cujo projecto, Victor Carlos Sassetti, que foi dono dos Hotéis Bragança, em Lisboa, e Victor, em Sintra, encomendou ao seu amigo arquitecto Luigi Manini, mais tarde autor da Quinta da Regaleira e do actual hotel do Buçaco.

 Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Alberto Pimentel frequentaram a Vila Sassetti, e já no séc XX, também Calouste Gulbenkian  a habitou várias vezes.

Para a Quinta da Amizade que tem estado fechada ao público, pretende a PSML,  antes do seu restauro inseri-la  no conjunto de percursos pedestres que a vem preparando para que os visitantes tanto do Castelo dos Mouros como do Palácio da Pena, os possam alcançar sem terem que conviver, sobretudo na época alta,  e aos fins- de- semana, com  o movimento automóvel ao longo da Rampa da Pena.

Após a sua construção em 1890, a Vila Sassetti teve vários proprietários que  ao longo do tempo, fizeram algumas alterações no espaço interior, com a criação de novas salas e instalações sanitárias.Em 2004 a Assembleia Municipal de Sintra autorizou a aquisição do imóvel -sendo actualmente propriedade da PSML.
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segunda-feira, maio 21, 2012

Memórias de Cintra Antiga

Revista "Occidente" nº1256 de 20 de Novembro de 1913
(Ortografia e acentuação conforme o texto original)

CasaSintra "O Chalet  do  Ex.mo. Sr. Dr. José  Maria de Andrade, na sua quinta em S.Pedro, S.Pedro de Cintra

Está disposta  numa das melhores alturas  da nossa verdejante serra de Cintra, esta linda construção, que constitue uma grande gloria  para o autor do projecto , o sr. Dr.  Alexandre Saldanha da Gama, que sendo um engenheiro distinto, tambem  se nos revéla  com a presente obra uma arquitéto de incontestavel valôr.

Estivémos ha dias a  olhar de perto o soberbo chalet, e demoramo nos  longamente na encantada observação de todas as suas fachadas que são de uma elegância  de traçado devéras original.
A magnifica propriedade  do sr. D. José Maria de Andrade, a quem felicitamos pelo seu louvavel empreendimento tão brilhantemente realizado, está situado numa bela altitude e cercada de uma grande orla de arvorêdo, que abrange em parte grande declives, e donde se destaca admiravelmente com os seus  caprichosos telhados de fórmas ponteagudas agora espelhados pelas neves que  refletem os melhores  raio de sol que carinhosamente doiram um dos mais pitorescos trechos  da paisagem  que comove, por certo os ainda menos sensiveis.

(...)
Oxala que d´entre  os inumeros visitantes e admiradores do  chalet do sr. Dr . Andrade, alguns tentem continuar a obra de devoção pela belêsa da encantadora Cintra, que bem merece  o empreendimento de grandiosos planos  de arquitetura moderna  e nacional , que como esta de que vimos  falando, representem  uma admiração  profunda  pela riquissima  região , cuja paisagem  é uma das mais belas , senão a mais bela da nossa querida terra."

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Passado e o Presente

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No presente, a Vivenda Rafaela, casa de Alberto Totta, na Praia das Maçãs, está felizmente a ser reconstruída depois de muitos anos em ruínas. Uma boa notícia para Sintra.

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A Casa das "Três Marias" vizinha da Vivenda Rafaela, não teve ainda a sorte de ser reconstruída, além da reposição de um telhado novo, já há algum tempo.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Raul Lino e Sintra

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"Quando em 1897 regressa a Portugal, o jovem Raul Lino traz um desejo imenso de conhecer a nossa terra e isso fá-lo viajar por Portugal.
(...)
As grandes caminhadas por Sintra, vila pela qual se apaixona e na qual virá a construir, em 1912, a sua casa (a Casa do Cipreste), são uma constante nesta fase inícial. Sintra que em tudo considera excepcional pertence àquela classe de valores míticos de primeira grandeza do nosso firmamento espirítual.
(...)
Aproveitando domingos e feriados, Lino percorre, na companhia do amigo Roque Gameiro, os sítios ao[seu] alcance.(...)"
*Texto retirado de"Raul Lino" Arquitectos Portugueses de Joana Santos.

A Casa Branca das Azenhas do Mar (Foto)

O imaginário da Casa Branca é o da Arquitectura popular portuguesa – ou melhor o modo como Raul Lino viu a tradição popular – e que se transformou numa das marcas que o seu percurso imprimiu ao longo da primeira metade do século arquitectónico português.”

sexta-feira, outubro 07, 2011

Recantos de Monserrate

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"O domínio das forças da natureza sobre o homem é a essência e o espírito do exótico jardim de Monserrate criado no século XIX por Sir. Francis Cook. Este milionário inglês procurou recriar em Monserrate ambientes de várias partes do mundo aproveitando as extraordinárias condições naturais e as possibilidades cénicas oferecidas a paisaigens, assim construídas, levou que o Parque fosse considerado um dos mais notáveis Jardins Românticos do mundo, no período vitoriano."

*excerto de um texto de "Viagem Botânica à Sintra Romântica" da PSML

sexta-feira, setembro 16, 2011

Queijadas de Sintra

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Crónica da semana por Norberto Lopes

Queijadas de Sintra

Há a água de Sintra, o Paço de Sintra, o Palácio de Sintra, a Serra de Sintra – e as Queijadas de Sintra.
Nem todas as pessoas que vão á vila nobre bebem água da Sabuga ou da Fonte dos Passarinhos, nem todos sobem à Pena, entram no Paço de D.JoãoI e dão a volta ao Parque.
Mas ninguém deixa de comer as queijadas. As queijadas são o símbolo de Sintra mais transparente de verdade. A única cousa mesmo, a única, que se traz para Lisboa, a única que irradia nas cidades e é copiada, plagiada, limitada, especulada.

Acresce que as queijadas são também apesar da doçura contemplativa da linda vila real – a única cousa autenticamente doce. E quasi dizemos a única realmente humana, porque também elas, como nós, veem numa condessinha.

Em verdade, nós gostamos tanto das queijadas, somos filhos da Matilde. A Matilde é que noz faz gulosos; a Matilde é que nos dá a recordação transitória de Sintra. A Matilde é que, por pouco dinheiro nos defende muitas vezes quando a gente diz que foi a Sintra passar a tarde, que perdeu o último combóio, que teve de lá ficar.

-Toma filho! Aqui estão as queijadas.

MATHILDE Papeldeembrulho

É o documento que não admite dúvida. Queijada de Sintra há em toda a parte. Da Matilde, a valer só em Sintra.

A Matilde devia ter um monumento. O casino devia chamar-se “Casino da Matilde”. Sintra mesmo assim devia dividir-se assim: de um lado a Estefânia, do outro lado a Matilde.
A Estefânia é a vila nova, a Matilde a vila velha, a tradição, a guloseima, a nobreza, a talassaria, a graça de Sintra.

Está provado que Byron gostava de queijadas. Sem elas o seu estômago saxónico não teria disposição para fazer versos.

E depois, há que não esquecer : a Matilde foi uma Mulher. A melhor queijada do seu tempo. A uma rapariga que veraneie em Sintra não será ofensa chamar-lhe em vez de flor, de amor, simplesmente uma “Matilde”. Também há a “Sapa”. Mas é da Matilde que tratamos. Os nome tem influência.
Enfim: Sintra para nós é uma queijada, embrulhada no papel de cor ou branco, com a gravura da Pena ou do Paço.

Pode cair tudo: a Vereação Municipal e o Casino, o projecto do elevador, o Castelo dos Mouros, as árvores da estação e o Sr.Adriano Coelho.

Enquanto houver queijadas de Sintra, daquelas que eu te trouxe ontem, minha “Matilde” do meu coração – Sintra não acaba. São pequeninas como tu, cabem dentro da nossa boca – e fazem da nossa vida a mais doce queijada da existência.

Norberto Lopes

Publicado no "O Domingo Ilustrado" nº141 de 25 de Setembro de 1927


Créditos:
-Gravuras da "Matilde" da colecção de Valdemar Alves
O Domingo IUlustrado nº141 de 25/09/1927

quinta-feira, setembro 15, 2011

A efémera flor da planta Amazónica de Monserrate II

Victoria Amazónica 14092011BB
Foto das 09h30 (14/09/2011)

Ontem tivemos a sorte de acompanhar o ciclo de vida da 2ª flor da Victória Amazónica, nascida no Parque de Monserrate.
A Vitória Amazónica, sendo uma planta aquática de climas quentes, em Portugal e fora de estufa, como é o caso, o ciclo de vida da flor é encurtado para um dia - tendo de manhã durante o auge da floração, uma cor branca e na tarde desse dia(fase de polinização) cor-de-rosa, enquanto nos climas quentes, esse ciclo acontece em 48 horas.

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Foto das 11h00 (14/09/2011)

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Fotos das 16H30 (14/09/2011)
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Notas sobre a Vitória Amazónica:

"A vitória-régia é uma planta aquática gigante e *rizomatosa, nativa da Amazônia. Suas folhas são circulares, enormes, podendo alcançar 2,5 metros de diâmetro, e flutuantes, com bordos elevados em até 10 cm, que revelam a página inferior espinhenta e avermelhada. Esta face inferior apresenta uma rede de grossas nervuras e compartimentos de ar responsáveis pela flutuação da folha.
(...)
As flores são lindas, grandes e perfumadas e surgem no verão, durando apenas 48 horas. No primeiro dia da floração elas se mostram brancas e no segundo dia, o da polinização, elas se tornam róseas. O besouro responsável pela polinização da Vitória-régia entra na flor no primeiro dia, após o desabrochar, que ocorre no final da tarde, e acaba prisioneiro até o dia seguinte, pois a flor se fecha durante a noite. Após a polinização a flor volta para dentro do lago, para a formação do fruto, do tipo baga, que amadurece em 6 semanas. As sementes produzidas são comestíveis e envoltas por uma espécie de esponja que permite sua flutuação."

*De um texto da autoria de Raquel Patro, publicado no site brasileiro : "Jardineiro.net"

*Nota do blogue: rizoma
s. f.
[Botânica] Espécie de haste subterrânea, quase sempre horizontal.

sexta-feira, março 25, 2011

O Externato de Santa Maria

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Casa dos Penedos

Publicamos hoje um excelente texto de Graça Sampaio, autora do blogue “picosderoseirabrava”, que faz um retrato de uma época - sendo também uma resposta a uma questão relacionada com o Externato de Santa Maria, de Sintra, colocada por uma visitante deste blogue.

A obra da Sr.ª D. Maria Eugénia Reis Ferreira

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O meu contacto com a obra desta senhora fez-se já, a título póstumo, em inícios de Outubro de 1958, tinha eu apenas dez anos, quando a minha mãe, depois de ter respondido a um anúncio, ganhou o lugar de professora primária no Externato de Santa Maria, sito na Rua Marechal Saldanha, n.º 18, em Sintra.

A dona e directora desta instituição, a Senhora D. Maria Emília Reis Ferreira, era irmã da Senhora D. Maria Eugénia (ambas filhas do Senhor Carlos Ferreira, dono da Casa dos Penedos), recentemente falecida, sem descendência, e terá pedido, à hora da morte, à irmã que tomasse conta da sua obra, promessa que a senhora D. Emília cumpriu sempre com todo o carinho e denodo, a suas inteiras expensas.

A população alvo eram crianças do sexo feminino, nomeadamente de famílias pobres, residentes na Freguesia de São Martinho, em Sintra, que não possuía senão uma escola primária destinada a rapazes. De notar que, à época, as escolas primárias obedeciam à lógica da separação dos sexos.

Para além do ensino primário absolutamente gratuito, as meninas almoçavam na escola que lhes oferecia sopa, pão e fruta que vinha das quintas da directora da escola. Depois de fazerem a 4ª classe (de referir que naquele tempo o ensino não era obrigatório e a escolaridade básica para as raparigas era o exame da 3ª classe, ficando o exame da 4ª classe como escolaridade básica dos rapazes) as meninas podiam continuar a frequentar a escola onde funcionava uma Casa de Trabalho na qual elas aprendiam costura e lavores. Durante muitos anos essa Casa de Trabalho foi dirigida pela Senhora D. Madalena.

Para além destas benesses, a escola oferecia a Sopa dos Pobres – todos os dias da semana um máximo de vinte pobres certificados com Atestado de Pobreza passado pela Junta de Freguesia (ou Regedor, já não me lembro bem) recebiam uma panela de boa sopa e um ou dois pães de segunda, conforme o agregado familiar, e fruta, quando havia. Este serviço acabou por se extinguir ainda antes do 25 de Abril.
Tudo, absolutamente tudo, incluindo os ordenados das professoras e das cozinheiras, era pago pela irmã da Sr.ª D. Maria Eugénia. A minha mãe, a D. Lina como era conhecida, passou a ser aquilo a que actualmente se chama a directora pedagógica. Esteve em funções até aos anos 80, altura em que a escola fechou mercê das alterações socio-políticas do país e teve sempre a máxima confiança da dona da instituição. Foi a primeira (e última) professora que se manteve segura no cargo e foi com ela, posso dizê-lo sem qualquer laivo de imodéstia, que a escola evoluiu e se tornou visível. Numa época em que nem sequer se ouvia falar em visitas de estudo, em inícios de 60, a minha mãe, sempre com o suporte humano e material da Sr.ª D. Maria Emília, levou uma camioneta (do Barraqueiro, ainda me lembro) de passeio a Fátima e à Nazaré. Muitas delas nunca tinham saído de Sintra, nunca tinha visto o mar. Foi tudo pago, incluindo lanches e gelado (!) pela Directora da escola. Passou a realizar-se uma festa anual organizada pela minha mãe, com teatrinhos, bailados e récita de poemas pelas meninas, na qual estava presente e era homenageada a Directora e para a qual eram convidados os pais das alunas. Tudo era feito na escola: a escolha e o ensaio das peças de teatro bem como a confecção dos fatos e dos cenários – isto nos anos 60 era muito inovador. Claro que contava-se sempre com o enorme apoio humano, cultural e financeiro da Directora.

Nos anos 70, com a menor procura dos serviços da Casa de Trabalho, a escola passou a receber crianças com 5 e 4 anos, numa espécie de pré-escolar. Entraram novas vigilantes e, naturalmente, às custas da Directora. De referir que a minha mãe e as restantes senhoras que trabalhavam na escola, ao contrário do que acontecia no ensino oficial, recebiam 13 meses por ano, enquanto no oficial recebiam 10.

Depois do 25 de Abril, as condições alteraram-se. As obras de caridade passaram a ser mal vistas, os pais tornaram-se por de mais reivindicativos – não vejam nisto qualquer tipo de crítica da minha parte em relação à Revolução – a Directora estava um pouco cansada e desiludida e a escola acabou por fechar em meados dos anos 80.

O edifício em que a escola funcionava é um casarão contíguo à Casa dos Penedos também pertencente ao pai das Senhoras D. Maria Eugénia e Maria Emília, parte do qual, a ala esquerda, era reservado à casa da professora – a minha mãe – e outra parte, a ala direita, era reservada aos caseiros da Casa dos Penedos que se mudavam para lá no Verão, quando os senhoras vinham veranear para a Casa dos Penedos. A parte central era reservada para a escola: uma enorme sala de aulas, um refeitório de igual tamanho, a enorme cozinha com chão de lajes e fogão a lenha, lá em cima, na ala direita, a Casa de Trabalho e a Capela, onde diariamente se rezava o terço... O enorme campo de ténis da Casa dos Penedos era o recreio das alunas da escola.

Desde que a escola fechou e que a minha mãe não acedeu a ficar lá em jeito de caseira, o edifício foi abandonado e, como sabem melhor do que eu, completamente arruinado. A Senhora D. Maria Emília faleceu há anos também sem descendência e tudo aquilo pertence agora aos sobrinhos, oito, se bem me lembro, filhos de outra irmã sua.

Graça Sampaio

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"O edifício em que a escola funcionava é um casarão contíguo à Casa dos Penedos"

Créditos:
Sinal de trânsito adaptado daqui
Foto do Externato da autoria de Emilia Reis

terça-feira, março 22, 2011

A Eugaria de Pancho Guedes

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«Nos últimos cinco anos, desde a morte da companheira, Dorothy Ann Philips - "na universidade houve muitas namoradas, até que uma disse a verdade e casei com ela" -, Pancho tem vivido sozinho em Sintra, na Eugaria. Ali diz que consegue viver como sempre viveu. "Ali refaço a vida que tinha em África, rodeado de romenos e americanos, expatriados." "Na ilha de Sintra" refugia-se no arquipélago da Eugaria. Mas, e ainda que traga sempre consigo "uma infinidade de sonhos, inspirações vagas e baralhadas", enfrenta também a solidão.»

No jornal "Público" de 21 de Março de 2011

O "Casal dos Olhos" de Pancho Guedes na Eugaria
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Amâncio d'Alpoim Miranda Guedes mais conhecido por Pancho Guedes, nasceu em 1925 é arquitecto, pintor, escultor e pintor modernista.É autor do "Casal dos Olhos", em Eugaria, perto de Colares. Estudou em S.Tomé, Guiné ,Lisboa, Lourenço Marques (actual Maputo), Joanesburgo e no Porto.Trabalhou no departamento de arquitectura da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo e na Universidade Lusófona, em Lisboa, durante o ano académico de 1996/97.

domingo, março 06, 2011

Casa dos Penedos III

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Por gentileza de José Matias, autor do blogue Trans-Atlântico, publicamos hoje algumas fotos do interior da Casa dos Penedos, projecto de Raul Lino, concluída em 1922.

Casadosdos Penedos12
"Os interiores que reflectem a escala da edificação são muito correctos, com azulejos de grande qualidade artística a orientar os percursos, a enfatizar escadas e patins, numa relação - muito dominada- com os restantes materiais aplicados (normalmente naturais, madeira e pedra), e evidentemente com um cuidado especial dedicado à penetração da iluminação natural, que consegue identificar zonas de luz e penumbra enquadradas na solução arquitectónica."
In "Raul Lino"

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Foto da mesma sala da foto anterior mobilada -Foto retirada de "Raul Lino "Ed.Blau.F.A. MC.CMS

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sexta-feira, março 04, 2011

Casa dos Penedos II

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"Concluída em 1922, por encomenda do financeiro Carlos Machado Ribeiro, que tinha já recorrido aos serviços do arquitecto (Raul Lino), tanto em Cascais como em Lisboa, esta grande residência encontra-se na encosta onde se implanta um patamar que a própria obra cria, sensivelmente a meio do morro - uma relação directa com a paisagem montanhosa de Sintra, que lhe dá, quando observada a partir da vila e dos pontos mais baixos, uma predominância decisiva na paisagem que domina e define, fazendo com que simultaneamente se converta num ponto de referência.(...)"
Em Raul Lino 1879-1974


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Publicado na "Ilustração" Nº20 de 16 de Outubro de 1926

-Casa dos Penedos de Raul Lino, publicado na "Ilustração" de 1 de Outubro de 1926-aqui

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domingo, setembro 05, 2010