quinta-feira, julho 23, 2015

Queijadas de Sintra - 2ª Parte

SAPA II
Continuação do postQueijadas de Sintra I
“A tribo sapina que tem brotado como cogumelos em terreno fresco, alastrou-se a todos os pontos desde S.Pedro até à Vila, e forçosamente quem faz e vende queijadas, descende e pertence à tribo dos sapas que é mais conhecida do que a tribo de Israel, de modo que quem vende queijadas em Sintra são todos sapas ou sapos(...)”“Francisco José de Almeida,guia de Portugal,Um passeio de Lisboa a Sintra” 1880

A fábrica das queijadas Sapa na Volta do Duche em 1958 (foto cedida por Valdemar Alves)

Antiga inscrição da Marca Sapa (Foto cedida pelo blog Trans-atlântico)

A existência actualmente de dois locais em Sintra, que descendem do mesmo fundador das “Verdadeiras queijadas da Sapa”, é uma situação que tem a ver com decisões familiares, que provocaram neste caso uma separação do local de fabrico, e uma nova marca.
Embora o local oficialmente reconhecido seja o da fábrica da Volta do Duche, que reabriu recentemente, após obras de remodelação, desta vez com a gerência da filha de Francisco Barreto Neves, o antigo proprietário das “Verdadeiras Queijadas da Sapa”, Margarida Neves Soares .
Francisco Barreto Neves cedera o contrato de exploração desta casa há mais de trinta anos a uma sua sobrinha, Maria Fernanda Neves, que se manteve naquele local até há cerca de um ano.

 
E é Maria Fernanda Neves que é prima de Margarida Neves Soares , que neste momento e após a sua saída da Volta do Duche, que fabrica em S.Pedro as queijadas do "Avô Neves".


( Imagem cedida por Valdemar Alves )


A mesma imagem publicitária ,em português e Francês


Segundo ainda José Alfredo Azevedo;“não é possivel determinar dado o tempo decorrido , a relação de parentesco entre Maria Sapa de 1756 e os outros Sapas, também de Ranholas, e que ali fabricavam queijadas.Mas uma coisa é certa:eram todos daquela familia, que é oriunda daquele lugar.
Assim em meados do século passado (XIX), aparece em Ranholas uma Maria das Neves, casada com Manuel Antunes, ela da familia «Sapa» e que também fabricava o afamado doce.

Deste casal nasceram vários filhos e, entre eles, um que se chamou Francisco Antunes das Neves , que foi casado com a simpática «Tia Angelina»(Angelina da Conceição Neves), que foram avós do nosso Chico Neves (Francisco Barreto Neves).Fabricaram queijadas no referido lugar de Ranholas que,não há dúvidas , era a«pátria» dos «Sapas».

O conflito entre a familia Sapa

pressionar a imagem para ampliar(foto cedida pelo blog Trans-atlântico)


O Papel da embalagem das Queijadas da Sapa (imagem cedida por valdemar Alves)

Cronologia histórica das “Queijadas da Sapa”-Francisco Antunes das Neves que nasceu em 14 de Agosto de 1842 e faleceu em 6 de Maio de 1895, associou-se em 1870 com o sogro,Pedro Martinho e, de sociedade, fabricaram em Ranholas o apreciado doce.
-Mais tarde a Sociedade desfez-se e o Francisco Antunes das Neves passou a fabricá-las por sua conta com o nome de «Fábrica da Belas Queijadas da Sapa».

-Francisco Antunes das Neves em 23 de Janeiro de 1889 tirou uma licença para um veículo de duas rodas puxado por um cavalo e vinha para Lisboa Vender a Lisboa as queijadas que fabricava.
-Em 1890 Constrói o prédio na Volta do Duche

-Por morte de Francisco Antunes das Neves(1895) a fábrica tornou-se Viúva Neves & Filho- Angelina da Conceição Neves e o filho António Francisco das Neves.
-O registo da marca foi feito em 1912 a favor de Angelina Conceição Neves.
-Com a morte de Angelina C.Neves a 1 de Janeiro de 1947 a fábrica passou para o filho.
-o filho António F. Das Neves faleceu em 31 de Outubro de 1952, passando a Fabrica para o filho Francisco Barreto das Neves.
-Em 1959 é registada em 11 de Maio a designação do estabelecimento “As verdadeiras Queijadas da Sapa”
-Em 1974 Francisco Barreto das Neves confiou a fábrica a sua sobrinha MariaFernanda das Neves que durante mais de 30 anos garantiu a confecção das queijadas da Sapa.

- Continuação em próximos posts.
 

Fontes Consultadas:-“Queijadas de Sintra” de Raquel Moreira
-Obras de José Alfredo da Costa Azevedo –IV
-Jornal de Sintra
Agradecimentos:Fotografias emprestadas pelo blog “Trans-antlântico” e por Valdemar Alves

Nota :Reedição de post do blog 26 de Março de 2007






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