sábado, junho 10, 2017

Sobre a Quinta do Relógio

"Conta-se que, um dia o rei D.PedroV passava diante desta casa na companhia do seu amigo o marquês de Sá da Bandeira, este último, ouvindo a doce melancolia de um repuxo, perguntou-lhe: «Senhor, o que é este barulho?». «-certamente a água»  -Não, senhor, é o sangue dos negros flagelados pelo chicote que este homem transformou em ouro». Se as origens deste palácio de estilo árabe edificado em meados do séc XIX por um traficante de escravos são bem conhecidas, em contrapartida sabem-se poucas coisas acerca da história desta propriedade."

In "Quintas e Palácio dos Arredores de Lisboa"de Anne de Stop (1986)

Quinta do Relógio


Foto cedida por Emilia Reis

"Localizada no largo com o mesmo nome, a propriedade foi adquirida durante o reinado de D.Pedro V (1835-1861) por Manuel Pinto da Fonseca, rico negociante e antigo traficante de escravos, que contratou António Manuel da Fonseca Júnior para elaborar o projecto da casa.
Esta foi edificada em meados de Oitocentos, fruto das influências românticas e de inspirações neo-árabes.
O palacete principal é ladeado por duas construções mais baixas, encontrando-se a fachada do edifício pintado por faixas transversais e ornamentada com motivo florais e geométricos de inspiração neo-árabe. 

Este edifício possui ainda sete janelas sobrepujadas por arcos em forma de ferradura, surgindo, ao centro, uma galeria também rodeada por três grandes arcos em ferradura, suportados por finas colunas com capitéis de motivos florais, destacando-se, na parede entre as portas,uma pintura com divisa dos reis mouros a branco sobre fundo azul: «Deus é o único vencedor».


*texto Quinta do Relógio transcrito do Sintra Guia ed.2008, da CMS
 foto de  "Quintas e Palácio dos Arredores de Lisboa"de Anne de Stop (1986)

A quinta possui, ainda um jardim, plantado pelos primeiros proprietários com plantas raras e exóticas, como as magnólias, camélias, araucárias,fetos, fúcsias e nenúfares de grande envergadura que cobrem os lagos.
Sendo propriedade privada, não é possivel visitar, podendo ser observada apena a partir do exterior.


Lago do jardim da quinta (foto cedida por Srª.D.Teresa Carvalho)


Em frente à entrada principal da 
quinta está plantado um sobreiro centenário  (Sobreira dos Afectos),que aí resiste, imponente, ao tempo

e aos homens."
(Foto cedida por Srº.D. Teresa de Carvalho)

Créditos
*Agradecemos a colaboração da Senhora D. Teresa de Carvalho, bisneta de Carlos de Oliveira de Carvalho, o "Carvalho da Pena" antigo regente do Parque da Pena e de Emilia Reis, que amávelmente nos cederam as fotos que ilustram o texto do "Sintra Guia", sobre a quinta que a CMS pretendeu  comprar em 2010.

*Nota:
*Monte Cristo

"Manuel Pinto da Fonseca antigo traficante de escravos, cognominado o Monte Cristo, cuja vida tumultuosa é aparentada com a de Edmond Dantés, o Conde Monte Cristo do apaixonante romance de Alexandre Dumas"

 In "Quintas e Palácio dos Arredores de Lisboa"de Anne de Stop (1986)

2 comentários:

Graça Sampaio disse...

Como gosto que nos traga estas histórias, Pedro! Obrigada.

Beijinho.

pedro macieira disse...

Obrigado.Bj!