sábado, junho 25, 2011

Porque hoje é Sábado...

NoratlasBA1
Porque está o próximo o 59º Aniversário da Força Aérea Portuguesa, publicamos hoje um apontamento sobre o NORATLAS*. Avião que viria a tornar-se um ícone das operações de transporte aéreo da Força Aérea Portuguesa, no período da guerra do Ultramar em Angola, Guiné e Moçambique.

Nord 2501 Noratlas, foi um avião de transporte militar de construção francesa. Era um bimotor de dupla cauda e de asa alta, concebido e produzido pela Nord-Aviation nos finais da década de 1940.Foram construídos cerca de 400 exemplares, a sua retirada definitiva de serviço aconteceu na década de 1980.

NoratlasBA1b

Melhor que qualquer texto sobre este tema, o testemunho de dois antigos militares que viveram a experiência de viajar neste avião:

Entrei para a FAP, em Julho de 1966 fui para Angola em Janeiro de 1968 e fiz o meu baptismo de voo precisamente num NORD ATLAS, de Luanda para o NEGAGE, com bancos laterais corridos, repletos de militares, no meio estava a carga diversa, onde seguiam também galinhas vivas, e outros animais de capoeira. As galinhas dão-se mal com o calor, e deixam um cheiro nauseabundo, defecam o que têm e o que não têm.
No meio de isto tudo o meu primeiro voo de avião.
Um primor, o avião voava a uma altitude baixa, em Fevereiro na força do calor africano, as galinhas de bico aberto e mal-cheirosas, o barulho dos motores tudo misturado dá um cocktail, de vómitos irresistível, e eu como passageiro de primeira vez não resisti e fui deitar "carga ao mar", como se diz na gíria, mas foi remédio santo a partir daí, fiquei vacinado para as outras viagens.
Espero lá estar no dia 1 Julho, já que tenho programa para dia 2.

Carlos José Santos (Caínhas)
Autor do blogue sintrense
-"Rua Fresca"

Viagem de Noratlas
Este avião ao serviço das tropas Portuguesas nas três frentes de batalha, e essencialmente em Angola,serviu muitas vezes de meio de transporte entre Luanda, e Tôto, Maquela do Zombo, e São Salvador do Congo,e pelo menos uma vez por semana, transportava Géneros alimentícios mais ou menos frescos,como por exemplo peixe, carne,e também produtos relacionados como hortícolas, e correio para as nossas tropas..Pela primeira vez que andei neste meio de transporte, foi entre Tôto e Luanda e notei que a aeronave batia e abanava por todos os lados, mas nunca ouvi dizer que tivesse havido qualquer acidente com estas maquinas voadoras, de apoio as nossas tropas, e cabe-me dizer que para a época já faziam um trabalho extraordinário, mesmo no transporte de militares e em especial as tropas que se encontravam isoladas no interior de Angola.
Testemunho encontrado -aqui

NoratlasBA1c
Fotos do Noratlas Nº 64054 que se encontra no Museu do Ar (BA1-Granja do Marquês)

*Noratlas também denominado Nord Atlas e numa denominação mais popular "Barriga de Ginguba"

Fontes consultadas:
-"Noratlas Nº6405..." de Mário Diniz e Dr.Luis Proença-publicado na revista "Mais Alto" nº387
-Blogue "História de uma vida-Memórias do Ultramar,Quim"

3 comentários:

Carlos José Santos disse...

Acrescentando algo ao que está escrito pela pessoa que dá o segundo mote do post do Pedro sobre o Nord Atlas, avião mítico da FAP.
Essa pessoa devia ser um militar do exército, pois ninguém da FAP, faria a sua primeira viagem de Nord, do Toto para Luanda, porque antes de ir para cima para o AB3 Negage, partindo de Luanda faria aí sim o seu batismo de voo, porque na FAP as deslocações eram feitas de avião. O Toto era um destacamento da FAP, onde estive por duas vezes, situava-se em pleno mato, em zona nevralgica, só havia o Aerodromo e o Batalhão do exército.
O meu trabalho era exactamente como operador de comunicações, entre outras coisas, fazer o controlo das aeronaves, aterragens e descolagens, e ainda secção de cargas, quem sabe se não fui eu que lhe fiz o bilhete de embarque?
Ele narra que o avião abanava por todo o lado. De facto para quem não é do metier, metia um bocado de impressão porque era um avião com uma grande envergadura de asa, e por isso tinha que haver alguma vibração, mas eram máquinas sempre bem assistidas e nesse tempo com a manutenção sempre feita a tempo e horas não havia nada a temer, não houve nenhum acidente no meu tempo. Hoje não sei como é, já ouvi dizer que há aparelhos inoperativos por falta de dinheiro para comprar peças!...

Fatyly disse...

Gostei de rever o barriga de jinguba e ler a reportagem e testemunho de quem passou pela minha terra.

Parabéns pelo post

pedro macieira disse...

Acrescentei hoje num post(Segunda-feira) algumas notas sobre o Noratlas.
Abraços