domingo, agosto 21, 2011

Histórias do Eléctrico de Sintra

Electricogalamaresf

Texto e notas, de "Eléctricos de Sintra" de Júlio Cardoso e Valdemar Alves,Ed. CMS

Para se auto-financiar (a Companhia Sintra-Atlântico, constituída em 1914), foram estabelecidos outros serviços, como o transporte de água entre Sintra e a Praia das Maçãs, para ser vendida nesta última localidade. Este serviço *"[... ] apesar de não ter sido conhecido com grande antecedência, a água teve grande procura por parte das familias, que em grande número, este ano ali veraneiam [Praia das Maçãs].Todas as noites são cheias no chafariz da Câmara ** as vasilhas que a necessidade de consumo indicar, e conduzidas para o deposito de material na Ribeira, donde saem para a Praia no primeiro carro, a fim de ali ser vendida das 7,17 às 18,25, sem que a sua frescura tenha sido prejudicada pela acção do sol.O trabalho de captagem no chafariz da Câmara é cuidadosamente feito, de forma a garantir a absoluta pureza daquela água, sem duvida a melhor e mais pura de Sintra, que até aqui só se conseguia beber na Praia das Maçãs à custa de muito trabalho, por um preço relativamente elevado, e sem garantia de pureza e frescura com que ali se encontra[...]"*** Esta água era vendida ao preço de três centavos por cada 5 litros.

*Notícias de Sintra, Ano1 , nº41 , 18 de Abril de 1915

** O chafariz da Câmara era a fonte que existia no início da Volta do Duche em frente do Museu do Brinquedo, edifício que outrora albergou os Paços do Concelho. Mais tarde foi substituido pela Fonte Mourisca, demolida em 1960 e actualmente colocada a meio da Volta do Duche.

***Notícias de Sintra ano 1, nº10 de 3 de Setembro de 1914

3 comentários:

Carlos José Santos disse...

Em casa dos meus pais, e em muitas casas na Vila Velha, havia esse hábito de no verão comprar uma bilha de barro, e ir buscar água ao chafariz da Câmara, porque era melhor e mais fresca que a do contador, como se dizia, "contador" que eram uns depósitos por onde a água passava antes de chegar à torneira e, batia á medida que iam passando os metros cúbicos, eram os chamados contadores de bater, se não me engano eram azuis com uma torneira de metal amarelo.
A água da então Companhia das Águas, era fornecida de várias proveniências, algumas casas da Vila eram abastecidas pelas águas do Palácio, que tinha água própria.
Isto não tem muito a ver com eléctricos, pois não?
Mas tem a ver com água, e de como se vivia, até aos anos cinquenta e seis/sete.

pedro macieira disse...

Caro Carlos José Santos,
Mais uma nota da história de Sintra, que enriquece o apontamento sobre o transporte da água para a Praia das Maçãs.Assunto que as gerações mais novas desconhecem completamente.
Um abraço

carol disse...

Lembro-me bem das mudanças dessa fonte. Mas eu, que vivia na Escola (de Santa Maria) junto à Casa dos Penedos, ia buscar a água à Fonte da Sabuga - que boa! Que fresca! E à borla...