domingo, dezembro 04, 2011

Tertúlia sobre a Guerra Colonial (Actualizado)

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Como programado, decorreu hoje a "Tertúlia sobre a Guerra Colonial "- assunto que para os portugueses não tem uma única perspectiva. Trinta e sete anos depois, a guerra colonial (1961-1974), gera ainda, como é natural, vários pontos de vista.

Presentes na tertúlia, dois intervenientes directos nos acontecimentos que provocaram as alterações de regime em Abril de 74 - sendo uma das principais, o fim da guerra colonial.

O coronel Carlos Matos Gomes e o coronel Sousa e Castro, traçaram o ambiente histórico de um Portugal “Orgulhosamente só”, analisando algumas das razões que determinaram a descolonização.

Como o assunto gerou interessantes comentários no blogue, de intervenientes no processo de descolonização - fazemos hoje, somente a actualização deste post.


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Fernando Morais Gomes, moderador da Tertúlia com os coronéis Carlos Matos Gomes e Sousa e Castro

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A Alagamares, promove uma tertúlia sobre a Guerra Colonial, quando passam 50 anos do seu início, dia 4 de Dezembro pelas 17h no Legendary Café em Sintra (em frente à Estalagem da Raposa, junto aos Paços do Concelho), com o coronel Carlos Matos Gomes, militar com experiência de África e autor de livros sobre o tema e o coronel Sousa e Castro, capitão de Abril e membro do Conselho da Revolução no período pós 1974. Entrada livre

*Foto publicada em "Guerra Colonial", Ed.do Diário de Notícias

7 comentários:

Fatyly disse...

gostaria de estar presente...mas é algo que ainda me dói imenso e por ter perdido a minha terra graças à péssima descolonização, tão mal contada e os vários livros existentes não contam a realidade no terreno mas a realida que lhes convem e sempre em prol de quem dizia que defendia os interesses economicos de alguns mandantes de cá e os jovens militares não passavam de carne para canhão e se estivesse ainda me saltaria a tampa.

Carlos José Santos disse...

Ainda há muita gente que faz juízo de valor, negativo em relação aos militares que cumpriram nas ex-colónias, apelidando-os como servidores do regime salazarista. É uma tremenda falta de cultura, desrespeito por quem teve que lá ir obrigado, e à força, pelos que lá morreram, e por todos aqueles que ainda sofrem desse mal.
Muitos jovens de então que por estarem mais informados, serem filhos de famílias "bem", e com possibilidade de escapar ao flagelo, fugiram para países que os acolheram como asilados políticos, e ou, pura e simplesmente como emigrantes.
A grande maioria não teve escapatória, era ir, ou ir, sem apelo sem agravo.
Servidores disto ou daquilo, nunca.
Tinhamos, (eu tinha!), amor á minha Pátria, não sabia nada de política, nunca fui incomodado por ninguém, ouvia falar da PIDE, e nos bufos, tinha cuidado com isso e pouco mais.
Tinha orgulho de ser português, coisa que ao longo dos anos se foi esvaindo, não só da minha pessoa como de muitos portugueses.
Hoje nem sabem cantar o hino nacional, não conhecem a nossa história, não sabem se Guimarães é no norte ou no Algarve.
Não consigo atinar com com este país, completamente ao abandono, e nas mãos de uns garotos incompetentes e mal comportados.

Manuel disse...

Pelo vosso fardamento vocês foram as primeiras tropas a irem para Angola. O meu Batalhão 357 foi para lá em 1962. Visita o meu Blogo http://bce357.blogspot.com.
Desejo paz, felicidade, e um bom fim-de-semana saúde

pgarcez disse...

Portugal foi traido pelos
Marios Soares e seus capangas
com a descolonisação das
nossas Provincias Ultramari-
nas,abandonaram à sorte mil-
hares de portugueses fossem
brancos pretos ou mestiços.
A partir de 1974 todos os
(des)governantes que nos go-
vernaram e nos governam teem
nos posto na miséria, Barro-
so dizia que Portugal estava
de tanga, hoje o governo
até a tanga nos roubou.
Continuo a ser Portugues,
amo a minha Patria que não
tem culpa de ter so ladrões
e corruptos a governarem,
os culpados somos nos que
la os puzemos.

Fatyly disse...

Carlos José Santos
Subscrevo totalmente o que dizes e foi precisamente isso que ocorreu e se o que dizes é pelo que escrevi...volta a ler pf e ou não me fiz entender, porque eu que nasci lá nem imaginas a revolta que sentia em ver como aqueles jovens "obrigados e à força pelos motivos que dizes" eram "pura carne para canhão" e por vezes tão mal tratados pelos seus superiores que não saiam dos quartéis ou até de Portugal e ao darem ordem absurdas, defendiam SIM os interesses salazaristas.

Éramos todos portugueses e tive amigos pretos e mulatos que nas fileiras militares tiveram que cumprir e destruirem os seus próprios berços e dois deles, falaram comigo antes de partir e disseram que não conseguiam ir cumprir aquela missão. Ainda os procurei no quartel...pois é...tinham sido dado como desaparecidos quando nem sequer sairam.
Nunca foste incomodado pela PIDE mas cá na metrópole como diziamos foram dizimadas familias inteiras., assim como lá! Nunca ninguém falou disso e quando me lembro até me arrepio, mas presos, iam em aviões militares e transportados como "não tenho adjectivo",e ao largo de S.Tomé e Principe abriam os porões e serviam de alimento aos tubarões. Nunca vi, mas há testemunhos de quem os via!!!

Eu e o meu grupo, visitávamos todas as semanas a cadeia militar e o hospital militar de Luanda, sem grupos associativos e Cruzes Vermelhas, mas por simples voluntariado de dar um pouco de força e esperança com uns cigarritos, revistas e bolachas (oq ue colhiamos em peditórios de porta-a-porta e o que ouvi e vi de jovens brancos, pretos e mulatos, deixa-me que te diga que a revolta era tremenda, porque iam defender as populações mas que populações? Ambas as partes fizeram horrores o que não condeno, porque se não matasses de certeza que morrerias - o que ocorre em qualquer guerra - e a realidade de Angola e nos últimos anos 73/74 e 75 mergulhámos numa guerra civil feita e por tropas infiltradas e treinadas em Marrocos etc. etc. que não eram nem portugueses, nem angolanos.

Tive sempre o maior respeito por todos os militares que iam e compreendo o sofrimento dos familiares ao ve-los partir para "nenhures", para matas que nunca tinham visto e terem sofrido tanto e sobretudo naqueles que tombaram. Depois mais um cinismo salazarista e comparsas, para manterem o povo de cá caladinho...os caixões vinham com pedras...olha, peço desculpa mas não consigo manter aberta a gaveta da memória!

Salazar deveria ter dado a independência em 61 e não ter alimentado uma guerra utilizando jovens portugueses de cá e de lá...para defesa do petróleo, diamantes, minerais etc, etc. Talvez eu tivesse morrido, nunca se sabe...ou talvez ainda estaria por lá!

Libertamo-nos de uma ditadura, de uma PIDE e seus BUFOS cujos elementos nunca foram condenados pelo que fizeram e hoje com as politicas que tivemos mas com maiores possibilidades para aprendermos um pouco mais, de podermos estar aqui a conversar sem ser perseguidos, mas o povo continua a não cumprir um direito adquirido "o voto em consciência" e muitos continuam a venderem-se por passeatas, electrodomésticos, almoços e afins.

Actualmente o que mais me custa ouvir é que quando há um problema e um dos envolvidos é preto...dizerem: vai para a tua terra! Como assim? Se nasceram portugueses e muitos até já são de cá...afinal qual é a sua terra?

Mais...deveriam tirar as reformas chorudas de altas patentes militares e darem mais aos ex-combatentes das colónias.

Mas não...os barrigudos ficaram bem, oh se ficaram e milhares de jovens, hoje homens feitos padecem do stress traumático de guerra e recompensas? Nenhumas e perante isto...o tal "patriotismo que tinhas" eu mando-o para as ortigas!

Um abraço!

Anónimo disse...

Amor à Pátria, orgulho de ser português, é bonito dizê-lo, hoje.
Um jovem, sem ter feito mal a ninguém, ver-se metido (contra vontade) num barco a quem dão uma arma para matar para não ser morto, merecia uma discussão muito séria.
Desculpem sem ofendo alguém.

Carlos José Santos disse...

Este espaço não é para dialogar entre comentadores, mas pelo respeito à Fatyly, quero dizer-lhe que o meu comentário quando foi escrito não havia ainda nenhum publicado, terão sido os dois colocados em simultaneo, escrevi tudo o que me ia na alma na altura.
Quando falo em juízos de valor que considero errados, referia-me ao modo como os ex-combatentes ainda hoje são "mal"-tratados.
Depois do 25 de Abril, essa página era para esquecer, de tal modo que os nossos soldados, que foram para as ex-colónias após essa data, deve lembrar-se, foram enxovalhados, atacados em plena rua, e abandonados pelos governos sucessivos, que queriam entregar aquilo de qualquer maneira aos amigos das mesmas cores políticas.
Sei, assisti, a alguns atos, com a assinatura do regime anterior, não aprofundei esse tema porque o que queria realçar é o respeito que se deve ter pelos militares ex-combatentes, e contar a história a quem não a viveu, como ela deve ser contada.
Também no meu entender a Guerra Colonial nunca deveria ter acontecido, poder-se-ia ter evitado, mas é passado, foi assim não adianta falar.
O que me fez comentar, e onde pretendia chegar no meu comentário, e por vezes perdemo-nos em pormenores!
- Não posso aceitar que depois do 25 de Abril, se enxovalhem os antigos combatentes, a instituição militar, e sobretudo que me chamem colaboracionista seja daquilo que for. Eu fui arrancado da minha família, dos meus DIAMANTES NEGROS, e de Sintra, donde quase nunca tinha saído.
Quanto ao último anónimo, a mim não me ofende nada!
Eu tinha amor à minha Pátria, não andei aos tiros a ninguém, outros o fizeram. Eu era da FAP, e ainda hoje quando me falam da Força Aérea fico arrepiado, e, orgulhoso por ter feito parte daquela instituição.
Também eu fui metido num barco, 13 dias a caminhar para o desconhecido, ao chegar a Luanda fui para os Adidos da FAP, para uma caserna onde só haviam camas com enxergas, sem lençóis, porque cobertores não eram necessários, o calor era muito, mas para suprimir a falta dos lençóis, fomos premiados com milhões de percevejos, bicho que nunca tinha visto na minha vida.
Hoje o meu patriotismo tem muitas reticências!...
Uma das pretenções do manifesto do 25 de Abril, era acabar com a corrupção, não foi conseguido! Nunca houve tanta como agora.
Melhorou-se numas coisas perdeu-se noutras, nem tudo são ganhos, faz parte!