domingo, outubro 10, 2010

Tempo das Vindimas em Colares (III)

Chegada da uva Ramisco à Adega Regional de Colares

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A Adega Regional de Colares -fotos de 2/10/2010

"De longínqua tradição, encimando a famosa lista da viticultura nacional, o vinho de Colares contém particularidades únicas, que o tornaram ao longo dos anos num dos mais apreciados vinhos do mundo. A sua famosa casta Ramisco, cuja vinha é abacelada em terrenos arenosos do litoral e sujeita ao micro-clima existente na região sintrense, produz um vinho de bouquet magnífico, cheio de delicadeza, sabor e perfume agradáveis, e com pequena percentagem de álcool.(...)"
*João Rodil em "Sintra na Obra de Eça Queirós"

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Uva Ramisco -fotos de 02/10/2010

Ramisco é uma casta de uvas tintas portuguesa cultivada principalmente na região Colares DOC. Os vinhos varietais de Ramisco têm taninos muito marcados e adstringentes , o que lhes permite envelhecer bem.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ramisco

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"Pensa-se que a introdução da casta “Ramisco” na região se deve ao rei D. Afonso III (séc. XIII), que a teria trazido de França. O grande enólogo Ferreira Lapa afirma que “o Colares é o vinho mais francês que possuímos”. O rei D. Dinis (séc. XIII-XIV) aplicou aos mouros, donos das terras de Colares, um tributo no qual se inclui uma quarta parte da produção de vinho da região. A primeira exportação de vinho de Colares, documentada, efectuou-se no reinado de D. Fernando I (séc. XIV). D. João I (séc. XIV-XV) ofereceu esta região a D. Nuno Alvares Pereira como recompensa pela vitória de Aljubarrota.(...)"

Na Revista de Vinhos, nº 154, Setembro de 2002.

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Um pequeno produtor entrega à Adega Regional o resultado da sua produção de Ramisco de 2010

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A produção da uva Ramisco dos associados da Adega Regional, permitem que a Adega produza, actualmente cerca 5.000 litros do famoso néctar.

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Fotos de 02/10/2010
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Durante a recepção da uva Ramisco -fotos em 02/10/2010

Memórias de uma outra época:
"Segundo alguns elementos estatísticos tornados públicos, a produção normal do Vinho de Colares anda à volta de 2.000 pipas, estando as vinhas divididas por cêrca de 600 viticultores."
"No "O Vinho de Colares"Ed. da Adega Reg.de Colares em 1938

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"Na Adega Regional, cujas instalações, num constante e progressivo aperfeiçoamento, se podem considerar modelares, são as uvas despejadas numa ampla fossa, onde o pessoal devidamente especializado procede a uma rigorosa selecção das uvas chegadas, verificando a casta, maturação e expurgando os cachos doentes, verdes ou de outras castas.
Dá-se então comêço à cuidadosa vinificação.Um esmagador eléctrico Foulograppe esmaga as uvas e por meio de uma bomba tudo se eleva mecânicamente para os balseiros.(...)"

Em "O Vinho de Colares"- Ed. da Adega Regional de Colares em 1938

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Após a recepção da uva, procede-se ao seu esmagamento- iniciando-se um novo ciclo na produção do Vinho de Colares- foto de 02/10/2010

As vinhas
"Plantadas na camada argilosa subjacente à camada arenosa, ainda hoje se utiliza, nas vinhas da denominação Colares, ao invés de qualquer viticultura europeia, o sistema radicular das plantas americanas, ou seja, os chamados porta-excertos. A imunidade ao ataque filoxérico dos fins do século XIX, fez com que ainda presentemente as vinhas sejam plantadas de pé-franco.Todavia pode colocar-se agora a questão - será que resistirão à ausência de viticultores?

Presentemente, a classe etária a que pertence a maioria dos produtores associados da Adega Regional, é elevada. São pessoas que possuem uma grande lucidez em relação a isso, mas para quem a vinha é uma parte de si próprios. Pode mesmo afirmar-se que, nalguns casos, é possivel observar o estado de saúde do viticultor através da observação da vinha, em diversos momentos so seu ciclo cultural. Torna-se por demais evidente que se nada for feito, a curto prazo para inverter este estado das coisas o limite será o desaparecimento da viticultura de Colares.(...)"

*José António Vicente Paulo Presidente da Adega Regional de Colares
"Jornal de Sintra" de 10 de Novembro de 2006

Agradecimentos:
Ao Enólogo Francisco Figueiredo, ao Presidente da Adega Regional de Colares- José António Vicente Paulo, e aos trabalhadores da Adega Regional, pela facilidades concedidas para a realização deste trabalho.

2 comentários:

Caínhas disse...

Ora aqui está um grande problema que se coloca a alguns dos bons produtos de origem portuguesa. Não temos quantidade suficiente para nos expandirmos para lado nenhum. Um vinho excelente que só dá numa produção anual cinco mil litros, é pouco mais que para consumo caseiro. Se for exposto em qualquer certame internacional, e tiver o agrado de algum importador estrangeiro, vai logo pedir mais de dez mil garrafas, e aí vai ouvir certamente um rotundo, "isso não temos". Ou então vai levar gato por lebre!
Sei que foi plantada uma vinha relativamente nova, nas Azenhas do Mar junto ao Pinhal do lado esquerdo, mas também ouvi dizer que muitos produtores estavam a deixar as suas vinhas porque eram muito trabalhosas, e que não tinham a devida recompensa.

pedro macieira disse...

caínhas,
A viabilidade económica do Vinho de Colares, plantada em chão de areia pelo métodos tradicionais é problemático. O número de produtores tem diminuido - e o aparecimento da Fundação Oriente com métodos mais modernos de cultivo da vinha, coloca Adega Regional em situação bastante dificil - gostei de sentir o interesse do seu Presidente em ensaiar em Vinhas em chão de areia (utlizando o método tradicional)novas técnicas de cultivo de forma a conseguir uma maior produção de uva da casta ramisco.
A solução para melhorar a situação, passa por uma série de medidas, mas fundamentalmente por maior apoio da CMS à segunda mais antiga Região demarcada de Portugal.
Um abraço