domingo, agosto 14, 2016

Coisas do Vinho de Colares IV

Marketing da Adega Regional de Colares em 1938

Reprodução de página de"O Vinho de Colares"
Numa reimpressão de “O Vinho de Colares” edição da Adega Regional de Colares de 1938 , feita pela C.M.Sintra encontramos uma obra muito interessante e um grafismo da época, que demonstra o cuidado com a imagem que o vinho de Colares já teria para os produtores nessa altura.
Transcreve-se um texto publicitário sobre o vinho de Colares:


"O Vinho de Colares é vinho com corpo, alma e perfume.
É o vinho da mais linda cor rubi, quando novo, e de cor acastanhada, ou casca de cebola velha, quando antigo.
Antes de o beber deve, através do copo, contemplar-se a sua linda cor e asperar-se o seu rico perfume.
Num trago delicado é agradabilíssimo por toda a boca; o sabor e o perfume mixto de amêndoas e violetas dispersa-se estimulando o paladar.
O vinho de Colares é um vinho servido nas refeições não embota o gosto apurado para o vinho do Porto; o vinho branco servido com o peixe, o vinho tinto acompanhando entradas de carne, ou de caça, não estraga, não torna insensível, nem enfraquece a sublimidade receptiva daquele vinho fino do Douro.
Pela delicadeza da sua composição e perfume não convém deixá-lo na garrafa de um dia para o outro.
É finalmente um vinho para apreciadores, para os que sabem beber, para os que tem o sentido gustativo, refinado e distinto."



Rótulo Collares Burjacas de J.Gomes da Silva Júnior

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sábado, agosto 13, 2016

Coisas do Vinho de Colares III

Adegas Beira-Mar, nas Azenha do Mar
Texto publicado no Diário de Notícias, em 5 de Agosto de 2006, (autor desconhecido), que nos conta uma história (que eu gostaria de ter escrito) sobre como nos nossos dias, se vive e se produz o Vinho de Colares.

Deolinda olha a garrafa em contraluz. Procura vestígios de pé através da transparência verde do vidro e a cada olhar vai engordando o lote de garrafas de vinho branco que tem à sua frente e hão-de seguir para embalamento. Deolinda aprendeu a olhar o vinho em 34 anos de trabalho na adega de António Paulo da Silva. Sabe encontrar-lhe o defeito e pô-lo de parte quando não serve. Olha as garrafas uma a uma para depois as rotular à mão, num controlo tal qual se fazia quando ali chegou há muito tempo com a tarefa de "lavar o vasilhame". Vieram depois as máquinas e Deolinda mudou o gesto, passando a ter uma função em que a máquina ainda não substitui a eficácia da mão. Põe o rótulos e é a paciência a fazer o acerto com a ajuda da cola que o patrão traz e que dilui em água. O trabalho de Deolinda já poucos fazem. É quase um exclusivo, como é também único o vinho que vai catalogando.

António Paulo da Silva (Imagem RTP)
A adega onde Deolinda trabalha fica nas Azenhas do Mar, em plena Região Demarcada do Vinho Colares, uma das regiões vinícolas mais antigas do País. Criada em 1908, situa-se no concelho de Sintra, entre a serra e o oceano e ocupa os terrenos costeiros que vão de Colares a S. João das Lampas. De uma dessas vinhas, num caminho de terra que vai dar a Fontanelas, a aldeia em verso, avista-se o cabo da Roca coberto por um manto de neblina, prenúncio de um dia de calor, mesmo em Sintra.
É uma pequena parcela de terreno como são em regra as vinhas de Colares, protegidas do vento por paliçadas de canas e rodeadas de muros resultado de um puzzle de pedras, perfeitamente desmontáveis. Lá dentro, as cepas rastejam na areia a cerca de um mês e meio de serem vindimadas, como é costume "entre 20 e 24 de Setembro".
É assim há 98 anos, a idade da região demarcada. Já era assim antes. Os tonéis vizinhos de Deolinda são ainda mais antigos, do tempo em que as Adegas Beira Mar pertenciam ao avô do actual dono. A prova dessa antiguidade está esculpida em cada um dos depósitos de mogno: 28-8-86. "O 86 é do século XIX", esclarece Paulo da Silva que aproveita a deixa para desfiar a história do vinho que não sucumbiu à filoxera, como aconteceu com vinhedos no Douro "e por essa Europa fora.
Adega Visconde de Salreu em Colares

O colares resistiu e a explicação para a sobrevivência está na profundidade em que é plantada cada cepa de ramisco, a casta do colares. "Chega a ter um homem, dois homens e até três homens de fundo", diz António Paulo da Silva usando na explicação a medida que tradicionalmente se usava,
A filoxera não foi à raiz da cepa, a vinha sobreviveu e o colares tornou-se um dos vinhos mais populares em finais do século passado, início do século XX com honras de entrar na literatura feita por Eça. Paulo da Silva conta a história, encadeando a marca colares com o percurso da casa que dirige. Exibe prémios, diplomas, folheia livros de honra onde cada assinatura serve para provar um prestígio antigo. Não se perdeu, garante, embora não se venda tanto como antes. Depois de uns anos de crise, diz que o colares voltou a vender-se bem, em parte graças à acção da Adega Regional. Denuncia, no entanto, uma especulação no preço final que pode deitar muito a perder. Passa à frente. Afinal, da sua adega não sai apenas o colares que vende com o rótulo Colares Chitas. Há ainda o Casal da Azenha, vinho que já não é de areia, mas de chão rijo, mais de encosta, "um campeão em grandes concursos", com currículo invejável na Jugoslávia de Tito; e outro, mais corrente, o Beira Mar. Vinhos da casa a que se juntou o Carunchoso, que herdou do sogro.
António Paulo da Silva defende o colares apesar do travo. Isso que se estranha à primeira e que o distingue dos demais vinhos. "Tem um travinho próprio do ramisco." Gosta de o beber, garante. "É um vinho leve, de baixa graduação, na casa dos 11%, que deve ser servido entre os 20 e os 22º", ensina e quando fala tem por perto uma publicidade que se perdeu no tempo. "Na época das descobertas D. Manoel dictou: que a bordo não falte vinho de Collares. Há 400 anos que Collares não falta em parte alguma. Vende-se aqui." Foi quando Sintra se escrevia com C.
Texto DN

sexta-feira, agosto 12, 2016

Coisas do Vinho de Colares II

Imagem publicada em "O vinho de Colares" em 1938

transcrição de um texto publicado no "Jornal de Sintra "de 10/11/2006 da autoria José António Vicente Paulo –Presidente da Adega Regional de Colares, que aborda a temática do Vinho de Colares.
Colares-Região Demarcada há quase um Século!
 
“A região demarcada fundada pelo Rei D.Manuel II, através de Carta de lei de 18 de Setembro de 1908, a Região Demarcada de Colares é uma das mais antigas do País e, seguramente, aquela que corre maior risco de extinção no panorama vitivinícola nacional.Nos dias que correm a produção da região é basicamente dominada por duas entidades: a Adega Regional de Colares e a Fundação Oriente.Todavia subsistem ainda alguns produtores isolados que, a seu belo prazer, fazem nas suas adegas o “vinho ramisco” para consumo próprio.
 
 
Falamos de uma área total a rondar 20 hectares , onde o maior produtor isolado é sem margem de dúvidas,a Fundação Oriente.Quanto à Adega regional de Colares, como entidade cooperativa que é, congrega praticamente a totalidade dos pequenos produtores da região (cerca de 40) cuja produção varia entre os 20 e os 1000 quilos de uva da denominação de origem Colares, entregues por associado.

Na região existem ainda dois armazenistas engarrafadores que adquirem os vinhos aos produtores já referidos, finalizam-no, o seu estágio e comercializam-no, não só para o mercado nacional mas também para exportação.”

A adega Regional de Colares
 
O vinho ramisco, tem sido um dos assuntos mais abordados neste blog desde o seu início, vários post foram publicados sobre este importante tema, uma referência para a região de Colares.
Para um melhor conhecimento desta importante actividade, aqui ficam os posts relacionados já publicados  no Rio das Maçãs:
 
-O Mar e o vinho de Colares-pressionar
 
-Regiões Vinícolas-pressionar
-Vinhedos e Vinhos-pressionar
-Colares-pressionar
-Almoçageme e o vinho Ramisco-pressionar
-Ode ao Vinho Ramisco-pressionar
-Caves Visconde de Salreu-pressionar
-Fundação Oriente e o Vinho de Colares-pressionar
-Marketing da Adega Regional de Colares em 1938-pressionar
-Produção do Vinho de Colares em 2006 superior a 2005-pressionar
-O Rancho Folclórico de Colares-pressionar


 

quarta-feira, agosto 10, 2016

Coisas do Vinho de Colares (Reedição)

Adega Regional de Colares

“O genuíno Vinho de Colares é um vinho de mesa de previlegiada compleição, produzido com as uvas da casta Ramisco, cultivado exclusivamente nos terrenos de areia solta de origem terciária situados na região de Colares de cujo antigo concelho adoptou o nome.”O Vinho de Colares –1938


A Carta de lei, de 18 de Setembro de 1908, determinou que "os vinhos produzidos na freguesia colareja e nos terrenos areentos das freguesias de São Martinho e de São João das Lampas fossem tidos como vinho do tipo regional de Colares".

Legenda “A comissão de viticultores de Collares que entregou uma representação ao Sr. Ministro das Obras Públicas , solicitando uma marca privativa para os seus vinhos”. (Foto de Benoliel) Ilustração Portuguesa de 18 de Abril de 1910.

Anúncio publicado no Jornal “O Concelho de Sintra” em 1910

Em Agosto de 1931, é criada a Adega Regional de Colares.

Em 19 de Setembro de 1934, publicava-se o Estatuto da Região de Colares , outorgado no decreto lei nº24500, que se pode considerar como Carta-Magna do Vinho de Colares.

Actualmente a produção do Vinho de Colares é básicamente liderada por duas entidades:a Adega Regional de Colares e a Fundação Oriente.



sábado, agosto 06, 2016

Efeméride do dia

Pontesobre o Tejo.jpg
A Ponte sobre o Tejo faz 50 anos

 O baptismo e inauguração aconteceu a 6 de Agosto de 1966.

quinta-feira, agosto 04, 2016

Postal da Praia Grande (Reedição)

Praia Grande, Sintra, Portugal Paisagem marítima. Fotografia reproduzida na obra "Lisboa e seus arredores", por Frédéric Marjay, de 1956. Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Mário Novais: 1933-1983.

 *Foto da colecção da Biblioteca de Arte da Fundação Gulbenkian

 “È aí (Praia Grande), que o mar se enrola na areia e a praia se esvazia, que Marçal Grilo gosta de reencontrar o que define como o mais belo pôr de Sol do mundo.Vezes sem conta por ali se perdeu do mundo na esperança de observar o “raio verde”, o fenómeno popularizado pelo romance de Julio Verne, que não é fácil de observar e lhe escapou até hoje.” (...)

“Raio verde”

“Quando o Sol se põe e a linha do horizonte está completamente limpa, há um instante quando o Sol desaparece, instante imediatamente a seguir, em que sobre a água, os raios vermelhos, alaranjados e amarelos desaparecem antes do verde, azul e violeta.É num momento fugaz, numa pequena fracção de tempo. É quando o limbo superior toca no horizonte que se dá o raio verde.”

Excertos do texto “O mar na Praia Grande parece maior que nas outras praias”de Marçal Grilo em PARQUE PARATE QUERO –ed.Pedra da Lua

quarta-feira, agosto 03, 2016

A Sagres no Rio 2016

Esta quarta-feira a Sagres, chegou ao Rio de Janeiro - presente  no início dos jogos Olímpicos 2016. Motivo para a publicação da foto de hoje , (2012) em pleno Tejo.

* O Navio Escola Sagres, da Marinha portuguesa, será a 'Casa de Portugal' no Rio de Janeiro

terça-feira, agosto 02, 2016

Pois bem, vamos à luta!

LargoDFernando3f

Via, (texto) de João Cachado:
"LARGO DE SÃO PEDRO
 POIS BEM, VAMOS À LUTA!
Perante o desassossego que a Câmara Municipal de Sintra pretende causar com o seu abstruso plano para o local - entre outras malfeitorias tendo previsto a instalação de um parque de estacionamento permanente para mais de cem viaturas - alguns cidadãos já se começaram a mobilizar para a luta que, inevitavelmente, aí vem.
Há dois dias, a propósito deste assunto, escrevia eu:
"Se o plano da Câmara Municipal de Sintra vingasse, o terreiro de São Pedro seria tão desrespeitado, tão abastardado que, só muito dificilmente, depois se reconheceria o espaço que nos foi legado e que urge manter com o seu perfil, com todas aquelas características da vernaculidade local.
Enfim, é preciso lutar no sentido de que não haja factos consumados. (...) Claro que há coisas a beneficiar mas, nunca por nunca, como se pretende, transformar o recinto, ainda que apenas parcialmente, em parque de estacionamento permanente. Por outro lado, em que escolas terão aprendido os técnicos proponentes, sancionados pelos políticos que os avalizam, ser necessário nivelar aquilo tudo, padronizar um pavimento e não sei que mais? (...)"
LUGAR NO CORAÇÃO E NA MEMÓRIA DOS SINTRENSES
O recinto é extraordinário, a ele tendo coladas camadas e camadas de memórias, de vivências com muitas décadas, um lastro enorme de vidas cruzadas, de cenas repartidas entre gerações de residentes, de amigos, de famílias, com seus risos, gozos, gostos e também desgostos, horas mais e menos propícias.
Tal património tem os contornos pessoais e comunitários que cada um guarda e a própria comunidade assumiu porque, repito, foram precisamente as características do lugar, a vernaculidade a que já aludi noutro texto, que permitiu tivessem adquirido os matizes patrimoniais pessoais que carregam.
Haverá alguém que desconheça esta como componente indissociável da própria definição de Património que a UNESCO perfilha?
Aquele recinto que, de tão equilibrado, tem sábios desníveis, pedras calorosas e cordiais, não pode ser mexido, remexido à revelia da vontade dos cidadãos. É que nem pensar! Se, dos estiradores dos gabinetes de urbanismo e de planeamento da autarquia, não saíu coisa mais interessante e menos contundente, então há que saber responder, dando a entender como, afinal, TAIS PAPÉIS APENAS TROUXERAM À LUZ UM NADO MORTO, filho de uma atrevida ignorância.
Dificilmente, de facto, encontraria a Câmara Municipal de Sintra um local que mais pudesse «mexer» com a sensibilidade epidérmica dos sintrenses à possibilidade - ainda que tão remota! - de alteração tão radical como a proposta.
De facto, o lugar não poderia ser mais mobilizador da vontade dos cidadãos em fazerem-se ouvir sobre as suas razões de discordância. À partida, independentemente da necessidade de aprofundamento dos argumentos a dirimir, o desacordo não pode ser maior. Por isso, já há opiniões a circular, ideias que devem ser partilhadas, discutidas, bem debatidas.
ABAIXO ASSINADO CONTRA O PROJECTO, JÁ ACESSÍVEL
O meu amigo Guilherme Leite, o grande promotor da Saloia TV, que tanto e tão bom trabalho cívico tem feito em prol das gentes de Sintra, com a sua conhecida argúcia, naturalmente, apercebeu-se da pertinência da luta em perspectiva. E ontem lá esteve, num acolhedor cantinho do Largo de São Pedro, ouvindo os amigos que pretendem partilhar as suas razões de queixa.
Eis o primeiro momento, com o nosso companheiro João Diniz, da Canaferrim, Associação Cívica e Cultural. Nos próximos dias, outros se sucederão. Estejam atentos!
Bom visionamento!"
https://youtu.be/pFTVkgFEwBE
João  de Oliveira Cachado

LargoDFernando11f

segunda-feira, agosto 01, 2016

Sobre a Escola Industrial e Comercial de Sintra (reedição)

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Pintura mural executada por António Soares em 1964, sobre um painel fixo à parede, no hall da Escola Ferreira Dias (ex.Escola Industrial e Comercial de Sintra). Encontra-se profundamente integrada na arquitectura da escola e no espírito da época.(fotomontagem RiodasMaçãs)

Sobre os 40 anos das Escolas Gama Barros e Ferreira Dias
O Decreto n.º 457 de 28 de Outubro de 1971 separou a Escola Industrial e Comercial de Sintra em duas escolas: a Escola Industrial Ferreira Dias e a Escola Comercial Gama Barros.
Sendo esta efeméride um marco importante no sistema escolar do Concelho de Sintra e porque o tronco principal da estrutura escolar da agora cidade de Agualva-Cacém, foi a antiga Escola Industrial e Comercial de Sintra – reeditamos um post publicado em 8 de Abril de 2008, com um pequeno historial da antiga Escola – e que de certo modo, pelos vários comentários ali deixados, tem sido um local de encontro de ex-alunos.

A Escola Industrial e Comercial de Sintra -Notas históricas

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Foto:a” Escola Velha”

Decorria o ano de 1959, quando o Concelho de Sintra teve a sua primeira escola Industrial e Comercial, ela visava o ensino Técnico como alternativa ao ensino liceal ministrado em Sintra no antigo liceu (Casino hoje Museu de arte Moderna), e também em Queluz. A Escola Industrial e Comercial de Sintra foi criada pelo Decreto-Lei n.º 42.368 de 4 de Julho de 1959 e veio a ser construída em Agualva-Cacém.

A Escola Técnica do Cacém, construída inicialmente num edifício inestético e pouco funcional, obrigou em 1963, devido ao aumento da população escolar, à construção de um novo e moderno estabelecimento no terreno adjacente - as instalações actuais da Escola Secundária Ferreira Dias. Photobucket

Foto: a “Escola Nova”





Na Escola Industrial e Comercial de Sintra foram criados os seguintes cursos: Ciclo Preparatório do Ensino Técnico; Curso Geral do Comércio; Curso de Formação Feminina; Curso de Formação de Serralheiro; Curso de Formação de Montador Electricista e três cursos em regime de aperfeiçoamento: Curso Geral de Comércio; Curso de Formação de Serralheiro e Curso de Formação de Montador Electricista, anos mais tarde a Secção Preparatória para o Instituto Comercial.

A população escolar* aumentou rapidamente. De 201 alunos, 7 turmas e 9 professores, no ano lectivo de 1959/60, passou para 4312 alunos, 137 turmas e 180 professores, no ano lectivo de 1967/68, atingindo o número recorde em Portugal, na década de 70, de 6000 alunos, tendo este número vindo a diminuir, gradualmente, nos últimos anos.Photobucket
Demonstração de ginástica em 1968






A população escolar desta nova escola no Concelho de Sintra era oriunda de todo o Concelho, e todos dias os jovens estudantes (10/11 anos, para o 1º ano do Ciclo preparatório), levantavam-se de madrugada dos limitrofes do Concelho - Pero Pinheiro, Vila verde, e mesmo de zonas do Concelho de Mafra, para se deslocarem durante várias horas nos poucos transportes colectivos que nos anos sessenta existiam,(autocarros e o comboio) para o Cacém, perdendo várias horas na ida e volta às suas casas ao fim do dia.
Em 2008, este cenário parece inacreditável , mas era assim, Portugal há 50 anos.
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Memórias da Escola- Carteira em plástico com logotipo, e cartões de identificação de aluno e da Mocidade Portuguesa





O ensino técnico, criado nessa altura, como alternativa ao ensino liceal, tinha em vista formar profissionais em diversas áreas, preparando-os para enfrentar o mercado de emprego. O denominado ensino técnico tinha também uma carga socialmente discriminatória, porque inevitavelmente as classes menos favorecidas economicamente colocavam os seus filhos no ensino técnico, enquanto a classe média/alta escolhia a via liceal , com o objectivo do acesso ao ensino superior.
Já não mencionando o facto de no ensino técnico existir fardamento , para rapazes - fato de macaco de ganga, e para as raparigas batas com diversas cores conforme o curso que frequentavam, coisa que não acontecia no ensino liceal.


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Memórias da Escola-Capa de Caderno

O Decreto n.º 457 de 28 de Outubro de 1971 separou a Escola Industrial e Comercial de Sintra em duas escolas: a Escola Industrial Ferreira Dias e a Escola Comercial Gama Barros. Estas escolas funcionaram no mesmo edifício enquanto a Escola Gama Barros não possuiu instalações próprias.

O processo de separação das instalações das escolas foi demorado, só se tornando definitivo em 1 Outubro de 1985.



*Dados que constam no livro "DEZ ANOS DE ACTIVIDADE DA ESCOLA INDUSTRIAL E COMERCIAL DE SINTRA"
(Publicação comemorativa do 10.º aniversário da E.I.C.S.)

Notas:
Fonte consultada:Site da Escola Secundária Ferreira Dias (Cacém)
Fotos: Escola Velha e Escola Nova-(Site Escola Ferreira Dias)

domingo, julho 31, 2016

Rio das Maçãs -notas (reedição)

Rio das Maçãs
Numa óptima reedição de “O vinho de Colares” editado em 1938 pela Adega Regional de Colares, surge mais uma referência ao rio das Maçãs, como neste blog, já existem algumas referências que mencionam a importância que ao longo dos anos este rio, hoje ribeira teve para esta região, acrescentamos mais esta referência ao rio que dá o nome a este nosso trabalho .

"Na «Crónica do Imperador Clarimundo», que João de Barros trasladou da língua hungara para a portuguesa, se encontra larga referência a Colares e ao rio das Maçãs. "
Ali se diz:


«Rio mui gracioso que pelo meio dêstes pomares corre coalhado de muita fruta e flores.E com um ruído suave se mete no mar onde faz a repartição delas, lançando-as por tantas partes, que daí a 6 e 7 léguas se acham muitas maçãs, peras , marmelos e outros sinais da terra, com que os navegantes se alegram. E saindo dos pomares entram em terra de pão, vinho, azeite e outros géneros de mantimentos e criação de gados, que a fertilidade da terra dá».





Posts relacionados:
-Rio a caminho do mar

-Naufrágios no litoral sintrense e no Rio das Maçãs

-Fábula do Rio das Maçãs

-Lenda de Colares

sábado, julho 30, 2016

Mergulhões da Adraga

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Esta tarde na Praia da Adraga, um pequeno grupo de mergulhões, disputavam o topo de um rochedo - o que nos permitiu os registos que publicamos.
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"Os mergulhões alimentam-se de peixes, insectos, moluscos e crustáceos, que caçam durante os mergulhos. São sobretudo aves solitárias mas formam casais durante a época de reprodução ou grandes grupos nas alturas de migração.
As posturas, com 3 a 9 ovos, são feitas em ninhos isolados, construídos na água em montes de lama ou zonas de vegetação aquática densa. Os juvenis chocam prontos para nadar e são cuidados por ambos os pais, que por vezes os transportam no dorso."
in Wikipédia
Os mergulhões alimentam-se de peixes, insectos, moluscos e crustáceos, que caçam durante os mergulhos. São sobretudo aves solitárias mas formam casais durante a época de reprodução ou grandes grupos nas alturas de migração.
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Fotos em 29/06/2016
Adragamergulhoes29072016170blog.jpg
Post relacionado:"Mergulhão Ocidental"
http://riodasmacas.blogspot.pt/2015/01/mergulhao-ocidental.html

sexta-feira, julho 29, 2016

quarta-feira, julho 27, 2016

Memórias Sintrenses (Reedição)

Com a prestimosa colaboração de Carlos Santos (Caínhas), publicamos hoje mais um interessante retrato de uma Sintra antiga.

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Este Semanário "O DESPERTAR", do Partido Republicano da Esquerda Democrática do Concelho de Sintra, tinha a Sua Administração, e sede de Partido na Rua das Padarias nº 1 Sintra- Vila. É uma casa grande, que fica situada no primeiro andar em frente da Piriquita, tem frente para o Largo Rainha D.Amélia, por baixo, era um forno de padeiro do Sr. António Melo, mais tarde convertido numa casa de nome A TIBORNA, hoje tem outro nome e dedica-se à venda de produtos de artesanato.
Nesta casa onde era a sede do Partido Republicano, veio a ser mais tarde a residência do Sr. José Alfredo da Costa Azevedo, onde veio a falecer.

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Aqui foi a Sede do Centro Republicano de Sintra,(no primeiro andar), e a última residência do Sr.José Alfredo Azevedo.Onde hoje é a Loja do largo (por baixo) era o forno do padeiro (a lenha), e o posto de venda era onde se situa hoje a cafetaria das Padarias Reunidas de Sintra, no Largo da Vila -Foto de Carlos Santos

Sobre o Dr. Carlos França posso acrescentar que conforme O DESPERTAR de 2-10-1926 indica, em reunião efectuada nos Paços do Concelho desta Vila de Sintra, ficou acordado que fosse mandado erigir um monumento em Sintra em homenagem ao ilustre médico.
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Monumento esse que está edificado no Largo Dr. Carlos França aos Pizões, na Vila Velha, a Rua de ligação ao largo do Victor também foi chamada de Rua Dr. Carlos França, tendo nos anos 70 sido alterada para Maria Eugénia Reis Ferreira Navarro.
Esse monumento foi inaugurado nos anos 34 ou 35, (não fui lá ver) do século passado, tendo sido uma menina da escola feminina de São Pedro de Sintra, de seu nome Maria Vitória da Silva Mata, indicada para fazer o descerramento do dito monumento.

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Créditos:
Texto de Carlos Santos (Caínhas) e foto do Centro Republicano de Sintra
Reproduções do Jornal "O Despertar" (colecção Carlos Santos)
Foto do monumento ao Dr.Carlos França -Obras de José Alfredo da Costa Azevedo -VI

terça-feira, julho 26, 2016

Brumas do Monte da Lua

BrumasIC1926072016blog.jpg
Hoje  à tarde visto do IC19, o Monte da Lua sem Pena. Explicação para o tempo sombrio que temos em Colares.

Sintra Antiga (Reedição)

SintraEstefaniaprodutorEmidio Biel & Cª.jpg
Foto  sem data do Arquivo Municipal de Sintra - Produção, Rocchini,F


Crónica da semana (1927) por Norberto Lopes
Queijadas de Sintra
Há a água de Sintra, o Paço de Sintra, o Palácio de Sintra, a Serra de Sintra – e as Queijadas de Sintra.
Nem todas as pessoas que vão á vila nobre bebem água da Sabuga ou da Passarinhos, nem todos sobem à Pena, entram no Paço de D.JoãoI e dão a volta ao Parque.
Mas ninguém deixa de comer as queijadas. As queijadas são o símbolo de Sintra mais transparente de verdade. A única cousa mesmo, a única, que se traz para Lisboa, a única que irradia nas cidades e é copiada, plagiada, limitada, especulada.

Acresce que as queijadas são também apesar da doçura contemplativa da linda vila real – a única cousa autenticamente doce. E quasi dizemos a única realmente humana, porque também elas, como nós, veem numa condessinha.

Em verdade, nós gostamos tanto das queijadas, somos filhos da Matilde. A Matilde é que noz faz gulosos; a Matilde é que nos dá a recordação transitória de Sintra. A Matilde é que, por pouco dinheiro nos defende muitas vezes quando a gente diz que foi a Sintra passar a tarde, que perdeu o último combóio, que teve de lá ficar.

-Toma filho! Aqui estão as queijadas.


É o documento que não admite dúvida. Queijada de Sintra há em toda a parte. Da Matilde, a valer só em Sintra.

A Matilde devia ter um monumento. O casino devia chamar-se “Casino da Matilde”. Sintra mesmo assim devia dividir-se assim: de um lado a Estefânia, do outro lado a Matilde.
A Estefânia é a vila nova, a Matilde a vila velha, a tradição, a guloseima, a nobreza, a talassaria, a graça de Sintra.

Está provado que Byron gostava de queijadas. Sem elas o seu estômago saxónico não teria disposição para fazer versos.

E depois, há que não esquecer : a Matilde foi uma Mulher. A melhor queijada do seu tempo. A uma rapariga que veraneie em Sintra não será ofensa chamar-lhe em vez de flor, de amor, simplesmente uma “Matilde”. Também há a “Sapa”. Mas é da Matilde que tratamos. Os nome tem influência.
Enfim: Sintra para nós é uma queijada, embrulhada no papel de cor ou branco, com a gravura da Pena ou do Paço.

Pode cair tudo: a Vereação Municipal e o Casino, o projecto do elevador, o Castelo dos Mouros, as árvores da estação e o Sr.Adriano Coelho.

Enquanto houver queijadas de Sintra, daquelas que eu te trouxe ontem, minha “Matilde” do meu coração – Sintra não acaba. São pequeninas como tu, cabem dentro da nossa boca – e fazem da nossa vida a mais doce queijada da existência.

Norberto Lopes

Publicado no "O Domingo Ilustrado" nº141 de 25 de Setembro de 1927


*Norberto Lopes -Vimioso 1900 - Linda-a-Velha 1989

segunda-feira, julho 25, 2016

Intermitência



Andorinha que vais alta,
Andorinha que vais alta,
Porque não me vens trazer
Qualquer coisa que me falta
E que te não sei dizer?
Fernando Pessoa


*Foto Mucifal/Domingo 24/07/2016
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