Foto no bairro da Mouraria
Lisboa
Alguém diz com lentidão:
“Lisboa, sabes…”
Eu sei. É uma rapariga
descalça e leve,
um vento súbito e claro
nos cabelos,
algumas rugas finas
a espreitar-lhe os olhos,
a solidão aberta
nos lábios e nos dedos,
descendo degraus
e degraus e degraus até ao rio. Eu sei. E tu, sabias?
Eugénio de Andrade, in Até Amanhã, 1956
Rio das Maçãs ou Rio de Colares, nasce no Lourel na freguesia de Santa Maria e São Miguel no concelho de Sintra durante o seu percurso até à foz na Praia das Maçãs é alimentado por diversos afluentes do Almagre, de Morelinho, de Nafarros e do Mucifal, da Mata, da Urca ou Valente e de Janas.
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sábado, fevereiro 15, 2020
sábado, dezembro 28, 2019
Porque hoje é Sábado...
Pró Mário Cesariny
Entre a nuvem
e o teu braço
vai o espaço dum ano solar
vai a distância que une
a existência ao infinito
Entre mim
e aquilo que nunca existiu
por ser demasiado belo
vai a distância do vento
que sai exaustivamente
dos teus seios
A sombra
-talvez da própria noite-
sempre gravada
em sinais só por mim vistos
por mim sonhados
nada mais que a sombra longa
para além dos mares de Saturno
processo já procurado há séculos
por alquimistas sábios
loucos
a sombra
só eu a vejo
deixa que eu a veja
sempre entre mim e ti
a bola de cristal o cigarro
tudo que me falta
tudo que está mais além da montanha.
Mário-Henrique Leiria /Obras completas
*Foto no cemitério dos Prazeres Dezembro 2016
sábado, dezembro 07, 2019
Porque hoje é Sábado...
Quando um Homem Quiser
Tu que dormes à noite na calçada do relento
numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
és meu irmão, amigo, és meu irmão
E tu que dormes só o pesadelo do ciúme
numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
e sofres o Natal da solidão sem um queixume
és meu irmão, amigo, és meu irmão
Natal é em Dezembro
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
tu que inventas bonecas e comboios de luar
e mentes ao teu filho por não os poderes comprar
és meu irmão, amigo, és meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
és meu irmão, amigo, és meu irmão
Ary dos Santos, in 'As Palavras das Cantigas'
numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
és meu irmão, amigo, és meu irmão
E tu que dormes só o pesadelo do ciúme
numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
e sofres o Natal da solidão sem um queixume
és meu irmão, amigo, és meu irmão
Natal é em Dezembro
mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
é quando um homem quiser
Natal é quando nasce
uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto
que há no ventre da mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
tu que inventas bonecas e comboios de luar
e mentes ao teu filho por não os poderes comprar
és meu irmão, amigo, és meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
és meu irmão, amigo, és meu irmão
Ary dos Santos, in 'As Palavras das Cantigas'
sábado, novembro 23, 2019
Porque hoje é Sábado....
Nevoeiro
Onde vais ó caminheiro
como o teu passo apressado
onde vais ó caminheiro
com o teu passo apressado
Vou ao cais do terreiro
ver o rei Se-
bastião primeiro
num lençol amortalhado
Voltou do nevoeiro
num veleiro
sem leme nem gageiro
e de casco arrebentado
Onde vais ó caminheiro
com o teu passo apressado
com os teus olhos em braseiro
e o teu rosto afogueado
Vou ao cais do terreiro
ver o rei Se-
bastião primeiro
por alcunha o desejado
Voltou no seu veleiro
nevoeiro
sem leme nem gageiro
num lençol amortalhado
Onde vais ó caminheiro
com o teu passo apressado
Porque levas caminheiro
tanta pressa no cajado
Vou ao cais do terreiro
ver o rei Se-
bastião primeiro
num lençol amortalhado
Voltou no seu veleiro
nevoeiro
esperado primeiro
e depois desesperado
Onde vais ó caminheiro
com o teu passo apressado
Que te traz ó caminheiro
esse princípe encantado
Vou ao cais do terreiro
ver o rei Se-
bastião primeiro
há tanto tempo esperado
Voltou no seu veleiro
nevoeiro
sem glória nem dinheiro
num lençol amortalhado
Onde vais ò caminheiro
com o teu passo apressado
Era princípe ou sendeiro
Sebastião o desejado
Vou ao cais do terreiro
ver o rei Se-
bastião primeiro
num lençol amortalhado
Era princípe herdeiro
nevoeiro
o princípe agoireiro
princípe mal esperado
Onde vais ó caminheiro
com o teu passo apressado
porque corres caminheiro
se é Sebastião finado
Voltou no seu veleiro
nevoeiro
leme nem gageiro
num lençol amortalhado
Vou ao cais do terreiro
nevoeiro
pra ficar bem certeiro
de que é morto e enterrado.
José Mário Branco
sábado, novembro 09, 2019
Porque hoje é Sábado...
As Pessoas Sensíveis
As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas
O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra
«Ganharás o pão com o suor do teu rosto»
Assim nos foi imposto
E não:
«Com o suor dos outros ganharás o pão»
Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito
Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem
Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Livro Sexto'
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas
O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra
«Ganharás o pão com o suor do teu rosto»
Assim nos foi imposto
E não:
«Com o suor dos outros ganharás o pão»
Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito
Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem
Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Livro Sexto'
sábado, agosto 24, 2019
Porque hoje é Sábado...
Álvaro de Campos
Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras,
Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras,
Acordar da rua do Ouro
Acordar do Rossio, às portas dos cafés,
Acordar
E no meio de tudo a gare, a gare que nunca dorme
Como um coração que tem que pulsar através da vigília e do sono.
Toda a manhã que raia, raia sempre no mesmo lugar,
Não há manhãs sobre cidades, ou manhãs sobre o campo
À hora em que o dia raia, em que a luz estremece a erguer-se
Todos os lugares são o mesmo lugar, todas as terras são a mesma,
E é eterna e de todos os lugares a frescura que sobe por tudo
E (...)
Uma espiritualidade feita com a nossa própria carne.
Um alívio de viver de que o nosso corpo partilha,
Um entusiasmo por o dia que vai vir, uma alegria por o que pode
acontecer de bom,
São os sentimentos que nascem de estar olhando para a madrugada,
Seja ela a leve senhora dos cumes dos montes,
Seja ela a invasora lenta das ruas das cidades que vão leste-oeste,
Seja (...)
A mulher que chora baixinho
Entre o ruído da multidão em vivas...
O vendedor de ruas, que tem um pregão esquisito,
Cheio de individualidade para quem repara...
O arcanjo isolado, escultura numa catedral,
Syringe fugindo aos braços estendidos de Pã,
Tudo isto tende para o mesmo centro,
Busca encontrar-se e fundir-se
Na minha alma.
Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas.
Para aumentar com isso a minha personalidade.
Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras —
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.
Dá-me lírios, lírios
E rosas também.
s.d.
Álvaro de Campos - Livro de Versos . Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993.
- 10.
1ª versão: Poesias de Álvaro de Campos . Fernando Pessoa. (Nota editorial e notas de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1944.
retirado daqui :http://arquivopessoa.net/textos/1012
sábado, agosto 17, 2019
sábado, julho 13, 2019
Porque hoje é Sábado....
Hoje de manhã saí muito cedo
Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia que caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida, e
Assim quero que possa ser sempre -- Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.
Alberto Caeiro
sábado, junho 15, 2019
Porque hoje é Sábado...
Museu
Aqui - como convém aos mortais -
Tudo é divino
E a pintura embriaga mais
Que o próprio vinho
Sophia de Mello Breyner Andresen/ O Nome das Coisas
*Foto: Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado
sábado, maio 25, 2019
Porque hoje é Sábado...
Dunas
Areia velha, cansada
De movimento.
Sempre jovem, o vento
Passa num desafio.
Mas só deixa, adivinhada,
A sombra dum arrepio
Na sonolência ondulada… .
In Diário XI
Miguel Torga
*Foto de Duna na Lagoa de Óbidos
sábado, abril 27, 2019
Porque hoje é Sábado...
Esplanada
Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,
agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.
O café agora é um banco, tu professora do liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.
Manuel Pina, in 'Um Sítio onde Pousar a Cabeça'
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,
agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.
O café agora é um banco, tu professora do liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.
Manuel Pina, in 'Um Sítio onde Pousar a Cabeça'
sábado, março 30, 2019
Porque hoje é Sábado...

Os Perseguidos -Pedro Anjos Teixeira 1908-1997
ESTA GENTE/ESSA GENTE
O que é preciso é gente
gente com dente
gente que tenha dente
que mostre o dente
Gente que seja decente
nem docente
nem docemente
nem delicodocemente
Gente com mente
com sã mente
que sinta que não mente
que sinta o dente são e a mente
Gente que enterre o dente
que fira de unhas e dente
e mostre o dente potente
ao prepotente
O que é preciso é gente
que atire fora com essa gente
Ana Hatherly
Porto 1929
*Os Perseguidos
Obra escultórica da autoria de Pedro Anjos Teixeira, um dos precursores do Movimento Neorrealista na escultura.
Esta obra em homenagem aos resistentes do regime fascista apresenta duas personagens, um homem e uma mulher, que transmitem uma mensagem social e política pautada pelos valores imprescindíveis da liberdade, da democracia e da esperança num futuro mais soalheiro.
Este monumento foi inaugurado a 24 de junho de 1979 perante uma guarda de honra formada por antigos tarrafalistas. Encontra-se na Praça do Movimento das forças Armadas em Almada. -E em Sintra junto ao Museu Anjos Teixeira (Foto)
*Post reeditado.
sábado, janeiro 26, 2019
Porque hoje é Sábado...
LAGO TURVO
Angústia marginada,
Meu canto é um lago turvo
Que devolve a paisagem, como um eco
Silencioso.
Um lago onde me afogo
Sem vontade,
Puramente impelido
Por não sei que fatal necessidade
De me sentir poeta e possuído.
Mar sem nascente e só do meu tamanho,
A doçura que tem é um sal sem gosto.
E a estranha inquietação de que se anima,
E o céu olha de cima,
São rugas que se agitam no meu rosto.
Miguel Torga/Diário VIII
Coimbra, 28 de Abril de 1956
sábado, dezembro 15, 2018
Porque hoje é Sábado...
Direcção
Nada nos deterá ou nos impedirá
a marcha
o caminho
a curva aguda dos punhos
que empunhamos calados
ainda mudos
calados
mas não com medo
ou sozinhos
Maria Teresa Horta /Poesia Completa.1
sábado, dezembro 01, 2018
Porque hoje é Sábado...
Poema de Outono
Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
sábado, novembro 24, 2018
Porque hoje é Sábado...
No Café Ramisco, Praia das Maçãs
Vou ao Ramisco onde hoje está de serviço um empregado de mesa belo e jovem. No Ramisco, ao sentarmo-nos, a exiguidade do espaço com as mesas é um obstáculo. Ao levantarmo-nos, o espaço tam-bém nos prende com a mesa e a cadeira. Ele, deslocando a mesa, ajuda-me, com maior facilidade, a encontrar o meu lugar próprio, e diz-me, com os olhos sorrindo: – Vai ficar presa aqui. Sinto, no meu corpo de amor, a melodia dos sinais, e a solícita protecção de uma voz que sempre ouvi. /
Há, no entanto, sem que eu dê por isso, uma mulher velha que passa, decidida, na at-mosferaverde. No real, quer dizer, ao nivel do facto imediatamente visível e quotidiano, pousa-me, com uma certa pressão de peso, a mão aberta sobre a cabeça.
– Não apanhe sol – diz ela com solícito cuidado.
– É bom nas costas, mas este sol de Outubro, na cabeça, não. Uma gripe, agora, é dificil de curar. Levanto-me, ouvindo profundamente este sinal do dia.
Maria Gabriela Llansol
[No Café Ramisco, Praia das Maçãs][Avulso, s/d, anos 80?]
Texto encontrado aqui:
http://www.selene-culturasdesintra.com/mgl-cafe-ramisco-inedito
sábado, novembro 10, 2018
Porque hoje é Sábado...
Pedido de pão por Deus ainda é tradição no 1 de Novembro
Transcrição de uma reportagem da TSF/ Sandra Pires)
Segundo o sociólogo Moisés Espírito Santo, a tradição do pedido do pão por Deus começa a misturar-se com o Halloween, em particular nas cidades.
Nas zonas rurais portuguesas, o feriado do 1 de Novembro é aproveitado para se fazer o pedido do pão por Deus, uma comemoração onde os mais novos andam de porta em porta vestidos a rigor, como manda a tradição.
Ouvido pela TSF, o sociólogo Moisés Espírito Santo explicou que «as mamãs preparam-nos muito bem para andar na rua, muito bem vestidinhos, com uma saquinha muito bem arranjadinha para aquele efeito, mas nada de mascarados».
«Andam muito seriozinhos, muito sossegadinhos e preparadinhos para aquele diz de festa», acrescentou este sociólogo sobre esta comemoração numa altura em que se começa a arraigar a tradição do dia das Bruxas na cultura portuguesa.
Por esta razão, é já «costume a garotada subir aos prédios e aos andares com uma abóbora furada em forma de caveira com uma vela dentro acesa e pedem 'bolinho, bolinho, que é para as almas'».
«É uma mistura da festa das Bruxas, do Halloween e isto é próprio da cidade. Mas a tradição popular portuguesa tem a ver com a tradição de dar bolos secos e frutos secos a quem ajudou as colheitas», acrescentou.
Pão, broa, bolinhos, frutos secos e, mais recentemente chocolates, são as oferendas habituais, sendo que a quem não dá nada não lhe é rogada nenhuma praga, uma tradição que aos poucos vem perdendo força.
«Enquanto o costume era dos adultos era fácil transmitir, mas estando nas mãos da garotada tende a desaparecer, porque, às vezes, não funciona e os pais não encorajam, porque acham que é pedinchice», adiantou.
Moisés Espírito Santo notou mesmo que na região de Leiria houve mais crianças envolvidas nesta tradição no ano passado do que neste ano.
http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Vida/Interior.aspx?content_id=1700539&page=-1
Também faz parte da tradição do Dia de Todos os Santos, o fabrico dos "Bolos dos Santos", um bolo tradicional desta época nas localidades dos Concelhos de Mafra e Torres vedras. Associámos na imagem o vinho de Colares.
*. Em algumas povoações da zona centro e estremadura chama-se a este dia o ‘Dia dos Bolinhos’ ou ‘Dia do Bolinho’. Os bolinhos típicos são especialmente confecionados para este dia, sendo à base de farinha e erva doce com mel (noutros locais leva batata doce e abóbora) e frutos secos como passas e nozes.sábado, outubro 13, 2018
Porque hoje é Sábado...
O acordo entre o governo, Força Aérea e a Ana, para libertar a Base Aérea do Montijo, passa pelo plano da transferência dos C295 para Beja e dos helicópteros de busca e salvamento para Sintra.
o augustaWestland EH101
A esquadrilha dos helicópteros EH101, destinados essencialmente a missões de busca e salvamento virão para a Base Aérea 1 em Sintra.
Allouette
Sintra ficará com uma base essencialmente de helicópteros, ao manter também os Alouette.
Allouette
Fonte:Jornal Público 12/10/2018
sábado, setembro 08, 2018
Porque hoje é Sábado...

Foto do abate de um Plátano centenário em Colares em 14/12/2010 pela Estradas de Portugal SA
*Reedição de um post de 2010
QUANTO VALE UMA ÁRVORE?
Mais do que todo o dinheiro do mundo.
Aqui vai um segredo, daqueles grandes: para vivermos, não precisamos de dinheiro.
Precisamos, sim, de oxigénio. Logo, de árvores. Assim-tão-simples.
Está tão bem guardado, este segredo, que, mesmo contando-o, mantém-se em segredo, pois continua a não chegar ao coração das pessoas. Infelizmente.
A razão que me leva a escrever este post são os belos e antiquíssimos plátanos de Colares (Sintra).
São centenários, creio que do tempo em que existiam carroças em vez de carros (hoje, as estradas são mais largas, contudo, as mentalidades mais estreitas).
A seiva corre e a vida pulsa em cada ramo. As folhas purificam o ar, fornecendo-nos ar puro. Tal como o fizeram no tempo dos nossos pais, avós, bisavós... É maravilhoso.
E agora estamos na iminência de uma tragédia. Sim: "tragédia".
Parece que se decidiu que estas árvores estão a estorvar, já não têm grande utilidade, e é uma chatice ter de varrer as folhas que caem pelo Outono e "sujam" as ruas.
Eu não entendo, palavra de honra.
Sempre que visito a serra de Sintra, apanho garrafas, latas, maços de tabaco, sacos de plástico... tudo espalhado em plena serra. Ora, não será isso que verdadeiramente suja e com que a autarquia se deveria ocupar?
Bem(mal!), os plátanos de Colares estão marcados para.... talvez... serem abatidos.
É uma tragédia, efectivamente. Uma execução em praça pública de seres que não fizeram senão servir o ser (des)humano durante gerações e gerações.
Matar uma árvore é tão grave como matar uma pessoa.
Que direito temos nós de matar um ser que já existia muito antes de nascermos e que continuará a viver depois de morrermos? Que direito?, pergunto em voz alta.
As árvores suportam silenciosamente que os seus membros sejam decepados (as chamadas "podas"), toleram que o seu tronco seja cravejado de pregos, quando alguém acha que é um bom lugar para afixar cartazes... E mesmo com tantas atrocidades que sofrem, continuam, docemente, e até ao último segundo, a fornecer o ar que respiram aqueles que empunham as motosserras...
Peço a todos os leitores que se movimentem da forma que vos for possível no sentido de salvar as nossas queridas árvores de Colares. Divulguem. Protestem.
Publicado no blogue "Casa da Claridade" em 17 de Novembro de 2009
sábado, setembro 01, 2018
Porque hoje é Sábado...
Caso do dia
o doido diz que vai p´ra Sintra
o chofer diz que assim se vai embora
a mãe diz que talvez com uma massagem
mas a enfermeira diz que nem mesmo dessa forma
mas depois
chega o esquadrão da policia
ou pelo menos
-só para efeitos de atemorização -
há quem o afirme
não acho nada bem
diz a que também visita a casa
mas a notícia era clara
agora fechou-se e tem a faca
ninguém lá vai
In Obras completas de Mário-Henrique Leiria
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