sábado, fevereiro 02, 2013

Porque hoje é Sábado...

Tronco30012013Blogue

 Poema da Solidão I

Nem aqui nem ali: em parte alguma.
Não é este ou aquele o meu lugar.
Desço à praia, mergulho as mãos no mar,
mas do mar, nos meus dedos, fica a espuma.

Meu jardim, minha cerca, meu pomar.
Perpassa a Ideia e mói, como verruma.
Falar mas para quê? Só por falar?
Já nada quer dizer coisa nenhuma.

Os instintos à solta, como feras,
e eu a pensar em velhas primaveras,
no antigo sortilégio das palavras.

Agora é tudo igual, prazer e dor,
e a tua sementeira não dá flor,
ó triste solidão que as almas lavras.

(...)

Fernanda de Castro, in "E Eu, Saudosa, Saudosa"


*Foto Praia das Maçãs 30/01/2013

1 comentário:

Graça Sampaio disse...

Que lindo! Não conhecia e é lindo! Obrigada.

Bom fim de semana