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segunda-feira, abril 06, 2009

Memórias do antigo regime II



António Macedo
A canção “Erguer a voz e cantar”, foi talvez a canção de intervenção mais emblemática dos anos setenta - pois por todo o lado o “canta amigo canta...” era cantado em coro, durante as manifestações musicais e culturais,( normalmente à última hora proibidas), nos ajuntamentos (normalmente reprimidos), em reuniões estudantis e mesmo no Coliseu dos Recreios, no I Encontro da Canção Portuguesa com um coro de 5.000 vozes, em Março de 1974, já nas vésperas do dia 25 de Abril.


Canta canta amigo canta
vem cantar a nossa canção
tu sozinho não és nada
juntos temos o mundo na mão

Erguer a voz e cantar
é força de quem é novo
viver sempre a esperar
fraqueza de quem é povo
Viver em casa de tábuas
à espera dum novo dia
enquanto a terra engole
a tua antiga alegria

Canta canta amigo canta
...

O teu corpo é um barco
que não tem leme nem velas
a tua vida é uma casa
sem portas e sem janelas
Não vás ao sabor do vento
aprende a canção da esperança
vem semear tempestades
se queres colher a bonança
Erguer a voz e cantar
à força de quem é novo
viver sempre a esperar
fraqueza de quem é povo

Viver em casa de tábuas
à espera dum novo dia
enquanto a terra engole
a tua antiga alegria

O teu corpo é um barco
que não tem leme nem velas
a tua vida é uma casa
sem portas e sem janelas
Não vás ao sabor do vento
aprende a canção da esperança
vem semear tempestades
se queres colher a bonança


António Macedo deixou-nos em 1999 com 53 anos.

Capas do EP original e capa do single encontradas -aqui e aqui

Nota:
O ambiente do 1ºEncontro da Canção Portuguesa no Coliseu em Março de 1974:
Um forte aparato policial é montado no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, onde se realiza o 1.º Encontro da Canção Portuguesa e durante o qual serão entregues os prémios atribuídos no ano anterior pela Imprensa. Participam no festival, entre outros, José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, José Jorge Letria e José Carlos Ary dos Santos. A canção Grândola, de José Afonso, é entoada em coro pelo público que enchia o Coliseu e, no fim, milhares de pessoas gritam «abaixo a repressão!».
encontrada -aqui

quarta-feira, abril 01, 2009

Memórias do antigo regime













A LEGIÃO PORTUGUESA
Criada em 1936, a Legião Portuguesa era uma milícia que estava sob a alçada dos Ministérios do Interior e da Guerra. O seu objectivo era "defender o património espiritual da Nação" e a ameaça comunista. É de realçar que durante a II Guerra Mundial a Legião Portuguesa foi o único organismo português que se colocou ao lado das intenções de Hitler.
Nas décadas de 50 e 60, a sua acção caracterizou-se pela perseguição e repressão às forças oposicionistas, para a qual contribuiu o seu Serviço de Informações e a sua vasta rede de informadores.
Fonte (CITI)
A delegação da Legião Portuguesa na Praia da Maçãs, estava instalada neste edifício, actualmente sem qualquer utilização e talvez um bom lugar para um pequeno museu sobre a nossa história recente, tão desconhecida das camadas mais jovens.

Publicava o Jornal de Sintra nº337 de 25 de Agosto de 1940:

O Bivaque das Mercês
Como noticiámos, o Terço nº34 de Sintra, sob comando hábil e competentíssimo do sr. Comandante Américo dos Santos, nosso estimado amigo, no passado sábado em força máxima, bivacou na Tapada das Mercês, a-fim-de proceder a exercícios de guerra.
Pelas 19 horas, em formatura completa, todos os legionários saíram do seu quartel, atravessando a Vila e Estefânia com aprumo e garbo, levando à frente o térno e corneteiros, com tambores.(...)

*
Foi extinta em 1974, na sequência da Revolução de 25 de Abril .