sexta-feira, outubro 15, 2010

Sintra Antiga

O nosso amigo Carlos Santos - Caínhas, fez o favor de nos enviar uma preciosidade - uma foto do seu arquivo pessoal dos finais do Século XIX, junto ao actual Palácio da Vila, também referenciado em 1902, como Palácio Rainha D. Maria Pia.

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Sintra fim do Séc. XIX -procissão Senhor dos Passos

"Envio-lhe esta foto do meu arquivo pessoal, era dos meus avós paternos.
Poderá ver como era a Vila velha antes das obras que deitaram abaixo a parte da frente do Palácio para dar origem ao que é hoje o Largo do Paço.

A foto é da procissão do Senhor dos Paços que deixou de fazer-se, eventualmente, após a implantação da República e com a perseguição à igreja.

Quando eu era pequeno lembro-me da minha catequista me dizer que a imagem era de muito difícil transporte, de facto é enorme (está na igreja de S.Martinho), o primeiro altar do lado esquerdo a seguir à porta da sacristia."

Carlos Santos -Caínhas

O Palácio da Vila em 1906

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Uma foto do eléctrico na Vila Velha, publicada na "Ilustração Portuguesa" II série nº31, em 24 de Setembro de 1906. De notar o aspecto que tinha o Largo Rainha D.Amélia, em 1906, com edifícios que o fechavam e que foram demolidos já durante o Séc. XX, uma das muitas transformações que o Palácio Nacional de Sintra sofreu ao longo dos tempos.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Feira das Mercês

Feira das Mercês a partir de 16 de Outubro até 1 de Novembro de 2010

Memórias da Feira das Mercês
Feira das Merces 44
"É a mais importante feira do districto de Lisboa e embora os mercados de gados e de varios productos não tenham na região da Estremadura nem pitturesco nem o valor da feiras minhotas e alentejanas, esta impõe-se pela variedade de typos e arrabaldinos que ali concorrem. Veêm-se carros de todos os feitios, vehiculos quasi prehistoricos arrastados por alimarias de todas as idades, homens que discutem, mulheres de typos vistosos que se apeiam no local da feira, ranchadas que se mettem nos campos devorando as merendas.

Á mistura um ou outro lisboeta curioso do pitoresco e d'um pouco de bom ar, que ri vê as transacções, que contempla aquellas fileiras de vendedores de fructas e de leitões assados e se retira á noite, na boa paz , n'um comboio rapído que silva e o deixa no Rocio."

Foto e texto na "Illustração Portugueza" de 24 de Outubro de 1904
* Grafia e acentuação conforme original

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O Muro do Derrete
"A nota mais tipica daquela feira é o celebre «Muro do Derrête».
Proximo da capelinha, há um muro baixo, junto do qual se vêem, uns sentados outro de pé, os saloios e as saloias que se namoram «derretendo-se» à vista de toda a gente...
É deveras interessante ver aqueles idílios amorosos, aquele arrulhar de pombinhos inocentes...saloiamente falando.
Eles e elas , envergando os seus fatos domingueiros, mostram-nos os mais curiosos tipos da região saloia.
(...)
É vê-los todos «derretidos» no «Muro derrête» sorrindo-se e apertando-se as mãos...
E os saloios olham de soslaio, desconfiados de que lhes cobissem os «derriços»...
E ai daquele que se «astreva» a dizer uma graça a uma cachopa, porque o menos que lhe pode acontecer é «derreterem-lhe» as costelas com um cajado...
O «Muro do derrête» da Feira das Mercês, é a verdadeira ala dos namorados...saloios."
Texto e foto, publicado na revista "Ilustração" nº7 de 1 de Abril de 1933 da autoria de Lima Pereira.
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Também o "Muro do Derrete" estava representado no desfile ocorrido em 2005, em honra da N.ª Sr.ª do Cabo Espichel em Sintra. (Foto de Carlos Santos -Caínhas)

quarta-feira, outubro 13, 2010

O carro da rega

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Carlos Santos - Caínhas, colaborador deste blogue, enviou-nos uma preciosa fotografia do carro que se destinava a lavar as estradas de Sintra e que foi conduzido por um seu familiar:

Esta viatura destinava-se a lavar as estradas.
Era conduzida pelo meu tio José Marques da Silva (na imagem), pai do meu primo António José Santos Silva, ex-Ajudante de Conservador do
Registo Civil de Sintra.
Este carro não teve uma vida muito longa.
A garagem destes e outros veiculos destinados à limpesa, e até de tracção animal como o carro do lixo puxado por um boi, cujo condutor era o senhor Filipe Faria, para nós o tio Filipe, ficavam na abegoaria, sito na volta do duche antiga, onde hoje se situa o chafariz mourisco mas do outro lado da estrada. Antes de ir abaixo
ainda funcionou lá a sopa dos pobres.

terça-feira, outubro 12, 2010

Eleições e Mandatos

Notícia da Agência Lusa em 10 de Outubro de 2010, publicada no Jornal I:

"Federação Portuguesa de Futebol: Fernando Seara admite avançar se Madaíl sair de cena

O presidente da Câmara Municipal de Sintra, Fernando Seara, admitiu hoje que poderá candidatar-se à presidência da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), caso o atual líder, Gilberto Madaíl, mantenha a decisão de se afastar."


SearaCMSFutebol
*Fotomontagem Blogue Rio das Maçãs

"As eleições para os órgãos sociais da FPF ainda não estão marcadas, mas deverão ocorrer em Janeiro,(2011), segundo indicação do presidente da Assembleia Geral, Avelino Ribeiro." Acrescenta a Agência Lusa.

O Presidente da CMS, Fernando Seara foi reeleito em 11 de Outubro de 2009, para a autarquia Sintrense para um mandato de 4 anos, pela coligação "Mais Sintra" PPD/PSD, CDS,PPM,MPT com o lema "Sintra merece mais. Sintra exige mais" - prometendo na propaganda eleitoral distribuida "Dedicação total".

segunda-feira, outubro 11, 2010

Tempo das Vindimas em Colares (IV)

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José Fernandes Badajoz foto da Capa do seu LP
A importância do Vinho de Colares no desenvolvimento e na cultura desta região nos últimos 100 anos[1], é notória.
Em prosa e em poesia não faltam referências às vinhas e ao vinho Ramisco, também cantadas por aqueles que conheceram bem estas realidades – é o caso do “Poeta cavador” do Mucifal, José Fernandes Badajoz.

Através de um artigo publicado no "Jornal de Sintra", nº2578 de 24 de Fevereiro de 1984, assinado por Helena Santos, recordamos esta figura do Mucifal:

“José Fernandes Badajoz é uma figura de prestígio na poesia popular portuguesa cantada há quase cinquenta anos.As suas poesias foram parcialmente publicadas no terceiro volume da antologia «Poetas Populares».
(...)
Apesar da escassa publicação de textos e discos do autor, a figura de poeta, cantor e camponês tem estado presente ao longo dos anos, na vida do Mucifal e na animação de aldeias, vilas e cidades do País.
(...)
Cinco canções obtiveram êxito na Rádio nos anos quarenta e continuam a ser cantadas como «O Cavador», «O Rasmisquinho»,«Os Santos Populares» e a «Santa Velhinha».
(...)
O prestígio de José Fernandes está também profundamente enraizado na sua personalidade, tendo vindo a realizar uma opção de vida bastante rara que permite a prática de ideais humanos como a fraternidade, a união com a Natureza, a simplicidade, a paz individual e social possiveis para quem os sabe escolher.(...)”

Helena Santos

[1]considerando só a data em que Colares se tornou Região Demarcada em 1908

O RAMISQUINHO



Outras canções de José Fernandes Badajoz:

-Sintra terra de encantos-aqui
-Bela Vista -aqui
-Azenhas do Mar -aqui

domingo, outubro 10, 2010

Tempo das Vindimas em Colares (III)

Chegada da uva Ramisco à Adega Regional de Colares

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A Adega Regional de Colares -fotos de 2/10/2010

"De longínqua tradição, encimando a famosa lista da viticultura nacional, o vinho de Colares contém particularidades únicas, que o tornaram ao longo dos anos num dos mais apreciados vinhos do mundo. A sua famosa casta Ramisco, cuja vinha é abacelada em terrenos arenosos do litoral e sujeita ao micro-clima existente na região sintrense, produz um vinho de bouquet magnífico, cheio de delicadeza, sabor e perfume agradáveis, e com pequena percentagem de álcool.(...)"
*João Rodil em "Sintra na Obra de Eça Queirós"

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Uva Ramisco -fotos de 02/10/2010

Ramisco é uma casta de uvas tintas portuguesa cultivada principalmente na região Colares DOC. Os vinhos varietais de Ramisco têm taninos muito marcados e adstringentes , o que lhes permite envelhecer bem.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ramisco

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"Pensa-se que a introdução da casta “Ramisco” na região se deve ao rei D. Afonso III (séc. XIII), que a teria trazido de França. O grande enólogo Ferreira Lapa afirma que “o Colares é o vinho mais francês que possuímos”. O rei D. Dinis (séc. XIII-XIV) aplicou aos mouros, donos das terras de Colares, um tributo no qual se inclui uma quarta parte da produção de vinho da região. A primeira exportação de vinho de Colares, documentada, efectuou-se no reinado de D. Fernando I (séc. XIV). D. João I (séc. XIV-XV) ofereceu esta região a D. Nuno Alvares Pereira como recompensa pela vitória de Aljubarrota.(...)"

Na Revista de Vinhos, nº 154, Setembro de 2002.

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Um pequeno produtor entrega à Adega Regional o resultado da sua produção de Ramisco de 2010

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A produção da uva Ramisco dos associados da Adega Regional, permitem que a Adega produza, actualmente cerca 5.000 litros do famoso néctar.

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Fotos de 02/10/2010
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Durante a recepção da uva Ramisco -fotos em 02/10/2010

Memórias de uma outra época:
"Segundo alguns elementos estatísticos tornados públicos, a produção normal do Vinho de Colares anda à volta de 2.000 pipas, estando as vinhas divididas por cêrca de 600 viticultores."
"No "O Vinho de Colares"Ed. da Adega Reg.de Colares em 1938

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"Na Adega Regional, cujas instalações, num constante e progressivo aperfeiçoamento, se podem considerar modelares, são as uvas despejadas numa ampla fossa, onde o pessoal devidamente especializado procede a uma rigorosa selecção das uvas chegadas, verificando a casta, maturação e expurgando os cachos doentes, verdes ou de outras castas.
Dá-se então comêço à cuidadosa vinificação.Um esmagador eléctrico Foulograppe esmaga as uvas e por meio de uma bomba tudo se eleva mecânicamente para os balseiros.(...)"

Em "O Vinho de Colares"- Ed. da Adega Regional de Colares em 1938

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Após a recepção da uva, procede-se ao seu esmagamento- iniciando-se um novo ciclo na produção do Vinho de Colares- foto de 02/10/2010

As vinhas
"Plantadas na camada argilosa subjacente à camada arenosa, ainda hoje se utiliza, nas vinhas da denominação Colares, ao invés de qualquer viticultura europeia, o sistema radicular das plantas americanas, ou seja, os chamados porta-excertos. A imunidade ao ataque filoxérico dos fins do século XIX, fez com que ainda presentemente as vinhas sejam plantadas de pé-franco.Todavia pode colocar-se agora a questão - será que resistirão à ausência de viticultores?

Presentemente, a classe etária a que pertence a maioria dos produtores associados da Adega Regional, é elevada. São pessoas que possuem uma grande lucidez em relação a isso, mas para quem a vinha é uma parte de si próprios. Pode mesmo afirmar-se que, nalguns casos, é possivel observar o estado de saúde do viticultor através da observação da vinha, em diversos momentos so seu ciclo cultural. Torna-se por demais evidente que se nada for feito, a curto prazo para inverter este estado das coisas o limite será o desaparecimento da viticultura de Colares.(...)"

*José António Vicente Paulo Presidente da Adega Regional de Colares
"Jornal de Sintra" de 10 de Novembro de 2006

Agradecimentos:
Ao Enólogo Francisco Figueiredo, ao Presidente da Adega Regional de Colares- José António Vicente Paulo, e aos trabalhadores da Adega Regional, pela facilidades concedidas para a realização deste trabalho.

sábado, outubro 09, 2010

Tempo das Vindimas em Colares (II)

A chegada da uva Malvasia à Adega Regional de Colares

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Foto de outros tempos da chegada da uva de Colares à Adega Regional-(foto não datada)

Colares é região demarcada desde 1908, mas a origem dos seus vinhos remonta a 1255, quando D. Afonso III fez a doação do Reguengo de Colares, obrigando a plantar aí videiras vindas de França.
As características únicas dos vinhos de Colares devem-se à combinação de castas, solo e clima temperado e húmido no Verão, mas principalmente ao facto da vinha ser instalada em "chão de areia". Situadas próximo do mar as vinhas estão sujeitas a ventos marítimos muito fortes, pelo que tradicionalmente são protegidas por paliçadas de canas. As castas são plantadas directamente na areia, sem recurso a porta-enxertos. Os seus solos arenosos conseguiram manter afastada a filoxera, epidemia que assolou a Europa quase todo o território português, por isso as vinhas de Colares da casta Ramisco, não enxertadas, estão entre as mais antigas.
Castas
· Principais castas tintas:Ramisco, com representação mínima de 80%.
· Principais castas brancas: Malvasia, com representação mínima de 80%

http://pt.wikipedia.org/wiki/Colares_DOC

A uva de chão de areia da produção 2010, chega à Adega Regional de Colares
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Pesagem do reboque com uva Malvasia na báscula da Adega Regional de Colares em 30/09/2010

Malvasia é uma casta de uva branca de origem grega usada na fabricação de vários vinhos.
A casta está dispersa por toda a zona do Mar Mediterrâneo. É uma uva para vinhos licorosos de sabor intenso doce e graduado, e é particularmente encontrada no Piemonte, Piacentino, Parmense, Sicília, Puglia (em particular no Salento) e Sardenha (malvasia di Bosa). A coloração pode ser amarelada em vários tipos de espumantes, sendo a mais comum a Malvasia Negra. A graduação alcoólica vai da 12° a 14°.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Malvasia
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Um produtor chega à Adega Regional, com a sua uva Malvasia em 30/09/2010

Vinhedo e Vinhos
Excerto de carta enviada por Rodrigo de Boaventura Martins Pereira,”Lente cathedrático da Escola Médico-Cirurgica de Lisboa” ao seu amigo Visconde de Chancelleiros em 16 de Julho de 1881:

(...) Se dissermos aos nossos vinhateiros que depurem bem os seus vinhos para que elles se não estraguem, respondem-nos, enchendo os bofes com todo o arreganho da sua presumpção, que a borra –a “mãe”-não faz mal ao “filho” – o vinho.
Se lhes dissermos que os vinhos limpos excusam de aguardentação para conservar-se, - replicam emphaticamente que o vinho de imbarque, sem aguardente se estraga ao passar da linha. E é tempo perdido lembrar-lhes o vinho de Collares e o Bordéus.”

( Texto retirado de “Vinhedos e vinhos” – autor: Rodrigo de Boaventura Martins Pereira, publicado em Bibliotheca do Povo e das Escolas nº117, em 1885)

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Vinhos provenientes de solos arenosos, cuja base são as mais famosas castas de Colares: Ramisco e Malvasia. O branco apresenta notas tropicais, já o tinto tem um aroma a frutos secos.
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"(...)As vindimas roubam ao Outono as uvas onde o Verão está escondido e levam-nas para lugares cobertos, onde o Verão será liquefeito e prolongado, melhorando, bem protegido, enquanto as tempestades ou as brisas ou seja lá o tempo que for batem lá fora.
Gosto muito de ver chegar as uvas Malvasia e Ramisco à Adega Regional de Colares. É como assistir ao salvamento do Verão. Todas as frutas do calor já foram comidas. Agora vêm as que são para beber e ficam como o nome de 2010.(...)"

Miguel Esteves Cardoso . jornal Público de 20 de Setembro de 2010

*Fotos da chegada da uva Malvasia, à Adega Regional de Colares em 30/09/2010

Continua

sexta-feira, outubro 08, 2010

Tempo das Vindimas em Colares

Vindimar o Ramisco

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"É numa região entre a Serra de Sintra e o oceano Atlântico, fortemente fustigada por ventos marítimos e com elevada percentagem de humidade, que nascem as pequenas uvas que dão cor ao vinho Colares, cuja produção remonta à época da fundação de Portugal.

As características próprias da vinha que produz o Colares DOC (Denominação de Origem Controlada), rasteiras, com raízes a quatro metros da superfície, permitiram às vinhas escapar no final do século XIX à filoxera, uma doença provocada por um insecto, que destruiu milhares de vinhas em toda a Europa."
No Jornal OJE

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"As vinhas desta região, situadas próximo do mar e sujeitas aos ventos marítimos muito fortes, são protegidas por paliçadas de canas, conferindo um aspecto muito especial a esta paisagem vinícola. Colares, pela sua natureza geológica, divide-se em duas sub-zonas: "chão de areia" (região das dunas) e "chão rijo" (solos calcários, pardos de margas ou afins).

As características únicas do vinho de Colares devem-se às castas, solo e clima temperado e húmido no Verão e, ainda, ao facto de 80% da vinha estar instalada em "chão de areia", respeitando a prática tradicional de "unhar" a vara de "pé franco" no estrato subjacente à camada de areia.."
No Sintra Romântica

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Negrito "Em 1885, os vinhais do país foram, em grande parte, devastados pela filoxera. Mas os vinhais de Colares ficaram incólumes, para o que muito contribuíram as condições dos terrenos arenosos, em que o terrível insecto não encontrou modo de penetrar. Por isso, a categoria do vinho de Colares impôs-se, fazendo dele o primeiro vinho de mesa nacional."

No Sintra Romântica
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"Os vinhos de Colares - que, apesar de serem um contra-senso na contramão da racionalidade e da moda, são os vinhos portugueses mais teimosos e mais fáceis de amar. Numa época em que tudo tem de saber a frutas tropicais, chocolate, baunilha, compotas e mijo de gato, os vinhos de Colares, sejam os tintos Ramisco ou os brancos Malvasia, estão entre os poucos que sabem a ...vinho."

Miguel Esteves Cardoso, no jornal Público de 18/03/2009

*Fotos da Vindima do Ramisco em 2/10/2010

Continua

quinta-feira, outubro 07, 2010

O Centenário da República (VI)

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Terminamos hoje uma série de posts, sobre as Comemorações dos 100 anos da República Portuguesa . Hoje fazemos uma pequena abordagem à problemática das Bandas Filarmónicas - um fenómeno de grande importância cultural, que surgiu na sociedade portuguesa nos fins do Séc.XIX, e que se mantém pujante nos nossos dias, e o exemplo disso é o acontecimento musical que testemunhámos em Sintra na comemoração do Centenário da República.

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“Um dos fenómenos sóciopoliticos mais interessantes da sociedade portuguesa de fins do séc XIX é, sem dúvida, a proliferação das Bandas Filarmónicas.
Elas foram o refúgio, o esteio, a utopia e a festa das classes mais desfavorecidas e, ao mesmo tempo, mais conscientes.Por trás da Banda fermentou por Portugal inteiro o ideal. Libertário, socialista ou republicano apenas- facto é que através da Banda ou da fanfarra foram refinados os ingredientes que acabaram por derrubar a Monarquia.”
A.Martins Lopes , Jornal "Expresso" de 28 de Maio 1989

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Foto do espólio de Eugénio Germano Baptista -Director e Músico da Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica*


Comemorações do 1º Centenário da República em Sintra

O nosso amigo Carlos Santos - Caínhas, fez-nos chegar imagens das 11 Bandas e 500 Músicos na Vila Velha, durante as Comemorações do 1º Centenário da República em Sintra.

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Foto Carlos Santos -Caínhas

Também em comentário às comemorações do Centenário da República, Caínhas dá-nos uma deixa para o post de hoje:
“Muita gente não sabe que é aqui nas colectividades de cultura e recreio, e nas filarmónicas que a maioria dos nossos jovens, aprende música tornando-se muitos deles grandes músicos, uns profissionais, outros ficam-se pelo amor à música, mas estes verdadeiros conservatórios populares ainda perduram, e, ontem demonstraram-no.
Muita gente jovem, nos mais diversos instrumentos, muitos vão ficar pelo caminho, a experiência diz-nos isso.”

Também Joaquim Palminha da Silva em «Banda Filarmónica» se refere ao mesmo assunto:

“Um exemplo de uma variável actual (*1989) quase diriamos de características universais, é a constante desistência dos músicos iniciados, após uma breve fase de entusiasmo no seio da Banda Filarmónica.
E estes aprendizes, predominantemente do sexo masculino, ao abandonarem a Banda deixam-lhe vagas que parecem dificeis de colmatar. Curiosamente, estas são cada vez mais preenchidas por elementos do sexo feminino, que aparecem um pouco por todo o lado como executantes de Bandas Filarmónicas. Dir-se-ia que a mulher, relegada social e economicamente para uma posiçõa subalterna, acaba por vir a encetar as batalhas que o homem culturalmente parece dar como perdidas, ou que ele, entretanto, entende como secundárias, como tendo passado à história.”
*No Jornal "Expresso" de 28 de Maio de 1989
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Foto Carlos Santos -Caínhas

“Por exemplo, uma Banda Filarmónica não se descreve a si mesma; existe na realidade de um tempo e espaço regional, nomeadamente urbano, específico. O discurso da Banda Filarmónica é portanto, o da realidade, o da rua, do coreto de jardim.”
Joaquim Palminha da Siva «Banda Filarmónica»

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Foto Carlos Santos -Caínhas


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Foto Carlos Santos - Caínhas

*A Banda da Sociedade Filarmónica Euterpe de Benfica em 1911, banda que chegou a tocar em Almoçageme, no Grémio Republicano Musical, antecessor da actual Sociedade Recreativa e Musical de Almoçageme.

quarta-feira, outubro 06, 2010

O Centenário da República (V)

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Comemorações do 1º Centenário da República em Sintra
Ontem de manhã, conforme estava programado, desfilaram pela Rua Dr.Alfredo Costa, até aos Paços do Concelho, 500 músicos de 11 bandas do Concelho de Sintra.
Após ter sido hasteado a Bandeira Nacional, tocaram uníssono a Portuguesa.

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terça-feira, outubro 05, 2010

O Centenário da República (IV)

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O 5 de Outubro de 1910
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Nos dias 4 e 5 de Outubro de 1910 alguns militares da Marinha e do Exército revoltam-se em Lisboa, com o objectivo de derrubar a Monarquia. Juntamente com os militares estiveram a Carbonária e as estruturas do PRP (Partido Republicano Português). Na tarde do dia 5 de Outubro, José Relvas proclamou a República à varanda da Câmara Municipal de Lisboa.

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república (rè)
(latim respublica, domínio do Estado, a coisa pública, governo, administração pública)

s. f.
1. Coisa pública; governo do interesse de todos (independentemente da forma de governo).
2. Forma de governo em que o povo exerce a soberania, por intermédio de delegados eleitos por ele e por um certo tempo.

Deprec. república das bananas: país ou região em que há corrupção e desrespeito pela legalidade e interesse público (expressão originalmente aplicada a países latino-americanos).

No Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

segunda-feira, outubro 04, 2010

O Centenário da República (III)

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Fernando Formigal de Morais o primeiro Presidente da Câmara de Sintra após o 5 de Outubro de 1910
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Fernando Formigal de Morais foi o primeiro Presidente da Câmara de Sintra depois da implantação da República presidindo à primeira comissão administrativa, nomeada no dia 11 de Outubro de 1910 para gerir os destinos do Concelho de Sintra . Fernando Formigal de Morais era filho de Domingos de Morais fundador da Escola do Morais, em Sintra.
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O edificío dos Paços do Concelho, inaugurado no dia 13 de Junho de 1909, no dia da festa da Primavera em Sintra (gravura publicada na Revista Occidente, nº174 de 21 Juhno de 1909)

Comemoração do 1º centenário da República em Sintra
Mais de 500 músicos vão tocar o Hino Nacional em uníssono. Um momento único que irá colocar todas as bandas filarmónicas do concelho de Sintra a tocar, em conjunto, o Hino Nacional. No dia 5 de Outubro, pelas 10H30, frente aos Paços do Concelho de Sintra.