sábado, janeiro 31, 2009

Notas sobre a "Escola Oficial" das Azenhas do Mar para Memória Futura

Aguarela de Alvaro Silva Ribeiro

Escola construída em 1927, sofreu 80 anos depois ,
uma intervenção que destruiu e alterou elementos importantes da sua estrutura, danos irreversíveis, só explicados pela falta de sensibilidade de quem tem a responsabilidade de tratar do património edificado, menosprezando a sua história .

Para memória futura, aqui ficam alguns dados sobre a “Escola Oficial das Azenhas do Mar”:


"Construída a partir de Agosto de 1927 e inaugurada em 24 de Junho de 1928 – contando nesse acto com a presença do Presidente Carmona – a Escola das Azenhas do Mar ficou a dever-se à iniciativa conjunta de uma comissão de melhoramentos local e do Dr.Alfredo Magalhães, então na qualidade de Ministro da Instrução Pública."

"O projecto – que do ponto de vista técnico foi acompanhado pela Repartição das Construções Escolares – evidencia grande originalidade, nele emergindo sobremaneira as preocupações de ordem ideológica e estética, o que facilmente pode ser avaliado nos destintos revestimentos cerâmicos. De facto, subindo as escadaria que conduz à entrada principal da Escola, animada por uma colunata que acompanha o remate semicircular da fachada mais avançada, somos surpreendidos por um conjunto de azulejos que ilustram dois momentos altos da história de portuguesa: a chegada de Vasco da Gama à India , em 1498, e atravessia do Atlântico Sul por Gago Coutinho e Sacadura Cabral em 1922... imagens essas significamente conjugadas com quatro criteriosas passagens de Os Lusíadas."

"Todo o exterior da Escola tem um tom muito harmonioso, seja pela barra de azulejos que corre superiormente a fachada lateral, algo naif, pela aplicação cuidada de cantarias nas janelas, portas ou mesmo o revestimento dos cunhais, não ignorando a preocupada definição arquitectónica de vastos pátios interiores para recreio dos alunos.
Transpondo a porta de entrada, um pequeno vestiário , de grande acerto funcional, dá acesso ao exterior, nomeadamente à zona do recreio, a uma edificação inicialmente reservada às merendas,bem como à habitação do(a) professor(a) e, para o interior , a um pequeno gabinete e à sala de aula. Nesta última, de grande profundidade, destaca-se a barra de azulejos que corre junto ao tecto, firmada por Mário Reis, e a partir da qual de desenvolvem catorze quadros moralistas, onde se inscrevem dizeres de destacadas personalidades da cultura portuguesa, a exemplo de Oliveira Martins, Eça de Queirós, António Feliciano Castilho, Antero de Quental,João de Deus...


Edificada no espirito da Revolução de Maio de 1926, a Escola das Azenhas do Mar é bem ilustrativa do uso do espaço escolar como instrumento ideológico."

Texto de :" Sintra Escolas e Memória", Ed.Santa Casa da Misericórdia de Sintra 2002

Janela de madeira com o desenho original da vidraça

Substituída por alumínio, não respeitando o desenho original - a cerca de madeira no muro exterior está a ser substituída por outro material mais resistente, mas colocada com rebites, o que parece não ser boa solução para uma escola que sofre com a erosão do mar, que está a cerca de 50 metros...
Nota positiva: A barra de azulejos está a ser recuperada pela Escola Profissional de recuperação do Património de Odrinhas/Sintra

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Atentado ao património na Escola EB1 das Azenhas do Mar

Por ajuste directo foi adjudicada em 14-11-2008 pela EDUCA –"Empresa Municipal de Gestão e Manutenção de Equipamentos Educativos de Sintra", à "Constrope - Construções, Sa," por 52.033.32 euros a empreitada de " Reparação do pavimento e caixilharia na escola EB1 das Azenhas do Mar"*. Intervenção que terá ocorrido durante o o mês de Dezembro de 2008.
Escola “criada por Alfredo de Magalhães, então Ministro da Instrução Pública, e pela acção conjunta de uma comissão de melhoramentos local, constituída, entre outros, por Alberto Totta, António Bernardino da Silva, João Alves de Freitas, João Bernardino da Silva, João Augusto Tavares e José Maria Tavares. A construção da escola iniciou-se em 7 de Agosto de 1927 e José Pedro Martins, da Repartição de Construções Escolares do Ministério da Instrução dirigiu os trabalhos técnicos” * inaugurada pelo Presidente Oscar Carmona em 24 de Junho 1928.

Alertado por elementos da população das Azenhas do Mar para as consequências negativas no edificio da escola, derivado da empreitada em causa, não foi dificil no local verificar os resultados de uma intervenção que não teve em consideração o valor patrimonial daquela escola.

Resultados da intervenção

Todo o revestimento da sala de aula em talha, que existia até meia altura da parede foi arrancado alterando completamente o aspecto original da sala de aula.

Foto do interior da sala de aula com o revestimento de madeira

As janelas em madeira foram substituídas por alumínio, e não respeitaram o desenho original das vidraças .

As janelas antes da intervenção
As janelas depois da intervenção
A população das Azenhas , criou uma uma comissão “hadoc”, quando foi detectado os estragos provocados pelas obras, e após recuperação de uma pequena amostra do revestimento arrancado das paredes da sala de aula, exigiram à CMS, a reposição do revestimento agora destruído.

Aguarda-se uma rápida resposta por parte da EDUCA de forma a repor (embora agora com materiais diferentes dos originais) o revestimento da sala de aula , naquela que é sem dúvida uma das escolas mais belas de Portugal.

Mais um exemplo da falta de respeito pelo valor patrimonial do que nos foi legado, não havendo o cuidado de estudar os ambientes onde as intervenções irão ocorrer, criando situações irreversíveis e graves danos ao património pertença de todos nós.

Notas
-Dados históricos encontrados no Site da Junta de Freguesia de Colares
-*Dados da BASE Contratos Públicos Online

Notas do Terreiro Público de Seteais

Congresso-Concurso dos Bombeiros Voluntários em Sintra (1905)

Embora o acto inaugural do Congresso tivesse sido iniciado na sala de sessões da Câmara Municipal de Sintra os exercicios que tiveram a presença da rainha D.Amélia, decorreram no terreiro de Seteais, local que até 2008 o seu acesso foi público. Encerrado actualmente pelo concessionário, grupo Espírito Santo/Hóteis Tivoli com a complacência da Câmara Municipal de Sintra e da Parques de Sintra Monte da Lua.
Nas manobras do concurso de 1905, foi utilizado um “esqueleto do exercício” montado no Arco de Seteais. Ficaram classificados em primeiro lugar os Bombeiros Voluntários de Portalegre.


Fotos:"Illustração Portugueza" de 4 de Setembro de 1905

quarta-feira, janeiro 28, 2009

A ainda verdejante estrada florestal da Peninha




Na semana passada a estrada florestal no acesso aos Capuchos, apresentava um ambiente verdejante, envolvido por uma espessa neblina que lhe dava uma luminosidade e beleza, que faz da Serra de Sintra um local único.
O mesmo não se pode dizer da Tapada D.Fernando II e em toda a envolvência do Convento dos Capuchos, e mais recentemente na Tapada de Monserrate, derivado da desarborização ali praticada pela PSML, deixando aquela zona irreconhecível - zona classificada Paisagem Cultural pela UNESCO, e como afirmou Carlos Albuquerque, o ex-director do Parque Natural de Sintra–Cascais ao Jornal Público de 23-01-2009 , “As intervenções realizadas nas tapadas da serra contrariam todas as orientações preconizadas pela Autoridade Florestal Nacional", o também antigo administrador da PSML, sociedade pública que gere os parques e monumentos da serra, entende que "as acções estão a pôr em causa a própria vivência" de Sintra, e que a "desarborização completamente injustificada" ameaça a biodiversidade na área protegida e aumenta as condições para a proliferação de infestantes e a erosão dos solos.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Exposição em Sintra (1929)

Legenda- Stand «Azenhas do Mar» o qual coube na exposição, o (Prémio Único).
Legenda- Stand dos vinhos «V.S.» (Visconde Salreu) D.J. Silva Lta. A originalidade do seu stand e os brindes que distribuia aos seus visitantes foi motivo dos maiores aplausos pelo esforço constante da actividade desta casa.
Legenda- Stand da Fábrica de Queijadas «Matilde», fundada em 1850. Tendo D.Fernando, o Rei regente, mandado buscar amostras deste delicioso a duas fabricas, unicas em Ranholas, Sintra, deu a preferencia às da Matilde que ficou sendo fornecedora da Casa Real.

Legenda-Stand da casa de Constacia Gomes Piriquita, a afamada casa queijadas pão de ló, biscoitos, bolos ingleses e da maior variedade em pastelaria e doçaria fina. Quem fôr a Sintra jamais se esquecerá da celebre «piriquita».

Reportagem do "Noticias" Ilustrado edição semanal do "Diário de Notícias" em 8 de Setembro de 1929

Nota:
-A 2ª Exposição de Sintra em 1929, foi realizada no Jardim da Correnteza, e as legendas das fotos são as do texto original.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

Sintra começou a recolher óleos alimentares em restaurantes

A autarquia de Sintra iniciou em 22 de Janeiro de 2009 um programa de recolha de óleos alimentares nos restaurantes do Concelho.

O convite aos 382 restaurantes das freguesias do Concelho de Sintra para aderirem a esta iniciativa será efectuado em 6 fases que se prolongam até Julho.

A descarga de óleo alimentar usado nos esgotos ou no lixo acabam por se reflectir no entupimento de esgotos, na crescente contaminação da água e dos solos e ainda dificultando o tratamento das águas residuais.

Os óleos recolhidos neste programa serão valorizados na produção de biodisel para abastecimento da frota municipal.

Fonte:CMS

O exemplo da Junta de Freguesia da Ericeira, nossa vizinha do Concelho de Mafra

Espera-se que não se repita o caso da Junta da Ericeira, e que mais tarde a CMS não seja obrigada a pagar pelo Ministério das Finanças multas e penhorada nos seus bens, por usar biodisel e assim o estado não receber o devido imposto sobre produtos petrolíferos ...

-De uma notícia do jornal Público de 27-04-2008:

Ericeira multada pelo Estado por utilizar óleos reciclados em carros do lixo
«A junta de freguesia da Ericeira foi multada em sete mil euros utilizar óleos reciclados para mover os carros do lixo, em vez de comprar combustíveis fósseis, pelo que o Estado se considera lesado.
(...)
Segundo o autarca, a junta recolhe óleo alimentar "em todos os estabelecimentos de restauração, hotéis e escolas" tendo criado "oleões" de rua junto dos ecopontos. Mensalmente e desde há vários anos a junta de freguesia recolhe entre quatro a cinco mil litros de óleo vegetal usado. Desde Junho de 2007 os óleos são valorizados numa central de transformação onde é produzido bio-combustível e glicerina.


"O respectivo bio-combustível é utilizado em 14 viaturas da junta de freguesia, a parte restante ofertamos aos bombeiros do concelho e às instituições particulares de solidariedade social do concelho, assim como cinco litros ao cidadão comum que o queira experimentar na sua viatura", adianta o autarca social-democrata.

Com a glicerina estão a ser feitas experiências para a produção de sabão e sabonete com o objectivo de ser doado às 144 famílias carenciadas da região.»

domingo, janeiro 25, 2009

No tempo da defesa das árvores

Em Agosto de 2007 o eucalipto era parte da cabine da bilheteira

Porque hoje é domingo, fica bem mudar um pouco o tom ao discurso sobre as consequências do abate de árvores na Serra de Sintra, contando uma singela e curiosa história, que ainda hoje é vivida por um esguio eucalipto, naquele que já foi um local frondoso e verdejante.
Em Janeiro de 2009 um pouco mais crescido, assistiu ao abate da sua companhia de muitos anos.

Antes da PSML desencandear a guerra às infestantes que abundavam na Serra de Sintra,(2007) havia a ideia de que era necessário proteger as árvores de qualquer dano ou atentado à sua existência. Havendo necessidade de instalar uma cabine/bilheteira, junto à entrada do Convento dos Capuchos, e para poupar um eucalipto que estava mesmo no local projectado para a dita cabine, foi aberto um buraco circular na estrutura do telhado para que pudesse, assim, continuar a crescer.

Hoje o sortudo eucalipto está mais crescido mas muito mais sozinho, a maioria dos seus companheiros de sempre já foram abatidos, misturados com carvalhos, cedros, pinheiros e as tais espécies infestantes- cortados e levados para a Portucel.
Foto de Agosto 2007 na Tapada D.Fernando II (Capuchos)

Não sabemos que futuro terá aquele eucalipto (mas suspeitamos) quase um monumento às espécies desaparecidas na Tapada D.Fernando II - ele que plantou também um eucalipto no dia do seu casamento com a Condessa d'Edla no seu Parque da Pena em 10 de Junho de 1869.

sábado, janeiro 24, 2009

A Serra de Sintra, os cortes de árvores e os resultados

Foto da Tapada D.Fernando II em Agosto de 2007 durante os trabalhos de desflorestação

Um artigo do jornal “Público” de sexta-feira, 23/01/2009 destaca que a «Associação de Defesa do Património de Sintra vai questionar o ministro do Ambiente sobre exagero da intervenção em área protegida - O corte de arvoredo na serra de Sintra, nas tapadas entre a rampa da Pena e a estrada para os Capuchos, está a preocupar técnicos e ambientalistas por ameaçar a "vivência" da Paisagem Cultural classificada pela UNESCO.»
Em 2007 o mesmo problema aconteceu na Tapada D.Fernando II, e como também lembra o jornal “Público” de ontem em artigo de Luis Filipe Sebastião:
”A polémica em torno das acções da Parques de Sintra-Monte da Lua (PSML) na serra não é de agora. Em Agosto de 2007, cidadãos e partidos manifestaram-se contra a desflorestação da Tapada de D. Fernando II, por não envolver só acácias e pitósporos, mas também espécies não-infestantes. As dúvidas estendiam-se ao destino da madeira cortada, que um técnico florestal garante ter ficado na posse da empresa contratada para a limpeza.”- Nessa altura com pena nossa não se conseguiu ouvir a voz da ADPS, voz importante nas coisas de Sintra...
Foto da Tapada D.Fernando II de Agosto de 2007, durante os trabalhos de desflorestação

O programa de desflorestação justificado pela eliminação de espécies invasoras continuou e ainda é o Jornal "Público" que comenta:
Algumas zonas, principalmente junto aos muros do parque da Pena e mais próximo do acesso ao antigo convento, eram ladeadas por uma densa área florestal.
Este cenário foi radicalmente alterado nas últimas semanas, mediante o corte da maioria das árvores numa faixa de várias dezenas de metros a partir da via pública. Onde antes a vista repousava num manto verdejante, composto por espécies variadas, das folhosas autóctones às infestantes exóticas, restam clareiras com o terreno revolvido, com cotos de troncos de pequeno porte. Os escassos restos por retirar, na Tapada de Monserrate, permitem identificar o abate de alguns cedros de grande porte e aparentemente de boa saúde fitossanitária. Nas tapadas do Mouco e D. Fernando II, e na envolvente do Convento dos Capuchos, ficaram de pé uns quantos pinheiros ou eucaliptos. Algumas zonas apresentam estacas condutores de espécies entretanto plantadas. Mas que, na Tapada D. Fernando II, estão já ameaçadas pelo recrudescimento do acacial.”
* Texto integral da notícia do Jornal "Público" de 23/01/2009-aqui
**Post de 2007 sobre a Tapada D.Fernando II-aqui

A Tapada D.Fernando II, 538 dias depois...
Foto da Tapada D.Fernando II em 23 de Janeiro de 2009

Em 2007, em resposta aos nossos pedidos de explicações face ao grau de desflorestação que estava a ocorrer na Tapada D. Fernando II, foi-nos enviado uma explicação por parte do EngºJaime Ferreira,Director Técnico da PSML, de que transcrevemos os seguintes parágrafos:
“Na Tapada D. Fernando II, a intervenção que vimos desenvolvendo consiste na redução do coberto florestal no perímetro da propriedade e nas margens dos caminhos, eliminando as espécies invasoras e retirando árvores e ramos de risco para salvaguarda de pessoas e bens.

No Convento dos Capuchos, a intervenção consiste em remover as espécies invasoras, remover árvores e ramos de risco e retirar lenhas caídas.

Na Tapada de Monserrate, para a qual está a ser desenvolvido um Projecto de Beneficiação Florestal ao abrigo do Programa AGRO, as acções consistem na remoção da vegetação invasora, no desbaste do pinhal e na beneficiação de caminhos florestais.”
*Texto da resposta da PSML em 2007 -Aqui
Foto da entrada do Convento dos Capuchos em 23 de Janeiro de 2009

Hoje, 538 dias depois da desflorestação que foi levada a efeito na Tapada D.Fernando II o impacto daquela intervenção em 2007,é desolador e desconfortável e irá permanecer por muitos anos. Local, antes frondoso com uma grande exuberância florestal e que agora só fará parte da memória daqueles que o conheceram antes.
O acesso ao Convento dos Capuchos continua com cercas de arame o que dá uma má impressão a quem pretende visitar aquele local. E quem não conheça aquele acesso vai pensar de certeza que se enganou no caminho.

Foto da Tapada D.Fernando II em 23 de Janeiro de 2009

Actualização Jornal Público de 24-01-2009 -aqui

sexta-feira, janeiro 23, 2009

O mercado antigo da Vila Velha de Sintra

Foto do antigo mercado

Texto de 1896 publicado na Revista "Occidente", contestando o derrube do antigo mercado de Sintra
O antigo mercado de Cintra

“Quando no último verão, visitámos Cintra, vimos o mercado que a camara d’aquelle concelho mandou edificar n’uma rua que passa pelas trazeiras do palacio real, sítio escuso, em ladeira estreita e que só a falta absoluta de local mais apropriado para aquelle fim, poderá desculpar o ter-se ali construido aquelle edificio.
(...)
Não bastava a falta de gosto com que tem sido feito algumas edificações particulares, em completa desharmonia com a paizagem local e a historia dáquelles logares, era preciso que a camara désse o seu contigente para mascarar a velha Cintra com modernismos que tanto a desfiguram.
(...)
O attentado fôra completo ! A camara mandou-o arrasar, como já em tempos mascarara o pelourinho com um tanque, e assim destruiu uma das coisas mais caracteristicas de Cintra. Se o castello dos moiros deixar de estar sob a tutela real, ainda esperamos vêr demolir as suas muralhas e ameias para embelezamento da serra da serra!
(...)
O antigo mercado ou alpendre com as suas columnas e cimalha decorada nos extremos com dois escudos, em que se esculpiam uma inscripções quasi apagadas do tempo, não era certamente uma construcção coeva, porque pelo estylo, não devia ir além do seculo passado, mas tinha um caracter que não destoava do da villa e que agradava muito mais ao visitante do que a cadeia que lhe ficava em fronteira...”


Revista “Occidente” de 15 de Novembro 1896
"alpendre com as sua columnas e cimalha decorada nos extremos com dois escudos..."

Foto :Obra de José Alfredo Azevedo

*Ortografia e acentuação conforme texto original

quinta-feira, janeiro 22, 2009

O Museu do Ar em Sintra

Decorrem neste momento obras na Granja do Marquês –Base Aérea 1 (BA1), para a instalação do novo Museu do Ar em Sintra. Segundo informações vindas a público discute-se ainda a questão da possibilidade de ficar um pólo do Museu em Alverca local onde estava instalado o museu nos últimos anos.

Em Sintra existiam várias aeronaves em exposição, como mostra o vídeo feito em 2008 durante um festival AeroNostalgia,e que hoje publicamos. As novas instalações deverão incluir a ampliação do hangar norte, junto à entrada da base, que irá permitir a exposição de 52 aeronaves, e mais algumas que neste momento estão ainda em condições de voo. Também a instalação de simuladores de aviões de várias épocas, será um atractivo para visitar o Museu e quem sabe a descoberta de futuros pilotos.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Fonte da Sabuga

A Fonte da Sabuga em 1850

"A qualidade salutífera das águas da bica da Sabuga, de origem vincadamente medieval - o topónimo surge, pela primeira vez, num documento de 1406 , contribuíram para que cedo se transformasse num referencial sintrense. De facto, a sua qualidade milagreira ganhou-lhe o epíteto de «a mais cellebre» de entre todas as fontes de Sintra, e nela Sua Majestade, D. Luísa de Gusmão, deliciou-se «com a famosa água», em 1652.Nos alvores do evo setecentista, a fonte foi «mandada fazer de novo» como o atestará uma epígrafe anotada por Almeida Jordam:

ESTA OBRA MANDOU FAZER / O SENADO DA CAMERA DESTA VILLA / SENDO PRESIDENTE DELLA O / DOUTOR MATHIAS FRANCO / FERREIRA NO ANNO DE M.DCC.IX.

A célebre fonte, todavia, sofreu grandes estragos com o purulento terramoto de 1 de Novembro de 1755, mas dois anos depois estava refeita, conforme o atesta a lápide aposta ao frontal:

ESTA OBRA MANDOV FAZER O SENADO / DA CAMARA DESTA VILA SENDO PRE / ZIDENTE O D.R MARCELINO IOZE DE PON / TES VIEIRA E O PROCURADOR ANTO RIB / DE CEQVEIRA RIBAFRIA ANNO 1757
Em termos arquitectónicos, o prospecto do fontanário resultante da restauração pós-terramoto aproxima-se bastante do actual, permanecendo coroado por coruchéus alternados com frontões envoluteados de gosto barroco, abrindo-se, ao centro, a pedra de armas do município envolvida numa fina cercadura. Estão, também, documentados trabalhos de beneficiação em 1804 e em 1850. Mas, a última grande intervenção data já de 1956, quando se colocou o lambril de azulejos azuis e brancos com putti enquadrando aparato floral."

Texto do site da CMS

A Fonte da Sabuga após as obras de intervenção de 2004/5, recuperou o aspecto (as três paredes estavam cobertas a meia altura por painéis de azulejos, de fabricação industrial de meados do séc. XX), e cor original.Obra que criou grande polémica na altura, tendo mesmo considerado a Associação de Defesa do Património de Sintra, de que "a fonte da Sabuga é querida pela população e (...) não se deve mexer no imaginário das pessoas".

Diz o povo que quem bebe a água da Sabuga, jamais esquecerá Sintra

-Num texto de 1727 pode ler-se “.Na Vila de Sintra, comarca de Alenquer, ha huma fonte, q que chamão da Sabuga, cuja agoa, bebida em jejum , cura as diarrheas biliosas, e procedidas de intemperanças quetes no que ha muytas experiencias”.
Em 1942 foi legalizada a firma «Águas de Sintra,Lda», que explorava ilegalmente a nascente dessa água.

Fontes:
Site daCMSintra
Obras de José Alfredo Azevedo
Blogue "Ruas do dia que voam" (anúncio das águas da Sabuga)
Site “Águas Termais”

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Ele tinha um sonho...

domingo, janeiro 18, 2009

Quinta do Saldanha

Texto publicado na "Revista Occidente" de 11 de Agosto de 1885

Monumento da fé na Quinta do Marechal Saldanha em Cintra

Na estrada vulgarmente conhecida por estrada da Sabuga, em rasão de n’este caminho se encontrar a fonte da deliciosa agua da Sabuga, corre parallelo á estrada a quinta do Duque de Saldanha, cujo portão ou entrada principal é á esquerda da referida fonte. Esta quinta teve os seus dias aureos, a sua epocha brilhante. Era o ponto de reunião aristocrático, dos que estacionavam em Cintra na estação calmosa, alli iam attraidos pela nunca desmentida bizarria, do marechal que era ao mesmo tempo o primeiro fidalgo portuguez na galanteria e na magnificencia das suas acções, repartindo, dando e dispendendo com grandeza d’animo nunca excedida, todas as suas rendas e proventos.

Magnificas festas se deram então n’aquella quinta que hoje esta quasi abandonada, e pouco resta das grandezas de outr’ora. Ainda assim não é das menos visitadas pelos forasteiros, e para isso lhe basta a sua posição accidentada, permittindo de alguns de seus pontos elevados o desfructarem-se bellos panoramas, quanto a vista possa abranger até se perder no oceano atlântico.
É precisamente n’um desses pontos d’onde se avistam mais dilatados horisontes, que se ergue o monumento que reproduzimos em gravura, copia de um desenho do album do proprietario e director artistico do Occidente, Caetano Alberto.
O monumento está assente na parte do jardim que cerca o palacio e no sitio mais espaçoso d’esse jardim. É de um estylo funebre e tanto, que á primeira vista parece um mausuléu, principalmente se atendermos á figura da Fé que o domina.
Foi mandado fazer pelo Marechal Duque de Saldanha, que lhe mandou gravar a seguinte inscripção em dois escudos eguaes collocados no atico do monumento do lado norte e sul:

O AMOR DE DEUS
DO QUAL NASCE
O AMOR DA FAMILIA
DO QUAL DERIVA
O AMOR DA PÁTRIA
HE SÓ
O QUE PODE ASSEGURAR-NOS
A FELICIDADE NA TERRA
NO CEU A BEM AVENTURANÇA

"Em rasão deste caminho se encontrar a fonte da deliciosa agua da Sabuga..."

O Marechal Duque de Saldanha D’este modo quiz affirmar o nobre Duque, bem publicamente a sua fé christã, deixando um monumento da sua crença ás gerações futuras. O valente general procurou na religião as consolações, que tantas victorias ganhas já lhe não podiam dar, nos longicuos echos da ovações de vinte annos passados , e assim se foi deixando resvalar para o tumulo, que a grande arvore da liberdade, por elle plantada já assombreada e em torno do qual já vicejavam os louros que lhe haviam de cobrir a sepultura.

"Revista Occidente", de 11 de Agosto de 1885

*Ortografia e pontuação conforme o original

sábado, janeiro 17, 2009

Desaparecido em Berlim!

DESAPARECIDO! VERMISST!
MISSING! DISPARU! SCOMPARSO! VERMIST!
KAYIP ARANIYOR! !إِختفاء DISPARUT


A Embaixada de Portugal em Berlim, comunicou o desaparecimento às autoridades alemãs na segunda-feira, de Afonso Freire Novais dos Santos Tiago, de 27 anos, que estava a fazer um estágio de seis meses na delegação de Berlim da Active Space Technologies, firma portuguesa de projectos espaciais, e é considerado por colegas e amigos uma pessoa com grande sentido de responsabilidades.

Have you seen him?

Afonso Tiago , a young Portuguese investigator, who works in Berlin, has gone missing and he was seen for the last time, when he was going back home, after having been in a local discotheque, last Saturday, the 10th January, at 4 am.

Contacte-nos! Kontaktieren sie uns! Contact us! Contactez-nous! Contacteer ons, aub! Kurun lütfen!
findafonsotiago@gmail.com

Contacto da polícia alemã
27-jähriger Portugiese aus Kreuzberg wird vermisst
Tel: (030) 4664 912402 und 4664 912410
Fax: (030) 4664 912499
E-Mail: vermisstenstelle@polizei.berlin.de


Blogue de apoio a Afonso Tiago -Aqui

Transparência.pt

Desde 13 de Janeiro de 2009, é possivel consultar Online uma base de dados de ajustes directos de toda e qualquer entidade (cerca de 12 mil entidades públicas sujeitas a registo obrigatório das suas aquisições por ajuste directo, da mesma forma que se localizam as contratações de empreitadas, consultorias ou outros serviços. Ex.Câmaras Municipais,Juntas de Freguesia,etc.) graças a uma iniciativa da Associação Nacional de Software Livre.

O site permite uma interacção com o site portal oficial dos contratos públicos (www.base.gov.pt), no âmbito do Ministério das Obras Públicas, onde constam os dados mais detalhados daquele negócio. E ao clicar em cima do nome da entidade adjudicada (empresa fornecedora) surge a informação disponível sobre a mesma no site Publicacões Online do Ministério da Justiça (http://publicacoes.mj.pt).

Artigo 127.º do Código dos Contratos Públicos
Publicitação e eficácia do contrato

1) A celebração de quaisquer contratos na sequência de ajuste directo deve ser publicitada, pela entidade adjudicante, no portal da Internet dedicado aos contratos públicos através de uma ficha conforme modelo constante do anexo III do presente Código e do qual faz parte integrante.
2) A publicitação referida no número anterior é condição de eficácia do respectivo contrato, independentemente da sua redução ou não a escrito, nomeadamente para efeitos de quaisquer pagamentos

Site Transparência -aqui