Palácio da Pena a galinha dos ovos de oiro dos "Parques de Sintra Monte da Lua"

Recorrendo a um estudo de Alexandre Garcia da Fonseca, “O Palácio da Pena –Turismo Cultural num Palácio Nacional”,verifica-se que “só em 1999, a transferência para a Misericórdia ascendeu ao 49 mil contos(operações de tesouraria constantes nas rubricas 06.03 dos Orçamentos de Receitas-IPPAR,1999-2000, referente aos dois monumentos).”
Durante 90 (noventa) anos, a Misericórdia de Sintra recebeu 25% das receitas dos Palácios,até 1999 quando foi suspensa essa tranferência por ter sido considerado que sendo a Misericórdia ,uma IPSS, Instituição particular de solidariedade social, a legislação actual determinar que os apoios do estado só poderiam ser concedidos através de acordos.

O actual Provedor da Misericórdia de Sintra, Lacerda Tavares, que processou o Estado Português para recuperar 25% das receitas dos Palácios é simultâneamente vereador da CMS, eleito nas listas do PSD, e também representante da autarquia na Administração dos Parque Sintra Monte da Lua, que gere os Palácios e os Parques de Monserrate, e da Pena.

O Palácio da Pena, é um dos monumentos mais visitados e portanto com maior receita, perto de 1,3 milhões de euros de receita,em 2006 (bilheteira, lojas e eventos) valor que ultrapassa o milhão de euros do Palácio Nacional de Sintra ,com 391 mil visitantes, contra 382 mil na Pena.
Os preços dos bilhetes e os interesses da Misericórdia de Sintra
Estando o preço dos acessos ao Palácio da Pena e ao Palácio da Vila , já com preços bastante elevados ,tendo em conta que o salário mínimo em Portugal ,(423 Euros), é um dos mais baixos da Europa ,os portugueses tem um preço de acesso a monumentos nacionais, a um preço superior do que pagam os alemães, os franceses e os italianos por exemplo, para acesso aos seus monumentos e museus.
A pretensão da Misericórdia de pretender continuar a usufruir de 25% das Receitas dos Palácios para financiar a sua instituição particular, parece-me escandalosa - verbas, que afinal continuariam a ser pagas por todos os visitantes de um Património que todos deveriam ter acesso por um preço acessível, ao contrário de que hoje acontece.
-José Cardim Ribeiro(Comissário da Candidatura de Sintra a Património Mundial ( Jornal "Público" 22 de Abril de 2007)
"Actualmente, Paisagem Cultural de Sintra e sintrenses estão de costas viradas uns para os outros, podendo mesmo dizer-se que existe por parte da população uma certa antipatia por aquilo que é hoje, na realidade ,a PCS* (é obvio que a gratuitidade das manhãs de domingo, nos monumentos e parques geridos pela PSML, iniciativa meramente simbólica, em nada altera a lamentável situação subsistente).Permanecem, no âmbito da PCS, espaços que os sintrenses sempre consideraram públicos e como seus:o mais importante, neste aspecto, é o Castelo dos Mouros, que efectivamente deveria ser de novo- como sempre ao longo dos séculos-franqueado à população sintrense"*PCS –Paisagem Cultural de Sintra
"Actualmente, Paisagem Cultural de Sintra e sintrenses estão de costas viradas uns para os outros, podendo mesmo dizer-se que existe por parte da população uma certa antipatia por aquilo que é hoje, na realidade ,a PCS* (é obvio que a gratuitidade das manhãs de domingo, nos monumentos e parques geridos pela PSML, iniciativa meramente simbólica, em nada altera a lamentável situação subsistente).Permanecem, no âmbito da PCS, espaços que os sintrenses sempre consideraram públicos e como seus:o mais importante, neste aspecto, é o Castelo dos Mouros, que efectivamente deveria ser de novo- como sempre ao longo dos séculos-franqueado à população sintrense"*PCS –Paisagem Cultural de Sintra
-Também o Director do palácio da Pena José Manuel Carneiro afirmou ao Jornal "Público" de 12/02/2007, que “ a receita do palácio é importante para juntar à receita do parque, porque aumenta a capacidade do Monte da lua para reabilitar a serra”,e adianta que "desde Abril de 2006 que voltaram a ser entregues ao IPPAR as verbas dos bilhetes de acesso ao palácio, depois de não terem sido transferidos durante dois anos, para ajudar na recuperação das coberturas e fachadas do Palácio de Monserrate.”
Comentários
Segundo parece, e atendendo aos dados que aqui nos faz chegar, a haverá também incongruências nas normas aplicáveis, as quais importa corrigir... Todavia, tal como o Pedro parece-me que a pretensão da Misericordia é bastante questionável, e melhor seria que as instituições se entendessem sem processos nem descrédito mútuo...
Rui Silva
-Algumas particularidades são interessantes de se observar,além da mencionada sobre a Misericórdia de Sintra; é o contínuo fluxo de visitas gratuítas durante 1973-1983 e que incluía entidades tão diferenciadas como a Obra Social da Fragata D.Fernando, a Mocidade Portuguesa Feminina, a junta Nacional do Azeite ou a voz do Operário,Liceu D.Leonor. o Ministério da Marinha, O Arsenal do Alfeite, o Corpo Nacional de Escutas, a Juventude Operária Católica, o Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo,Escola Comercial Ferreira Borges, a École Française de Lisbonne entre outras .”
E ainda baseando-me no estudo de Alexandre da Fonseca que:
O número de visitas gratuítas manteve-se " estável entre 1973-1983"
Actualmente sendo outros os tempos,e a tutela,será que existe alguma lista de instituições que visitam à borla, os monumentos sintrense?
Pois é uma questão que tentarei indagar.
Pois parece-me que estas questões devem ser transparentes,e menos "conflituosas" do que os cargos do vereador...de forma a perceber como são geridas as receitas obtidas através de um património Nacional.
Um abraço