sexta-feira, janeiro 01, 2016

Nevoeiros

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Lago de Monserrate
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Estrada da Peninha

Nevoeiro
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal e entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
 Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!


Fernando Pessoa/Mensagem

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