Notas sobre a "Escola Oficial" das Azenhas do Mar para Memória Futura

Aguarela de Alvaro Silva Ribeiro

Escola construída em 1927, sofreu 80 anos depois ,
uma intervenção que destruiu e alterou elementos importantes da sua estrutura, danos irreversíveis, só explicados pela falta de sensibilidade de quem tem a responsabilidade de tratar do património edificado, menosprezando a sua história .

Para memória futura, aqui ficam alguns dados sobre a “Escola Oficial das Azenhas do Mar”:


"Construída a partir de Agosto de 1927 e inaugurada em 24 de Junho de 1928 – contando nesse acto com a presença do Presidente Carmona – a Escola das Azenhas do Mar ficou a dever-se à iniciativa conjunta de uma comissão de melhoramentos local e do Dr.Alfredo Magalhães, então na qualidade de Ministro da Instrução Pública."

"O projecto – que do ponto de vista técnico foi acompanhado pela Repartição das Construções Escolares – evidencia grande originalidade, nele emergindo sobremaneira as preocupações de ordem ideológica e estética, o que facilmente pode ser avaliado nos destintos revestimentos cerâmicos. De facto, subindo as escadaria que conduz à entrada principal da Escola, animada por uma colunata que acompanha o remate semicircular da fachada mais avançada, somos surpreendidos por um conjunto de azulejos que ilustram dois momentos altos da história de portuguesa: a chegada de Vasco da Gama à India , em 1498, e atravessia do Atlântico Sul por Gago Coutinho e Sacadura Cabral em 1922... imagens essas significamente conjugadas com quatro criteriosas passagens de Os Lusíadas."

"Todo o exterior da Escola tem um tom muito harmonioso, seja pela barra de azulejos que corre superiormente a fachada lateral, algo naif, pela aplicação cuidada de cantarias nas janelas, portas ou mesmo o revestimento dos cunhais, não ignorando a preocupada definição arquitectónica de vastos pátios interiores para recreio dos alunos.
Transpondo a porta de entrada, um pequeno vestiário , de grande acerto funcional, dá acesso ao exterior, nomeadamente à zona do recreio, a uma edificação inicialmente reservada às merendas,bem como à habitação do(a) professor(a) e, para o interior , a um pequeno gabinete e à sala de aula. Nesta última, de grande profundidade, destaca-se a barra de azulejos que corre junto ao tecto, firmada por Mário Reis, e a partir da qual de desenvolvem catorze quadros moralistas, onde se inscrevem dizeres de destacadas personalidades da cultura portuguesa, a exemplo de Oliveira Martins, Eça de Queirós, António Feliciano Castilho, Antero de Quental,João de Deus...


Edificada no espirito da Revolução de Maio de 1926, a Escola das Azenhas do Mar é bem ilustrativa do uso do espaço escolar como instrumento ideológico."

Texto de :" Sintra Escolas e Memória", Ed.Santa Casa da Misericórdia de Sintra 2002

Janela de madeira com o desenho original da vidraça

Substituída por alumínio, não respeitando o desenho original - a cerca de madeira no muro exterior está a ser substituída por outro material mais resistente, mas colocada com rebites, o que parece não ser boa solução para uma escola que sofre com a erosão do mar, que está a cerca de 50 metros...
Nota positiva: A barra de azulejos está a ser recuperada pela Escola Profissional de recuperação do Património de Odrinhas/Sintra

Comentários

Anónimo disse…
desde já agradenço a si Pedro por este trab.em prol deste exlibis de Colares que e a escola das Azenhas.
tudo isto comeca em situação um pouco estranha ,obra de restauro tudo bem agora a destuição de um lambrim em mareira trabalhada que fazia o complento lindissimo de uma bela sala de aulas em actividade,destuição essa originada por um "iluminado"so porque e arqºse dá ao despante de mandar destruir o que os "idiotas e ignorantes que o criaram em 1928" com a justificação de que paredes lisas era mais pratico como a outra sala(que não tem nada a ver com a outre por ter sido a antiga casa da profª),nunca comseguimos saber o nome deste senhor "iluminado" para lhe damos os parabens e felissitalo por esta aberração , aberração essa que vai custar caro a sua reposição.
depois de constatarmos a EDUCA reparamos que a obra tinha sido mal comduzida e com falta de fiscalização(não fosse a nossa fisc. teria ficado totalmente descaractirizada)
para não massar mais fico por aqui
avendo muito mais para dizer.

e o pais que temos.

***quero deixar uma palavra de agradecimenta ao Presidente da Junta sr Rui Santos pelo enpenho deste caso.

Antonio Fonseca (Azenhas)
pedro macieira disse…
António Fonseca,

Sintra é pródiga em casos como o da Escola das Azenhas.Desta vez, a população a quem foi confiada a guarda da Escola Oficial das Azenhas do Mar, conseguiu parar uma intervenção que talvez fosse mais longe no grau de destruição.Escola, quase museu de uma época e que é parte importante da história desse lugar , deveria ter sido melhor respeitada.
Um abraço

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