sexta-feira, outubro 19, 2018

Carta enviada pelo Grupo das Árvores de Sintra ao presidente da CMS

*Foto no PNSC em Janeiro de 2018


Este foi o texto que o Grupo dos Amígos das Árvores de Sintra enviou ontem ao presidente da Câmara de Sintra:
Ex.mo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Sintra

Dr. Basílio Horta
Nós, Grupo dos Amigos das Árvores de Sintra temos vindo a assistir a sucessivos abates de árvores em Sintra, nomeadamente, na Estefânia, Avenida Barão de Almeida Santos, Avenida Dr. Miguel Bombarda, Jardim da Correnteza e Rua Dr. Alfredo da Costa; Rua D. João de Castro; na Portela na Avenida do Movimento das Forças Armadas; e em São Pedro no Adro da Igreja, Avenida Conde Sucena, Largo 1.º de Dezembro e Praça D. Fernando II (vulgo Largo da Feira); bem como noutros locais, a exemplo da Estrada de Chão de Meninos.
Estes cortes de árvores originaram várias queixas dos munícipes seja nas Juntas de Freguesia, página do munícipe e presencialmente junto de responsáveis ao longo destes anos. Contudo, pouco ou nada melhorou, pelo contrário, pois ultimamente assistimos também a abates de árvores classificadas (sobre proposta da Associação de Defesa do Património de Sintra) e que estavam sob protecção da Câmara Municipal de Sintra. A proposta de desqualificação destas árvores foi votada na Reunião de Câmara de 28 de Agosto de 2018, o que quer dizer que se optou pelo abate de árvores, face à evidência de podas mal feitas que esteve na origem dos problemas agora diagnosticados, e que muito provavelmente podiam ser tratadas e assegurada a sua manutenção através do escoramento das mesmas.
Mais recentemente ainda, um incêndio de grandes proporções atingiu o Parque Natural Sintra Cascais destruindo 600 hectares de mato e floresta e colocando em perigo o património edificado. Para além disso, este incêndio fez com que cerca de 300 pessoas tivessem de abandonar as suas casas. Ou seja, a comunidade e o património arbóreo estão estreitamente ligados e devem ser pensados em conjunto.
Por estamos muito preocupados com o que resta do património arbóreo de Sintra reunimos no passado dia 29 de Setembro no Jardim da Correnteza para encontrar alternativas e vimos por este meio pedir a V. Exª uma reunião urgente para podermos discutir algumas das questões que passamos a enumerar:
1. O Parque Natural Sintra-Cascais, tal como a Câmara Municipal de Sintra e a Parques de Sintra-Monte da Lua, S.A. deviam apresentar relatórios anuais detalhando o trabalho feito em termos de prevenção e vigilância de fogos, qual a despesa anual, qual o destino dessas verbas e qual o grau de eficácia alcançado. Face ao incêndio de há dias, cremos ser o momento certo para se repensar toda a estratégia de prevenção e vigilância do Parque e se implementar de facto o conjunto de medidas previstas no relatório apresentado por peritos da Comissão Europeia que visava reduzir drasticamente a presente vulnerabilidade da serra de Sintra a um incêndio que poderá reduzir a cinzas os seus vários patrimónios.
2. De acordo com o Decreto Lei 10/2018, está previsto que excepcionalmente, no caso de arvoredo de especial valor patrimonial ou paisagístico pode admitir-se uma distância inferior a 5 metros junto às estradas, assim apelamos a que esta excepção seja tida em conta no Parque Natural Sintra Cascais. A paisagem de Sintra, património nacional e mundial, apresenta como uma das suas características diferenciadoras, o seu atravessamento por ruas e estradas ladeadas de árvores frondosas, bem como por muros, muitas vezes rústicos, cobertos de musgo e fetos. E que essa excepcionalidade contemple a transmissão da gestão dessas mesmas estradas para a Câmara Municipal de Sintra.
3. A CMS deve promover a existência de um cadastro, fidedigno e em permanente actualização das árvores existentes na Vila de Sintra, nomeadamente das árvores por arruamento e alinhamento, e nos jardins e parques, relativo ao tipo de árvore, idade, estado fitossanitário, etc. E que desse cadastro fosse dado conhecimento público em contínuo, e do público fossem recolhidas sugestões e participações a vários níveis.
4. A CMS devia redigir e pôr em prática, após devida consulta pública, um Regulamento Municipal do Arvoredo de Sintra, e que dele emanassem directrizes claras aos serviços camarários e às empresas subcontratadas, quanto a boas-práticas na gestão e manutenção do arvoredo, de modo a Sintra apresentar árvores saudáveis, de porte considerável e com vida longa, e que com ele fosse realidade o primado da salvaguarda da árvore (por via do seu tratamento, escoramento, etc.) e não o do abate da árvore como primeira opção.
5. A CMS devia implementar um plano anual de podas, suportado em empresas devidamente certificadas para o efeito e com provas dadas em outros concelhos, num modelo de total transparência, e que por via dele se assegurasse um regime de podas consentâneo com cada espécie e feito no momento certo.
6. A CMS devia desenvolver um plano anual de combate às espécies invasoras, substituindo-as por espécies nativas ou mais adequadas ao espaço em que se integram.
7. A CMS devia recorrer a entidades e especialistas que a apoiem na gestão do arvoredo (por exemplo o Laboratório de Patologia Vegetal Veríssimo de Almeida, ao abrigo do protocolo existente com o Instituto Superior de Agronomia), a inclusão de uma disposição no sentido da presença semestral em Sintra de técnicos daquele Laboratório, que poderiam observar no local os exemplares (individuais ou maciços arbóreos) que, pela sua valia em termos de porte, historial e afectividade com os sintrenses, tenham necessidade de observação atenta e científica, a fim de se evitar males maiores num curto ou médio prazo.
8. Sobre o PMDCIF 2012-2019, gostaríamos de saber se as verbas em prevenção e vigilância de incêndios foram devidamente aplicadas, quais as metas para 2019, e ainda para o próximo decénio.
Por conseguinte, solicitamos reunião com V. Exa. ou com os serviços que achar por bem e estamos ao dispor de V. Exa. e da CMS para contribuirmos para estes desideratos, na medida das nossas possibilidades.
Com os melhores cumprimentos
Grupo dos Amigos das Árvores de Sintra que nos subscrevemos
Clara Gomes
Emília Reis
Fernando Castelo
Fernando Wintermantel
Florbela Veiga Frade
Horácio Silva
João Diniz
João Jesus
Madalena Martins
Maria Peres
Nuno Agostinho
Paulo Ferrero
Pedro Jordão
Pedro Macieira
Rosa Casimiro
Ricardo Duarte
Sandra Almeida
Susana Félix

quinta-feira, outubro 18, 2018

No dia em que os lenhadores invadiram o Parque Infantil II

Foto de ontem no Mucifal 17/10/2018

Durante a manhã de  hoje encontrei-me com o Presidente da Junta de Freguesia de Colares, Pedro Filipe – consequência dos dois abates de árvores de ontem num Parque Infantil no Mucifal.

A explicação das razões para aquela radical atitude da Junta de Freguesia de Colares, foi explicada pelo perigo de poder acontecer algum dano físico de utilizadores do espaço (crianças), por queda de ramadas, resolvendo dessa forma responsabilidades futuras.
Depois de obras de assentamento do piso irão ser plantadas novas árvores, estando a ser escolhida ainda a espécie.

!º As árvores não sofriam manutenção desde que foram plantadas.
2ºO motivo do abate não foi justificado pelo seu estado fitossanitário.
3ºO espaço de um parque infantil como é óbvio é utilizado por crianças –facto que não foi considerado ontem quando ontem foram abatidas as frondosas árvores –espectáculo  chocante com toda a visibilidade para os pequenos utentes.
4º Não foi considerado o aspecto antipedagógico das crianças sentirem que aquela destruição toda punha em causa as afirmações de pais e professores sobre a importância de defender  as árvores como seres vivos.Além de embelezar as ruas, absorvem a água da chuva, absorvem gás carbónico e libertam oxigénio e preservam a biodiversidade no meio urbano.
5º A falta no local para uma explicação oficial da intervenção, local e razão para destruição da paisagem de todos nós.
6º-ºNo local onde existe o parque infantil eram as únicas árvores existentes.
7º Não havia qualquer queixa de moradores de imóveis junto ao parque.




quarta-feira, outubro 17, 2018

No dia em que os lenhadores invadiram o Parque Infantil

Foto Filipe Dias
Hoje no Mucifal abate de duas saudáveis árvores, que até agora davam sombra a um parque infantil.
Depois do incêndio da Serra de Sintra, e da tempestade Leslie, o homem colabora na destruição do meio ambiente.

terça-feira, outubro 16, 2018

Histórias do Vinho de Colares

Adegas Beira-Mar, nas Azenha do Mar
Texto publicado no Diário de Notícias, em 5 de Agosto de 2006, (autor desconhecido), que nos conta uma história (que eu gostaria de ter escrito) sobre como nos nossos dias, se vive e se produz o Vinho de Colares.

Deolinda olha a garrafa em contraluz. Procura vestígios de pé através da transparência verde do vidro e a cada olhar vai engordando o lote de garrafas de vinho branco que tem à sua frente e hão-de seguir para embalamento. Deolinda aprendeu a olhar o vinho em 34 anos de trabalho na adega de António Paulo da Silva. Sabe encontrar-lhe o defeito e pô-lo de parte quando não serve. Olha as garrafas uma a uma para depois as rotular à mão, num controlo tal qual se fazia quando ali chegou há muito tempo com a tarefa de "lavar o vasilhame". Vieram depois as máquinas e Deolinda mudou o gesto, passando a ter uma função em que a máquina ainda não substitui a eficácia da mão. Põe o rótulos e é a paciência a fazer o acerto com a ajuda da cola que o patrão traz e que dilui em água. O trabalho de Deolinda já poucos fazem. É quase um exclusivo, como é também único o vinho que vai catalogando.
*Foto retirada daqui
A adega onde Deolinda trabalha fica nas Azenhas do Mar, em plena Região Demarcada do Vinho Colares, uma das regiões vinícolas mais antigas do País. Criada em 1908, situa-se no concelho de Sintra, entre a serra e o oceano e ocupa os terrenos costeiros que vão de Colares a S. João das Lampas. De uma dessas vinhas, num caminho de terra que vai dar a Fontanelas, a aldeia em verso, avista-se o cabo da Roca coberto por um manto de neblina, prenúncio de um dia de calor, mesmo em Sintra.
É uma pequena parcela de terreno como são em regra as vinhas de Colares, protegidas do vento por paliçadas de canas e rodeadas de muros resultado de um puzzle de pedras, perfeitamente desmontáveis. Lá dentro, as cepas rastejam na areia a cerca de um mês e meio de serem vindimadas, como é costume "entre 20 e 24 de Setembro".
É assim há 98 anos, a idade da região demarcada. Já era assim antes. Os tonéis vizinhos de Deolinda são ainda mais antigos, do tempo em que as Adegas Beira Mar pertenciam ao avô do actual dono. A prova dessa antiguidade está esculpida em cada um dos depósitos de mogno: 28-8-86. "O 86 é do século XIX", esclarece Paulo da Silva que aproveita a deixa para desfiar a história do vinho que não sucumbiu à filoxera, como aconteceu com vinhedos no Douro "e por essa Europa fora".
Adega Visconde de Salreu em Colares

O colares resistiu e a explicação para a sobrevivência está na profundidade em que é plantada cada cepa de ramisco, a casta do colares. "Chega a ter um homem, dois homens e até três homens de fundo", diz António Paulo da Silva usando na explicação a medida que tradicionalmente se usava,
A filoxera não foi à raiz da cepa, a vinha sobreviveu e o colares tornou-se um dos vinhos mais populares em finais do século passado, início do século XX com honras de entrar na literatura feita por Eça. Paulo da Silva conta a história, encadeando a marca colares com o percurso da casa que dirige. Exibe prémios, diplomas, folheia livros de honra onde cada assinatura serve para provar um prestígio antigo. Não se perdeu, garante, embora não se venda tanto como antes. Depois de uns anos de crise, diz que o colares voltou a vender-se bem, em parte graças à acção da Adega Regional. Denuncia, no entanto, uma especulação no preço final que pode deitar muito a perder. Passa à frente. Afinal, da sua adega não sai apenas o colares que vende com o rótulo Colares Chitas. Há ainda o Casal da Azenha, vinho que já não é de areia, mas de chão rijo, mais de encosta, "um campeão em grandes concursos", com currículo invejável na Jugoslávia de Tito; e outro, mais corrente, o Beira Mar. Vinhos da casa a que se juntou o Carunchoso, que herdou do sogro.
António Paulo da Silva defende o colares apesar do travo. Isso que se estranha à primeira e que o distingue dos demais vinhos. "Tem um travinho próprio do ramisco." Gosta de o beber, garante. "É um vinho leve, de baixa graduação, na casa dos 11%, que deve ser servido entre os 20 e os 22º", ensina e quando fala tem por perto uma publicidade que se perdeu no tempo. "Na época das descobertas D. Manoel dictou: que a bordo não falte vinho de Collares. Há 400 anos que Collares não falta em parte alguma. Vende-se aqui." Foi quando Sintra se escrevia com C.

segunda-feira, outubro 15, 2018

Notas sobre uma efeméride

O Parque Natural de Sintra-Cascais (PNSC) comemora  hoje, 37 anos de existência .

Efeméride ensombrada pelo grande incêndio que recentemente  atingiu 600 hectares do Parque. Parque Natural , actualmente tutelado pelo ICNF, que enquanto comissão, nunca teve uma acção activa  na defesa da área que geria. No que diz respeito à Freguesia de Colares, alguns exemplos dos  ensurdecedores silêncios: o grave atentado paisagístico na instalação de uma torre metálica de 50 metros, junto ao Farol do Cabo da Roca, que felizmente a natureza resolveu , (área actualmente gerida pela PSML). Construção  ao longo de vários anos de uma "Mansão" sobre embargos vários em Colares, o  total silêncio sobre a tentativa de abate de Plátanos centenários junto à Adega Regional de Colares,  mais recentemente a destruição de todo o património arbóreo da histórica casa Camacho em Colares.



Foto das consequências do  incêndio de 6/10/2018, na zona da Peninha

sábado, outubro 13, 2018

Tempestade Leslie chegou a Portugal

O regresso mais cedo a casa neste Sábado. Foto às 19h00

Tempestade Leslie virou a Norte, perdeu intensidade e ganhou velocidade

Protecção Civil recomenda à população que se afaste das zonas costeiras e proteja os seus bens. O período entre as 21h de sábado e as 4h de domingo é o mais crítico, dizem as autoridades.
In Público

Porque hoje é Sábado...


O acordo entre o governo, Força Aérea e a Ana, para libertar a Base Aérea do Montijo, passa pelo plano da transferência dos C295 para Beja e dos helicópteros de busca e salvamento para Sintra.

o augustaWestland EH101

A esquadrilha dos helicópteros EH101, destinados essencialmente a missões de busca e salvamento virão para a Base Aérea 1 em Sintra.

Allouette

Sintra ficará com uma base essencialmente de helicópteros, ao manter também os Alouette.


Allouette
Fonte:Jornal Público 12/10/2018