sexta-feira, dezembro 27, 2013

Sintra e o desporto automóvel



O jornal Autosport, publicou um texto que faz um historial  da importância  de Sintra, para o desporto automóvel nacional - texto que transcrevemos parcialmente:

"Ficou agora a saber-se que o ACP não afastou das suas intenções o regresso do Mundial de Ralis a Sintra. Apesar das naturais dificuldades que um processo deste calibre encerra, a verdade é que a pouco e pouco os motores têm-se feito ouvir na Serra e vinte anos depois dos principais carros de competição do Campeonato Nacional de Ralis ali terem passado pela última vez em 1993, com a Volta Galp (Os Iniciados realizaram uma prova algum tempo depois) essas foram as últimas vezes que a competição a 'sério' passou pela serra. No ano seguinte ainda ali houve testes das equipas de fábrica do Mundial de Ralis, mas daí para cá, com a partida do Rali de Portugal do centro/norte do país, Sintra desapareceu do mapa dos ralis, perdendo-se ali uma ligação muito forte. Longe da vista mas não do coração!"
(...)

"Quando em 1976, a equipa liderada por César Torres delineou integralmente na Serra de Sintra, a última etapa do 'Vinho do Porto', num esquema de rondas noturnas, percorrido várias vezes, estaria certamente longe de imaginar que, mais do que uma prova desportiva, a noite de Sintra ganharia contornos de um grandioso festival com três palcos – Lagoa Azul, Peninha e Sintra – onde se assistiriam a soberbos recitais de condução, como aquele que Mikkola e Alen proporcionaram em 1978. Como em qualquer evento desta natureza, o público começava a chegar na véspera com saco-cama e mochila às costas e, horas antes da primeira atuação, milhares de espectadores preenchiam já por completo o perímetro do maciço granítico. Muito da festa também acontecia horas antes dos pilotos fazerem o seu número.
De ano para ano subia o número de espectadores e as preocupações com a segurança levaram, em 1982, a organização a antecipar as rondas de Sintra para a primeira etapa, disputando-se em pleno dia. Mas nesta altura, os ralis gozavam de uma enorme popularidade, a que não era alheio o surgimento dos carros do Grupo B e nada fazia parar a crescente onda de entusiasmo em torno do fenómeno 'Sintra'. Fazia-se 'gazeta' no emprego e algumas escolas fechavam para que ninguém faltasse à festa do dia de 'São Rali'. Pouco mais de duas dezenas de quilómetros acolhiam centenas de milhares de espectadores e muitos desafiavam o perigo, colocando-se na estrada, a poucos centímetros de máquinas com quase 500 cavalos. Temia-se que a loucura pudesse terminar em tragédia, o que acabou por acontecer. Após o acidente de Joaquim Santos na Lagoa Azul em 1986, o Rali de Portugal despediu-se daquelas estradas e, anos depois, a Serra acabaria por ficar órfã de provas de automóveis. Atualmente, o Rali de Portugal Histórico é a única competição a ter lugar em Sintra, constituindo um excelente pretexto para matar saudades das memoráveis noites da década de 70..."
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Os reis das Camélias


"A ligação da Serra de Sintra aos automóveis vai muito além do Rali de Portugal. Na verdade, as muralhas do Castelo dos Mouros puderam assistir, de um lugar privilegiado, ao desenrolar de muitas outras provas de ralis e velocidade com grande projeção nacional. No capítulo da velocidade, a morfologia do terreno propiciava a realização de rampas. A Rampa da Lagoa Azul ou a emblemática Rampa da Pena, consagraram vários campeões da modalidade.
No que aos ralis diz respeito, a herança é igualmente valiosa. Quem não se lembra do Rali do Sintrense, a contar para o Regional de Ralis – Sul? No entanto, a mais prestigiada das provas disputadas em Sintra e que muito contribuiu para a fama das suas classificativas, terá sido o Rali das Camélias. Nasceu nos anos 50 e, com o surgimento do Campeonato Nacional de Ralis em 1966, passou a integrar assiduamente o seu calendário.
As características do percurso criavam condições para grandes duelos, com a vitória a sorrir habitualmente àqueles que, pela experiência do terreno, iam buscar o “tal” segundo de diferença cortando de forma mais arrojada esta ou aquela curva do rali. Por este motivo, dizia-se que “as Camélias” era uma prova para especialistas. Ao longo de quatro décadas de história, muitos foram aqueles que fizeram a diferença, passeando a sua classe. Manuel Gião, José Lampreia, Américo Nunes, Mário Figueiredo, Joaquim Santos ou Inverno Amaral são alguns exemplos. No entanto, o grande senhor das “Camélias” dá pelo nome de Mário Silva. Correndo “em casa”, conhecia como ninguém cada metro daqueles troços e sabia onde colocar o carro em cada uma das mil curvas de Sintra. Conquistou quatro vitórias na prova e o título de “Rei das Camélias”…"
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Reviver o passado
. "O Rally de Portugal Histórico disputa-se desde 2006 e conta, na última etapa, com uma reedição das famosas rondas nocturnas pelos troços da Lagoa Azul, Peninha e Sintra. Rever naqueles locais míticos, alguns dos carros que marcaram a história dos ralis, como o Fulvia, Stratos, Escort, 911, ou 1600 SSS, é sem dúvida uma experiência que vale a pena."
 


TAP anos 70 a passagem pela Lagoa Azul



 Legenda do desenho de BDa imagem da Quinta Mazziotti, também está presente na Banda Desenhada. Jean Graton, retratando fielmente os cenários portugueses retrata a passagem por Colares do Rally Tap , Tintin, nº16 de 13-09-69 em “Rally em Portugal"


Texto integral do Autosport:
http://autosport.pt/sintra-patrimonio-da-modalidade=f116873
 Rally das Camélias
 http://riodasmacas.blogspot.pt/2007/03/blog-post.html

2 comentários:

Fatyly disse...

Lembro-me bem da tragédia de 1986, embora tivesse visto apenas pela tv. Uma loucura!
Gostei de ler!

Um abraço

pedro macieira disse...

Fatyly,
Obrigado pelo comentário.Os anos 70 e 80 tinham aspectos, que agora a esta distância parecem-nos perigosos, mas faziam parte do ambiente que nos envolvia -mas que hoje são grandes memórias e gostamos de as recordar.Os rallys TAP, a rampa da Pena, o Rally das Camélias, são aspectos que já não acontecem na serra de Sintra mas eram grandes oportunidades de ver os melhores bólides (especialmente no TAP) a acelararem em troços com milhares de espectadores, era de facto um espectáculo único-claro hoje também penso que havia riscos...
Abraço e Bom Ano!