quinta-feira, julho 17, 2014

Visita à Casa Branca nas Azenhas do Mar


A Casa Branca ou Casa do Marco, nas Azenhas do Mar, é talvez a obra mais supreendente do arquitecto Raul Lino, (1879-1974), construída em 1920 enquanto residência de férias para seu próprio uso, e por esse motivo sem grandes exigências de projecto - a casa tem uma estrutura simples e denota alguma austeridade tanto no espaço interior como na sua imagem exterior.A ausência de luz eléctrica e água canalizada é uma particularidade, que permite  nos nossos dias, conservar integralmente  a atmosfera original da época em que foi construída.


“A Casa Branca é provavelmente uma das suas melhores realizações, porque Lino , não foi obrigado a manipular programas domésticos demasiados exaustivos, que constituiam normalmente a encomenda típica da burguesia para quem trabalhava.
O imaginário da Casa Branca é o da Arquitectura popular portuguesa – ou melhor o modo como Raul Lino viu a tradição popular – e que se transformou numa das marcas que o seu percurso imprimiu ao longo da primeira metade do século arquitectónico português.”

In artigo do jornal "Público" de 15 de Julho de 2003, de Ana Vaz Milheiros
 

"Em 1920, Raul Lino projecta e constrói a Casa Branca, em Azenhas do Mar . Esta casa afirma os princípios do modelo formal da Casa Portuguesa, ao mesmo tempo que se despoja de todo o elementos ornamentais supérfluos. Mínima em área, mínima em adornos decorativos, apresenta a relação inicial da casa balnear com a falésia. Talvez se anuncie num minimalista formal tudo em que acreditava. Simples, de raiz popular, bem exposta ao sol e alpendurada numa falésia sobre o mar."


" A pequena e despojada, Casa Branca das Azenhas do Mar foi construída em 1920. De acordo com o projecto do próprio arquitecto, a casa de férias implanta-se extraordinariamente no alto de uma escarpa. Volumetricamente equilibrada, com descoincidentes janelas de forte cromatismo e grandes pedras nos alpendres e contrafortes que jogam harmonicamente entre a alva cobertura e as paredes. O agreste vegel enquadra e indicia a edificação de grande pureza plástica e o fortíssimo carácter do arquitecto Raul Lino. "
C.M.S. - Divisão de Património Histórico-Cultura



"Casa para o Verão, para «Week-End», deliciosamente rústica, em baixo, uma só divisão maior, onde se está durante as horas de calor, onde se faz serão e onde – num recanto – se cozinha. Em cima apenas dois quartos, e o resto dos cómodos indispensáveis alojam-se nos anexos. Nossa Senhora da Saúde, pintada em estilo de pescadores, é a padroeira desta casa que,com seus taipais alaranjados e rodeada de zimbro, desperta, pelo isolamento em que está, a curiosidade de quem passa."
Revista "Ilustração" Nº46 de 16 de Novembro de 1927

2 comentários:

Graça Sampaio disse...

Adorei ver!

Joaquim Formeiro Monteiro disse...

É a simplicidade pura em toda a dimensão, oposta ao novo riquismo da sociedade actual.
Foi bom revisitar...