quarta-feira, julho 10, 2013

Bolas de Berlim com Creme


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Bolas de Berlim

Durante a 2ª Guerra Mundial, uma refugiada em Portugal, de nome Davidson, começou a fabricar em casa, um bolo que conhecia do seu país natal, ...a Alemanha, e que ela vendia a outros refugiados e depois, a quem mais quisesse provar. Era um frito de massa de farinha doce, redondo como uma bola, polvilhado de açúcar, no interior do qual se injectava um doce, normalmente vermelho. Na Alemanha, o bolo era chamado Berliner Pfannkuchen (bolo berlinense de frigideira), ou simplesmente Berlinner Ballen. Essas foram as primeiras “Bolas de Berlim”, que mais tarde seriam vendidas também nas pastelarias com algumas adaptações - cortadas horizontalmente e recheadas com o chamado “creme pasteleiro”. Esta história foi contada pela historiadora Irene Flunser Pimentel, no seu livro “Judeus em Portugal durante a II Guerra Mundial”.
Foto e texto daqui:
https://www.facebook.com/projetomemoria
 Via https://www.facebook.com/jorge.macieira.3

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Foto adapt. daqui:
http://wwwmeditacaonapastelaria.blogspot.pt/

As Bolas de Berlim da Praia das Maçãs por Nuno Lobo Antunes:
(...) A praia era a sala de espectáculos: havia fantoches de cabeça de pau que, com voz esganiçada, reproduziam rixas de bêbados, vendedores de línguas-da-sogra em quantidades volúveis, de acordo com a tômbola que encimava a lata, num casino sem néon para apostadores de calções. Aparecia o Catitinha e o seu apito, espécie de Pai natal do Verão, que distribuía apertos de mão, numa antecipação notável dos politicos de hoje. E batatas fritas da Tia Maria em pacotes sem rótulo, e bolas-de-berlim em cestos de vime cobertos de alvuras de linho. Nesse tempo, a bola-de-berlim não tinha creme. E havia também o cabo-do-mar, imponente na sua farda, marinheiro inútil, em doca seca. E distinções de classe, porque a praia , ao domingo era para o povo. E toldos às riscas que navegavam à bolina de acordo com o vento, e barracas com pontes levadiças que se baixavam e se transformavam em casulos onde meninas, dentro se despiam para sairem borboletas, E havia amores, os primeiros, onde não mais se retorna, porque o coração deixou de ser o mesmo. Praia das Maçãs sem macieiras, habitada pela minha infância, bichos de areia e jogo do prego, aparece na solidão da velhice, para me dar, de novo, desbotada, a ilusão da felicidade."
Nuno Lobo Antunes
Depoimento recolhido por Teresa Campos
Revista Visão nº853-9a 15 de Julho de 2009


*A Tia Maria de que fala Nuno Lobo Antunes, figura bem conhecida de quem frequentava a Praia das Maçãs -também conhecida no Mucifal, onde residia por Mariazinha do Beco.  

4 comentários:

Fatyly disse...

Um post delicioso e desconhecia esta história da 2ª maldita guerra mundial. Para mim será sempre sem creme. Ainda os autocarros não iam à Praia Grande e ficava sempre na Praia das Maçãs com as filhas e a respectiva tralha e recordo uma senhora a vender o que referes, mas não sei se será a mesma. Como eram tão boas e julgo que nunca mais comi iguais.

Anónimo disse...

Ficava-se no Rodízio, ia-se a pé até ao fundo da Praia Grande, onde havia os baloiços da Colónia da CUF, e vi-se a miudagem descer e subir os 300 degraus depois de uma manhã de praia...
Muitas vezes íamos a pé (com pais e avós), pelas arribas até à Praia das Maças almoçar ao Mar-Belo.
Que saudades...

Carlos José dos Santos disse...

Apareciam vários tipos de vendedores na praia, a batatinha frita, a bolacha americana, o fruta ou chocolate/gelados, mas as bolas de Berlim quentinhas, eram as primeiras a marchar.
Estas histórias da Praia das Maçãs, para quem as viveu como nós sessentões, trazem-nos muita coisa à memória.
Mais tarde quando já com catorze/ quinze anos, aos sábados de tarde se ia para a piscina, entrada 7§50 (sete escudos e cinquenta centavos), uma fortuna depois ao fim da tarde, antes de apanhar o eléctrico para Sintra íamos ao Búzio comer uma sandes de leitão por 5§00(cinco escudos), e beber uma imperial, tudo po 7§50.
Recordações!...

Anónimo disse...

Bom post! Também vivi o que conta o NLA, passo a passo.
No passado fim de semana, que estava enevoado, ouvi dizer ao dono da padaria-confeitaria de Janas que fornece atualmente as bolas de Berlim aos vendedores da Praia Grande: "O nº de bolas que vendo nos fds (entre 300 a 1500 por dia) mostra como está o clima na praia."