MÁRIO-HENRIQUE LEIRIA

Mário-Henrique Leiria 1923 – 1980

ANFIBIOLOGIA

Ainda conseguiu voltar à superfície e pôr outra vez a cabeça fora de água.
Então deram-lhe mais uma bordoada com a pá do remo, sólida e certeira, bem no alto da cabeça.
Ao mergulhar definitivamente, engulindo água e sentindo-se ir para o fundo, teve um último pensamento lúcido: «que felizes devem ser os anfíbios!»


Curriculum –Contos do Gin Tónic -1973

"Mário –Henrique Leiria nasceu em Lisboa em 1923 .Frequentou a Escola das Belas Artes , donde saiu apressadamente.entre 1949 e 1951 participou nas actividades da movimentação surrealista em Portugal.Depois começou a andar de um lado para outro.Teve vários empregos, marinha mercante, caixeiro de praça , operário metalúrgico, construção civil (não, não era arquitecto, carregava tijolo.)etc. Pelas terras por onde andou: a Europa cristã e ocidental, o Mediterrâneo norte- africano, o Oriente Médio e até dizem, os países socialistas.Não ia aos balkans porque tinha medo, todos lhe diziam que lá os bigodes eram enormes e as bombas estoiravam até no bolso.Um dia teve de passar por lá.Os bigodes eram realmente grandes, mas toda a gente sabia rir.Tirou o casaco e bebeu que se fartou.Em 1958 meteram-se-lhe ideias na cabeça e foi até Inglaterra, para aprender coisas.Não aprendeu e voltou. Entre 1953 e 1961 foi casado e não fez mais nada.Em 1961 foi para a América Latina donde voltou nove anos depois.Por lá, conseguiu ser, entre outras actividades menos repeitáveis, planejador de stands para exposições, encenador de teatro e até director literário de uma editora, fizera progressos.

Agora está chateado, vive em Carcavelos e custa-lhe muito a andar.

Tem colaborado em várias revistas e jornais nacionais e não só. Está publicado em algumas antologias, tanto aqui como no estranjeiro.Este é o primeiro livro que tenta publicar em Portugal.Realmente está muito chateado."

A propósito de uma homenagem dedicada a Mário Henrique Leiria, organizada pela Alagamares, sábado 27 de Janeiro, 22horas no Bar 2 ao Quadrado,que é por trás da Estação da CP de Sintra.

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