domingo, agosto 20, 2017

Do Penedo para Colares

“O vale de Colares é para mim uma fonte de perene distracção. Descobri muitas veredas, que através de matas e castanheiros e pomares que nos levam a sítios acidentados e verdejantes, onde os loureiros bravos e as moitas de limoeiros pendem livremente sobre a margem pedregosa de um pequeno rio, e deixam cair na corrente as suas flores e os seus frutos.(...)”

In "Correspondência de William Beckford 1787"

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Na descida do Penedo para Colares-Foto do Arquivo Fotográfico da Câmara Municipal de Lisboa- autor não identificado

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Foto actual do mesmo local (Do Penedo para Colares)

O Penedo visto já de Colares, com um tecto do nevoeiro tradicional no mês de Agosto

sábado, agosto 19, 2017

Sobre as origens das Festas do Espírito Santo na Aldeia do Penedo

 “Penedo é o nome do lugar onde a memória dos homens não consente que, ontem, fosse o último dia, nem que, hoje, se acabe o tempo”.
Maria Micaela Soares 
Origem das Festas do Espírito Santo

"A origem remonta às celebrações religiosas realizadas em Portugal a partir do século XIV, nas quais a terceira pessoa da Santíssima Trindade era festejada com banquetes colectivos designados de Bodo aos Pobres com distribuição de comida e esmolas.

Assunto muito abordado pelo professor Agostinho da Silva. Há referências históricas que indicam que foi inicialmente instituída, em 1321, pelo convento franciscano de Alenquer sob protecção da Rainha Santa Isabel de Portugal e Aragão.

Essas celebrações aconteciam cinquenta dias após a Páscoa, comemorando o dia de Pentecostes, quando o Espírito Santo desceu do céu sobre os apóstolos de Cristo sob a forma de línguas como de fogo, segundo conta o Novo Testamento. Desde seus primórdios, os festejos do Divino, realizados na época das primeiras colheitas no calendário agrícola do hemisfério norte, são marcados pela esperança na chegada de uma nova era para o mundo dos homens, com igualdade, prosperidade e abundância para todos.

A devoção ao Divino encontrou um solo fértil para florescer nas colónias portuguesas, especialmente no arquipélago dos Açores. De lá, espalhou-se para outras áreas colonizadas por açorianos, como a Nova Inglaterra, nos Estados Unidos da América, e diversas partes do Brasil."

*De um texto da Alagamares.


Posts relacionados:
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http://riodasmacas.blogspot.pt/2017/08/o-refugio-de-alvaro-cunhal-na-aldeia-do.html
http://riodasmacas.blogspot.pt/2017/08/o-dia-mundial-da-fotografia-com-aldeia.html

O dia Mundial da Fotografia com a Aldeia do Penedo

O Dia Mundial da Fotografia comemora-se anualmente a 19 de Agosto.

 A celebração da data tem origem na invenção do daguerreótipo, um processo fotográfico desenvolvido por Louis Daguerre em 1837. Mais tarde, em Janeiro de 1839, a Academia Francesa de Ciências anunciou a invenção do daguerreótipo e a 19 de Agosto do mesmo ano o Governo francês considerou a invenção de Daguerre como um presente "grátis para o mundo". Outro processo fotográfico - o calótipo, inventado também em 1839 por William Fox Talbot, fez com que o ano de 1839 fosse considerado o ano da invenção da fotografia.

Fotos de 1980 e 1981

 O Rio das Maçãs, tem agora oportunidade mantendo a temática "Aldeia do Penedo", publicar pela primeira vez  as provas fotográficas (provas de contacto), de filmes  a preto e branco de 135mm de duas reportagens que fizemos em 1980 e 1981,  nas festas anuais do Espírito Santo - a tradição era utilizar um touro/boi, e fazê-lo percorrer a aldeia numa tourada à corda e após, com um estoque era abatido, e esquartejado em plena via pública, (junto ao chafariz), com grande assistência. A carne do animal era cozinhada e oferecida num almoço aos mais necessitados, no dia seguinte.

Uns anos após o 25 de Abril de 1974, com alteração de legislação, a tradição terminou, pois deixou de ser permitido o abate de animais fora dos matadouros, (via pública). Aconteceu assim um avanço civilizacional, quebrando-se a tal tradição.

Mas ficaram os registos desses momentos, daí a importância da fotografia, memórias activas de tempos passados.


*Gérard Castello Lopes (fotógrafo):
(Vichy1925 — Paris12 de fevereiro de 2011
"Uma boa fotografia é a que desencadeia em mim, para além da correcção geométrico-formal da composição, uma emoção qualquer".

quinta-feira, agosto 17, 2017

A Aldeia do Penedo e a sua história


Talvez a mais tradicional aldeia de Sintra, situada estratégicamente sobre um alto esporão em plena serra . Além do casario e do património edificado, tem história, tradições e gentes- estas são de certeza os aspectos mais importantes da Aldeia do Penedo.


O Penedo que nos anos 70, já teve um Mosteiro da Igreja Ortodoxa Grega, talvez por ser um local aconselhável para meditação, tem   também no seu histórico uns festejos populares ,dos mais importantes realizados no Concelho de Sintra, conhecidos pela festas em Louvor do Divino Espírito Santo.(1)

Aldeia do Penedo 1981
 Destas festas fazia parte uma largada de um touro á corda , que posteriormente era abatido em público, junto ao fontanário, sendo a sua carne utilizada para um bodo aos pobres da região. No dia seguinte a carne era cozinhada em grande panelas de cobre. Este tipo de eventos devido á legislação actual , e também com a atitude mais sensível das populações sobre este tipo de diversões, sofreu grandes alterações incluindo obviamente a proibição da morte do touro em público .

Local onde nos anos 70, existiu o Mosteiro da Igreja Ortodoxa Grega.

*Uns anos após o 25 de Abril de 1974, com alteração de legislação, a tradição terminou, pois deixou de ser permitido o abate de animais fora dos matadouros, (via pública). Aconteceu assim um avanço civilizacional, quebrando-se a tal tradição.

http://riodasmacas.blogspot.pt/2017/08/aldeia-do-penedo-portefolio.html





(1)*Nota:
Esta festa como as várias que se realizam em Portugal, Açores,Tomar ,Alenquer por ex.tem como origem o culto do Espírito Santo instituído no séc. XIV. A devoção ao Espírito Santo foi criada pela Rainha Santa Isabel.
- Ou segundo a página pessoal de João Vasconcelos Pais
"As festas de Espírito Santo têm um componente importante de humildade e igualdade (que se pode encontrar, tão remotamente, nas saturnais romanas), próprias das ideologias milenaristas e utopistas, de novo império, retomadas por uma espécie de “filosofia nacional”, de destino privilegiado, no discurso sobre o quinto Império do Padre António Vieira e até, tão recentemente, por saudosistas como Agostinho da Silva ou António Quadros"
Fotos:PedroMacieira

O refúgio de Álvaro Cunhal na Aldeia do Penedo

A casa utilizada por Álvaro Cunhal no Penedo/Sintra para se refugiar após a sua fuga com outros companheiros da cadeia de Peniche (fonte.TVI)

"No Penedo (Março de  1960), conhece a filha mais velha do casal Isaura Maria Pereira da Silva (Moreira) então com 19 anos com quem passa a viver maritalmente quase de imediato. A filha de ambos, Ana, viria a nascer em Dezembro de 1960.
(...)
Segundo depoimento de Isaura Moreira, a casa do Penedo era muito espaçosa, o que permitia alguma privacidade e Cunhal  baptizou-a como «Monte Ararat» em referência ao local onde pousara a arca de Noé depois do dilúvio.  A vista desafogada agradava a Cunhal, depois de muitos anos de espaço confinado na prisão. Podia igualmente fumar num pátio da casa. O partido colocara à disposição de Cunhal um carro, que usava para se deslocar à série intensa de reuniões que se iniciaram de imediato. Mas depois de tantos anos preso, aproveitava também a solidão do Penedo para sair de casa e passear nos arredores."
In  "Álvaro Cunhal -Uma Biografia Política/O Secretário Geral" de José Pacheco Pereira

Foto retirada de "Álvaro Cunhal -Uma Biografia Política/O Secretário Geral" de José Pacheco Pereira

 Foto  publicada  pela primeira vez em 10/11/2013 de Álvaro Cunhal, no 1º de Maio de 1974 em Lisboa, 5 dias após seu regresso a Portugal


quarta-feira, agosto 16, 2017

Protesto das gentes da Aldeia do Penedo/Sintra em 2014

Aldeia do Penedo

"Os habitantes  da aldeia do Penedo em Sintra tentaram hoje bloquear a abertura da assembleia de voto, em protesto contra o encerramento de uma estrada devido ao muro de uma quinta que ameaça ruir.
Pouco antes da 7h a população fechou com uma corrente as instalações da Tuna Euterpe União Penedense, onde funciona a assembleia de voto para as eleições europeias.
Elementos da GNR de Colares retiraram a corrente, mas os moradores mantém o apelo para que a população não vote."

Texto do post do blogue, de 25 de Maio de 2014


*Post relacionado:
Um dia o muro vem abaixo:

segunda-feira, agosto 14, 2017

Aldeia do Penedo - Portefólio

Talvez a mais tradicional aldeia de Sintra, situada estratégicamente sobre um alto esporão em plena serra . A sua origem não está muito bem definida mas existem autores que apontam para a referência ao Penedo já no séc.XIII, mais propriamente dados de 1527, que indicam que o Penedo e as Azenhas teriam já 34 “vizinhos”. Posteriormente, o Conde de Jerumenha publicou uma relação por localidades com a data de 1744, na qual o Penedo apresenta já 119 habitantes. Esta aldeia apresenta uma planta circular. No centro da aldeia um cruzeiro e um fontanário, e num ponto mais elevado um largo com a Capela de Santo António ou Capela de Nossa Senhora das Mercês de duplo orago, com Nossa senhora das Mercês e Santo António. Esta terá sido fundada em 1547 por Francisco Nunes Dias e sua mulher Maria dos Anjos Gonçalves Perpétua, moradores na Ribeira do Valente. O pequeno templo rural foi implantado no local do Penedo, à volta do qual acabaria por desenvolver-se posteriormente a aldeia, com um imponente coreto no centro.

Talvez a mais tradicional aldeia de Sintra
Foto :Coreto e Capela
Vista geral do Largo da Aldeia
Capela de Santo António ou Capela de Nossa Senhora das Mercês
Tuna Euterpe União Penedense
Aldeia do Penedo
A aldeia do Penedo é candidata às 7 Maravilhas de Portugal® - Aldeias.
Vote Penedo no dia 20 de agosto, a partir das 11h30, na RTP e até ao final da Gala, que começa às 21h00.
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"Penedo é talvez a mais tradicional aldeia de Sintra. Está situada estrategicamente sobre um alto esporão, na serra de Sintra, num enquadramento de beleza único, no Parque Natural Sintra Cascais.
A sua origem não está definida, mas existem autores que apontam a existência do Penedo já no séc. XIII. A aldeia do Penedo conserva ainda algumas casas de traça antiga, que lhe conferem uma imagem de aldeia típica. Esta aldeia em área protegida é o último local do continente português onde são realizadas as tradicionais festas do "Império" ou do "Espírito Santo”, com uma história muito antiga, do tempo de reinado de D. Dinis e sua mulher, a rainha Santa Isabel."
Fonte 7 Maravilhas de Portugal.

Post relacionado:
http://riodasmacas.blogspot.pt/2007/01/aldeia-do-penedo-sintra.html

domingo, agosto 13, 2017

Os cavalos da raça Ardennais do Parque da Pena

Foto dos cavalos Ardennais no cortejo do Círio de N.Senhora do Cabo Espichel no sábado 13 de Setembro de 2014

A Parques de Sintra Monte da Lua (PSML) iniciou, em 2010, um projecto para a recuperação de métodos tradicionais de trabalho na exploração e manutenção florestal, nomeadamente a utilização de cavalos.

Por esse motivo foi feita a aquisição de três exemplares da raça Ardennais (cavalos de tiro).
O Kali, o Valseur e o Medhi são três excelentes cavalos da raça Ardennais que chegaram ao Parque da Pena, em 21 de Abril  de 2011.

http://riodasmacas.blogspot.pt/2011/07/tres-cavalos-belgas-na-serra-de-sintra.html

Foto dos Cavalos Ardennais no II desfile Equestre de Sintra durante os festejos de N.Senhora do Cabo Espichel em Setembro de 2011


Os cavalos de raça Ardennais são comandados essencialmente através de ordens vocais e sem grande auxílio das rédeas. Respondem a mais de 10 tipos diferentes de ordens vocais e respondem sempre pelo seu nome.

http://riodasmacas.blogspot.pt/2011/09/festas-de-sintra-na-freguesia-de-santa_04.html



Foto de um Ardennais durante uma sessão de trabalho no Parque da Pena em 2011

http://riodasmacas.blogspot.pt/2013/08/demonstracao-com-cavalos-de-raca.html

"Com vista à introdução de cavalos de trabalho na Serra de Sintra, a PSML estabeleceu contactos com o Centro Europeu do Cavalo, nomeadamente com o seu director Pierre Arnoud (Centre Européen du Cheval, localizado perto de Liège, instituição do Governo Belga vocacionada exactamente para manter viva esta prática florestal), com o qual veio a contratar o apoio logístico e de consultoria ao projecto, a aquisição de três cavalos e a formação de técnicos portugueses.
Em 2011, o projecto concretizou-se e a 21 de Abril chegaram ao Parque da Pena, três cavalos da raça Ardennais: o Kali, o Valseur e o Medhi. A opção por esta raça deveu-se ao facto deste tipo de cavalos serem muito populares para trabalhos na floresta, por serem relativamente pequenos, ágeis, muito fortes, e de temperamento muito dócil. Esta é uma das raças mais antigas e bem documentadas em toda a Europa.(...)"

In  revista online “Voz do Campo”

sábado, agosto 12, 2017

Sobre o Castelo dos Mouros

Fonte do texto: "Sintra património da Humanidade"no site da CMS

Acerca das origens do denominado Castelo dos Mouros – construído num rochoso pico da agreste serrania, sobranceiro à Vila de Sintra – pouco se sabe. Ainda que alguns autores remontem a sua fundação ao período visigótico, as primeiras provas documentais reportam-se já à época de plena ocupação muçulmana, concretamente ao século XI. Todavia, será lícito concluir que a edificação do Castelo se tenha verificado anteriormente, talvez no século IX


.Em 1093, D. Afonso VI, Rei de Leão, tomou Sintra aos muçulmanos; dezasseis anos volvidos, Sigurd, príncipe norueguês, saqueou o castelo dos Mouros, que os muçulmanos entretanto haviam recuperado. Também, por essa altura e por breve tempo, o conde D. Henrique o possuiu. No entanto, em 1147, após a conquista de Lisboa levada a cabo por D. Afonso Henriques, o castelo entregou-se voluntária e definitivamente aos cristãos.
D. Afonso Henriques confiou então a guarda da fortaleza a "trinta povoadores", que não eram mais do que uma mera guarnição, aos quais foram concedidos privilégios através de carta de foral, outorgada pelo próprio Rei, em 1154.(...)

Nos finais de quatrocentos, apenas habitavam o sítio do castelo alguns judeus, que aí permaneciam, segregados da comunidade, por ordem régia.
D. Manuel I extinguiu os "grupo minoritários" e, na sequência dessa atitude, o Castelo dos Mouros despovoou-se por completo. Abandonada, a fortaleza sentiu a implacável passagem do tempo e foi-se arruinando. Estado que se agravou «(...) por causa do terramoto de 1755 (...); a maior parte dos muros deste Castello se demoliu em muitas partes» (Memórias Paroquiais, 1758). No século XIX, D. Fernando II aforou a velha fortaleza e procedeu ao seu restauro integral.
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Sobre o Castelo dos Mouros em Sintra

Fonte do texto: "Sintra património da Humanidade"no site da CMS

Acerca das origens do denominado Castelo dos Mouros – construído num rochoso pico da agreste serrania, sobranceiro à Vila de Sintra – pouco se sabe. Ainda que alguns autores remontem a sua fundação ao período visigótico, as primeiras provas documentais reportam-se já à época de plena ocupação muçulmana, concretamente ao século XI. Todavia, será lícito concluir que a edificação do Castelo se tenha verificado anteriormente, talvez no século IX


.Em 1093, D. Afonso VI, Rei de Leão, tomou Sintra aos muçulmanos; dezasseis anos volvidos, Sigurd, príncipe norueguês, saqueou o castelo dos Mouros, que os muçulmanos entretanto haviam recuperado. Também, por essa altura e por breve tempo, o conde D. Henrique o possuiu. No entanto, em 1147, após a conquista de Lisboa levada a cabo por D. Afonso Henriques, o castelo entregou-se voluntária e definitivamente aos cristãos.
D. Afonso Henriques confiou então a guarda da fortaleza a "trinta povoadores", que não eram mais do que uma mera guarnição, aos quais foram concedidos privilégios através de carta de foral, outorgada pelo próprio Rei, em 1154.(...)

Nos finais de quatrocentos, apenas habitavam o sítio do castelo alguns judeus, que aí permaneciam, segregados da comunidade, por ordem régia.
D. Manuel I extinguiu os "grupo minoritários" e, na sequência dessa atitude, o Castelo dos Mouros despovoou-se por completo. Abandonada, a fortaleza sentiu a implacável passagem do tempo e foi-se arruinando. Estado que se agravou «(...) por causa do terramoto de 1755 (...); a maior parte dos muros deste Castello se demoliu em muitas partes» (Memórias Paroquiais, 1758). No século XIX, D. Fernando II aforou a velha fortaleza e procedeu ao seu restauro integral.
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