sexta-feira, outubro 08, 2010

Tempo das Vindimas em Colares

Vindimar o Ramisco

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"É numa região entre a Serra de Sintra e o oceano Atlântico, fortemente fustigada por ventos marítimos e com elevada percentagem de humidade, que nascem as pequenas uvas que dão cor ao vinho Colares, cuja produção remonta à época da fundação de Portugal.

As características próprias da vinha que produz o Colares DOC (Denominação de Origem Controlada), rasteiras, com raízes a quatro metros da superfície, permitiram às vinhas escapar no final do século XIX à filoxera, uma doença provocada por um insecto, que destruiu milhares de vinhas em toda a Europa."
No Jornal OJE

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"As vinhas desta região, situadas próximo do mar e sujeitas aos ventos marítimos muito fortes, são protegidas por paliçadas de canas, conferindo um aspecto muito especial a esta paisagem vinícola. Colares, pela sua natureza geológica, divide-se em duas sub-zonas: "chão de areia" (região das dunas) e "chão rijo" (solos calcários, pardos de margas ou afins).

As características únicas do vinho de Colares devem-se às castas, solo e clima temperado e húmido no Verão e, ainda, ao facto de 80% da vinha estar instalada em "chão de areia", respeitando a prática tradicional de "unhar" a vara de "pé franco" no estrato subjacente à camada de areia.."
No Sintra Romântica

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Negrito "Em 1885, os vinhais do país foram, em grande parte, devastados pela filoxera. Mas os vinhais de Colares ficaram incólumes, para o que muito contribuíram as condições dos terrenos arenosos, em que o terrível insecto não encontrou modo de penetrar. Por isso, a categoria do vinho de Colares impôs-se, fazendo dele o primeiro vinho de mesa nacional."

No Sintra Romântica
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"Os vinhos de Colares - que, apesar de serem um contra-senso na contramão da racionalidade e da moda, são os vinhos portugueses mais teimosos e mais fáceis de amar. Numa época em que tudo tem de saber a frutas tropicais, chocolate, baunilha, compotas e mijo de gato, os vinhos de Colares, sejam os tintos Ramisco ou os brancos Malvasia, estão entre os poucos que sabem a ...vinho."

Miguel Esteves Cardoso, no jornal Público de 18/03/2009

*Fotos da Vindima do Ramisco em 2/10/2010

Continua

7 comentários:

Caínhas disse...

Antigamente quando a vida era ainda muito mais dura, os trabalhadores rurais iam para Nafarros e se não me engano também para o Mucifal, para um local determinado, que eles chamavam "A Praça", e ali estavam com os seus utensílios, (leia-se ferramentas" próprios para o desempenho das tarefas agrícolas.
Ali estavam tal e qual escravos, que estavam a leilão à espera que viessem os contratadores que lhes dessem um dia de trabalho para poderem forrar o estômago da família.
Claro que os mais fortes tinham uma procura maior.
Funcionava também a lei da oferta e da procura, em tempos de mais trabalho o preço subia mais uns tostões.
Faço votos que a vindima já esteja toda feita, porque esta chuva não é nada boa!

Fatyly disse...

Já passei por elas diversas vezes mas gostei imenso de ler este post. Não suporto o cheiro do vinho, provei ainda era jovem e ia vomitando as tripas:))))) Prefiro apenas as uvas antes de...
Nisso não sou boa companheira e tenho sempre azar em almoços e jantaradas quase sempre em família...porque há quem entorne e lá me levanto a correr heheheheheh

R.Martins disse...

Numa altura em que a fruta da nossa região está práticamente em vias de extinção,(veja-se:Morango Saloio,Maçã Reineta,Pêssego Rosa,Pêras:Parda,Pérola,Lambe os Dedos,etc.),sabe bem vêr uma vinha do nosso Ramisco tão composta como esta.Parabéns pela reportagem.
RSM.

Anónimo disse...

Outro assunto:
Hoje a correnteza ao fim da tarde parecia uma piscina de lama, coisa que nunca antes vira.

pedro macieira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
pedro macieira disse...

Esta vinha é um campo de ensaios da vinha Ramisco, em Fontanelas, o que indicia que há quem se preocupe (felizmente),com o futuro do Vinho de Colares, com a vinha em chão de areia, utilizando os métodos tradicionais de cultivo.

Anónimo disse...

A propósito do comentário de Caínhas,
permita-me dar um "mini-mini" testemunho sobre o que era a vida(?) desses trabalhadores/escravos, no final dos anos 40, não aqui na bela região saloia, mas no Baixo Alentejo. E, passado tanto tempo, ainda hoje tenho a imagem dessa pobre gente esperando sob um sol abrasador que chegasse o feitor dum qualquer "senhor", para os contratar.
Do tratamento e condições, tudo o que se imagine é quase nada...
Obrigado pela atenção.