terça-feira, maio 08, 2007

As receitas do Palácio da Pena

O Palácio da Pena, por decisão governamental irá mudar da tutela do IPPAR para a esfera da gestão do novo Instituto dos Museus e da Conservação (IMC).Posteriormente será confiado ao Parques Sintra Monte da Lua, ficando deste modo o PSML com a possibilidade gerir o Palácio e o Parque da Pena como um todo, que era também a opinião de D.Fernando II seu mentor.

Sendo o Palácio um dos monumentos mais visitados e portanto com maior receita, perto de 1,3 milhões de euros de receita,em 2006 (bilheteira, lojas e eventos) valor que ultrapassa o milhão de euros do Palácio Nacional de Sintra ,com 391 mil visitantes, contra 382 mil na Pena.Será curioso saber quais os destinos das receitas recolhidas pelas bilheteiras do Palácio até aos dias de hoje.

-Alexandre Garcia da Fonseca, autor de um interessante livro “O Palácio da Pena- Turismo Cultural num Palácio Nacional” editado em 2005, aborda entre muitos aspectos a questão das receitas do Palácio, e os seus destinos:

“Esta singulariedade:o Palácio da Pena e o da Vila contribuíram ao longo de quase todo o séc.XX, com 25% da receita proveniente do total de vendas de bilhetes para a Santa Casa da Misericórdia de Sintra, ao abrigo de uma Lei do Congresso da República de 1912.”
(...)
“Partindo da constatação de que o Palácio da Pena ocupa o quinto lugar na graduação dos monumentos mais visitados e contribuia em 2001 com 12% das receitas do IPPAR.
-Algumas particularidades são interessantes de se observar, como o facto da Misericórdia de Sintra ficar com 25% das receitas cobradas, pelo menos até ao ano de1999; ou ainda, o contínuo fluxo de visitas gratuítas durante 1973-1983 e que incluía entidades tão diferenciadas como a Obra Social da Fragata D.Fernando, a Mocidade Portuguesa Feminina, a junta Nacional do Azeite ou a voz do Operário,Liceu D.Leonor. o Ministério da Marinha, O Arsenal do Alfeite, o Corpo Nacional de Escutas, a Juventude Operária Católica, o Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo,Escola Comercial Ferreira Borges, a École Française de Lisbonne entre outras .”
Concluí Alexandre da Fonseca que:
“O número de visitas gratuitas mantém-se estável entre 1973-1983;curiosamente o ano de 1979 regista um total de 347.059 visitantes, situação que só volta a repetir-se no ano 2000, com 350.875 visitantes.”

-Também o Director do palácio da Pena José Manuel Carneiro afirma ao “Jornal Público de 12/02/2007” que “ a receita do palácio é importante para juntar à receita do parque, porque aumenta a capacidade do Monte da lua para reabilitar a serra”,e adianta que "desde Abril de 2006 que voltaram a ser entregues ao IPPAR as verbas dos bilhetes de acesso ao palácio, depois de não terem sido transferidos durante dois anos, para ajudar na recuperação das coberturas e fachadas do Palácio de Monserrate.”

Fontes Consultadas:
-“Jornal Público” de12/02/2007 –Palácio da Pena vai passar a ser gerido pela empresa Parques de Sintra-Luis Filipe Sebastião
--O Palácio da Pena-Turismo Cultural num Palácio Nacional-Alexandre Garcia da Fonseca
Fotos:PedroMacieira

4 comentários:

greentea disse...

deixei um apelo no meu blog. se puderes passa por l

Maria Cristina Amorim disse...

Digam o que disserem acerca do destino das verbas recolhidas, estas não estão a ser devidamente aplicadas. O palácio precisa de obras visiveis no exterior. è certo que quem por lá passa não deveria estragar, mas as paredes e tectos exteriores estão estragados, e não vêem arranjo há já muito tempo, o que des dá muito mau aspecto , principalmente estando este monumento na lista de uma das 7 maravilhas de Portugal.

Paga-se muito para entrar, então todos estes monumentos deveriam estar impecaveis, e ainda sobrava dinheiro.

Passa no meu canto se puderes.
Beijos.

Anónimo disse...

Caro Pedro:

É muito bom alguém referir o meu estudo...só para isto já valeu a pena. Convem referir que a totalidade da receita da Pena até há pouco tempo ía directamente para o "bolo" geral do IPPAR e era distribuido casuísticamente, conforme as necessidades dos serviços. Se a Lei da autonomia dos Museus, que já existe noutros países estivesse em vigor, a totalidade da receita teria que ser lá reaplicada (teoricamente) - no entanto, tal não acontece e o património degrada-se. Independentemente da gestão do Dr. José Carneiro(director do mesmo), ser boa ou má, a verdade é que há projectos empecilhados à anos por falta de meios : $$$.
Cpts,
Alexandre Fonseca (alex_fonseca@aeiou.pt)

Anónimo disse...

perdão...o "à" anos deveria ser "há" anos....lapso meu!
A.F.