sábado, março 03, 2018

Porque hoje é Sábado...

ZimborioPPena1930blogue

Apeeie-me no Parque, mandei  esperar o cocheiro, e subi com um grupo de turistas a repetir a visita ao castelo.
(...)
Saimos por fim lá em cima, no zimbório e eu respirei fundo, reanimado. Ah, aquilo sim, aquilo é que era realeza, e da sempre-viva! Dedos apontados, os turistas esburacavam a tela da paisagem: Mafra, o Cabo da Roca, a barra do Tejo...
(...)
Nisto, resolvi trepar até ao cimo do zimbório, pela escadinha exterior, que é de dar vertigens. O cicerone opôs-se, declarou que não assumia a responsabilidade. Os outros visitantes ofereceram-me conselhos sensatos, que era um perigo, um pé em falso e zás...
Subi assim mesmo, quase de gatas.Era preciso ter unhas.E já não era a primeira vez.
Cheguei quase ao alto, sentei-me num degrau e fiquei  só.Ficar só, aqui não é ficar desacompanhado: é ficar recolhido, mergulhando raízes em alguma coisa mais do que o panorama que realmente me rodeava.(...)

Excerto do conto. "Regresso à cúpula da Pena" de José Rodrigues Miguéis

Foto: No zimbório do Palácio da Pena. em Setembro de 1930

2 comentários:

Graça Sampaio disse...

Lindo! Também já lá fui ao "pico", mas com tanto medo por causa do vento...

António Lourenço disse...

Pedro,

Bela passagem de um autor com várias referências a Sintra, mas quase completamente esquecido.

Um abraço!