Quinta do Saldanha

Monumento da fé na Quinta do Marechal Saldanha em Cintra
Na estrada vulgarmente conhecida por estrada da Sabuga, em rasão de n’este caminho se encontrar a fonte da deliciosa agua da Sabuga, corre parallelo á estrada a quinta do Duque de Saldanha, cujo portão ou entrada principal é á esquerda da referida fonte. Esta quinta teve os seus dias aureos, a sua epocha brilhante. Era o ponto de reunião aristocrático, dos que estacionavam em Cintra na estação calmosa, alli iam attraidos pela nunca desmentida bizarria, do marechal que era ao mesmo tempo o primeiro fidalgo portuguez na galanteria e na magnificencia das suas acções, repartindo, dando e dispendendo com grandeza d’animo nunca excedida, todas as suas rendas e proventos.
Magnificas festas se deram então n’aquella quinta que hoje esta quasi abandonada, e pouco resta das grandezas de outr’ora. Ainda assim não é das menos visitadas pelos forasteiros, e para isso lhe basta a sua posição accidentada, permittindo de alguns de seus pontos elevados o desfructarem-se bellos panoramas, quanto a vista possa abranger até se perder no oceano atlântico.

O monumento está assente na parte do jardim que cerca o palacio e no sitio mais espaçoso d’esse jardim. É de um estylo funebre e tanto, que á primeira vista parece um mausuléu, principalmente se atendermos á figura da Fé que o domina.
Foi mandado fazer pelo Marechal Duque de Saldanha, que lhe mandou gravar a seguinte inscripção em dois escudos eguaes collocados no atico do monumento do lado norte e sul:
O AMOR DE DEUS
DO QUAL NASCE
O AMOR DA FAMILIA
DO QUAL DERIVA
O AMOR DA PÁTRIA
HE SÓ
O QUE PODE ASSEGURAR-NOS
A FELICIDADE NA TERRA
NO CEU A BEM AVENTURANÇA

O Marechal Duque de Saldanha D’este modo quiz affirmar o nobre Duque, bem publicamente a sua fé christã, deixando um monumento da sua crença ás gerações futuras. O valente general procurou na religião as consolações, que tantas victorias ganhas já lhe não podiam dar, nos longicuos echos da ovações de vinte annos passados , e assim se foi deixando resvalar para o tumulo, que a grande arvore da liberdade, por elle plantada já assombreada e em torno do qual já vicejavam os louros que lhe haviam de cobrir a sepultura.
"Revista Occidente", de 11 de Agosto de 1885
*Ortografia e pontuação conforme o original
Comentários
RVS
Ao que consta são, edifício e quinta, propriedade do Patriarcado de Lisboa.
ereis
Vou nos próximos dias postar sobre a Fonte da Sabuga, razão porque não escrevi nada no post da Quinta do saldanha.
Um abraço
Também achei curioso, a frase de que em 1885 estava "quasi abandonada" 124 anos depois...
O aspecto actual não é agradável, e aquele portão verde ondulado, não ajuda muito ao aspecto abandonado que o palácio tem.A vista que se tem da estrada já quase só ao nível do telhado.
Um abraço
Quantro à fonte da sabuga. Era assim na sua origem.
Valha-nos, ao menos, que promoveu a publicação, na Revista "Vária Escrita" Nº.11 de 2004, de
um interessante artigo sob o título "A Vila Sassetti, Projecto do Cenógrafo-Arquitecto Luigi Manini", da autoria de Denise Pereira e Gerald Luckhurst".
ereis