segunda-feira, agosto 01, 2016

Sobre a Escola Industrial e Comercial de Sintra (reedição)

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Pintura mural executada por António Soares em 1964, sobre um painel fixo à parede, no hall da Escola Ferreira Dias (ex.Escola Industrial e Comercial de Sintra). Encontra-se profundamente integrada na arquitectura da escola e no espírito da época.(fotomontagem RiodasMaçãs)

Sobre os 40 anos das Escolas Gama Barros e Ferreira Dias
O Decreto n.º 457 de 28 de Outubro de 1971 separou a Escola Industrial e Comercial de Sintra em duas escolas: a Escola Industrial Ferreira Dias e a Escola Comercial Gama Barros.
Sendo esta efeméride um marco importante no sistema escolar do Concelho de Sintra e porque o tronco principal da estrutura escolar da agora cidade de Agualva-Cacém, foi a antiga Escola Industrial e Comercial de Sintra – reeditamos um post publicado em 8 de Abril de 2008, com um pequeno historial da antiga Escola – e que de certo modo, pelos vários comentários ali deixados, tem sido um local de encontro de ex-alunos.

A Escola Industrial e Comercial de Sintra -Notas históricas

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Foto:a” Escola Velha”

Decorria o ano de 1959, quando o Concelho de Sintra teve a sua primeira escola Industrial e Comercial, ela visava o ensino Técnico como alternativa ao ensino liceal ministrado em Sintra no antigo liceu (Casino hoje Museu de arte Moderna), e também em Queluz. A Escola Industrial e Comercial de Sintra foi criada pelo Decreto-Lei n.º 42.368 de 4 de Julho de 1959 e veio a ser construída em Agualva-Cacém.

A Escola Técnica do Cacém, construída inicialmente num edifício inestético e pouco funcional, obrigou em 1963, devido ao aumento da população escolar, à construção de um novo e moderno estabelecimento no terreno adjacente - as instalações actuais da Escola Secundária Ferreira Dias. Photobucket

Foto: a “Escola Nova”





Na Escola Industrial e Comercial de Sintra foram criados os seguintes cursos: Ciclo Preparatório do Ensino Técnico; Curso Geral do Comércio; Curso de Formação Feminina; Curso de Formação de Serralheiro; Curso de Formação de Montador Electricista e três cursos em regime de aperfeiçoamento: Curso Geral de Comércio; Curso de Formação de Serralheiro e Curso de Formação de Montador Electricista, anos mais tarde a Secção Preparatória para o Instituto Comercial.

A população escolar* aumentou rapidamente. De 201 alunos, 7 turmas e 9 professores, no ano lectivo de 1959/60, passou para 4312 alunos, 137 turmas e 180 professores, no ano lectivo de 1967/68, atingindo o número recorde em Portugal, na década de 70, de 6000 alunos, tendo este número vindo a diminuir, gradualmente, nos últimos anos.Photobucket
Demonstração de ginástica em 1968






A população escolar desta nova escola no Concelho de Sintra era oriunda de todo o Concelho, e todos dias os jovens estudantes (10/11 anos, para o 1º ano do Ciclo preparatório), levantavam-se de madrugada dos limitrofes do Concelho - Pero Pinheiro, Vila verde, e mesmo de zonas do Concelho de Mafra, para se deslocarem durante várias horas nos poucos transportes colectivos que nos anos sessenta existiam,(autocarros e o comboio) para o Cacém, perdendo várias horas na ida e volta às suas casas ao fim do dia.
Em 2008, este cenário parece inacreditável , mas era assim, Portugal há 50 anos.
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Memórias da Escola- Carteira em plástico com logotipo, e cartões de identificação de aluno e da Mocidade Portuguesa





O ensino técnico, criado nessa altura, como alternativa ao ensino liceal, tinha em vista formar profissionais em diversas áreas, preparando-os para enfrentar o mercado de emprego. O denominado ensino técnico tinha também uma carga socialmente discriminatória, porque inevitavelmente as classes menos favorecidas economicamente colocavam os seus filhos no ensino técnico, enquanto a classe média/alta escolhia a via liceal , com o objectivo do acesso ao ensino superior.
Já não mencionando o facto de no ensino técnico existir fardamento , para rapazes - fato de macaco de ganga, e para as raparigas batas com diversas cores conforme o curso que frequentavam, coisa que não acontecia no ensino liceal.


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Memórias da Escola-Capa de Caderno

O Decreto n.º 457 de 28 de Outubro de 1971 separou a Escola Industrial e Comercial de Sintra em duas escolas: a Escola Industrial Ferreira Dias e a Escola Comercial Gama Barros. Estas escolas funcionaram no mesmo edifício enquanto a Escola Gama Barros não possuiu instalações próprias.

O processo de separação das instalações das escolas foi demorado, só se tornando definitivo em 1 Outubro de 1985.



*Dados que constam no livro "DEZ ANOS DE ACTIVIDADE DA ESCOLA INDUSTRIAL E COMERCIAL DE SINTRA"
(Publicação comemorativa do 10.º aniversário da E.I.C.S.)

Notas:
Fonte consultada:Site da Escola Secundária Ferreira Dias (Cacém)
Fotos: Escola Velha e Escola Nova-(Site Escola Ferreira Dias)

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