sexta-feira, janeiro 02, 2015

Café Paris

Café Paris (2014) junto ao Palácio Nacional de Sintra na Vila Velha



O Café Paris, ao longo do tempo tem tido alguns problemas com a volumetria do seu imóvel e com várias ocupações do espaço público.


Em 21 de Julho de 1989,  conforme relata José Alfredo Costa Azevedo, sobre a esplanada do Café Paris:
"A Câmara ordenou que a esplanada  que Silva Carvalho (filho), tinha montado no alcatroado em frente ao estabelecimento fosse retirada".
Problemas com o afastamento de vasos da Câmara, para colocar mesas e cadeiras motivaram na época a intervenção da autarquia:
"E depois de tudo que leram, o panorama é este em 5 de Julho de 1989: todo o passeio está ocupado com mesas e os vasos de flores arrumados junto ao lancil" acrescentava José Alfredo.
.
Estes problemas de alargamento de espaço, não se limitam só ao espaço da esplanada, conforme é relatado por José Alfredo, nas suas Obras VI:
"Entre as varandas do Café Paris e o Hotel Central existe um espaço aberto que, embora pouco iluminado a rua do Arco, que era uma via escura, pois fica sob essas varandas. O proprietário do Café Paris (parece que é o dono da vila), prolongou a sua varanda até unir com a do Hotel Central e as pessoas que utilizam essa via pública têm que caminhar às apalpadelas".



O misterioso desaparecimento de parte do telhado do Café Paris

panorama2f.jpg
Antes e depois...
No telhado do Café Paris, existiu até 2010 uma pequena construção em madeira que era parte integrante da imagem do imóvel. Foi demolido e a sua não reconstrução é uma perda patrimonial dificil de se aceitar na zona histórica de Sintra.
TELHADO22.jpg
Em 2007  aconteceram obras no Hotel Central
TELHADO3.jpg

No final de 2014 embargo, após queixa da Alagamares de instalação exterior danificando a fachada do imóvel

HotelCentral_Alagamares.jpg
Foto Alagamares
"Alarmada com a alteração da fachada do Hotel Central, na Praça da República em Sintra, vem a Alagamares-Associação Cultural solicitar esclarecimentos sobre como foi possível a execução de tal obra em pleno Centro Histórico, zona integrada na área classificada como Património da Humanidade em 1995, e igualmente a menos de 50m de pelo menos dois monumentos classificados em Sintra, o Palácio da Vila e a igreja de São Martinho.
A instalação das estruturas metálicas, conforme fotos que se anexam é tão ou mais grave porquanto são fixadas/pregadas/aparafusadas em revestimentos azulejares antigos. Note-se que as fachadas do Hotel Central e Café Paris são dos pouquíssimos exemplos de fachadas totalmente azulejadas existentes em Sintra. No primeiro caso com o designado padrão “Ferradura”, e no segundo com um padrão vegetalista simples, ambos produzidos pela Fábrica Viúva Lamego nos finais do século XIX e início do século XX."
Ler mais aqui:
http://www.alagamares.com/contra-a-descaracterizacao-do-hotel-central-na-vila-de-sintra/
 O embargo

“A Câmara de Sintra embargou a montagem de uma estrutura metálica na fachada do Hotel Central, na sequência de protestos da associação cultural Alagamares contra a descaracterização do centro"
http://www.publico.pt/local/noticia/camara-de-sintra-embarga-montagem-de-estrutura-metalica-no-hotel-central-1680874



Créditos:
Obras completas de José Alfredo da Costa Azevedo -VI
Protesto da Alagamares :
http://www.alagamares.com/contra-a-descaracterizacao-do-hotel-central-na-vila-de-sintra/

7 comentários:

Fatyly disse...

E achas que resolverão alguma coisa? Quer o presidente anterior que tudo permitiu, quer este que para caçar votos vai na mesma onda...a coisa ficará em águas de bacalhau.

Olha o palacete do tal comendador...continua a desfigurar a paisagem e outras coisas mais.

Estarei errada?

pedro macieira disse...

Fatyly,
Este caso e o historial do Café Paris, é talvez o exemplo da impunidade que acontece com frequência por estes lados.Quanto ao embargo...é positivo, mas não é completamente seguro que pare a obra- lembro-metambém da mansão do comendador, em Colares -que teve múltiplos embargos camarários e até decisão do tribunal de implosão, e afinal continua a provocar ruído ambiental...Abraço e Bom Ano!

Carlos José dos Santos disse...

Caro Pedro, eu como já comentei noutro local (Fcb), não culpo o proprietário, alguém autorizou a obra, o Café Paris que também é do mesmo dono, tem uma estrutura idêntica, nunca houve ruído, porquê agora isto se o Hotel Central estava a cair de maduro, e este empresário o comprou e lhe pretende dar uma vida digna, mais digna ainda que aquela dos seus tempos aureos.
Quando eu era pequeno Sintra tinha um cognome; - A BELA ADORMECIDA, parece que é para continuar.
Há tanta coisa para fazer na Vila, façam guerra ao que há para recuperar, e está ao abandono.

pedro macieira disse...

Caínhas,
O Café Paris e o Hotel Central são a moldura de um lugar nobre de Sintra -lugar que (como saberá ainda melhor que eu) se está a transformar numa caótica sala de recepção para as multidões de turistas e um local de venda de postais e souvenirs. Local que tem que ser preservado pelo património edificado e pela sua história.Este caso da fachada do Hotel Central (que parece que terá sido autorizado pela CMS) - é mais uma situação no sentido que noutro tempo fez nascer o Hotel Tivoli,um monstro com quetemos de viver (aguardamos para ver o que vai acontecer ao vizinho Hotel Netto...)Os factos que relato no post, demonstra muito da impunidade que existe por estes lados por actos que lesam o espaço público e o património de todos nós.Outro exemplo o caso da Mansão do comendador de Colares, que foi ao longo dos anos construída, sob embargo pela autarquia e mesmo com decisão judicial de implosão, na área protegida do Parque Natural Sintra Cascais - e contínua 9 anos depois a provocar ruído ambiental na Serra de Sintra.
Abraço e obrigado pelo comentário.

Carlos José dos Santos disse...

Pedro amigo, Colares será diferente já que foi construido sem autorização e tem fugido às ordens do tribunal. Aqui existe uma autorização, que bem ou mal dada existe. Como muito bem diz esses milhares de turistas diários, têm que se confrontar, com imagens muito piores que esta, que como relembra e bem é porta estandarte o Hotel Netto. Mas há muito mais, eu ontem fiz um longo comentário, mas era tão longo que levou a fazer um corte cego de mais de metade.
Aí eu enumerei vários pontos negros que existem na Vila Velha. Ainda hoje fiquei chocado ao ter que me deslocar à Estefânea, dei de caras com o edifício/Quinta onde está o Parque Natural Sintra Cascais, lembrarmo-nos nós que foi corrido de lá o ex-proprietário, sucessivamente impedido de fazer fosse o que fosse, não podia nem pregar um prego, para agora estar lá um nojo de uma quinta onde as ervas e o capim crescem por todo o lado, arrazaram árvores, fizeram barracas de madeira, tiraram um portão antigo de madeira, por um em tubos de ferro, cada coisa pior que a outra, até que está dado ao abandono.
Prezo muito a sua pessoa, a sua verticalidade e honestidade, como um defensor das coisas de Sintra, se tiver oportunidade de passar por lá, faça umas fotos à quinta em frente do Gregório das Queijadas, na Estefânea, e denuncie essa nojeira, sim porque você tem eco nas suas afirmações, pode ser que pelo menos limpem aquilo já que o património antigo lesado e muito, está completamente perdido, e aqui ninguém veio a terreiro reclamar tamanha afronta.

pedro macieira disse...

Caínhas,
Obrigado pelo novo comentário.
O PNSC, tem sido aço longo dos anos uma entidade condicionada pelo poder do momento autárquico e governamental, na minha modesta opinião.O caso da Mansão do comendador que já referi e o caso da instalação pelo MAI em Agosto de 2013 de uma torre de 50 metros junto ao Farol do Cabo da Roca na área "protegida" do Parque Natural Sintra Cascais e o silêncio cúmplice desta entidade diz tudo da sua "competência"...
Quanto ao local da sede em Sintra, deixo um link para um post do blog de 2006, que tem uma imagem da placa identificadora do PNSC "grafitada" e assim continuou durante muito tempo -uma imagem vale mais que mil palavras.Abraço
http://riodasmacas.blogspot.pt/2006/10/os-25-anos-do-parque-natural-sintra.html

pedro macieira disse...

errata
"ao longo dos anos"