segunda-feira, outubro 07, 2013

Falcoaria no Palácio de Queluz

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 A Parques de Sintra disponibiliza, de terça a domingo, às 12h, nos jardins do Palácio de Queluz, exibições de falcoaria, num programa que inclui também a visita guiada às instalações das aves, bem como à nova exposição sobre falcoaria.
Pretende-se, com o projeto, recuperar e dar a conhecer uma arte que teve grande expressão na segunda metade do século XVIII, nomeadamente no Palácio de Queluz, altura em que a Casa Real detinha os falcões de caça mais raros e cobiçados (algumas das aves eram trazidas de lugares longínquos, como os presentes de luxo oferecidos pelos reis da Dinamarca ou pelo Grão-mestre da Ordem de Malta).

Sobre a falcoaria
A falcoaria, ou cetraria, consiste na arte de adestrar e caçar com aves de presa. O mais antigo testemunho desta prática é um baixo-relevo encontrado nas ruínas de Khorsabad, na antiga Mesopotâmia, datado do ano 1.400 a.C. Do seu berço asiático inicial, a falcoaria expandiu-se para oriente com as invasões mongólicas e foi introduzida na China, de onde chegam as primeiras notícias escritas sobre a sua prática no século VII antes da era cristã. A sua introdução no Ocidente deu-se em período mais tardio. Na Península Ibérica foi introduzida pelos Suevos e Visigodos, muito antes da fundação de Portugal.
A falcoaria gozou sempre de um estatuto de modalidade de caça nobre e, nesse sentido, manteve-se apanágio das casas reais, não como forma de obtenção de alimento mas como entretenimento, tendo evoluído para uma atividade complexa e sofisticada, que lhe conferiu o estatuto de arte.
Em 2010 a UNESCO reconheceu a riqueza do legado histórico e artístico da falcoaria, registando-a na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade.
As aves de rapina formam um grupo muito biodiverso e estão representadas em Portugal por cerca de 30 espécies diferentes. Têm uma longevidade que pode variar entre os 15 e os 50 anos, consoante a espécie, e um peso que pode oscilar entre 150 gramas do pequeno falcão-peneireiro e os 6 kilos da águia-real. Em regra, os falcões são caçadores que se alimentam de vertebrados de sangue quente, sobretudo outras aves, mas existem algumas rapinas com dietas muito especializadas, incluindo a pesca e hábitos necrófagos. As rapinas são consideradas um bom indicador da qualidade e vitalidade dos ecossistemas, gozando de estatuto de proteção integral.


Apenas um reduzido número de espécies é utilizado na prática da falcoaria, sendo conhecidas como “aves nobres”. Apesar do seu ar poderoso, uma vez adestradas não representam qualquer perigo para o Homem, devendo, no entanto, ser manuseadas com precaução utilizando luvas de cabedal. A utilização de falcões na caça reproduz um ato natural de predação, não causa abates massivos, não compromete o equilíbrio natural das espécies, pelo que a falcoaria é considerada uma forma de caça sustentável e ecológica.

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A Falcoaria do Palácio de Queluz
Atualmente os falcões e restantes aves de rapina no Palácio de Queluz encontram-se alojados nas antigas jaulas dos Jardins, perto do Canal de Azulejos e da Escadaria Robillion. Este local, que em tempos albergou algumas espécies exóticas, sofreu agora alterações para receber as aves com todo o conforto.
Esta zona constituiu desde sempre um polo lúdico bastante importante onde se edificaram vários espaços vocacionados para o ócio e o entretenimento. Nas jaulas, construídas em 1822 sob o Terraço do Pavilhão Robillion e ladeando a Cascata das Conchas, ainda sobreviviam em 1833, durante o período sangrento das lutas liberais, duas leoas, dois tigres e alguns macacos, testemunho de um gosto pelo exótico que, em diferentes níveis, sempre existiu em Queluz.
Antes da Partida da Família Real para o Brasil, na totalidade das Reais Quintas de Queluz, situadas nas envolvências do Palácio, existiam búfalos, corsas, gamos, veados, carneiros e cabras de Angola, entre outras espécies animais mais vulgares. Nos numerosos lagos dos jardins vivia uma população de 183 cisnes brancos e pretos, para além das pombas, canários, catatuas e águias que a Rainha Carlota Joaquina e as Infantas suas filhas possuíam em gaiolas e viveiros.
*Texto  da PSML adaptado 
 


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