sábado, outubro 09, 2010

Tempo das Vindimas em Colares (II)

A chegada da uva Malvasia à Adega Regional de Colares

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Foto de outros tempos da chegada da uva de Colares à Adega Regional-(foto não datada)

Colares é região demarcada desde 1908, mas a origem dos seus vinhos remonta a 1255, quando D. Afonso III fez a doação do Reguengo de Colares, obrigando a plantar aí videiras vindas de França.
As características únicas dos vinhos de Colares devem-se à combinação de castas, solo e clima temperado e húmido no Verão, mas principalmente ao facto da vinha ser instalada em "chão de areia". Situadas próximo do mar as vinhas estão sujeitas a ventos marítimos muito fortes, pelo que tradicionalmente são protegidas por paliçadas de canas. As castas são plantadas directamente na areia, sem recurso a porta-enxertos. Os seus solos arenosos conseguiram manter afastada a filoxera, epidemia que assolou a Europa quase todo o território português, por isso as vinhas de Colares da casta Ramisco, não enxertadas, estão entre as mais antigas.
Castas
· Principais castas tintas:Ramisco, com representação mínima de 80%.
· Principais castas brancas: Malvasia, com representação mínima de 80%

http://pt.wikipedia.org/wiki/Colares_DOC

A uva de chão de areia da produção 2010, chega à Adega Regional de Colares
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Pesagem do reboque com uva Malvasia na báscula da Adega Regional de Colares em 30/09/2010

Malvasia é uma casta de uva branca de origem grega usada na fabricação de vários vinhos.
A casta está dispersa por toda a zona do Mar Mediterrâneo. É uma uva para vinhos licorosos de sabor intenso doce e graduado, e é particularmente encontrada no Piemonte, Piacentino, Parmense, Sicília, Puglia (em particular no Salento) e Sardenha (malvasia di Bosa). A coloração pode ser amarelada em vários tipos de espumantes, sendo a mais comum a Malvasia Negra. A graduação alcoólica vai da 12° a 14°.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Malvasia
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Um produtor chega à Adega Regional, com a sua uva Malvasia em 30/09/2010

Vinhedo e Vinhos
Excerto de carta enviada por Rodrigo de Boaventura Martins Pereira,”Lente cathedrático da Escola Médico-Cirurgica de Lisboa” ao seu amigo Visconde de Chancelleiros em 16 de Julho de 1881:

(...) Se dissermos aos nossos vinhateiros que depurem bem os seus vinhos para que elles se não estraguem, respondem-nos, enchendo os bofes com todo o arreganho da sua presumpção, que a borra –a “mãe”-não faz mal ao “filho” – o vinho.
Se lhes dissermos que os vinhos limpos excusam de aguardentação para conservar-se, - replicam emphaticamente que o vinho de imbarque, sem aguardente se estraga ao passar da linha. E é tempo perdido lembrar-lhes o vinho de Collares e o Bordéus.”

( Texto retirado de “Vinhedos e vinhos” – autor: Rodrigo de Boaventura Martins Pereira, publicado em Bibliotheca do Povo e das Escolas nº117, em 1885)

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Vinhos provenientes de solos arenosos, cuja base são as mais famosas castas de Colares: Ramisco e Malvasia. O branco apresenta notas tropicais, já o tinto tem um aroma a frutos secos.
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"(...)As vindimas roubam ao Outono as uvas onde o Verão está escondido e levam-nas para lugares cobertos, onde o Verão será liquefeito e prolongado, melhorando, bem protegido, enquanto as tempestades ou as brisas ou seja lá o tempo que for batem lá fora.
Gosto muito de ver chegar as uvas Malvasia e Ramisco à Adega Regional de Colares. É como assistir ao salvamento do Verão. Todas as frutas do calor já foram comidas. Agora vêm as que são para beber e ficam como o nome de 2010.(...)"

Miguel Esteves Cardoso . jornal Público de 20 de Setembro de 2010

*Fotos da chegada da uva Malvasia, à Adega Regional de Colares em 30/09/2010

Continua

3 comentários:

Fatyly disse...

Como antigamente era tudo tão díficil, pobre burrinhos:) Gostei imenso da reportagem.

João disse...

Isto é Portugal, assim se vê o lado de quem produz, aqueles que ainda acreditam que este país com história riquissima, de aventureiros, mas acertivos descobridores, ainda tem elevado potencial e pode ter salvação.
Tenho muita pena que o legislador e os políticos na generalidade, tenham tão pouca sensibilidade para um dos sectores mais importantes do nosso país e que tem sido tão mal tratado.

pedro macieira disse...

Obrigado pelo comentários,
Abraços