domingo, fevereiro 12, 2017

Praia e o rio das Maçãs ao longo do tempo

"Corre este rio, que nasce no termo de Cintra, no logar de Lourel, de nascente para poente, e recebendo as aguas que se despenham do alto da serra. e de dois riachos que lhe entram, um junto á quinta da Breja, e outro junto ao tanque da varzea da mesma villa, depois de haver feito mover varias azenhas, e fertilizando os pomares que ficam nas suas margens, com as suas aguas ( as quaes usavam por distribuição do almoxarife, sem pensão, os povos d'esta villa), tomando o nome de Gallamares deste sítio de Ponte Redonda. à Varzea, e d'esta até ao Oceano o de rio das Maçãs, vae aí morrer na praia denominada das Maçãs"

In Cintra Pinturesca/Memoria Descritiva das Villas de Cintra e Collares e seus arredores/Antonio A.R. da Cunha/1905
A foz do rio da Maçãs e o braço de mar que terá chegado a Galamares, criando em Colares um porto de mar num antigo mapa (Séc.XV?), apresentado no dia 13 de Novembro de 2016 no Salão Nobre da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Colares, durante o colóquio: "Colares- Uma evocação histórica".

"As fonte Árabes, tais como as portuguesas até ao séc XVI. evidenciam a importância que então detinha na região, o denominado Rio de Colares ou das Maçãs. Sabe-se hoje que. na Antiguidade, existia um esteiro navegável que ocupava todo o vale entre a actual Praia das Maçãs e o Banzão. No período islâmico tal esteiro não estava ainda completamente assoreado, pois em Colares encontrámos silos dessa época que continham numerosas conchas de moluscos que apenas vivem em águas salobras e relativamente paradas. Alias, o profundo e rápido assoreamento da costa portuguesa a meio da respectiva fachada Atlântica é um fenómeno que sobrevem apenas a partir do séc.XV, como está já largamento estudado e comprovado. A foz do Rio de Colares e o esteiro que a continuava e ligava ao mar, formavam então uma enseada que proporcionava à nossa região um verdadeiro porto e lhe estreitava os laços quotidianos com o Oceano, de uma forma que hoje nos custa a compreender privados que estamos, desde há séculos, dessa estrada natural de penetração."
Em "O Foral Afonsino de Sintra" de José Cardim Ribeiro, Director do MASMO


Aguarela de Roque Gameiro (1864-1934), com uma imagem do percurso do Rio das Maçãs junto à foz.

Postal antigo (não datado) com o curso do rio da Maçãs a dividir o areal da Praia das Maçãs
Num postal antigo ( não datado), o curso do rio das Maçãs já como conhecemos nos nossos dias
"(...) Descendo a costa, encontramos o Rio das Maçãs, cujos afluentes da margem direita drenam a vertente Sul do citado planalto.(planalto de S.João das Lampas)

O Rio das Maçãs é o mais importante curso de água desta vertente.Nasce no Castanheiro, a cerca de 200 m. de altitude, passa em S.Romão, depois em Lourel, tomando o nome desse povoado até à ponte Redonda, para depois ser conhecido com o nome de Ribeira de Galamares, até à várzea de Colares.
.Nesta secção descreve um largo meandro envolvendo o Vinagre e, retomando a direcção dominante SE-NW. passa a denominar-se Rio das Maçãs, embocando no oceano na praia assim chamada.
(...)
O Rio das Maçãs, com cerca de 13,5 Km. de extensão, recebe pela margem direita alguns afluentes vindos dos contrafortes  do planalto de S.João das Lampas, como as ribeiras de Janas,Mucifal, Morelinho, Carrascal e Cabriz.
Pela margem esquerda, muito abrupta recebe as ribeiras do Covão, Colares,Monserrate e a do Duche, ou Rio do Porto, que corre num apertado vale de fractura onde se nota  uma interessante inversão estratigráfica.(...)" 
em "Sintra e o seu Termo" de José de Oliveira Boléo,1940

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