quarta-feira, outubro 31, 2018

Horário de Inverno do Eléctrico da Praia das Maçãs

O novo horário de inverno 2018 de Eléctrico de Sintra entrou em vigor no dia 29 de outubro e estará em funcionamento até 31 de dezembro


Praia da Adraga

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-Postal da Adraga dos anos 60 -colecção particular

A Praia da Adraga uma das mais bonitas praias da nossa região foi considerada em 2003 uma das 20 melhores praias europeias, na opinião dos leitores e jornalistas do The Sunday Times, jornal britânico de grande circulação. Mas a Praia da Adraga surgia citada num honroso terceiro lugar , sendo a única praia portuguesa a aparecer na lista dos leitores do jornal inglês.

Para esta classificação (Agreste, selvagem, de um azul intenso....simplesmente bela) dos visitantes britânicos, que terão a mesma opinião dos muitos utilizadores daquele magnifico local, terá contribuido a beleza envolvente, como o rochedo em forma de arco que mergulha no mar, as falésias e a gruta. Na maré baixa pode-se passar para a Praia do Cavalo e subindo a falésia pode-se admirar o Fojo, uma cratera natural que permite observar o mar daquele ponto elevado ou a Pedra de Alvidrar, local preferido de pescadores.

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Foto da Praia da Adraga em 1956, de António Passaporte ( Arquivo Fotográfico da CML)

"A Praia da Adraga, com um côncavo dourado de areia entre dois morros formidáveis. De um destaca-se uma pedra enorme caída no mar e o outro parece ser um monstro petrificado. O que aqui é mais interessante é o contraste entre as falésias cortadas a pique e a areia onde o mar banzeiro se espraia. O que aqui é admirável é a onda dum verde translúcido que se despedaça em rolos de espuma sobre as patas do monstro ante-diluviano.Do meio da praia a ilusão é perfeita. Vêem-se-lhe nitidamente a cabeça, os olhos, as ventas, o focinho aguçado, a boca enorme que mergulha na água- como se a fera sedenta tivesse descido há séculos da montanha e houvesse ficado ali a tragar o oceano para toda a eternidade."


Raul Proença -Guia de Portugal -Lisboa e arredores-Ed.1924

Praia da Adraga, Sintra, Portugal
Fotógrafo: Estúdio Horácio Novais. Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Horácio Novais, 1930-1980. Praia da Adraga, Sintra, Portugal
Fotógrafo: Estúdio Horácio Novais. Fotografia sem data. Produzida durante a actividade do Estúdio Horácio Novais, 1930-1980.
*Fotos da colecção da Biblioteca de Arte da Fundação Gulbenkian



segunda-feira, outubro 29, 2018

Sobre a Quinta dos Lagos (reedição)

Com o Brasil na ordem do dia, oportunidade para reeditar um assunto, que após a publicação no "rio das Maçã" teve grande impacto no outro lado do Atlântico em 2009.  A atribuição pelo ” Jornal Pequeno” na edição de domingo, 24 de Maio de 2009, da posse pelo ex-presidente José Sarney nos anos 90, da Quinta dos Lagos em Sintra - assunto já referido anteriormente por Walter Rodrigues em 1993, criou actualmente uma enorme polémica no outro lado do Atlântico.

O Rio das Maçãs é referenciado nesta polémica, pelos vários posts publicados sobre a Quinta dos Lagos desde 2006.

Na edição do último domingo o “Jornal Pequeno”, publica uma carta do ex-presidente José Sarney, que reafirma que “não tenho e nunca tive nenhum imóvel ou o que quer que seja em Lisboa.”, com a respectiva réplica por parte da direcção do jornal do Estado do Maranhão. Pelo interesse deste assunto relativamente a Sintra, publicamos hoje esses dois textos.

Primeiras páginas do "Jornal Pequeno",e a 1ªPágina do semanário "Sol" de 29 de Maio de 2009., com referências à Quinta dos Lagos


A CARTA DE SARNEY


Brasília, Maio de 2009
Ao Senhor

LOURIVAL MARQUES BOGÉA
Diretor-Geral, Jornal Pequeno


Prezado senhor,
A respeito da matéria publicada por esse jornal, afirmando haver tido eu a propriedade de uma quinta, castelo ou seja lá o que for, quero desmentir essa divulgação. Aliás, essa notícia, agora reproduzida com o objetivo de atingir a minha honra, surgiu há vinte anos, quando eu era Presidente da República, foi por mim contestada com documento do Cartório Imobiliário de Lisboa, certificando não ter nem haver tido eu nenhuma propriedade naquela cidade. Repito: não tenho e nunca tive nenhum imóvel ou o que quer que seja em Lisboa. Por Lisboa sempre tive amor, de suas cores, de sua história.

2. Mas, para que não paire qualquer dúvida sobre o meu hipotético imóvel, que nunca existiu, quero doá-lo à empresa editora do Jornal Pequeno, que tem como presidente sua progenitora, Hilda Bogéa, e seus filhos, para dele usufruírem todo o seu valor, podendo usá-lo, vendê-lo e transmiti-lo a seus herdeiros.

3. Assim, esse castelo que não existe passará a pertencer à família Bogéa, que há 50 anos insulta-me, desrespeita, injuria e difama a minha pessoa.

4. Desfrutem de mais essa patranha. Saudações,

JOSÉ SARNEY
Carta do ex-presidente José Sarney ao "Jornal Pequeno"
RESPOSTA DO JP
Como o senador José Sarney gosta de numerar parágrafos, o JP vai acompanhá-lo em mais essa sua mania:
1. Nem a reportagem sobre o castelo de Sintra nem qualquer outra que envolva o senhor Sarney e seu clã são feitas pelo JP com o objetivo de atingir sua honra, como acusa o senador, e sim o que ele representa: um coronelismo político, econômico e midiático antiético, que oprime e mantém sob seu jugo uma legião de miseráveis num dos estados mais pobres do país. O senhor Sarney diz que um documento do Cartório Imobiliário de Lisboa certifica que ele não tem nem nunca teve “nenhuma propriedade naquela cidade”. “Repito: não tenho e nunca tive nenhum imóvel ou o que quer que seja em Lisboa”, complementou o senador. Vale esclarecer que a reportagem do JP diz que ele teve, por pelo menos 4 anos (1990 a 1993), a Quinta dos Lagos, em Sintra, e não em Lisboa. Por que o senador não nos envia uma cópia do documento fornecido pelo Cartório de Lisboa?
2. Em resposta à chacota do senador, “doando” a Quinta dos Lagos à família Bogéa, proprietária do JP, agradecemos mas rejeitamos o oferecimento. Primeiro porque nenhum dos Bogéa compartilha com o senhor Sarney o gosto por imóveis que lembram os senhores feudais da Idade Média (a Era das Trevas). Segundo porque o castelo não é mais do senador, portanto ele não pode doá-lo. Mas se o senhor Sarney abandonar o sarcasmo e quiser exercitar seriamente sua generosidade, pode doar aos desabrigados pelas enchentes do Maranhão uma de suas mansões de Curupu ou toda a dinheirama que recebeu ilegalmente – sem saber, é claro... – de auxílio-moradia do Senado. Aliás, essa é a sugestão da jornalista Ruth de Aquino, da revista Época. No mais, em contrapartida à boa ação do senhor Sarney, a família Bogéa e seu JP aceitam doar a ele e seu império de Comunicação um pouco de credibilidade e dignidade, que nos sobram e faltam à mídia sarneysista.
3. A família Bogéa não insulta, desrespeita, injuria e difama o senhor José Sarney há 50 anos. Como já foi dito no início, combatemos (há 44 anos, e não 50) o que ele representa: um modo antiético e imoral de fazer política, responsável pela perpetuação da miséria do Maranhão e que recentemente se estendeu ao Congresso Nacional, conforme o JP e todos os veículos sérios da imprensa nacional vêm mostrando à exaustão. Insulto, desrespeito, injúria e difamação tivemos a oportunidade de ver correndo solto no Sistema Mirante na campanha sem tréguas que resultou no golpe, via judicial (segundo o renomado jurista Francisco Rezek), que tirou do cargo um governador legitimamente eleito pelo povo e colocou em seu lugar a filha do senhor Sarney, derrotada nas urnas.
4. Traduzindo o vocabulário arcaico do senador, “patranha” quer dizer mentira. Vide “caso Reis Pacheco”, farsa da encomenda de morte do prefeito de Imperatriz Ildon Marques por parte do deputado Sebastião Madeira, as oito versões para a “bufunfa” de 1,34 milhão encontrada na Lunus etc. etc.
A Direção do JP

Posts publicados no Rio das Maçãs sobre a Quinta dos Lagos :
http://riodasmacas.blogspot.com/2008/04/quinta-dos-lagos-na-estefnia-de-sintra.html

http://riodasmacas.blogspot.com/2007/02/casa-do-primeiro-presidente-da-cmara-de.html

http://riodasmacas.blogspot.com/2006/11/curiosidades-de-sintra-antiga.html

http://riodasmacas.blogspot.com/2009/05/rio-das-macas-referido-no-brasil-por.html

http://riodasmacas.blogspot.com/2009/05/quinta-dos-lagos-em-sintra.html

domingo, outubro 28, 2018

Coisas de Outono

Foto com os "Bolos dos Santos" e as Maçãs Reinetas de Fontanelas

A tradição obriga  em algumas regiões, que no dia 1 de Novembro, além do "Pão por Deus", a confecção de uma broas , "Bolos dos Santos", (denominação  na região de Mafra) - que tem a particularidade, de usar folhas de cana,  colocadas  nos tabuleiros  que vão ao forno, de forma a evitar que as broas com a cozedura não se agarrem à base do forno.As da foto feitas já este ano, pela D.Lurdes do Mucifal oriunda da Encarnação/Mafra.

Macã Reineta em Festival em Fontanelas
Realizou-se no fim de semana, em Fontanelas,continuando no próximo dia 1 de Novembro,  o VI Festival da Maçã Reineta uma iniciativa organizada pela Associação de Produtores de Frutos Tradicionais da Região de Colares, pela União Recreativa e Desportiva de Fontanelas e Gouveia e pela União de Freguesias de Terrugem e São João das Lampas, União das Freguesias de Sintra, com o apoio da Câmara Municipal de Sintra e várias entidades.
http://riodasmacas.blogspot.com/2018/10/festival.html
O festival tem por objectivo divulgar a produção, venda, consumo e confecção deste fruto que abunda na região de Sintra e  especial em Fontanelas, em chão de areia.

sexta-feira, outubro 26, 2018

Gostar de Árvores

Exemplo raro da prioridade dada à Árvore - na Praia Grande, Sintra
Fotos em 19 de Outubro de 2018

quinta-feira, outubro 25, 2018

Castelo de Colares (reedição)

Sobre o "Castelo de Colares":

“D.Dinis de Melo e Castro obteve a posse do antigo “castelo” onde funcionava a Câmara e a cadeia de Colares:«ainda que conservado o castello, delle se serviaõ os officiais da Camera para os ministerios do governo commum; com tudo há mais de cem annos, e fazendo gosto de viver naquella villa D.Diniz de Melo e Castro (sogeito de grande, e particular distincaõ; porque havia sido Bispo de Leiria, de Viseo e da Guarda, e Regedor das justiças deste Reyno) conseguio da mesma Camera o dominio e a posse de tal Castello. Neste, mudada a figura, fabricou um curioso Palacio para sua habitação. Que ainda existe dentro da villa (...) As casas da Camera, e Cadêa se fizeraõ em outro lugar»
Santa ANNA, 1751 II 89 Cfr, Maria Teresa Caetano "Colares"

A construção do Palácio do bispo D.Dinis ter-se-á, iniciado em 1620
Diniz de Melo e Castro, Nasceu em Colares, onde viveu largos anos. Morreu em Lisboa, em 24 de Novembro de 1640.Bispo de Viseu (1638) ,Guarda e Leiria, de que tomou posse em 11 de Dezembro de 1627, fundou a casa da Câmara e a Misericórdia de Colares .Obteve o domínio do arruinado castelo, fazendo construir sobre ele a sua casa.

«Colares teve castelo quase por completo desaparecido, cuja origem e fundação se desconhecem.» A Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, Volume VII, pag 109

O acesso ao "Castelo" com o fontanário cuja água que jorra , é ainda hoje canalizada através da Casa da àgua do "Castelo"

A CASA DA ÁGUA


"Por conseguinte, da singular villa de sabor italianizante subsiste, apenas, uma arcaria de amplos vãos cegos e a casa da água, sustida por abóbada de canhão. A cobertura destes edifícios, de planta regular e contíguos, é única e forma um grande terraço lajeado, delimitado por murete com conversadeiras. A data de 1690 inscrita numa cartouche relevada sobre o arco abatido de acesso à casa da água, indicará, talvez, a época em que se revestiram as paredes exteriores, junto ao grande tanque, com frescos de cariz mitológico e influência italianizante, infelizmente quase desaparecidos."
C.M.S. - Divisão de Património Histórico-Cultural
Antigas canalizações e tijolos em barro

Post relacionado:
http://riodasmacas.blogspot.pt/2009/04/o-castelo-de-colares.html

quarta-feira, outubro 24, 2018

Memórias Sintrenses (reedição)

*Texto de Carlos José Paulo Santos (Cainhas)

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Este Semanário "O DESPERTAR", do Partido Republicano da Esquerda Democrática do Concelho de Sintra, tinha a Sua Administração, e sede de Partido na Rua das Padarias nº 1 Sintra- Vila. É uma casa grande, que fica situada no primeiro andar em frente da Piriquita, tem frente para o Largo Rainha D.Amélia, por baixo, era um forno de padeiro do Sr. António Melo, mais tarde convertido numa casa de nome A TIBORNA, hoje tem outro nome e dedica-se à venda de produtos de artesanato.
Nesta casa onde era a sede do Partido Republicano, veio a ser mais tarde a residência do Sr. José Alfredo da Costa Azevedo, onde veio a falecer.

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Aqui foi a Sede do Centro Republicano de Sintra,(no primeiro andar), e a última residência do Sr.José Alfredo Azevedo.Onde hoje é a Loja do largo (por baixo) era o forno do padeiro (a lenha), e o posto de venda era onde se situa hoje a cafetaria das Padarias Reunidas de Sintra, no Largo da Vila -Foto de Carlos Santos

Sobre o Dr. Carlos França posso acrescentar que conforme O DESPERTAR de 2-10-1926 indica, em reunião efectuada nos Paços do Concelho desta Vila de Sintra, ficou acordado que fosse mandado erigir um monumento em Sintra em homenagem ao ilustre médico.
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Monumento esse que está edificado no Largo Dr. Carlos França aos Pizões, na Vila Velha, a Rua de ligação ao largo do Victor também foi chamada de Rua Dr. Carlos França, tendo nos anos 70 sido alterada para Maria Eugénia Reis Ferreira Navarro.
Esse monumento foi inaugurado nos anos 34 ou 35, (não fui lá ver) do século passado, tendo sido uma menina da escola feminina de São Pedro de Sintra, de seu nome Maria Vitória da Silva Mata, indicada para fazer o descerramento do dito monumento.

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Créditos:
Texto de Carlos Santos (Caínhas) e foto do Centro Republicano de Sintra
Reproduções do Jornal "O Despertar" (colecção Carlos Santos)
Foto do monumento ao Dr.Carlos França -Obras de José Alfredo da Costa Azevedo -VI

domingo, outubro 21, 2018

A antiga ponte do Rodízio na Praia Grande

A Ponte que já não é uma passagem para a outra margem

Há 35 anos nas grandes cheias que atingiram a região de Lisboa,  inundaram a baixa do Cacém, quando as águas da Ribeira das Jardas sairam do seu leito, estrangulado pelas construções de imóveis, aí "plantados". Também a zona de Sintra foi gravemente afectada pela forte pluviosidade, provocando a morte de 10 pessoas,e vários desaparecidos,  totalizando  os prejuízos em  cerca de 18 milhões de contos. A ponte do Rodízio que ligava a estrada da Praia das Maçãs à Praia Grande, sob o rio das Maçãs ,construída nos inicíos do Séc.XX, foi nessa altura destruída. Na semana passada, aproveitando a limpeza efectuada naquele local, nas margens do rio das Maçãs, fizemos as fotos que hoje publicamos.

 Fotografia da Ponte do Rodízio em 1915, destruída nas cheias de 1983

Testemunho de Vergílio Ferreira
Praia Grande 22. Novembro.1983 - Ontem de tarde fomos ver os desastres da cheia 
aqui ao pé. Do Rodízio para a Praia Grande há uma ponte com um 
pilar sobre uma ribeira seca durante quase todo o ano. Com a
enchente, a ribeira inchou pavorosamente e levou a ponte adiante
ontem inundava todo o areal numa maré de água turva. Havia 
almofadas vermelhas a boiarem, talvez de automóveis, muros
derrubados, canos rebentados ou postos à mostra nas ruas. Na grande
adega de Colares os tonéis sem vinho boiavam leves e ficaram 
trancados contra as portas que eram estreitas para darem passagem. 




 http://www.apagina.pt/?aba=7&cat=180&doc=12689&mid=2


Post relacionado:
https://riodasmacas.blogspot.com/2014/01/a-ponte-do-rodizio.html

http://riodasmacas.blogspot.com/2008/02/cheias-aprender-lio-de-uma-vez-por.html

sexta-feira, outubro 19, 2018

Carta enviada pelo Grupo das Árvores de Sintra ao presidente da CMS

*Foto no PNSC em Janeiro de 2018


Este foi o texto que o Grupo dos Amígos das Árvores de Sintra enviou ontem ao presidente da Câmara de Sintra:
Ex.mo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Sintra

Dr. Basílio Horta
Nós, Grupo dos Amigos das Árvores de Sintra temos vindo a assistir a sucessivos abates de árvores em Sintra, nomeadamente, na Estefânia, Avenida Barão de Almeida Santos, Avenida Dr. Miguel Bombarda, Jardim da Correnteza e Rua Dr. Alfredo da Costa; Rua D. João de Castro; na Portela na Avenida do Movimento das Forças Armadas; e em São Pedro no Adro da Igreja, Avenida Conde Sucena, Largo 1.º de Dezembro e Praça D. Fernando II (vulgo Largo da Feira); bem como noutros locais, a exemplo da Estrada de Chão de Meninos.
Estes cortes de árvores originaram várias queixas dos munícipes seja nas Juntas de Freguesia, página do munícipe e presencialmente junto de responsáveis ao longo destes anos. Contudo, pouco ou nada melhorou, pelo contrário, pois ultimamente assistimos também a abates de árvores classificadas (sobre proposta da Associação de Defesa do Património de Sintra) e que estavam sob protecção da Câmara Municipal de Sintra. A proposta de desqualificação destas árvores foi votada na Reunião de Câmara de 28 de Agosto de 2018, o que quer dizer que se optou pelo abate de árvores, face à evidência de podas mal feitas que esteve na origem dos problemas agora diagnosticados, e que muito provavelmente podiam ser tratadas e assegurada a sua manutenção através do escoramento das mesmas.
Mais recentemente ainda, um incêndio de grandes proporções atingiu o Parque Natural Sintra Cascais destruindo 600 hectares de mato e floresta e colocando em perigo o património edificado. Para além disso, este incêndio fez com que cerca de 300 pessoas tivessem de abandonar as suas casas. Ou seja, a comunidade e o património arbóreo estão estreitamente ligados e devem ser pensados em conjunto.
Por estamos muito preocupados com o que resta do património arbóreo de Sintra reunimos no passado dia 29 de Setembro no Jardim da Correnteza para encontrar alternativas e vimos por este meio pedir a V. Exª uma reunião urgente para podermos discutir algumas das questões que passamos a enumerar:
1. O Parque Natural Sintra-Cascais, tal como a Câmara Municipal de Sintra e a Parques de Sintra-Monte da Lua, S.A. deviam apresentar relatórios anuais detalhando o trabalho feito em termos de prevenção e vigilância de fogos, qual a despesa anual, qual o destino dessas verbas e qual o grau de eficácia alcançado. Face ao incêndio de há dias, cremos ser o momento certo para se repensar toda a estratégia de prevenção e vigilância do Parque e se implementar de facto o conjunto de medidas previstas no relatório apresentado por peritos da Comissão Europeia que visava reduzir drasticamente a presente vulnerabilidade da serra de Sintra a um incêndio que poderá reduzir a cinzas os seus vários patrimónios.
2. De acordo com o Decreto Lei 10/2018, está previsto que excepcionalmente, no caso de arvoredo de especial valor patrimonial ou paisagístico pode admitir-se uma distância inferior a 5 metros junto às estradas, assim apelamos a que esta excepção seja tida em conta no Parque Natural Sintra Cascais. A paisagem de Sintra, património nacional e mundial, apresenta como uma das suas características diferenciadoras, o seu atravessamento por ruas e estradas ladeadas de árvores frondosas, bem como por muros, muitas vezes rústicos, cobertos de musgo e fetos. E que essa excepcionalidade contemple a transmissão da gestão dessas mesmas estradas para a Câmara Municipal de Sintra.
3. A CMS deve promover a existência de um cadastro, fidedigno e em permanente actualização das árvores existentes na Vila de Sintra, nomeadamente das árvores por arruamento e alinhamento, e nos jardins e parques, relativo ao tipo de árvore, idade, estado fitossanitário, etc. E que desse cadastro fosse dado conhecimento público em contínuo, e do público fossem recolhidas sugestões e participações a vários níveis.
4. A CMS devia redigir e pôr em prática, após devida consulta pública, um Regulamento Municipal do Arvoredo de Sintra, e que dele emanassem directrizes claras aos serviços camarários e às empresas subcontratadas, quanto a boas-práticas na gestão e manutenção do arvoredo, de modo a Sintra apresentar árvores saudáveis, de porte considerável e com vida longa, e que com ele fosse realidade o primado da salvaguarda da árvore (por via do seu tratamento, escoramento, etc.) e não o do abate da árvore como primeira opção.
5. A CMS devia implementar um plano anual de podas, suportado em empresas devidamente certificadas para o efeito e com provas dadas em outros concelhos, num modelo de total transparência, e que por via dele se assegurasse um regime de podas consentâneo com cada espécie e feito no momento certo.
6. A CMS devia desenvolver um plano anual de combate às espécies invasoras, substituindo-as por espécies nativas ou mais adequadas ao espaço em que se integram.
7. A CMS devia recorrer a entidades e especialistas que a apoiem na gestão do arvoredo (por exemplo o Laboratório de Patologia Vegetal Veríssimo de Almeida, ao abrigo do protocolo existente com o Instituto Superior de Agronomia), a inclusão de uma disposição no sentido da presença semestral em Sintra de técnicos daquele Laboratório, que poderiam observar no local os exemplares (individuais ou maciços arbóreos) que, pela sua valia em termos de porte, historial e afectividade com os sintrenses, tenham necessidade de observação atenta e científica, a fim de se evitar males maiores num curto ou médio prazo.
8. Sobre o PMDCIF 2012-2019, gostaríamos de saber se as verbas em prevenção e vigilância de incêndios foram devidamente aplicadas, quais as metas para 2019, e ainda para o próximo decénio.
Por conseguinte, solicitamos reunião com V. Exa. ou com os serviços que achar por bem e estamos ao dispor de V. Exa. e da CMS para contribuirmos para estes desideratos, na medida das nossas possibilidades.
Com os melhores cumprimentos
Grupo dos Amigos das Árvores de Sintra que nos subscrevemos
Clara Gomes
Emília Reis
Fernando Castelo
Fernando Wintermantel
Florbela Veiga Frade
Horácio Silva
João Diniz
João Jesus
Madalena Martins
Maria Peres
Nuno Agostinho
Paulo Ferrero
Pedro Jordão
Pedro Macieira
Rosa Casimiro
Ricardo Duarte
Sandra Almeida
Susana Félix

quinta-feira, outubro 18, 2018

No dia em que os lenhadores invadiram o Parque Infantil II

Foto de ontem no Mucifal 17/10/2018

Durante a manhã de  hoje encontrei-me com o Presidente da Junta de Freguesia de Colares, Pedro Filipe – consequência dos dois abates de árvores de ontem num Parque Infantil no Mucifal.

A explicação das razões para aquela radical atitude da Junta de Freguesia de Colares, foi explicada pelo perigo de poder acontecer algum dano físico de utilizadores do espaço (crianças), por queda de ramadas, resolvendo dessa forma responsabilidades futuras.
Depois de obras de assentamento do piso irão ser plantadas novas árvores, estando a ser escolhida ainda a espécie.

!º As árvores não sofriam manutenção desde que foram plantadas.
2ºO motivo do abate não foi justificado pelo seu estado fitossanitário.
3ºO espaço de um parque infantil como é óbvio é utilizado por crianças –facto que não foi considerado ontem quando ontem foram abatidas as frondosas árvores –espectáculo  chocante com toda a visibilidade para os pequenos utentes.
4º Não foi considerado o aspecto antipedagógico das crianças sentirem que aquela destruição toda punha em causa as afirmações de pais e professores sobre a importância de defender  as árvores como seres vivos.Além de embelezar as ruas, absorvem a água da chuva, absorvem gás carbónico e libertam oxigénio e preservam a biodiversidade no meio urbano.
5º A falta no local para uma explicação oficial da intervenção, local e razão para destruição da paisagem de todos nós.
6º-ºNo local onde existe o parque infantil eram as únicas árvores existentes.
7º Não havia qualquer queixa de moradores de imóveis junto ao parque.




quarta-feira, outubro 17, 2018

No dia em que os lenhadores invadiram o Parque Infantil

Foto Filipe Dias
Hoje no Mucifal abate de duas saudáveis árvores, que até agora davam sombra a um parque infantil.
Depois do incêndio da Serra de Sintra, e da tempestade Leslie, o homem colabora na destruição do meio ambiente.

terça-feira, outubro 16, 2018

Histórias do Vinho de Colares

Adegas Beira-Mar, nas Azenha do Mar
Texto publicado no Diário de Notícias, em 5 de Agosto de 2006, (autor desconhecido), que nos conta uma história (que eu gostaria de ter escrito) sobre como nos nossos dias, se vive e se produz o Vinho de Colares.

Deolinda olha a garrafa em contraluz. Procura vestígios de pé através da transparência verde do vidro e a cada olhar vai engordando o lote de garrafas de vinho branco que tem à sua frente e hão-de seguir para embalamento. Deolinda aprendeu a olhar o vinho em 34 anos de trabalho na adega de António Paulo da Silva. Sabe encontrar-lhe o defeito e pô-lo de parte quando não serve. Olha as garrafas uma a uma para depois as rotular à mão, num controlo tal qual se fazia quando ali chegou há muito tempo com a tarefa de "lavar o vasilhame". Vieram depois as máquinas e Deolinda mudou o gesto, passando a ter uma função em que a máquina ainda não substitui a eficácia da mão. Põe o rótulos e é a paciência a fazer o acerto com a ajuda da cola que o patrão traz e que dilui em água. O trabalho de Deolinda já poucos fazem. É quase um exclusivo, como é também único o vinho que vai catalogando.
*Foto retirada daqui
A adega onde Deolinda trabalha fica nas Azenhas do Mar, em plena Região Demarcada do Vinho Colares, uma das regiões vinícolas mais antigas do País. Criada em 1908, situa-se no concelho de Sintra, entre a serra e o oceano e ocupa os terrenos costeiros que vão de Colares a S. João das Lampas. De uma dessas vinhas, num caminho de terra que vai dar a Fontanelas, a aldeia em verso, avista-se o cabo da Roca coberto por um manto de neblina, prenúncio de um dia de calor, mesmo em Sintra.
É uma pequena parcela de terreno como são em regra as vinhas de Colares, protegidas do vento por paliçadas de canas e rodeadas de muros resultado de um puzzle de pedras, perfeitamente desmontáveis. Lá dentro, as cepas rastejam na areia a cerca de um mês e meio de serem vindimadas, como é costume "entre 20 e 24 de Setembro".
É assim há 98 anos, a idade da região demarcada. Já era assim antes. Os tonéis vizinhos de Deolinda são ainda mais antigos, do tempo em que as Adegas Beira Mar pertenciam ao avô do actual dono. A prova dessa antiguidade está esculpida em cada um dos depósitos de mogno: 28-8-86. "O 86 é do século XIX", esclarece Paulo da Silva que aproveita a deixa para desfiar a história do vinho que não sucumbiu à filoxera, como aconteceu com vinhedos no Douro "e por essa Europa fora".
Adega Visconde de Salreu em Colares

O colares resistiu e a explicação para a sobrevivência está na profundidade em que é plantada cada cepa de ramisco, a casta do colares. "Chega a ter um homem, dois homens e até três homens de fundo", diz António Paulo da Silva usando na explicação a medida que tradicionalmente se usava,
A filoxera não foi à raiz da cepa, a vinha sobreviveu e o colares tornou-se um dos vinhos mais populares em finais do século passado, início do século XX com honras de entrar na literatura feita por Eça. Paulo da Silva conta a história, encadeando a marca colares com o percurso da casa que dirige. Exibe prémios, diplomas, folheia livros de honra onde cada assinatura serve para provar um prestígio antigo. Não se perdeu, garante, embora não se venda tanto como antes. Depois de uns anos de crise, diz que o colares voltou a vender-se bem, em parte graças à acção da Adega Regional. Denuncia, no entanto, uma especulação no preço final que pode deitar muito a perder. Passa à frente. Afinal, da sua adega não sai apenas o colares que vende com o rótulo Colares Chitas. Há ainda o Casal da Azenha, vinho que já não é de areia, mas de chão rijo, mais de encosta, "um campeão em grandes concursos", com currículo invejável na Jugoslávia de Tito; e outro, mais corrente, o Beira Mar. Vinhos da casa a que se juntou o Carunchoso, que herdou do sogro.
António Paulo da Silva defende o colares apesar do travo. Isso que se estranha à primeira e que o distingue dos demais vinhos. "Tem um travinho próprio do ramisco." Gosta de o beber, garante. "É um vinho leve, de baixa graduação, na casa dos 11%, que deve ser servido entre os 20 e os 22º", ensina e quando fala tem por perto uma publicidade que se perdeu no tempo. "Na época das descobertas D. Manoel dictou: que a bordo não falte vinho de Collares. Há 400 anos que Collares não falta em parte alguma. Vende-se aqui." Foi quando Sintra se escrevia com C.

segunda-feira, outubro 15, 2018

Notas sobre uma efeméride

O Parque Natural de Sintra-Cascais (PNSC) comemora  hoje, 37 anos de existência .

Efeméride ensombrada pelo grande incêndio que recentemente  atingiu 600 hectares do Parque. Parque Natural , actualmente tutelado pelo ICNF, que enquanto comissão, nunca teve uma acção activa  na defesa da área que geria. No que diz respeito à Freguesia de Colares, alguns exemplos dos  ensurdecedores silêncios: o grave atentado paisagístico na instalação de uma torre metálica de 50 metros, junto ao Farol do Cabo da Roca, que felizmente a natureza resolveu , (área actualmente gerida pela PSML). Construção  ao longo de vários anos de uma "Mansão" sobre embargos vários em Colares, o  total silêncio sobre a tentativa de abate de Plátanos centenários junto à Adega Regional de Colares,  mais recentemente a destruição de todo o património arbóreo da histórica casa Camacho em Colares.



Foto das consequências do  incêndio de 6/10/2018, na zona da Peninha

sábado, outubro 13, 2018

Tempestade Leslie chegou a Portugal

O regresso mais cedo a casa neste Sábado. Foto às 19h00

Tempestade Leslie virou a Norte, perdeu intensidade e ganhou velocidade

Protecção Civil recomenda à população que se afaste das zonas costeiras e proteja os seus bens. O período entre as 21h de sábado e as 4h de domingo é o mais crítico, dizem as autoridades.
In Público

Porque hoje é Sábado...


O acordo entre o governo, Força Aérea e a Ana, para libertar a Base Aérea do Montijo, passa pelo plano da transferência dos C295 para Beja e dos helicópteros de busca e salvamento para Sintra.

o augustaWestland EH101

A esquadrilha dos helicópteros EH101, destinados essencialmente a missões de busca e salvamento virão para a Base Aérea 1 em Sintra.

Allouette

Sintra ficará com uma base essencialmente de helicópteros, ao manter também os Alouette.


Allouette
Fonte:Jornal Público 12/10/2018

sexta-feira, outubro 12, 2018

Vindimas e o Vinho de Colares


Uvas ramisco em Fontanelas 23/09/2018


*Reedição de um texto publicado na edição do  jornal "Correio de Sintra"  de 17 de Outubro de 2012

Tempo de vindimas

“As vindimas roubam ao Outono as uvas onde o Verão está escondido e levam-nas  para lugares cobertos onde o Verão será liquefeito e prolongado, melhorando, bem protegido, enquanto as tempestades ou as brisas ou seja  lá o tempo que for batem lá fora” escreveu Miguel Esteves Cardoso, habitante na região, – e porque estamos no tempo das vindimas em Colares, que melhor tema escolher  que não o Vinho de Colares.


Observador atento do que se passa em Sintra, tenho, ao longo do tempo, tido oportunidade de acompanhar algumas actividades da Adega Regional de Colares – o que me tem permitido ir aprendendo algumas coisas sobre a cultura do vinho nesta região e a sua importância ao longo dos tempos para a história de Colares.


A Região Demarcada de Colares é a segunda mais antiga do País, tendo sido fundada pelo Rei D. Manuel II através de Carta de Lei de 18 de Setembro de 1908. Encontra-se localizada no Concelho de Sintra, nas Freguesias de São Martinho, São João das Lampas e Colares.

Em 15 de Agosto de 1931 foi criada a Adega Regional de Colares, organismo  que teve, e tem, grande influência sobre a viticultura e vinicultura da região. Actualmente a produção do Vinho de Colares da Adega Regional de Colares, está dependente de um pequeno número de produtores da região, o que provoca alguns problemas à sua sustentabilidade.

O Vinho de Colares, tão mencionado por Eça de Queirós, e premiado no princípio do século em vários certames internacionais, está actualmente  numa situação difícil  devido à  escassez da sua  produção.

Os requisitos para que o vinho de Colares seja DOC (Denominação de Origem Controlada) são de grande exigência, tanto no plano da vinha, como também no controlo da sua produção, o que coloca alguns pequenos produtores fora da zona da Adega Regional. A denominação de DOC Colares é feita pela comissão Vitivinícola Regional de Bucelas, Carcavelos e Colares.


As pequenas uvas de ramisco dão origem à casta de Colares, a identidade da região. Cultivadas em solos de areia, com raízes a quatro metros de profundidade, ficam assim protegidas da filoxera, uma doença provocada por um insecto, que no séc.XIX destruiu milhares de vinhas por toda a Europa.



Na região surgiram outras soluções que fogem ao tradicional cultivo da vinha. É o caso da Fundação Oriente (2004), que detém actualmente a maior vinha de Colares  que utiliza métodos de cultivo da vinha  que  não respeita as práticas  tradicionais, como a rega automática e elevação das cepas acima do que é previsto ou   a replantação de “enxertos prontos”. Além disso,  a não utilização das paliçadas de canas secas, que além da descaracterização paisagistica natural da vinha poderão produzir alterações nas caraterísticas do produto final, e que segundo os viticultores tradicionais dificilmente se poderá chamar de Colares.

Outros projectos de menor dimensão como o exemplo da empresa de dois jovens enólogos “Casca Wines”, que se deslocam todos os anos a Almoçageme, e na Adega  Víuva Gomes  fabricam o vinho de Colares com uva malvasia e ramisco da região, respeitam todas as regras do DOC Colares, que depois  de engarrafado com marca própria se destina na maior parte a ser exportado.

Dentro do ambiente do vinho de Colares além dos produtores que mencionámos existem dois armazenistas que engarrafam o vinho adquirido aos produtores da região e comercializam-no tanto no mercado nacional como no estrangeiro. É o caso de  António Paulo da Silva, da Adega  das Azenha do Mar, que comercializa o vinho de Colares com o rótulo Colares Chitas e também  o casal da Azenha de chão rijo e um vinho mais corrente, o Beira-Mar.

A Confraria dos Sabores de Sintra, criada em 2011, na qual o Vinho de Colares tem uma representação, poderá ser um veículo de maior divulgação do Vinho de Colares, mas até agora os  eventos públicos por si organizados  demonstram  alguma debilidade nesses objectivos.

Será necessário apoiar activamente  a Adega Regional de Colares, de forma a preservar este valioso património que é uma parte importante da história de Sintra, mantendo como objectivo um longo futuro.

Pedro Macieira
Colares,07/10/2012 

quarta-feira, outubro 10, 2018

Ermida de São Saturnino na Peninha

A Ermida de São Saturnino, terá sido o local da ignição que provocou o grande incêndio do último Sábado - oportunidade para a reedição de um post de 2017.O Santuário da Peninha é desde 2017 gerido pela Parques de Sintra Monte da Lua.


Ermida de São Saturnino-foto em 30/03/2017

"A meio caminho entre Sintra e o litoral, entre os 300 e os 490 metros de altitude, sujeita a fortes ventos marítimos, a Peninha é uma janela panorâmica sobre a quase totalidade do Parque Natural Sintra-Cascais avistando-se a orla costeira do Cabo espichel até ao Cabo Carvoeiro. O conjunto edificado que aqui se encontra inclui a Ermida de São Saturnino, do Séc.XII, e a Capela da Peninha, erguida por devoção popular no sécXVI e classificada como de interesse público". PNSC - 
foto em 30/03/2017

"Este conjunto histórico engloba a Ermida de São Saturnino e a Capela de Nossa Senhora da Penha. Foi fundado por Frei Pedro da Conceição, nos finais do sec XVI, e o seu interior barroco, inclui um conjunto de páineis de azulejos azuis e brancos do início do sec.XVIII, representando cenas da vida da Virgem. Junto à capela existe uma residência romântico-revivalista mandada construir em 1918 pelo mecenas António Carvalho Monteiro."
CMS
foto em 30/03/2017

"(...)No tempo do Cardeal Rei, pelos annos de 1579, acudiram a venera-la (imagem da N.Senhora da Penha) muitos povos como Collares, Cintra, Cascaes, e de todos aquelles logares circumvizinhos até o Milharado(...) "

Visconde de Juromenha-Cintra Pinturesca, 1838



foto em 30/03/2017

Em 1850 a propriedade da peninha foi vendida ao Dr.José Maria Rangel de Sampaio.1873 – Passa para a posse da Universidade de Direito de Coimbra. 1918 –Palácio construído por António Augusto de Carvalho Monteiro e projectado por por Júlio Fonseca. 1991-Comprado pelo Serviço Nacional de Parques, Reservas e Conservação da Natureza por 90.000 contos, sendo 70% financiado por programa comunitário ENRIREG.
Junta Freguesia de Colares


"Este conjunto histórico engloba a Ermida de São Saturnino e a Capela de Nossa Senhora da Penha. Foi fundado por Frei Pedro da Conceição, nos finais do sec XVI, e o seu interior barroco, inclui um conjunto de páineis de azulejos azuis e brancos do início do sec.XVIII, representando cenas da vida da Virgem. Junto à capela existe uma residência romântico-revivalista mandada construir em 1918 pelo mecenas António Carvalho Monteiro."
CMS
Ermida de São Saturnino, do Séc.XII, e a Capela da Peninha- fotos em 30/03/2017

"Eminente ao mar na mesma Costa está a ermida de Nossa senhora da Peninha, situada sobre um rochedo, o qual por ser inferior em grandeza relativamente áquelle em que se edificou o Convento da Pena se chamou da Peninha.(...)"
Visconde de Juromenha- "Cintra Pinturesca" 1838

terça-feira, outubro 09, 2018

Outubro e as Vindimas

Vindimas /foto em 09/10/2018
Vinha ramisco de Fontanelas (chão de areia)Foto em 09/10/2018
Malvasia (chão rijo) na chegada à adega Regional de Colares
Cachos da casta ramisco
"RAMISCO - Privilégio e maldição de Colares 
É a casta de Colares, a identidade da região, o espelho mágico da identidade e singularidade de uma região única. É simultaneamente o privilégio e a maldição de Colares. Será porventura uma das castas mais exóticas de Portugal, uma das mais mal compreendidas, uma das menos estudadas e aproveitadas… e, quem sabe, uma das mais promissoras. Pela forma como sempre foi cultivada em Colares, em solos de areia de profundidade extrema, nunca consentiu as amarguras da filoxera. Por isso sempre foi plantada em pé-franco, em produção directa, sem necessidade de recorrer a portaenxertos. Subsistem dezenas de cepas históricas, plantas com idade superior aos 100 anos, verdadeiros patrimónios genéticos de valor incalculável. Infelizmente, e por a casta se encontrar confinada à região de Colares, quase não existem experiências na utilização de porta-enxertos americanos. Desconhece-se pois a sua valência fora da região natural. Mas a casta encerra promessas interessantes, em parte pela elevada acidez natural, que a poderiam qualificar para uma utilização mais intensiva e profícua, nomeadamente nas regiões mais soalheiras de Portugal. No Alentejo poderia ser uma solução. A pressão urbanística e a ameaça directa da construção civil são hoje o principal entrave da casta, acenando com um eventual, e assustador, perigo de extinção. A sua migração dependerá do resultado dos estudos de adaptação com porta-enxertos americanos. Os taninos fortes e a acidez natural elevada são as características distintivas da casta. Estas insígnias inatas dão-lhe especial aptidão para criar vinhos extremes, vinhos com uma enorme capacidade de guarda, mas igualmente vinhos que necessitam de muito tempo de estágio. Vinhos difíceis enquanto jovens, e portanto, vinhos de espírito pouco comercial. Mas o tempo confere-lhe elegância, polimento, perfume e delicadeza, descritores pouco comuns nas castas portuguesas. O tempo encarrega-se também de evidenciar os discretos aromas florais, a cereja e os aromas terrosos, a resina e o cedro.O potencial de acidez poderá revelar-se precioso no loteamento com castas de baixa acidez natural, como a Aragonês.(...)"

De um texto de Rui Falcão publicado em Blue Wine 21