domingo, fevereiro 06, 2011

Plátanos e Podas (Actualizado)

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Depois do crime de lesa património arbóreo, no abate desnecessário de dois centenários Plátanos em frente à Adega Regional de Colares – e de dois plátanos abatidos, junto à Igreja de S.Sebastião, a empresa, contratada pela Estradas de Portugal, continua na sua tarefa de descaracterizar e amputar os Plátanos de Colares restantes, em intervenção que a Estradas de Portugal SA. denomina de podas.

Publico algumas fotos de ontem (Sábado), dos resultados já visíveis desta intervenção, iniciada em 13 de Dezembro de 2010.

Transcrevo também parte de um texto do Fernando Morais Gomes, publicado no blogue Café com Adoçante, que gostaria de ter sido eu a escrever:

"Solidários.com

A forma anémica e mortiça como a comunidade local reage a situações de ofensas ao património ,como o recente caso dos plátanos de Colares o demonstra,é paradigmática do que o português médio e urbano nos dias de hoje tende a ser. Nesse caso, não estando em causa os tratamentos fitossanitários que se imponham e que respeitem estritamente os relatórios técnicos produzidos (depois duma serra na mão é difícil ver até onde pode ir o entusiasmo do funcionário…) está em questão que património é também direito à imagem, aos som e aos cheiros, aos silêncios até, toda uma panóplia por vezes imaterial que estudos da UNESCO hoje já consagram. Colares são também os seus plátanos, há uma usucapião moral e emocional naquela imagem e naquele espaço cénico. Quando se está constipado não se corta a cabeça ao doente, trata-se,opera-se, não se marca a autópsia. Para já ,a Estradas de Portugal,com a assistência ao jogo distraída,marcou de penaltí.Só que não houve nenhuma falta…

A forma como a comunidade se comporta, casuisticamente e através de vozes que nem sempre se conseguem ouvir ou o fazem ingloriamente, quais gauleses rodeados de legiões romanas (mas sem poção mágica, infelizmente…) trás a terreiro a imagem daquilo em que se está a tornar a nossa sociedade urbana e descentrada (e para mais flagelada pela famigerada crise)(...)"

Ler texto integral- aqui

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Fotos de Sábado 5 de Fevereiro de 2011

Actualização (23H51m)
Pelo seu interesse voltamos a publicar a resposta dirigida a uma subscritora da petição "Em Defesa das Árvores de Sintra" que divulgámos em 28 de Janeiro de 2010, o Vice-Presidente da CMS, Marco Almeida com o Pelouro do Ambiente e Intervenção Local, respondia da seguinte forma, a uma reclamação acerca da intervenção dos serviços camarários relativamente a vários espaços verdes do município -resposta que publicamos parcialmente:

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Também como informação adicional um documento da CMS:

Paisagem Cultural de Sintra - Plano de Gestão

Ficha 30 - Regulamento para a intervenção em Árvores de Sintra


"(...) O corte e a poda de árvores reduzem-se ao minímo indispensável . O abate , em regra só deverá ocorrer depois da árvore ter atingido o termo da sua longevidade, isto é , quando começar a secar, definhar ou apresentar sintomas nítidos de decrepitude; as restantes situações deverão ser ponderadas, de acordo com o estipulado no regulamento e/ou legislação vigente. O regulamento aplica-se a qualquer intervenção que seja necessário em árvores que se insiram em zonas verde de uso público, zonas verde de protecção e enquadramento, estradas e arruamentos, praças e logradouros públicos .
Aplica-se ainda, em elementos similares que se situem em pátios, quintas e propriedades de carácter privado.
Visa aprotecção dos exemplares designados de interesse concelhio ou classificados pela Direcção- Geral de Florestas.
(...)
É com esta determinação que assumimos o presente Plano de Gestão e o submetemos à apreciação da UNESCO.

Sintra 24 de Janeiro de 2005

10 comentários:

Fatyly disse...

Quando se está constipado não se corta a cabeça ao doente, trata-se,opera-se, não se marca a autópsia. Para já ,a Estradas de Portugal,com a assistência ao jogo distraída,marcou de penaltí.Só que não houve nenhuma falta…
.........................

Como sabes tenho acompanhado as podas e tanto que protestei por mail no início das mesmas. Mas, eu que não percebo nada de podas, sei apenas o básico, verifiquei que todos os das fotos irão revestir-se de nova folhagem, porque ficaram com o que eu "chamo braços", bem ao contrário de vários que no início foi um desastre, são um desastre e nunca mais se tornarão nas árvores que era, já que só ficou apenas o tronco "básico" e que já mostraste noutras fotos, nomeadamente à saída da Várzea de Sintra a caminho de Gouveia.

Não vi "in loco" qualquer contestação contra o abate dos dois centenários em frente à Adega e só disse a um palerma que andava lá armado em Dr. que a máquina deveria virar-se contra o homem...e que aquele abate era crime por conveniência de outros interesses. Olhou para mim com cara de idiota, mas ouviu e calou-se!

Enfim...

Bom domingo!

Dona Sra. Urtigão disse...

pensava que estuídez assim só ocorria por aqui, subdesenvolvidos que somos. que em País com cultura milenar tanta estupidez fizesse parte de um passado remoto, mas não Cortam-se árvores...
O Humano , decididamente, em todos os lugares decidiu extingüir-se...

Anónimo disse...

"INTERVENÇÃO DE PODA NO PLÁTANO NO LARGO DO RIO DO PORTO"

anunciada no site da Câmara e tudo !
http://www.cm-sintra.pt/Destaques.aspx?ID=859

Todas as outras podas já feitas dentro de Sintra, não devem se baseadas em nada ...

C. Santos disse...

Já vivi uns anos bons, morei sempre em Sintra, terra onde nasci, e onde espero morrer.
Sempre convivi no seio dos plátanos, e no tempo em que havia zelo, e não andava tudo à balda como agora, todos os anos se podavam os plátanos.
Aqui em São Pedro de Sintra, onde moro, os plátanos do Largo D. Fernando II (largo da feira, vulgarmente conhecido), estiveram uns dois ou três anos sem serem podados, em face desta polémica toda, lá se lembraram de os podar, ainda foram a tempo, limitaram-se a cortar aqueles paus fininhos que todos os anos rebentam, que vão engrossar se ninguém fizer nada.
Não houve radicalização!
O plátano se for controlado não faz mal a ninguém, rebenta quando chega a primavera normalmente, mas como qualquer árvore necessita de limpeza anual.
No meu entendimento aí em Colares foi o desleixo total, deixaram as árvores crescer desmesuradamente (anos a fio sem intervenções), para agora fazerem intervenções radicais que não beneficiaram nada nem ninguém.
A Junta de Freguesia, não está isenta neste processo.

carol disse...

Faz pena vê-los assim despidos. Pois faz. Mas.... (não quero ser advogada do diabo, mas...) cá em Leiria, fizeram o mesmo no sítio chamado de Marachão ao longo do rio Lis e foi um falatório incrível, a começar por mim, claro! Porém, algum tempo depois reverdesceram e actualmente estão lindos, lindos!
É preciso ter calma!

Anónimo disse...

Os que já foram abatidos e os que estão na calha, estão calmissimos!

Anónimo disse...

Pedro,
No que se refere aos plátanos abatidos em S. Sebastião, peço-lhe que publique fotos dos dois. Ver-se-á que um deles estava completamente "podre" no seu interior, logo, foi bem abatido.
Por outro lado, destaco comentários de C. Santos e Carol: a falta de poda periódica,provocou o desmesurado crescimento de ramos, com os efeitos que todos os que vivem junto dos plátanos sentiram durante anos.
Daí a passividade dos habitantes.
Carol, obrigado pela mensagem que deixa sobre o mais que certo ressurgir dos plátanos agora decepados, observação que faz em função do conhecimento concreto que tem sobre Leiria.
Ainda sobre S. Sebastião/Colares: foram cortados 2 plátanos e já estão plantados 4 novos (aproveitando o espaço de 2 abatidos há alguns anos).Porque não menciona este facto?
A finalizar o comentário: o enfoque do autor do blog tem sido nos plátanos de Colares e nomeadamente dos que estão junto da Adega. Só estes são centenários? e frente aos Bombeiros? e frente à antiga Pensão Eden? Colares vai ficar conhecido por ser o local com maior número de plátanos classificados? E tudo o mais (casos de saude pública, prejuízos patrimoniais para quem está na vizinhança,segurança, etc.,) fica subalternizado por tal classificação?

JAIME CORVO/ Colares

pedro macieira disse...

Caro Jaime Corvo,
Agradeço a sua participação neste debate sobre os Plátanos de Colares, e não só sobre os Plátanos em frente da Adega Regional.

O que aconteceu com os dois abates em frente à Adega, quanto a mim foi um crime de lesa património arbóreo, pois nem estudo do ISA, apontava para o seu abate, nem os quatro (4),pareceres que eu publiquei inclusivé o da Universidade de Coimbra apontavam para essa necessidade. E até agora não ouvi ninguém de Colares a achar que os referidos plátanos estavam debilitados e que o seu abate foi correcto.
Quanto aos outros dois em S.Sebastião,publiquei as fotos do 2º plátanos abatido aqui:

http://riodasmacas.blogspot.com/2011/01/arvores-de-sintra.html

Quanto ao primeiro que também tenho fotos, poderia estar mais debilitado, mas como estes plátanos não foram avaliados no estudo do EngºFabião do ISA, não sei se o abate era necessário (refiro-me ao 1º abatido).Quando estamos doentes não nos fazem a autópsia curam-nos!
Nunca nas minhas posições defendi que ninguém deveria tocar nos plátanos - considero é que há boas práticas e más práticas, e o que se passa em Colares, são más práticas. Os cortes, ou melhor a pseudo poda como está a ser feita aumenta as feridas de forma a que a infecção é muito mais fácil, pois quanto mais largas as feridas maior a probabilidade de infecção, e isto é reconhecido por especialistas, coisa que eu não sou.

Por outro lado, sei que é um defensor de Colares, a Alameda dos Plátanos em frente à Adega é uma imagem de marca de Colares, tem um valor patrimonial que deveria ter sido preservado.Tem um valor importante histórico, por esse motivo não é aceitável o abate daqueles dois Plátanos.
Em relação ao antigo Hotel Eden, pois também aí tenho grandes preocupações sobre o que irá acontecer aqueles plátanos também centenários,depois dos tipos de podas que a empresa Rapamato está a fazer, e gostaria de ver a população de Colares a defender esse seu património.
Quanto às árvores plantadas em frente aos Bombeiros de Colares, irão demorar talvez mais de 50
anos a dar a sombra e o ambiente dos plátanos cortados...esse é o problema dos abates desnecessários
cujas árvores com 50 ou mais anos,além da falta de respeito pela própria árvores, a substituição por árvores jovens sá vem realçar o erro dos abates.
Por outro lado no tal estudo do ISA, define que a EP, irá abater 40 árvores e replantar sómente 22...
portanto 18 árvores irão mesmo desaparecer de Sintra, quais ainda não se sabe muito bem.
Quanto ao plátanos rebentarem, pois é uma das leis da natureza, é verificar como está o plátano da Igreja de S.Sebastião, que foi vitima de uma rolagem recentemente e irá ter aquele finos ramos a partir dos nós das rolagens anteriores, até serem de novo cortados...
Agradeço mais uma vez a sua participação e estarei sempre disponivel para pessoalmente lhe apresentar as provas dos factos que mencionei.
Um abraço

pedro macieira disse...

Fatyly,Carol,
Obrigado pelos comentários,mas o que se passa aqui em Colares, não é o receio de dos ramos agora cortados não reverdecerem - é o facto destes enormes plátanos serem uma imagem de marca de Colares, pese embora as pessoas por este lados não os considerarem assim, mas são árvores ornamentais, não são limoeiros...e portanto as suas copas e a sua envergardura criavam um ambiente que também é um património de Colares.
Por outro lado a forma com amputaram os plátanos, possibilitam que as árvores sejam infectadas e então depois haverá o argumento do abate.
Um abraço

pedro macieira disse...

Pelo seu interesse transcrevo uma norma do Plano de Gestão da Paisagem Cultural de Sintra em vigir:

Paisagem Cultural de Sintra - Plano de Gestão
Ficha 30 - Regulamento para a intervenção em Árvores de Sintra

"(...) O corte e a poda de árvores reduzem-se ao minímo indispensável . O abate , em regra só deverá ocorrer depois da árvore ter atingido o termo da sua longevidade, isto é , quando começar a secar, definhar ou apresentar sintomas nítidos de decrepitude; as restantes situações deverão ser ponderadas, de acordo com o estipulado no regulamento e/ou legislação vigente. O regulamento aplica-se a qualquer intervenção que seja necessário em árvores que se insiram em zonas verde de uso público, zonas verde de protecção e enquadramento, estradas e arruamentos, praças e logradouros públicos .
Aplica-se ainda, em elementos similares que se situem em pátios, quintas e propriedades de carácter privado.
Visa aprotecção dos exemplares designados de interesse concelhio ou classificados pela Direcção- Geral de Florestas.
(...)
É com esta determinação que assumimos o presente Plano de Gestão e o submetemos à apreciação da UNESCO.

Sintra 24 de Janeiro de 2005