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domingo, abril 05, 2020

Vinho de Colares e Outros

Em 2012, era assim que o "rio das Maçãs", se referia a um interessante projecto de dois jovens enólogos;
"É com grande satisfação que a população de Almoçageme vê a "sua" Adega voltar a produzir o famoso vinho que a tornou conhecida internacionalmente .Actualmente a Adega Viuva Gomes, de Almoçageme é utilizada como armazém.
Este interessante projecto  empresarial utiliza as melhores uvas de cada região de Portugal. A Região Demarcada de Colares, a segunda mais antiga a seguir à Região Demarcada do Douro, é uma região vitivinícola conhecida pela suas castas Ramisco e Malvasia, plantadas em chão de areia que produzem o famoso vinho de Colares"

AdegaAlmoçageme22092012dBlogue  ."De regresso a Almoçageme, os enólogos da “Casca  Wines", Tito Gomes e Helder Cunha,  mais uma vez na Adega Viuva Gomes, para  a produção 2012 do Vinho de Colares - o branco Malvasia e o tinto Ramisco, ambos  plantadas   em chão de areia."
AdegaAlmoçageme22092012cBlogue No ano de 2010, tivemos também a possibilidade de acompanhar a actividade destes dois enólogos em Almoçageme - aqui

10 anos depois

Este Domingo no programa "Essência" da RTP3, voltámos a encontrar Helder Cunha, com a explicação da mudança de rumo que o projecto, agora empresa tem tido nestes últimos 10 anos:
Foto RTP3

"A origem do projecto foi na região de Colares. As uvas sem estarem certificadas como biológicas sempre foram biológicas em Colares, porque os  os tratamentos  que os viticultores/agricultores fazem  são tratamentos como há 100 anos atrás. Não há qualquer tipo de químico a entrar dentro da vinha - e essa foi a nossa origem, sempre nos mantivemos junto de quem protege o sítio onde vive."

Foto RTP3

Em 2020:
"Pela necessidade de ter um certificado, fomos para a região onde é fácil certificar as uvas/vinhas biológicas - a Beira interior."

Post relacionado:
https://riodasmacas.blogspot.com/2012/09/vinho-de-colares-2012.html

quarta-feira, setembro 18, 2019

No tempo das vindimas - produção 2019


A terminar as vindimas em Fontanelas, este ano com uma produção de uvas menor que o ano passado, mas  uvas com uma qualidade superior.

Uvas Malvasia de Fontanelas

Uvas Ramisco, (Fontanelas)

quinta-feira, março 14, 2019

Adega Viúva Gomes em Almoçageme

O edifício da adega e escritório foi construído em 1808, pela família Gomes da Silva, oriunda da Região de Loures, que possuía grande extensão de vinha e mais tarde dedicaram-se também ao comércio de vinhos da Região de Colares. De salientar a importância que esta abastada família teve para Almoçageme com a construção a expensas suas em 1926 do edifício da sede da Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme, actualmente- Cine –Teatro José Gomes da Silva, com 230 lugares sentados, que na altura seria uma das melhores no perímetro lisboeta.

José Gomes da Silva além de garantir trabalho e em alguns casos habitação aos que faziam parte do elenco da filarmónica, custeava as despesas de instrumentos, e mesmo os vencimentos do regente.
Inicialmente os vinhos eram produzidos em Almoçageme saindo de carroça para a Praia das Maçãs, onde existia um entreposto. Eram carregados em vagonetas que seguiam atreladas ao eléctrico até Sintra, prosseguindo depois para Lisboa de comboio. Nos inícios do século XX os principais viticultores da região eram Viúva Gomes & Filhos, tendo sido distinguidos com o Grande Prémio na Exposição Mundial do Panamá-Pacífico, em 1915. Durante a Guerra de 1914-1918, enviaram vinho de Colares para consumo dos soldados que combatiam na frente francesa .

Passando por vários proprietários desde a sua fundação, a Adega e toda a existência foi comprada em 1988 pela família Baeta, estabelecida em Sintra no negócio alimentar desde 1898, proprietária de uma Adega em Sintra, tendo a sociedade comercial Jacinto Lopes Baeta, Filhos Lda. ficado na posse de toda a existência, iniciando uma nova fase de comercialização dos vinhos, criando e engarrafando novas colheitas de vinhos de Colares, de modo a restabelecer o prestígio da marca Viúva Gomes. Iniciando a recuperação das instalações com novos tonéis de madeira ficando com uma capacidade de 105.000 litros.
Fontes :
-1892-1992 Cem anos de Vida e História da Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme
-Colares de Maria Teresa Caetano
-Página da Internet da Adega Víuva Gomes da Silva
Post relacionado:
-Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme-pressionar



segunda-feira, fevereiro 18, 2019

Ode ao Vinho Ramisco

Garrafas de vinho com rótulos de Viúva Valério


O Ramisco
Plo mundo como estão vendo,
Vão os Reis desaparecendo,
Sem respeito a pergaminhos!
Mas firme como um ob’lico (obelisco)Será o «Colares –Ramisco»
Tôda a vida o Rei dos Vinhos.

Estribilho

Todos devem preferir
Este vinho em Portugal
Na Adega Regional
Que se bebe até cair
Sem conseguir fazer mal

Mulher velha , já caida .
Aborrecida da vida,
Pla morte a correr o risco,
Pode voltar a ser nova
Bebendo até ir p’ra cova
Só vinho «Colares Ramisco».

Na cama um tipo morria...
Já não falava, não via
Quando o médico chegou...
Deu-lhe a comer um petisco
Por cima «Colares Ramisco»
E o homem ressuscitou.

Pedro Bandeira

(Música de Bernardo Ferreira –cantada pelo rancho de Colares)

-Foto e versos retirados de "Cem anos de vida e História da Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme"

quarta-feira, dezembro 26, 2018

D.Pedro I e as vinhas de Colares (reedição)

Pergaminho de 1362

D. Pedro I quita a Afonso Domingues, seu almoxarife na vila de Sintra, o pagamento do quarto relativo a uma vinha que este tinha no reguengo de Colares.(D.Pedro I,Rei de Portugal, 1357-1367 )
Documento retirado do Arquivo Histórico da CML

Foto :Alagamares
Fonte:AML-AH, Chancelaria Régia, Livro II de D. Dinis, D. Afonso IV e D. Pedro I, doc. 32.
Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Lisboa

quarta-feira, novembro 21, 2018

Caves Visconde de Salreu

( Foto:Pedro Macieira)

Nas últimas décadas do século XIX Colares conheceu um grande desenvolvimento, baseado principalmente na produção do Vinho de Colares.
Em 1908 o vinho ramisco sofre efeitos de uma grave crise, e nesse mesmo ano a Carta de lei de 18 de Setembro reconhece o ramisco como vinho regional e mais tarde o decreto de 25 Maio de 1910 regulava a sua comercialização.É nessa época em 1921 que o Visconde de Salreu mandou construir em Colares ,com projecto do arquitecto Norte Júnior umas grandes caves, hoje ainda com uma óptima conservação.


(Foto:Pedro Macieira)

Maria Teresa Caetano , em “Colares”, descreve desta forma as enormes caves “O edifício de nítida inspiração vernacular alonga-se em dois blocos paralelos e contíguos que galgam a encosta, permanecendo a fachada junto à entrada principal, ornada por duas pipas envoltas numa cercadura azulejar da Fábrica Constança, a azul e branco, na qual se pantenteiam putti colhendo uvas.”
Este edifício majestoso com uma fachada de grande beleza, poderá hoje não ter a importância que a sua história transporta , mas é sem dúvida uma imagem que os visitantes de Colares não deixarão de levar consigo, e uma marco histórico da produção do vinho de Colares.




Obra consultada: "Colares" de Maria Teresa Caetano

segunda-feira, novembro 19, 2018

"Vinhedos e Vinhos"


Chegada das uvas à Adega de Colares ( não datada)
(foto retirada do site “Vila de Sintra”

Excerto de carta enviada por Rodrigo de Boaventura Martins Pereira,”Lente cathedrático da Escola Médico-Cirurgica de Lisboa” ao seu amigo Visconde de Chancelleiros em 16 de Julho de 1881:


“ (...) Se dissermos aos nossos vinhateiros que depurem bem os seus vinhos para que elles se não estraguem, respondem-nos, enchendo os bofes com todo o arreganho da sua presumpção, que a borra –a “mãe”-não faz mal ao “filho” – o vinho.

Se lhes dissermos que os vinhos limpos excusam de aguardentação para conservar-se, - replicam emphaticamente que o vinho de imbarque, sem aguardente se estraga ao passar da linha. E é tempo perdido lembrar-lhes o vinho de Collares e o Bordéus.”

( Texto retirado de “Vinhedos e vinhos” – autor: Rodrigo de Boaventura Martins Pereira, publicado em Bibliotheca do Povo e das Escolas nº117, em 1885)

quinta-feira, novembro 15, 2018

Marketing da Adega Regional de Colares em 1938

Reprodução de página de"O Vinho de Colares"
Numa reimpressão de “O Vinho de Colares” edição da Adega Regional de Colares de 1938 , feita pela C.M.Sintra encontramos uma obra muito interessante e um grafismo da época, que demonstra o cuidado com a imagem que o vinho de Colares já teria para os produtores nessa altura.
Transcreve-se um texto publicitário sobre o vinho de Colares:

O Vinho de Colares é vinho com corpo, alma e perfume.
É o vinho da mais linda cor rubi, quando novo, e de cor acastanhada, ou casca de cebola velha, quando antigo.
Antes de o beber deve, através do copo, contemplar-se a sua linda cor e aspirar-se o seu rico perfume.
Num trago delicado é agradabilíssimo por toda a boca; o sabor e o perfume mixto de amêndoas e violetas dispersa-se estimulando o paladar.
O Vinho de Colares é um vinho servido nas refeições não embota o gosto apurado para o vinho do Porto; o vinho branco servido com o peixe, o vinho tinto acompanhando entradas de carne, ou de caça, não estraga, não torna insensível, nem enfraquece a sublimidade receptiva daquele vinho fino do Douro.
Pela delicadeza da sua composição e perfume não convém deixá-lo na garrafa de um dia para o outro.É finalmente um vinho para apreciadores , para os que sabem beber, para os que tem o sentido gustativo,refinado e distinto
.


Rótulo Collares Burjacas de J.Gomes da Silva Júnior

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Vinhedos e Vinhos - pressionar
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A Fundação Oriente e o vinho de Colares-pressionar

terça-feira, outubro 16, 2018

Histórias do Vinho de Colares

Adegas Beira-Mar, nas Azenha do Mar
Texto publicado no Diário de Notícias, em 5 de Agosto de 2006, (autor desconhecido), que nos conta uma história (que eu gostaria de ter escrito) sobre como nos nossos dias, se vive e se produz o Vinho de Colares.

Deolinda olha a garrafa em contraluz. Procura vestígios de pé através da transparência verde do vidro e a cada olhar vai engordando o lote de garrafas de vinho branco que tem à sua frente e hão-de seguir para embalamento. Deolinda aprendeu a olhar o vinho em 34 anos de trabalho na adega de António Paulo da Silva. Sabe encontrar-lhe o defeito e pô-lo de parte quando não serve. Olha as garrafas uma a uma para depois as rotular à mão, num controlo tal qual se fazia quando ali chegou há muito tempo com a tarefa de "lavar o vasilhame". Vieram depois as máquinas e Deolinda mudou o gesto, passando a ter uma função em que a máquina ainda não substitui a eficácia da mão. Põe o rótulos e é a paciência a fazer o acerto com a ajuda da cola que o patrão traz e que dilui em água. O trabalho de Deolinda já poucos fazem. É quase um exclusivo, como é também único o vinho que vai catalogando.
*Foto retirada daqui
A adega onde Deolinda trabalha fica nas Azenhas do Mar, em plena Região Demarcada do Vinho Colares, uma das regiões vinícolas mais antigas do País. Criada em 1908, situa-se no concelho de Sintra, entre a serra e o oceano e ocupa os terrenos costeiros que vão de Colares a S. João das Lampas. De uma dessas vinhas, num caminho de terra que vai dar a Fontanelas, a aldeia em verso, avista-se o cabo da Roca coberto por um manto de neblina, prenúncio de um dia de calor, mesmo em Sintra.
É uma pequena parcela de terreno como são em regra as vinhas de Colares, protegidas do vento por paliçadas de canas e rodeadas de muros resultado de um puzzle de pedras, perfeitamente desmontáveis. Lá dentro, as cepas rastejam na areia a cerca de um mês e meio de serem vindimadas, como é costume "entre 20 e 24 de Setembro".
É assim há 98 anos, a idade da região demarcada. Já era assim antes. Os tonéis vizinhos de Deolinda são ainda mais antigos, do tempo em que as Adegas Beira Mar pertenciam ao avô do actual dono. A prova dessa antiguidade está esculpida em cada um dos depósitos de mogno: 28-8-86. "O 86 é do século XIX", esclarece Paulo da Silva que aproveita a deixa para desfiar a história do vinho que não sucumbiu à filoxera, como aconteceu com vinhedos no Douro "e por essa Europa fora".
Adega Visconde de Salreu em Colares

O colares resistiu e a explicação para a sobrevivência está na profundidade em que é plantada cada cepa de ramisco, a casta do colares. "Chega a ter um homem, dois homens e até três homens de fundo", diz António Paulo da Silva usando na explicação a medida que tradicionalmente se usava,
A filoxera não foi à raiz da cepa, a vinha sobreviveu e o colares tornou-se um dos vinhos mais populares em finais do século passado, início do século XX com honras de entrar na literatura feita por Eça. Paulo da Silva conta a história, encadeando a marca colares com o percurso da casa que dirige. Exibe prémios, diplomas, folheia livros de honra onde cada assinatura serve para provar um prestígio antigo. Não se perdeu, garante, embora não se venda tanto como antes. Depois de uns anos de crise, diz que o colares voltou a vender-se bem, em parte graças à acção da Adega Regional. Denuncia, no entanto, uma especulação no preço final que pode deitar muito a perder. Passa à frente. Afinal, da sua adega não sai apenas o colares que vende com o rótulo Colares Chitas. Há ainda o Casal da Azenha, vinho que já não é de areia, mas de chão rijo, mais de encosta, "um campeão em grandes concursos", com currículo invejável na Jugoslávia de Tito; e outro, mais corrente, o Beira Mar. Vinhos da casa a que se juntou o Carunchoso, que herdou do sogro.
António Paulo da Silva defende o colares apesar do travo. Isso que se estranha à primeira e que o distingue dos demais vinhos. "Tem um travinho próprio do ramisco." Gosta de o beber, garante. "É um vinho leve, de baixa graduação, na casa dos 11%, que deve ser servido entre os 20 e os 22º", ensina e quando fala tem por perto uma publicidade que se perdeu no tempo. "Na época das descobertas D. Manoel dictou: que a bordo não falte vinho de Collares. Há 400 anos que Collares não falta em parte alguma. Vende-se aqui." Foi quando Sintra se escrevia com C.

sexta-feira, outubro 12, 2018

Vindimas e o Vinho de Colares


Uvas ramisco em Fontanelas 23/09/2018


*Reedição de um texto publicado na edição do  jornal "Correio de Sintra"  de 17 de Outubro de 2012

Tempo de vindimas

“As vindimas roubam ao Outono as uvas onde o Verão está escondido e levam-nas  para lugares cobertos onde o Verão será liquefeito e prolongado, melhorando, bem protegido, enquanto as tempestades ou as brisas ou seja  lá o tempo que for batem lá fora” escreveu Miguel Esteves Cardoso, habitante na região, – e porque estamos no tempo das vindimas em Colares, que melhor tema escolher  que não o Vinho de Colares.


Observador atento do que se passa em Sintra, tenho, ao longo do tempo, tido oportunidade de acompanhar algumas actividades da Adega Regional de Colares – o que me tem permitido ir aprendendo algumas coisas sobre a cultura do vinho nesta região e a sua importância ao longo dos tempos para a história de Colares.


A Região Demarcada de Colares é a segunda mais antiga do País, tendo sido fundada pelo Rei D. Manuel II através de Carta de Lei de 18 de Setembro de 1908. Encontra-se localizada no Concelho de Sintra, nas Freguesias de São Martinho, São João das Lampas e Colares.

Em 15 de Agosto de 1931 foi criada a Adega Regional de Colares, organismo  que teve, e tem, grande influência sobre a viticultura e vinicultura da região. Actualmente a produção do Vinho de Colares da Adega Regional de Colares, está dependente de um pequeno número de produtores da região, o que provoca alguns problemas à sua sustentabilidade.

O Vinho de Colares, tão mencionado por Eça de Queirós, e premiado no princípio do século em vários certames internacionais, está actualmente  numa situação difícil  devido à  escassez da sua  produção.

Os requisitos para que o vinho de Colares seja DOC (Denominação de Origem Controlada) são de grande exigência, tanto no plano da vinha, como também no controlo da sua produção, o que coloca alguns pequenos produtores fora da zona da Adega Regional. A denominação de DOC Colares é feita pela comissão Vitivinícola Regional de Bucelas, Carcavelos e Colares.


As pequenas uvas de ramisco dão origem à casta de Colares, a identidade da região. Cultivadas em solos de areia, com raízes a quatro metros de profundidade, ficam assim protegidas da filoxera, uma doença provocada por um insecto, que no séc.XIX destruiu milhares de vinhas por toda a Europa.



Na região surgiram outras soluções que fogem ao tradicional cultivo da vinha. É o caso da Fundação Oriente (2004), que detém actualmente a maior vinha de Colares  que utiliza métodos de cultivo da vinha  que  não respeita as práticas  tradicionais, como a rega automática e elevação das cepas acima do que é previsto ou   a replantação de “enxertos prontos”. Além disso,  a não utilização das paliçadas de canas secas, que além da descaracterização paisagistica natural da vinha poderão produzir alterações nas caraterísticas do produto final, e que segundo os viticultores tradicionais dificilmente se poderá chamar de Colares.

Outros projectos de menor dimensão como o exemplo da empresa de dois jovens enólogos “Casca Wines”, que se deslocam todos os anos a Almoçageme, e na Adega  Víuva Gomes  fabricam o vinho de Colares com uva malvasia e ramisco da região, respeitam todas as regras do DOC Colares, que depois  de engarrafado com marca própria se destina na maior parte a ser exportado.

Dentro do ambiente do vinho de Colares além dos produtores que mencionámos existem dois armazenistas que engarrafam o vinho adquirido aos produtores da região e comercializam-no tanto no mercado nacional como no estrangeiro. É o caso de  António Paulo da Silva, da Adega  das Azenha do Mar, que comercializa o vinho de Colares com o rótulo Colares Chitas e também  o casal da Azenha de chão rijo e um vinho mais corrente, o Beira-Mar.

A Confraria dos Sabores de Sintra, criada em 2011, na qual o Vinho de Colares tem uma representação, poderá ser um veículo de maior divulgação do Vinho de Colares, mas até agora os  eventos públicos por si organizados  demonstram  alguma debilidade nesses objectivos.

Será necessário apoiar activamente  a Adega Regional de Colares, de forma a preservar este valioso património que é uma parte importante da história de Sintra, mantendo como objectivo um longo futuro.

Pedro Macieira
Colares,07/10/2012 

terça-feira, setembro 25, 2018

Notas sobre o Vinho de Colares

ApesagemdasUvasnaAdegaRegionaldeColaresSData.jpg

“O genuíno Vinho de Colares é um vinho de mesa de previlegiada compleição, produzido com as uvas da casta Ramisco, cultivado exclusivamente nos terrenos de areia solta de origem terciária situados na região de Colares de cujo antigo concelho adoptou o nome.”
In "O Vinho de Colares" –1938

OsViticultores eseus familiaresnaVindioma.jpg

A Carta de lei, de 18 de Setembro de 1908, determinou que "os vinhos produzidos na freguesia colareja e nos terrenos areentos das freguesias de São Martinho e de São João das Lampas fossem tidos como vinho do tipo regional de Colares".

*Fotos do Arquivo Municipal de Sintra, não datadas.

quinta-feira, agosto 30, 2018

O Cacho Dourado de Colares (reedição)


Photobucket

O troféu «Cacho Dourado» atribuído a Colares em 1936, durante a Festa da Vindimária de Lisboa , fotografado  na Adega Visconde de Salreu em Colares. Photobucket

Voltamos hoje a um assunto que várias vezes tem sido tratado aqui neste blogue - atribuição a Colares do troféu «Cacho Dourado» em 1936, durante a a Festa da Vindimária de Lisboa. Um interessante artigo na "Gazeta do Caminho de Ferro" Nº1190 de 16 de Julho de 1937, relata a festa de entrega do troféu na Adega Regional de Colares pelo Chefe de Estado de então, General Oscar Carmona:

"Chega o sr. Ministro da Educação Nacional que é recebido pela autoridades locais e pelo sr. Alberto Tota, representante da Adega Regional de Colares.
Veem-se crianças das escolas de Azenhas do Mar, bandas da União Sintrense. Grémio Musical de Almoçageme e da Escola Profissional da Paiã a quem cabe a Guarda de Honra. Há ainda Bombeiros Voluntários e o Grupo União Sport de Colares.
(...)
A Legião Portuguesa presta honras ao Chefe de Estado que, depois de uma breve revista é recebido à entrada da Adega Regional de Colares.
O Chefe de Estado abraça Alberto Tota enquanto as bandas de Almoçageme e Paiã executam o hino nacional, e sobem ao ar inúmeros foguetes.

" Em seguida o Chefe de Estado entregou o troféu a um casal do Rancho de Colares, fazendo depois um elogio ao Sr. Alberto Tota.(...)

Adelina Fernandes, Fernanda Coimbra e Cecilia Mendes, actrizes do nosso teatro lisboeta, cantaram canções regionais, acompanhadas com uma orquestra com instrumentos de corda.
Vários grupos se fizeram ouvir em lindas canções portuguesas.
Foi por último servido, ao ar livre um Colares de honra aos visitantes e convidados."

in "Gazeta do Caminho de Ferro" nº1190 de 16 de Julho de 1937

Photobucket
Artigo do Jornal de Sintra de de 11-07-1937

Festa Vindimária
Rancho de Colares
"A todos os componentes da consagração da Festa da Vindimária se agradece a compostura, a disciplina o espírito de sacrificio e a elevação com que se apresentaram e exibiram em Colares, por ocasião da entrega oficial do"Cacho Dourado".
Colares 8 de Julho de 1937
Adega Regional de Colares
A Direcção
(Jornal de Sintra de 11-o7-1937

quarta-feira, julho 11, 2018

Adega Viúva Gomes em Almoçageme

O edifício da adega e escritório foi construído em 1808, pela família Gomes da Silva, oriunda da Região de Loures, que possuía grande extensão de vinha e mais tarde dedicaram-se também ao comércio de vinhos da Região de Colares. De salientar a importância que esta abastada família teve para Almoçageme com a construção a expensas suas em 1926 do edifício da sede da Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme, actualmente- Cine –Teatro José Gomes da Silva, com 230 lugares sentados, que na altura seria uma das melhores no perímetro lisboeta.

José Gomes da Silva além de garantir trabalho e em alguns casos habitação aos que faziam parte do elenco da filarmónica, custeava as despesas de instrumentos, e mesmo os vencimentos do regente.
Inicialmente os vinhos eram produzidos em Almoçageme saindo de carroça para a Praia das Maçãs, onde existia um entreposto. Eram carregados em vagonetas que seguiam atreladas ao eléctrico até Sintra, prosseguindo depois para Lisboa de comboio. Nos inícios do século XX os principais viticultores da região eram Viúva Gomes & Filhos, tendo sido distinguidos com o Grande Prémio na Exposição Mundial do Panamá-Pacífico, em 1915. Durante a Guerra de 1914-1918, enviaram vinho de Colares para consumo dos soldados que combatiam na frente francesa .

Passando por vários proprietários desde a sua fundação, a Adega e toda a existência foi comprada em 1988 pela família Baeta, estabelecida em Sintra no negócio alimentar desde 1898, proprietária de uma Adega em Sintra, tendo a sociedade comercial Jacinto Lopes Baeta, Filhos Lda. ficado na posse de toda a existência, iniciando uma nova fase de comercialização dos vinhos, criando e engarrafando novas colheitas de vinhos de Colares, de modo a restabelecer o prestígio da marca Viúva Gomes. Iniciando a recuperação das instalações com novos tonéis de madeira ficando com uma capacidade de 105.000 litros.
Fontes :
-1892-1992 Cem anos de Vida e História da Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme
-Colares de Maria Teresa Caetano
-Página da Internet da Adega Víuva Gomes da Silva
Post relacionado:
-Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme-pressionar



segunda-feira, junho 25, 2018

D.Pedro I e as vinhas de Colares

Pergaminho de 1362

D. Pedro I quita a Afonso Domingues, seu almoxarife na vila de Sintra, o pagamento do quarto relativo a uma vinha que este tinha no reguengo de Colares.(D.Pedro I,Rei de Portugal, 1357-1367 )
Documento retirado do Arquivo Histórico da CML

Foto :Alagamares
Fonte:AML-AH, Chancelaria Régia, Livro II de D. Dinis, D. Afonso IV e D. Pedro I, doc. 32.
Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Lisboa

domingo, janeiro 21, 2018

Região Demarcada de Colares



Região Demarcada
Colares, reclinada sobre duas colinas da Serra de Sintra, é região demarcada desde 1908.A carta de Lei de 1908 reconhecendo Colares como vinho de tipo regional, foi o diploma que criou a região demarcada, património de elevado grau de raridade, senão único, em todo o mundo vitícola.

A região está confinada a uma zona de terrenos de areia solta da era terciária, assente sobre uma zona argilosa do cretáceo, que em tempos recuados se admite ter sido pertença do mar e onde as videiras desenvolvem as suas raízes.

A área geográfica correspondente à Denominação de Origem "Colares" compreende as freguesias de Colares, São Martinho e São João das Lampas.

in Sintra Capital do Romantismo 



Colares-Região Demarcada há mais de  um Século!

"A casta  característica e dominante  que produz o inimitável vinho de Colares é o Ramisco que não foi efectada pelo ataque da Filoxera no fim do século XIX, em virtude de os seus terrenos arenosos, não terem permitido a penetração do insecto."
Fonte :Revista de Vinhos nº154 Set.2002

RamiscoAdega2012Blogue
“A região demarcada fundada pelo Rei D.Manuel II, através de Carta de lei de 18 de Setembro de 1908, a Região Demarcada de Colares é uma das mais antigas do País e, seguramente, aquela que corre maior risco de extinção no panorama vitivinícola nacional. Nos dias que correm a produção da região é basicamente dominada por duas entidades: a Adega Regional de Colares e a Fundação Oriente.Todavia subsistem ainda alguns produtores isolados que, a seu belo prazer, fazem nas suas adegas o “vinho ramisco” para consumo próprio.

Falamos de uma área total a rondar 20 hectares , onde o maior produtor isolado é sem margem de dúvidas,a Fundação Oriente. Quanto à Adega regional de Colares, como entidade cooperativa que é, congrega praticamente a totalidade dos pequenos produtores da região (cerca de 40) cuja produção varia entre os 20 e os 1000 quilos de uva da denominação de origem Colares, entregues por associado.

quinta-feira, novembro 09, 2017

Conferência "À Volta do Vinho" em Colares



Conferência “À Volta do Vinho: Enoturismo à Prova!”


    A A2S – Associação para o Desenvolvimento Sustentável da Região Saloia organiza a Conferência Temática “À Volta do Vinho – Enoturismo à Prova!” que se vai realizar no próximo dia 15 de novembro de 2017, pelas 14h00 na Adega Regional de Colares em Sintra.
Trata-se de um evento que visa aprofundar e debater a temática do Enoturismo, nomeadamente, os desafios inerentes à estruturação, comunicação e comercialização dos produtos enoturísticos.
Pretende-se dar a conhecer o estado da arte da atividade enoturística, apoiar a criação de redes, dar início a processos de estruturação e organização da oferta turística, valorizando os produtos locais e turísticos de qualidade e apresentando exemplos de sucesso e casos de boas práticas.
Esta iniciativa vai contar com testemunhos de importantes académicos e profissionais com experiência nas questões do vinho e do Enoturismo e destina-se a produtores de vinho, operadores turísticos, alojamentos, restauração e todos aqueles que se interessam pela temática do vinho e do turismo.
*Texto da organização do evento

terça-feira, outubro 03, 2017

Vinho de Colares e o rio das Maçãs

Gravura antiga com Rio das Maçãs na Várzea de Colares

 ”A tradição diz-nos e os factos parecem demonstrá-lo que a grande área do terreno em que se cultiva o Vinho de Colares foi há longuíssimos séculos pertença do mar.

A fundamentar essas opiniões se afirma ser o nome de Galamares, vocábulo que o tempo corrompeu de Alaga-Mar, lugar onde nesses recuados tempos, chegava a maré, inundando na sua enchente o vale.

O facto tem ainda a justificá-lo a circunstância de no foral de Sintra, datado de 1154, nas confrontações do termo de Sintra nele descritas , se referir ao rio Galamares.

Era então um rio navegável e entrava no Oceano por uma foz límpida , onde numa enseada lançavam ferro as embarcações.(...)Acresce ainda que a doação no Reguengo de Colares, feita como atrás dizemos por D.Afonso III , se faz menção de um porto chamado Basa, que se reputa haver sido uma povoação romana, não devendo ser ousadia afirmar que esse porto que no mesmo documento vimos chamar Basan,seja o Banzão de hoje.(...)

Do rio de Colares (Rio das Maçãs*) que serpenteava veloz por entre pomares e deles arrastava os frutos que vieram dar o nome á praia onde tem a foz-Praia das Maçãs(...)."

-No “ O Vinho de Colares” edição da Adega Regional de Colares em 1938
Nota:
*Rio de Colares ,Ribeira de Colares ou Rio das Maçãs nota de PedroMacieira





quarta-feira, setembro 20, 2017

Vindimas em Colares

Foto em 19/09/2017 em Fontanelas
A Região Demarcada de Colares é a segunda mais antiga do País, tendo sido fundada pelo Rei D. Manuel II através de Carta de Lei de 18 de Setembro de 1908. Encontra-se localizada no Concelho de Sintra, nas Freguesias de São Martinho, São João das Lampas e Colares.


Foto em 19/09/2017 em Fontanelas
Em 15 de Agosto de 1931 foi criada a Adega Regional de Colares, organismo  que teve, e tem, grande influência sobre a viticultura e vinicultura da região. Actualmente a produção do Vinho de Colares da Adega Regional de Colares, está dependente de um pequeno número de produtores da região, o que provoca alguns problemas à sua sustentabilidade.

Foto em 19/09/2017 em Fontanelas
O Vinho de Colares, tão mencionado por Eça de Queirós, e premiado no princípio do século em vários certames internacionais, está actualmente  numa situação difícil  devido à  escassez da sua  produção.
Foto em 19/09/2017 em Fontanelas
Os requisitos para que o vinho de Colares seja DOC (Denominação de Origem Controlada) são de grande exigência, tanto no plano da vinha, como também no controlo da sua produção, o que coloca alguns pequenos produtores fora da zona da Adega Regional. A denominação de DOC Colares é feita pela comissão Vitivinícola Regional de Bucelas, Carcavelos e Colares.
 As vinhas de Ramisco, cultivadas em solos de areia, com raízes a quatro metros de profundidade, ficam assim protegidas da filoxera, uma doença provocada por um insecto, que no séc.XIX destruiu milhares de vinhas por toda a Europa.
Foto em 19/09/2017 em Fontanelas
Na região surgiram outras soluções que fogem ao tradicional cultivo da vinha. É o caso da Fundação Oriente (2004), que detém actualmente a maior vinha de Colares  que utiliza métodos de cultivo da vinha  que  não respeita as práticas  tradicionais, como a rega automática e elevação das cepas acima do que é previsto ou   a replantação de “enxertos prontos”. Além disso,  a não utilização das paliçadas de canas secas, que além da descaracterização paisagistica natural da vinha poderão produzir alterações nas caraterísticas do produto final, e que segundo os viticultores tradicionais dificilmente se poderá chamar de Colares.

Dentro do ambiente do vinho de Colares além dos produtores que mencionámos existem dois armazenistas que engarrafam o vinho adquirido aos produtores da região e comercializam-no tanto no mercado nacional como no estrangeiro. É o caso de  António Paulo da Silva, da Adega  das Azenha do Mar, que comercializa o vinho de Colares com o rótulo Colares Chitas e também  o casal da Azenha de chão rijo e um vinho mais corrente, o Beira-Mar.
Foto em 19/09/2017 em Fontanelas
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