sexta-feira, agosto 20, 2010

Reordenamento da rede escolar, fecha 701 escolas do 1ºCiclo

O Ministério da Educação (ME) divulgou ontem a lista de 701 escolas do 1.º ciclo com menos de 21 alunos que já não abrem em Setembro. A lista final mostra que há concelhos que ficam reduzidos a uma escola. Nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo (2) e do Algarve (1) fecham mais escolas do que inicialmente previsto, ao contrário do Centro, que mantém mais três escolas. No concelho de Sintra fecham 9 escolas.

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As maiores críticas incidem no facto da lista ser divulgada a menos de um mês do início das aulas - espaço curto para a autarquias e os pais das crianças se adaptarem a esta nova situação.

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A escola básica do 1º Ciclo de Morelinho com jardim de infância que também irá fechar a partir do ano lectivo 2010/2011,como consequência do reordenamento da rede escolar.

14 comentários:

Anónimo disse...

Deram cabo se tudo: agricultura, marinha mercante, frota de pesca, indústria e agora fecham as lindas escolas do Dr Salazar.

Uma choldra.

Anónimo disse...

A Sala de Aula do Estado Novo:
http://www.alvarovelho.net/index.php?option=com_content&view=article&id=731%3Aa-sala-de-aula-do-estado-novo&showall=1
Tudo era feito com um propósito que felizmente mudou!

Carlos Portugal disse...

Caro Anónimo:
No caso em questão, mudar para o NADA não é decerto motivo de felicidade... Aliás, como já tenho alguns anos em cima, posso comparar o Estado Novo com a actualidade e digo-lhe, com «democracias» destas, quem precisa de ditaduras? É que, se antigamente havia uma doutrinação nacionalista e uma polícia política, hoje há uma doutrinação globalista, do mais imbecil e estupidificantemente possível, e não uma - mas várias polícias políticas, que nos esmagam paulatinamente cada uma das liberdades que nos restam, numa opressão que não tem paralelo com a do Estado Novo; é diferente, mas infinitamente pior, porque mais insidiosa, abrangente e odiosa...

E ao «reordenamento da rede escolar» bem se poderia chamar «extinção do ensino» em Portugal. E viva a iletracia, parecem dizer os desgovernantes que temos...

O Temporae! O Mores!

Fatyly disse...

Sabes Pedro, tenho uma opinião bem diferente, até porque senti isso com a minha filha mais velha. Andava numa com 20/25 alunos e a mesma professora para a ainda 1ª classe até à 4ª.classe. Era péssimo pois enquanto ela fazia os trabalhos da 1ª.classe captava tudo da 2ª, enquanto outros com mais dificuldades tinham mais atenção da pobre coitada da professora que saia exausta. No ano em que passou para a 3ª classe mudei-a para outra onde cada ano era dado por uma professora. Tudo isto há cerca de 15 anos numa altura em o Ministério da Educção andava em "experiências".

Não se pode ter uma escola em cada esquina e juntar os alunos e aproveitar melhor os professores é uma medida correcta. Pode ser incomódo para os pais fazem mais uns metros, mas é uma mais valia para os garotos, que confinados a um espaço reduzido e 100% de (des)atenção quando saltam para o 5º ano ficam completamente perdidos e sem defesas para todo o género.
Estarei enganada? julgo que não, embora possa haver um ou outro caso que fiquei realmente ou demasiado longe.

A mesma questão se pôs com as maternidades de todo o país (recordo ainda o Hospital de Sintra) e qual é o saldo actual mesmo que algum nasça numa ambulância? 99,9% POSITIVO .

Mais te digo e isto de fonte limpa: a lista podia ter sido divulgada a menos de um mês do inicio das aulas mas por parte da escola-aos pais...talvez para criar conflitos com ME, porque foi entregue muito antes e a maioria dos pais já sabiam, já que se refila muito antes de saber se o que é implementado é melhor ou pior.
Aqui o ano passado fecharam 5 e integrados noutras 4 e refilisse qb...mas hoje tremendamente satisfeitos.

Caínhas disse...

Que desperdício!
Realmente estes des-Governos, fazem o que querem e sobras-lhes tempo, e nós ficamos a ver sem nada poder fazer, completamente manietados.
Quem manda é Bruxelas!
Têm que gastar menos, mas não é nos automóveis de luxo, nos gabinetes sumptuosos, nem nos charutos, e outros bens sumptuários, pagos com os nossos descontos!
Eu vi nascer esta escola de Morelinho, vi o canteiro Sr. Agostinho Plecas, arrancar as pedras da pedreira, e trabalhá-las para fazer as cantarias.
Foi o meu cunhado Augusto Paulo Jordão que foi o mestre de obras, adjudicatário dessa e de outras escolas que ele fez por essa altura. Não sei a data ao certo mas terão sido construídas nos fins dos anos 50 princípios de 60 do Século passado.

Anónimo disse...

Uma coisa são os edifícios, outra o ensino.
Fiz o liceu todo antes do 25 de Abril.
Minha filha acabou um Mestrado agora e, desde que entrou para a escola (sempre em escolas públicas), acompanhei o estudo (reaprendi tmb doutra forma, foram-lhe dados meios para perceber o porquê e para pensar).
Uns aproveitam outros não, mas que há incentivos para aprender há, o que nunca encontrei no meu tempo!

Anónimo disse...

assinatura do post das 7:53:
Anónimo das 12:30

Carlos Portugal disse...

Caro Anónimo das 12:30:

Não sei bem de que incentivos fala... Na verdade, os meus pais eram professores (do Secundário e do Universitário), e fui professor também durante vários anos, após ter concluído o IST. E aquilo a que tenho vindo a assistir é uma degradação tresloucada do ensino, tanto em quantidade como - sobretudo - em qualidade. E as noções totalmente erradas que se tentam agora incutir nos alunos na área das ciências! Asneiras de palmatória, ao sabor das imbecilidades pseudo-ecológicas e pseudo-modernas!

Pois é, no meu tempo, o incentivo chamava-se Quadro de Honra, e a possibilidade de dispensar dos exames finais... Fui sempre um aluno desses, e o ensino era - apesar das suas deficiências - voltado para a excelência e não para premiar a mediocridade, como hoje acontece. E era exigente.

Ah, pois é, mas estes «modernos rapazes» não gostam de mentes esclarecidas, mas apenas daquelas que vogam quase exclusivamente num nevoeiro acrítico de conceitos desconexos, e portanto facilmente manipuláveis...

Boas noites.

Fatyly disse...

O que eu disse...é quanto ao enquadramento dos alunos com um só professor...mas esqueci-me de dizer que sempre houve, há e haverá BONS E MAUS professores e pergunto-me muitas vezes: porque é que uns conseguem que os alunos o respeitem e aprendam tudo que lhes é transmitido e outros não? Porque há turmas que são excelentes alunos em matemática por exemplo e outros são o que são?

Há grandes lacunas nas implementações no ensino, mas também há que tenha optado ser professor por ser a única via de trabalho, isto há anos e anos e que se vai agravando cada vez mais.

Para ser professor é preciso ter arte, amar o que faz e mesmo seguindo as "normas disparatadas do ME" não deixa de dar o que tem de dar e dar bem e melhor!

Não estou a defender a aberração do PS mas os sindicatos dos professores para mim...são a maior nódoa deste país e defendem os verdadeiros interesses e direitos dos professores ou destabilizam? Há quantos anos não lecionam? Conhecerão bem o dia-a-dia da escola? DUVIDO e sinceramente não acredito!!! Depois desapareceu a figura do Director (já voltou) e mesmo na ausênia deste quem tomava conta de uma escola problemática ou não teria capacidade para o fazer? Muitos? DUVIDO!!!

A culpa do ensino está como está não é só culpa do ME e escolas e professores, mas 80% é dos pais que se demitiram do cargo que têm por OBRIGAÇÃO: serem os educadores dos filhos e acompanhá-los em TUDO, mas não... e delegam tudo, até as más educações do menino-quer-tudo na escola. Depois é psicólogos para tudo e se for preciso dar uma palmada, e dei imensas às filhas dava e ai do psicólogo que me viesse com tretas! Não admitia falta de educações na escola para com TODO o pessoal docente e mal sabia de alguma...havia arroz queimado.
Os pais de hoje parece que aboliram do dicionário a palavra NÃO e enfim...já disse o que acho. Há erros, há falhas mas a maior falha é dos pais e da sociedade civil que se marimba para as reuniões de pais, avisos da escola e depois queixam-se!
Conforme diz "Anónimo das 7.53":

"(...)acompanhei o estudo (reaprendi tmb doutra forma, foram-lhe dados meios para perceber o porquê e para pensar).
Uns aproveitam outros não, mas que há incentivos para aprender há, o que nunca encontrei no meu tempo!"

Os edíficios/escolas maiores que sejam melhores, mas para isso há que encaminhar todos os recursos que se perdem em "escolas de 20 alunos" e que estes sejam aproveitados por exemplo em ATLs para aqueles cujos pais chegam muito mais tarde e os garotos possam dar asas ás suas energias nem que seja...jogar à bola!

pedro macieira disse...

Uma notícia de hoje no D.N online, levanta mais algumas questões sobre este reordenamento da rede escolar:

"ME só dá 300 euros por cada aluno deslocado das 701 primárias que vão fechar. Autarcas garantem que acordo era pagar tudo

A Associação Nacional de Municípios (ANMP) avisou ontem que as autarquias "não têm condições" para pagar do próprio bolso os encargos adicionais com o transporte de alunos transferidos das escolas do 1.º ciclo agora fechadas. Em causa estará uma diferença de vários milhões de euros entre o custo real e o que o Governo quer dar.

Questionado pelo DN sobre o custo dos transportes associado ao fecho de escolas, o Ministério da Educação disse que estes são "uma responsabilidade das autarquias", que o Governo comparticipa "com 300 euros por criança/ ano". Para os cofres do Estado, tendo em conta que está prevista a deslocação de 10 mil crianças de 701 escolas a fechar, isto implicará gastos adicionais de três milhões de euros. Mas o próprio ministério não quis avançar uma projecção dos custos reais da operação, remetendo essas contas para os municípios.(...)"

http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1644894

Esta questão "técnica", parece contradizer o que o ME afirmou que estava tudo tratado em seu devido tempo...

Anónimo disse...

"Este Povo não se governa, nem se deixa governar", disse o tal general romano.
E, o mais grave é o Futuro dos nossos filhos e netos.
Ao menos passemos, todos, um bom fim de semana.

pedro macieira disse...

Em comunicado a CDU-Colares, contesta o encerramento da Escola da Azoia e considera que "na concentração de alunos prevista, o transporte dos mesmos deverá ser devidamente assegurado e que as Escolas encerrada na freguesia sejam requalificadas para outras funções educativas ou de cariz social."

Carlos Portugal disse...

Caro Pedro:
Não sou da CDU (nem de nenhum partido, pois sou monárquico), mas concordo plenamente com a posição deles.

Contudo, a posição do M.E. parece-me mesmo a de tentar destruir o Ensino a todo o custo, já que o fecho das escolas, adaptação das existentes ao maior número de alunos e docentes e o transporte dos alunos ficará muito mais caro do que a sua manutenção, contrariando a desculpa da redução de custos.

A não ser que se queira, pura e simplesmente, prejudicar as populações. Se assim é, os políticos do M.E. têm conseguido alcançar plenamente os nefastos objectivos...

Cumprimentos.

Anónimo disse...

Caros, estou curioso para ver o fecho desta escola, existem outras que fecharam por "menos" e passaram a ficar a 20 e 30km das suas ex-localizações. Em zonas rurais em que o povo portugues para muitos sempre foi de outra categoria (camponios), mas esquecem-se que foi de onde vieram muitos dos nossos governantes...enfim.
Mas esta escola não irá fechar porque quem lá trabalha tem um bom "TACHO". A mulher do presidente da Camara de Lisboa....