segunda-feira, janeiro 18, 2016

O Preventório de Colares

“Lá em baixo na Várzea de Colares, em pleno seio da Natureza, embalado pelo cachoar, suave ou agreste, do rio das Maçãs, fica o Preventório de Colares. Solarenga habitação, outrora remanso de brasonadas famílias, ela é na hora actual, a concepção da mais simpática organização preventiva da tuberculose na infância.(...) Tem o aspecto de paço medievo. Sólida arquitectura.O escadório, e a varanda corrida as gárgulas, colunatas e pilastras, tudo evoca docemente, misteriosamente, o passado poderio que morreu com seu brasão. (...)”
(Jornal de Sintra nº257 de 1938, artigo da autoria de A.B.)
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Quinta do Vinagre:"(...) e o grande pátio assombreado por seculares plátanos que todos os anos no Outono, enchem o chão e recobrem o tanque dos leões com a mancha doirada das suas folhas perdidas."
Legenda da foto retirada daqui

No início do Sec.XX existiu em Colares uma instituição que dava apoio a menores do sexo feminino, numa altura em que a tuberculose era a grande ameaça e denominava-se "Preventório de Colares", tinha como impulsionadora D. Isabel Morais Sarmento. Segundo dados publicados no "Jornal de Sintra" nos primeiros nove anos da sua existência o Preventório teria apoiado para cima de trezentas crianças,” filhas de tuberculosos “necessitados da zona de Colares.
O Preventório de Colares debateu-se desde o seu início,(1926) com problemas de ordem financeira. Para fazer face a essas necessidades, frequentemente organizava festas de angariação de fundos. Como curiosidade e demonstrativa da importância que estas festas tinham para a região de Colares, o facto da Companhia Sintra-Atlântico ter um serviço especial que era mencionado com os respectivos horários no anúncio da festa de recolha de fundos, "
Sempre pronta a corresponder aos desejos do publico, estabeleceu um serviço especial de carreiras de eléctricos”



"A favor do Preventório de Colares"

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Anúncio de festa de angariação de fundos para o Preventório, no "Jornal de Sintra" em 1938.

 
"Realiza-se este ano,(ontem , hoje e amanhã) no vasto recinto da Adega Regional de Colares, a terceira festa de caridade em favor do Preventório de Colares.A primeira foi há três anos, num pinhal sob nevoeiro, perto do marulho do mar.A segunda festa, muito mais linda, foi levada a efeito no Banzão silente e umbroso.Para a terceira foi escolhido o mesmo local e é de esperar que as experiências anteriores contribuam este ano para os resultados ainda mais belos."
 
 

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Em meio do virgiliano vale de Colares existe esta quinta que conserva todo o perfume das nossas antigas casas fidalgas.
Deve grande parte do seu encanto à feliz e já rara circunstância de estar ainda na posse da nobre familia que em tempos idos a construiu e que é hoje representada pela sr.ª D. Maria José Dick Bandeira Nobre, actual proprietária da Quinta do Vinagre onde sempre residiu.
São de aspecto senhorial o portão de entrada e o grande pátio assombreado por seculares plátanos que todos os anos pelo Outono, enchem o chão e recobrem o tanque dos leões com a mancha doiradas das suas folhas perdidas. Algumas salas ainda agora iluminadas pela frágil graça de antigos lustres de Veneza que pendem de tectos lindamente desenhados no puro estilo rococó. Animada foi outrora esta quinta, principalmente no séc.XVIII, quando a sociedade galante da côrte - e não raro a própria Magestade - aqui vinham em alegre divertimento pelas tarde de estio para gozar a beleza bucólica destas paragens.

Revista "Ilustração" nº70 de 16 de Novembro de 1928


-História do imóvel
O Palacete onde existiu o Preventório de Colares, foi construído no século XVI por D.Fernando Coutinho, Bispo de Silves pertenceu até princípios do século XX a D.Maria José Dik Bandeira Nobre, veio a ser adquirido mais tarde pelo Conde de Mafra que o vendeu à familia Schumberger.Hoje denomina-se Quinta do Vinagre
 

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