quarta-feira, maio 25, 2011

Ventos de Espanha II (post solidário) com Actualização

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Desde a última sexta-feira o Rossio, encontra-se ocupado por uma manifestação solidária com os milhares de espanhóis que se encontram em várias praças do país vizinho, contestando um sistema politico que não tem em conta os problemas dos jovens, dos desempregados e dos mais velhos - sistema que por cá tem os mesmo vícios e a mesma falta de soluções - há seis dias, o Rossio encontra-se ocupado com manifestantes, que todos os dias tem debatido em assembleia os seus problemas e discutido a continuidade da manifestação.

Transcrevemos a resolução obtida na assembleia de protesto de hoje:

"De novo a Praça do Rossio esteve cheia de manifestantes reunidos em mais uma assembleia de um protesto que leva já seis dias de continuação, sem interrupções. Foi mais de uma centena de pessoas que decidiu hoje prolongar o protesto por mais um dia, até à nova reunião, amanhã, pelas 19 horas, no centro da praça do Rossio. Convidamos-te a aparecer, a participar e a divulgar o acampamento do Rossio. Se não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir! O protesto continua, por toda a Europa também."
Texto encontrado aqui


Vídeo de Luís Galrão

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1º Manifesto do Rossio

Este Manifesto encontra-se em processo de elaboração e aberto a propostas. Não é um documento definitivo.

1º Manifesto do Rossio

Os manifestantes, reunidos na Praça do Rossio, conscientes de que esta é uma acção em marcha e de resistência, acordaram declarar o seguinte:

Nós, cidadãos e cidadãs, mulheres e homens, trabalhadores, trabalhadoras, migrantes, estudantes, pessoas desempregadas, reformadas, unidas pela indignação perante a situação política e social sufocante que nos recusamos a aceitar como inevitável, ocupámos as nossas ruas. Juntamo-nos assim àqueles que pelo mundo fora lutam hoje pelos seus direitos frente à opressão constante do sistema económico-financeiro vigente.

De Reiquiavique ao Cairo, de Wisconsin a Madrid, uma onda popular varre o mundo. Sobre ela, o silêncio e a desinformação da comunicação social, que não questiona as injustiças permanentes em todos os países, mas apenas proclama serem inevitáveis a austeridade, o fim dos direitos, o funeral da democracia.

A democracia real não existirá enquanto o mundo for gerido por uma ditadura financeira. O resgate assinado nas nossas costas com o FMI e UE sequestrou a democracia e as nossas vidas. Nos países em que intervém por todo o mundo, o FMI leva a quedas brutais da esperança média de vida. O FMI mata! Só podemos rejeitá-lo. Rejeitamos que nos cortem salários, pensões e apoios, enquanto os culpados desta crise são poupados e recapitalizados. Porque é que temos de escolher viver entre desemprego e precariedade? Porque é que nos querem tirar os serviços públicos, roubando-nos, através de privatizações, aquilo que pagámos a vida toda? Respondemos que não. Defendemos a retirada do plano da troika. A exemplo de outros países pelo mundo fora, como a Islândia, não aceitaremos hipotecar o presente e o futuro por uma dívida que não é nossa.

Recusamos aceitar o roubo de horizontes para o nosso futuro. Pretendemos assumir o controlo das nossas vidas e intervir efectivamente em todos os processos da vida política, social e económica. Estamos a fazê-lo, hoje, nas assembleias populares reunidas. Apelamos a todas as pessoas que se juntem, nas ruas, nas praças, em cada esquina, sob a sombra de cada estátua, para que, unidas e unidos, possamos mudar de vez as regras viciadas deste jogo.

Isto é só o início. As ruas são nossas.


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2 comentários:

Anónimo disse...

Pedro, a minha admiração, pela coragem que assume em publicar estes "posts solidários".
emília reis

pedro macieira disse...

Emília,
È necessário não ficar à espera que o tecto nos caia em cima- há agora problemas novos que requerem soluções novas.
Espanha, hoje na Grécia e por cá, surgiu um movimento de protesto de tipo novo que terá de alastrar por esta "nossa" europa, de forma a colocar os burocratas de Bruxelas na ordem (ou melhor fora dela!)
Um abraço
Ps:Parece segundo a WiKipédia, que o Presidente da Comissão Europeia é um tal José Manuel Barroso...é que ninguém dá por ele!