segunda-feira, outubro 15, 2018

Notas sobre uma efeméride

O Parque Natural de Sintra-Cascais (PNSC) comemora  hoje, 37 anos de existência .

Efeméride ensombrada pelo grande incêndio que recentemente  atingiu 600 hectares do Parque. Parque Natural , actualmente tutelado pelo ICNF, que enquanto comissão, nunca teve uma acção activa  na defesa da área que geria. No que diz respeito à Freguesia de Colares, alguns exemplos dos  ensurdecedores silêncios: o grave atentado paisagístico na instalação de uma torre metálica de 50 metros, junto ao Farol do Cabo da Roca, que felizmente a natureza resolveu , (área actualmente gerida pela PSML). Construção  ao longo de vários anos de uma "Mansão" sobre embargos vários em Colares, o  total silêncio sobre a tentativa de abate de Plátanos centenários junto à Adega Regional de Colares,  mais recentemente a destruição de todo o património arbóreo da histórica casa Camacho em Colares.



Foto das consequências do  incêndio de 6/10/2018, na zona da Peninha

sábado, outubro 13, 2018

Tempestade Leslie chegou a Portugal

O regresso mais cedo a casa neste Sábado. Foto às 19h00

Tempestade Leslie virou a Norte, perdeu intensidade e ganhou velocidade

Protecção Civil recomenda à população que se afaste das zonas costeiras e proteja os seus bens. O período entre as 21h de sábado e as 4h de domingo é o mais crítico, dizem as autoridades.
In Público

Porque hoje é Sábado...


O acordo entre o governo, Força Aérea e a Ana, para libertar a Base Aérea do Montijo, passa pelo plano da transferência dos C295 para Beja e dos helicópteros de busca e salvamento para Sintra.

o augustaWestland EH101

A esquadrilha dos helicópteros EH101, destinados essencialmente a missões de busca e salvamento virão para a Base Aérea 1 em Sintra.

Allouette

Sintra ficará com uma base essencialmente de helicópteros, ao manter também os Alouette.


Allouette
Fonte:Jornal Público 12/10/2018

sexta-feira, outubro 12, 2018

Vindimas e o Vinho de Colares


Uvas ramisco em Fontanelas 23/09/2018


*Reedição de um texto publicado na edição do  jornal "Correio de Sintra"  de 17 de Outubro de 2012

Tempo de vindimas

“As vindimas roubam ao Outono as uvas onde o Verão está escondido e levam-nas  para lugares cobertos onde o Verão será liquefeito e prolongado, melhorando, bem protegido, enquanto as tempestades ou as brisas ou seja  lá o tempo que for batem lá fora” escreveu Miguel Esteves Cardoso, habitante na região, – e porque estamos no tempo das vindimas em Colares, que melhor tema escolher  que não o Vinho de Colares.


Observador atento do que se passa em Sintra, tenho, ao longo do tempo, tido oportunidade de acompanhar algumas actividades da Adega Regional de Colares – o que me tem permitido ir aprendendo algumas coisas sobre a cultura do vinho nesta região e a sua importância ao longo dos tempos para a história de Colares.


A Região Demarcada de Colares é a segunda mais antiga do País, tendo sido fundada pelo Rei D. Manuel II através de Carta de Lei de 18 de Setembro de 1908. Encontra-se localizada no Concelho de Sintra, nas Freguesias de São Martinho, São João das Lampas e Colares.

Em 15 de Agosto de 1931 foi criada a Adega Regional de Colares, organismo  que teve, e tem, grande influência sobre a viticultura e vinicultura da região. Actualmente a produção do Vinho de Colares da Adega Regional de Colares, está dependente de um pequeno número de produtores da região, o que provoca alguns problemas à sua sustentabilidade.

O Vinho de Colares, tão mencionado por Eça de Queirós, e premiado no princípio do século em vários certames internacionais, está actualmente  numa situação difícil  devido à  escassez da sua  produção.

Os requisitos para que o vinho de Colares seja DOC (Denominação de Origem Controlada) são de grande exigência, tanto no plano da vinha, como também no controlo da sua produção, o que coloca alguns pequenos produtores fora da zona da Adega Regional. A denominação de DOC Colares é feita pela comissão Vitivinícola Regional de Bucelas, Carcavelos e Colares.


As pequenas uvas de ramisco dão origem à casta de Colares, a identidade da região. Cultivadas em solos de areia, com raízes a quatro metros de profundidade, ficam assim protegidas da filoxera, uma doença provocada por um insecto, que no séc.XIX destruiu milhares de vinhas por toda a Europa.



Na região surgiram outras soluções que fogem ao tradicional cultivo da vinha. É o caso da Fundação Oriente (2004), que detém actualmente a maior vinha de Colares  que utiliza métodos de cultivo da vinha  que  não respeita as práticas  tradicionais, como a rega automática e elevação das cepas acima do que é previsto ou   a replantação de “enxertos prontos”. Além disso,  a não utilização das paliçadas de canas secas, que além da descaracterização paisagistica natural da vinha poderão produzir alterações nas caraterísticas do produto final, e que segundo os viticultores tradicionais dificilmente se poderá chamar de Colares.

Outros projectos de menor dimensão como o exemplo da empresa de dois jovens enólogos “Casca Wines”, que se deslocam todos os anos a Almoçageme, e na Adega  Víuva Gomes  fabricam o vinho de Colares com uva malvasia e ramisco da região, respeitam todas as regras do DOC Colares, que depois  de engarrafado com marca própria se destina na maior parte a ser exportado.

Dentro do ambiente do vinho de Colares além dos produtores que mencionámos existem dois armazenistas que engarrafam o vinho adquirido aos produtores da região e comercializam-no tanto no mercado nacional como no estrangeiro. É o caso de  António Paulo da Silva, da Adega  das Azenha do Mar, que comercializa o vinho de Colares com o rótulo Colares Chitas e também  o casal da Azenha de chão rijo e um vinho mais corrente, o Beira-Mar.

A Confraria dos Sabores de Sintra, criada em 2011, na qual o Vinho de Colares tem uma representação, poderá ser um veículo de maior divulgação do Vinho de Colares, mas até agora os  eventos públicos por si organizados  demonstram  alguma debilidade nesses objectivos.

Será necessário apoiar activamente  a Adega Regional de Colares, de forma a preservar este valioso património que é uma parte importante da história de Sintra, mantendo como objectivo um longo futuro.

Pedro Macieira
Colares,07/10/2012 

quarta-feira, outubro 10, 2018

Ermida de São Saturnino na Peninha

A Ermida de São Saturnino, terá sido o local da ignição que provocou o grande incêndio do último Sábado - oportunidade para a reedição de um post de 2017.O Santuário da Peninha é desde 2017 gerido pela Parques de Sintra Monte da Lua.


Ermida de São Saturnino-foto em 30/03/2017

"A meio caminho entre Sintra e o litoral, entre os 300 e os 490 metros de altitude, sujeita a fortes ventos marítimos, a Peninha é uma janela panorâmica sobre a quase totalidade do Parque Natural Sintra-Cascais avistando-se a orla costeira do Cabo espichel até ao Cabo Carvoeiro. O conjunto edificado que aqui se encontra inclui a Ermida de São Saturnino, do Séc.XII, e a Capela da Peninha, erguida por devoção popular no sécXVI e classificada como de interesse público". PNSC - 
foto em 30/03/2017

"Este conjunto histórico engloba a Ermida de São Saturnino e a Capela de Nossa Senhora da Penha. Foi fundado por Frei Pedro da Conceição, nos finais do sec XVI, e o seu interior barroco, inclui um conjunto de páineis de azulejos azuis e brancos do início do sec.XVIII, representando cenas da vida da Virgem. Junto à capela existe uma residência romântico-revivalista mandada construir em 1918 pelo mecenas António Carvalho Monteiro."
CMS
foto em 30/03/2017

"(...)No tempo do Cardeal Rei, pelos annos de 1579, acudiram a venera-la (imagem da N.Senhora da Penha) muitos povos como Collares, Cintra, Cascaes, e de todos aquelles logares circumvizinhos até o Milharado(...) "

Visconde de Juromenha-Cintra Pinturesca, 1838



foto em 30/03/2017

Em 1850 a propriedade da peninha foi vendida ao Dr.José Maria Rangel de Sampaio.1873 – Passa para a posse da Universidade de Direito de Coimbra. 1918 –Palácio construído por António Augusto de Carvalho Monteiro e projectado por por Júlio Fonseca. 1991-Comprado pelo Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza por 90.000 contos, sendo 70% financiado por programa comunitário ENRIREG.
Junta Freguesia de Colares


"Este conjunto histórico engloba a Ermida de São Saturnino e a Capela de Nossa Senhora da Penha. Foi fundado por Frei Pedro da Conceição, nos finais do sec XVI, e o seu interior barroco, inclui um conjunto de páineis de azulejos azuis e brancos do início do sec.XVIII, representando cenas da vida da Virgem. Junto à capela existe uma residência romântico-revivalista mandada construir em 1918 pelo mecenas António Carvalho Monteiro."
CMS
Ermida de São Saturnino, do Séc.XII, e a Capela da Peninha- fotos em 30/03/2017

"Eminente ao mar na mesma Costa está a ermida de Nossa senhora da Peninha, situada sobre um rochedo, o qual por ser inferior em grandeza relativamente áquelle em que se edificou o Convento da Pena se chamou da Peninha.(...)"
Visconde de Juromenha- "Cintra Pinturesca" 1838

terça-feira, outubro 09, 2018

Outubro e as Vindimas

Vindimas /foto em 09/10/2018
Vinha ramisco de Fontanelas (chão de areia)Foto em 09/10/2018
Malvasia (chão rijo) na chegada à adega Regional de Colares
Cachos da casta ramisco
"RAMISCO - Privilégio e maldição de Colares 
É a casta de Colares, a identidade da região, o espelho mágico da identidade e singularidade de uma região única. É simultaneamente o privilégio e a maldição de Colares. Será porventura uma das castas mais exóticas de Portugal, uma das mais mal compreendidas, uma das menos estudadas e aproveitadas… e, quem sabe, uma das mais promissoras. Pela forma como sempre foi cultivada em Colares, em solos de areia de profundidade extrema, nunca consentiu as amarguras da filoxera. Por isso sempre foi plantada em pé-franco, em produção directa, sem necessidade de recorrer a portaenxertos. Subsistem dezenas de cepas históricas, plantas com idade superior aos 100 anos, verdadeiros patrimónios genéticos de valor incalculável. Infelizmente, e por a casta se encontrar confinada à região de Colares, quase não existem experiências na utilização de porta-enxertos americanos. Desconhece-se pois a sua valência fora da região natural. Mas a casta encerra promessas interessantes, em parte pela elevada acidez natural, que a poderiam qualificar para uma utilização mais intensiva e profícua, nomeadamente nas regiões mais soalheiras de Portugal. No Alentejo poderia ser uma solução. A pressão urbanística e a ameaça directa da construção civil são hoje o principal entrave da casta, acenando com um eventual, e assustador, perigo de extinção. A sua migração dependerá do resultado dos estudos de adaptação com porta-enxertos americanos. Os taninos fortes e a acidez natural elevada são as características distintivas da casta. Estas insígnias inatas dão-lhe especial aptidão para criar vinhos extremes, vinhos com uma enorme capacidade de guarda, mas igualmente vinhos que necessitam de muito tempo de estágio. Vinhos difíceis enquanto jovens, e portanto, vinhos de espírito pouco comercial. Mas o tempo confere-lhe elegância, polimento, perfume e delicadeza, descritores pouco comuns nas castas portuguesas. O tempo encarrega-se também de evidenciar os discretos aromas florais, a cereja e os aromas terrosos, a resina e o cedro.O potencial de acidez poderá revelar-se precioso no loteamento com castas de baixa acidez natural, como a Aragonês.(...)"

De um texto de Rui Falcão publicado em Blue Wine 21

segunda-feira, outubro 08, 2018

O Parque Natural Sintra-Cascais dois dias depois

Grande incêndio de Sábado na Serra de Sintra - 600 hectares ardidos
Com início na Peninha (junto ao convento), a frente de fogo,  (com o forte vento que se fez sentir),estendeu-se até ao Guincho. O incêndio terá destruído uma área de cedros centenários, junto à Peninha, além de áreas de vegetação baixa (tojo e zimbro), atingindo o sistema dunar  da Cresmina no Guincho.
Sinais  ainda activos do incêndio
Atravessando a estrada, na direcção do Guincho, afectou  várias áreas urbanas no sentido da Praia do Abano, que tiveram que ser evacuadas.

Guincho,no trajecto do fogo.
Almoinhas Velhas atingida, na passagem do fogo - habitações  foram evacuadas
Habitação salva do cerco das chamas em Almoinhas Velhas
Hoje cerca de 200 bombeiros  de prevenção na zona afectada. Vinte  feridos ligeiros, sendo todos bombeiros, um civil e mais de 300 pessoas evacuadas.

domingo, outubro 07, 2018

A Festa dos 250 anos de Almoçageme

Momentos do último Sábado.


Festa da NºSrª da Graça  -  Este ano  do 250º Aniversário da festa de Outono, com um record de visitantes 
Tatanka
António Zambujo
Orquestra Ligeira da Sociedade Recreativa de Almoçageme

Incêndio no Parque Natural Sintra - Cascais

Ponto da situação às 3h30m
Foto SIC
Cerca das 23h00 deflagrou um incêndio junto ao Convento da Peninha, com o forte vento que se fazia sentir, rápidamente se propagou com uma frente de mais de um kilómetro, no sentido do Guincho.
Foto TVI24
Com mudança do sentido do vento  o fogo chegou a Malveira da Serra, havendo casas de habitação atingidas -procedendo-se à evacuação de Almoinhas Velhas,Biscaia e Figueira do Guincho - pelas 3h00, foi evacuado Charneca e o Parque de Campismo de Cascais.