sexta-feira, setembro 24, 2010

O fim do horário de Verão do Eléctrico da Praia das Maçãs (Actualizado)

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O horário de Verão do eléctrico da Praia das Maçãs, termina no dia 26 de Setembro. Este Verão o eléctrico só circulou a partir de 18 de Junho, de Sexta a Domingo - continuando nos outros dias com obras na via. Esperando que ao fim do horário de Verão, suceda um horário de Inverno e que no próximo Verão a circulação do eléctrico se faça, todos os dias.

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Histórias do Eléctrico da Praia das Maçãs

O nosso amigo Carlos Santos-Caínhas, deixou um comentário que é um testemunho da história do eléctrico da Praia das Maças - pelo seu interesse fica aqui transcrito:

"(...) Eu tenho história por laços de família com a então Sintra Atlântico concessionária dos eléctricos. Porquê? O meu pai era correeiro e estofador, tinha a sua oficina na Rua do Arco do Teixeira, (ao lado da Piriquita), e tudo quanto fosse relacionado com esses trabalhos na Companhia eram-lhe adjudicados. Fui com ele muita vez para as oficinas da Ribeira, parece que ainda tenho nas narinas o cheiro da oficina, sobretudo quando tocava para almoçar e o pessoal ia comer o que levava nas marmitas. O meu pai é que fazia de novo as cortinas dos eléctricos (em lona), os que tinha estofos e estavam rotos eram reparados, ou estofados de novo, (os eléctricos fechados). Dos vários autocarros estofados de novo ao longo da vida do meu pai, lembro-me de ter sido todo estofado de novo, um cujos bancos originais eram em pele de búfalo, mandaram vir igual, eram peles importadas, e tinham o cunho com um búfalo e Made in USA. Hoje era incomportável fazer um trabalho com aquela perfeição, isto terá sido no inicio dos anos 60.
Fica bem falar de pessoas que foram o suporte da Sintra Atlântico durante uma vida inteira, como por exemplo o chefe das oficinas da Ribeira, o Senhor Claudino, grande profissional. daqueles que fazia antes, para explicar como se executa. Um homem sério, que trabalhou uma vida para aquele patrão, sempre com uma grande dedicação e sabedoria. O senhor Pedro, soldador, e bate-chapas, fazia-se ali uma carroceria totalmente nova, fizeram várias. E muitos outros, no Inverno quando os eléctricos não tinham trabalho o pessoal guarda-freio, recolhia à oficina e faziam trabalhos de reparação. Neste caso estava o Senhor Fernando Crespo, e outros que estou a ver a cara mas não me lembro do nome, um deles era um (menino naquele tempo) que salvo erro,* é o Presidente da Junta de Colares, foi cobrador, guarda freio, e de Inverno ia para as oficinas. Outro nome os Catarino's. E fico-me por aqui.
Espero que não me levem a mal, recordar é viver."
Carlos Santos -Caínhas

*Onde se lê "é" o Presidente da Junta de Colares, deverá ler-se; - "foi"!
Porque já me tinha esquecido que o actual é o meu amigo, Rui que conheço desde criança, e esse nunca foi da Sintra Atlântico que eu saiba.
Foi concerteza o Presidente da Junta de Colares antes do Rui, esse sim. Outros nomes da Sintra Atlântico, o Cardoso que era fiscal, o seu filho Tó que no Verão estava numa casinha na Praia das Maçãs para dar assistência ao maior fluxo de tráfego. Esta família morava mesmo na Ribeira de Sintra nas casas da Companhia.
Carlos Santos -Caínhas
"O Passeio de Eléctrico"
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No número de 14 de Agosto de 2010 da revista "Fugas" do Jornal Público, o Eléctrico da Praia das Maçãs é o protagonista de uma reportagem com texto e fotos de Luís Maio.

"A Linha do eléctrico que liga Sintra à Praia das Maçãs deve ser a quintessência da experiência bucólica sobre carris. Viaja-se em peças de museu gloriosamente restauradas, que hoje circulam sobretudo pelo prazer de circular, ao ritmo do seu tempo de construção. Levam três quartos de hora a percorrer menos de 13 quilómetros de paisagem protegida entre a serra densamente florestada e o mar aberto, passando por quintas pitorescas e vilas tradicionais. O eléctrico é assim parte integrante, ou mesmo o epítome, da mística que consagrou Sintra como santuário do romantismo(...)"

5 comentários:

Fatyly disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fatyly disse...

Ficará de novo parado, paradinho mas verifiquei que este ano ia sempre cheinho:)

Adorei o testemunho de Caínhas.

Caínhas disse...

Onde se lê "é" o Presidente da Junta de Colares, deverá ler-se; - "foi"!
Porque já me tinha esquecido que o actual é o meu amigo, Rui que conheço desde criança, e esse nunca foi da Sintra Atlântico que eu saiba.
Foi concerteza o Presidente da Junta de Colares antes do Rui, esse sim. Outros nomes da Sintra Atlântico, o Cardoso que era fiscal, o seu filho Tó que no Verão estava numa casinha na Praia das Maçãs para dar assistência ao maior fluxo de tráfego. Esta família morava mesmo na Ribeira de Sintra nas casas da Companhia.

carol disse...

E era nestes eléctricos abertos que nós íamos para a Praia das Maçãs com a escola! Os rapazes da escola de S. Martinho e as miúdas da escola de Santa Maria da Vila - finais dos anos 50. E o meu amigo Caínhas falou nos cobradores e guarda-freios e eu lembrei-me de um, de aspecto já velhote, baixo e muito moreno, que nos fazia a vida negra (ou nós a ele! com tanto barulho e tanto balanço que dávamos ao eléctrico...)e a quem nós, miúdos insolentes (ao pé dos de agora éramos uns anjos...)chamávamos "o encardido"...

Caínhas disse...

Como tu amiga Carol, ainda foste descobrir o "encardido" lá aos teus arquivos.
Já agora lembrar o que nós rapazes fazíamos às escondidas da D. Maria, que era conhecida pela D. Maria Pequena, por ser muito baixinha. Era a responsável por todos nós tinha uma liderança invulgar, ela sozinha tomava conta de mais de 30 rapazes de cada vez,fez isto durante muitos anos.
Quando o eléctrico estava a chegar perto da Zona dos pomares, no Vinagre especialmente onde a linha era mais apertada, nós estendíamos o corpo pendurados no estribo, só presos por um braço e deixávamos arrastar durante um tempo o braço até apanhar o que viesse à mão, pêssegos, maçãs, o que calhava, outras vezes eram só folhas.